Juliet and Juliet
18 A Bella e a Fera.
Notas iniciais
– Vamos para onde?- questionei novamente vendo Ártemis jogar as duas roupas sobre minha cama, a qual já era ocupada por meus dois lindos cachorros.
– Um baile à fantasia! Zoe e Rachel já foram informadas e eu prometia para a ruivinha que te levaria, nem que fosse a força- falou a ruiva a minha frente sorrindo animada com as mãos na cintura enquanto os olhos brilhavam em excitação.
– Sabe que não sei como agir em bailes!- bradei para ela pondo os cachorros para fora do quarto e fechando a porta logo em seguida- Fala baixo! Papai está no escritório, ele pode ouvir!
Árt revirou os olhos me mostrando uma roupa um pouco estranha. Era um terno, um pouco mais sofisticado com detalhes azuis e dourados com uma blusa social branca por dentro, calça preta e uma botinha preta. Parecia, claramente, com a roupa do príncipe encantado da Bela, de Bela e a Fera. Com a outra mão, Árt me mostrou ou terno, sendo esse branco com detalhes de vermelho e azul, a calça azul e a mesma botinha. Desta vez, parecia o terno de Eric, do filme da Ariel.
O que essa doida estava pensado que éramos? A nova Disney de Nova York?
– Que roupas são essas?- perguntei apontando para elas.
– O baile é à fantasia, sendo assim, você tem de ir fantasiada. O tema é Príncipes & Princesas, qualquer tipo. Maaaas, Luke já me avisou que mudou o tema para todos os que receberam os convites... com exceção de nós. O que quer dizer que seremos os únicos com o tema certo e é ai que a coisa fica legal.
– Em que ponto isso fica legal?- perguntei olhando para aquilo com uma careta.
– Ah, Romeu, como você é lenta- Ártemis revirou os olhos.
– Não me chame assim. Apenas Rachel pode, você não- repreendi-a pegando aquelas fantasias estranhas.
Ártemis riu jogando-se em minha cama, pondo as fantasias ao seu lado. A ruiva levou as mãos a cabeça como apoio, cruzou as pernas e relaxou. Os cantos da boca de Ártemis se ergueram, deixando a mostra um de seus sorrisos divertidos brincando o olhar travesso.
– Nós, cara Reyna, seremos Eric e... bem, não sei o nome da Fera, mas é isso- ela sorriu sentando na cama- E Rachel e Zoe serão Ariel e Bela, só que tem um porém- sentei na cama de frente para aquela maluca- As duas não sabem sobre nossas roupas, eu não as contei.
– Está me dizendo que vamos pagar de Príncipes sem elas saberem?- questionei arqueando as sobrancelhas.
– Exatamente... bem, mais ou menos. Quando chegarmos lá, elas vão descobrir e ai vamos ser os únicos casais reais de lá, mesmo sendo dois casais lesbicos... ai, acho que a Disney deveria fazer um filme com princesas assim, príncipes também. Eu assistiria, Zoe também... sabia que vai ter uma nova princesa chamada Moana para...
– Ártemis!- interrompi-a- Foco, ruiva!
– Ah, sim- Ártemis deu um tapa na própria testa rindo de si mesma- Então, quem você quer ser? Eric ou o tio que eu não sei o nome?
Parei para pensar no quão maluco aquilo era. Mas pensando do modo como Ártemis pensava- não completamente, porque não se não eu teria de ser internada em uma hospital psiquiátrico-, por um lado, Eric e Ariel serviriam perfeitamente para mim e Rachel, mas pelo o que eu conheço da minha ruiva, ela não escolheria justo a princesa ruiva e que largou o mar para viver entre humanos. Rachel escolheria a garota simples e simpática que era Bela, a garota viciada em livros e de coração bom. Se era assim, então eu teria de ser a Fera, que ela por sinal conseguiu domar muito bem.
– Serei a Fera- falei encarando Ártemis nos olhos.
– A Fera? Mas Rachel é ruiva...- Ártemis coçou a cabeça completamente confusa.
Eu ri.
– Eu conheço Rachel, ela não escolherá Ariel, já mais faria isso- respondi revirando os olhos- Então acho que deveríamos nos arrumar, certo?
– Certo. Vou me arrumar aqui na sua casa, com a preguiça do capiroto de ir lá em casa, enfrentar minha mãe, ouvir as baboseiras do pai de Luke, me arrumar e vir te encontrar. Ficamos por aqui mesmo. Isso é tudo pessoal!
– Não estamos nos Looney Toones, Árt- revirei os olhos rindo do final.
– Deixa eu ser feliz, ferinha!
– Ah, ótimo... novo apelido?- ela assentiu sorrindo animada- Ok, pegadora de peixes. Pro banho.
Ártemis fez careta, mas obedeceu. Entreguei toalha para ela e a deixei tomar banho em meu banheiro, eu tomaria no quarto de Hylla, já que a mesma estava sumida desde manhã, mamãe disse que ela saiu para encontrar com uns amigos e voltaria tarde.
Tomei banho lavando os cabelos- usei o shampoo de Hylla mesmo, ela tem uma coleção desses bichos. Assim que saí do boxe, sequei meus cabelos com o secador, enrolei-me na toalha e fui para o meu quarto.
Não sei bem se era porque eu estava com sorte ou era muito trabalho, mas nem mamãe ou papai apareceu durante os minutos que antecederam. Até estranhei, normalmente mamãe já teria ido ao quarto perguntar se queríamos algo e papai já teria gritado algumas vezes para eu ir lá, apenas para ele dizer para eu deixar a porta aberta- papai não confia em Ártemis e, com certeza, em mim.
Adentrei meu quarto, Ártemis estava de roupas intimas lutando a todo custo para abrir o papel plástico que protegia as roupas. Caminhei na direção do meu closet e pus as minhas roupas intimas, voltando logo depois para o quarto, apenas para dar de cara com Ártemis colocando a calça social azul colada. A ruiva apontou para o lado e eu vi a minha roupa posta ali.
Vinte minutos depois, estávamos as duas competindo para saber que iria usar o único espelho de perto que tinha em toda a casa, esse ficava no quarto de Hylla e era pequeno.
– Vai, Rey. Eu te maquio depois, deixa eu usar primeiro!- Ártemis tentava me empurrar, mas eu também empurrava.
– Nem pensar. Da ultima vez, você tremeu a mão quando foi passar o rímel. Eu quase fiquei cega!
– Nem toquei em você direito e estava tremendo de proposito, sabe, dar mais volume!
– Pior ainda! Queria me deixar cega de proposito.
Depois de muita luta, decidimos que eu me maquiaria e depois a maquiava. Assim fizemos, mas depois eu tive de maquiar uma parte do dela, a outra ela ficou com raiva por eu ser “lenta e delicada” demais e foi terminar.
Quando estávamos totalmente prontas, peguei as chaves do meu carro e o meu celular, guardando-os em uma bolsa pequena de alcinha preta. Ártemis disse que me encontrava na garagem, pois ia primeiro em casa avisar a mãe que iria sair.
Parei na porta de casa e suspirei.
– Vamos lá...
– Onde pensa que vai?
Virei-me dando de cara com meu pai de braços cruzados e cara fechada.
– Eu vou a um baile com uns amigos da faculdade. Algum problema?
– Todos! É minha filha, deveria estar vestida com uma moça, não como um rapaz!
– É uma festa a fantasia, pai. Eu irei assim. Por favor, só por essa noite, não estrague isso- pedi como suplica.
Quando papai ia retrucar, mamãe apareceu nas escadas sorrindo.
– Pode ir, querida. Eu e seu pai temos planos para esta noite mesmo.
Assenti.
– Boa noite- lhes dei as costas saindo do apartamento. Encostei na porta soltando o ar pela boca- Valeu mãe.
Dez minutos depois eu estava manobrando para fora da minha vaga na garagem. Assim que aparecia na entrada do Baile, vi Ártemis cercada por criancinhas e tirando foto com elas.
Buzinei.
A ruiva me olhou rapidamente antes de se despedir das pessoinhas e correr para dentro do meu carro. Pisei fundo quando as pessoas me viram e começaram a se aproximar de nós.
– Por que elas estão assim? Não é nada demais!- exclamei olhando pelo retrovisor todos acenando.
– Ah, Reyna, é porque não é todo dia que se vê as princesas como príncipes... ou, princesas lésbicas. Ai isso ficou bem legal, né?
Ártemis gargalhou olhando o celular enquanto eu revirava os olhos.
– Onde disse que as meninas estavam mesmo?- tentei mudar de assunto.
Vi Ártemis me encarar pelo canto do olho.
– Eu não disse- falou ela em um tom brincalhão- Mas Zoe acabou me dizer que elas estão quase prontas, o tempo de chegarmos lá. Estão na casa de Zoe.
Fiz careta.
– Tio Atlas está lá?- perguntei fazendo uma careta de desgosto.
Eu e Ártemis não gostamos de Atlas, mas Ártemis aguenta, o porque é bem claro. Eu o acho repulsivo e obsessivo demais, fora que ele ajudava meu pai com coisas que me dão nojo.
– Cara, é obvio que não. Zoe não deixa mais eu ir lá quando ele está, você sabe. Briguei com ele duas vezes, meti a pequena em uma baita enrascada.
– Ah, sim. Bem, espero que ele não chegue junto conosco lá.
Nós rimos.
Não demorei a chegar lá na casa de Zoe, Árt me ensionou alguns lugares para cortamos caminho. Estacionei perto da casa e desci, seguindo Ártemis na direção do porteiro.
Quando atravessamos o jardim de entrada do prédio, peguei uma rosa muito bonita, achei que Rachel fosse gostar. E então, segui Art para o elevador e, no decimo quinto andar, nós batemos na porta 1503.
Batemos na porta e quem abriu foi tia Pleione, Ártemis me puxou para o quarto no fim do corredor, demos duas batidas e então a porta se abriu, revelando duas lindas princesas.
– Aceitariam nos acompanhar a um baile, milades?- brincou Ártemis fazendo uma reverencia.
Sorri sem graça, pondo uma mão para trás e segurando a flor. Rachel me encarava surpresa e com um largo sorriso, fora que foi exatamente como eu pensei: ela não estava de Ariel.
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