Judith
1 Capítulo 1 – Um encontro sábado à noite
Notas iniciais
"Judith" é uma história inspirada no filme "Juntos pelo acaso", logo de início deixo bem claro que o enredo vai ter algumas pequenas referências ao filme, porém o restante é totalmente original!
Procurei fugir dos clichês de algumas histórias que já existem aqui no Nyah, trazendo algo, digamos, mais divertido! Espero que vocês gostem, é um enredo que está bem encaminhado e tem tudo para que dê certo dependendo do feedback de vocês.
Agora, tenham uma boa leitura. ♥
Felicity Smoak
Uma pergunta que não parou de martelar minha cabeça a semana inteirinha foi sobre o que usar em um encontro sábado á noite. O meu closet é lotado das melhores grifes de Starling City, mas é incrível como que para nós mulheres nunca temos nada para usar em um encontro. Parece que todas as opções que temos não passam de combinações clichês ou de um brega conceitual.
Afinal de contas, estou enferrujada com essa história de encontros, porque sempre fui voltada para os negócios e, digamos, que uma mulher bem sucedida assusta um pouco os homens. Mas para quem tem uma mãe como Donna Smoak, estar solteira beirando os vinte e sete anos é como se estivesse fazendo parte de um dos sete pecados capitais. Então, mamãe e minha melhor amiga, Caitlin, decidiram criar um perfil para mim em um desses sites de relacionamento, no início me achei um pouco estranha, porque certamente as duas me achavam uma solteirona que estava correndo sérios riscos de ficar para titia. Mas depois acabei me acostumando com a ideia de que já estava passando da hora de encontrar alguém, porque eu já tenho tudo o que preciso, um emprego bem sucedido onde eu quem comando, uma casa confortável e um carro do ano. Só que o grande problema é que os homens não costumam prestar, a porcentagem dos que valem à pena é mínima, uma pequena parte são gays – e eu os amo com toda a minha força, porém são nossos concorrentes –, e a outra pequeniníssima parte de héteros que não bostejam pela boca se encontram devidamente comprometidos. E não é como se eu estivesse sendo dramática, apenas sou muito melhor com a matemática do que com os homens.
E aí, depois de me achar uma estranha que não consegue arranjar ninguém através dos métodos “normais”, decidi aceitar essa novidade do século que é encontrar alguém pela internet. Não que eu queira formar uma família e ter filhos com essa pessoa, claro que não, limpar fraudas de bebês é algo que faço apenas com Judith, se bem que ainda não estou muito boa nisso.
Será que existe algum curso especializado em ensinar a cuidar de bebês?
Eles são uma espécie a parte.
— Preciso fazer umas comprinhas... O nude já saiu da moda há um tempo. — respiro fundo ao passar as várias peças de roupas do closet, todas devidamente separadas por cor. Não tenho pudor nenhum em dizer que sou muito chata com organização, para mim tudo tem que estar do jeitinho que deixei. Nada fora do lugar, porque se isso acontecer e eu perceber, o meu mau humor surge das profundezas do inferno.
Mas voltando a minha vida amorosa, antes que eu pire por não encontrar uma roupa que se encaixe nessa noite, preciso dizer que depois que fui apresentada a esse aplicativo minha vida nunca mais foi a mesma. Nenhum encontro nunca passou da primeira noite, porque ou o cara era baixo demais ou alto demais. Ah e quando tinha bafo não rolava de maneira nenhuma, mesmo eu oferecendo aquela balinha de hortelã por mera educação. Mas nada, absolutamente nada, consegue superar àqueles homens que se acham a última bolacha de morango do pacote, e quando me chamam de “gata”, aí sim, ultrapassam todos os limites.
Eu já pensei em desistir, mas minha mãe não me deixaria viver em paz e, claro, Caitlin voltaria a me empurrar o melhor amigo de Barry. E se eu disse que me chamar de gata no primeiro encontro é quase assinar um termo de que não me verá nunca mais, Oliver Jonas Queen, consegue ser o desespero em forma de pessoa. Por isso que eu já vou parando de pensar nesse ser humano antes que ele brote dentro do meu closet com seu sorriso debochado de bolacha sabor morango.
O carinha que conheci há um mês é um dos melhores até hoje, ele é neurologista cirurgião do Hospital de Starling, não é pegajoso e muito menos rapidinho demais. Ficamos conversando por mensagens até ontem e ele nem me pediu essas fotos que as pessoas chamam de nudes, atualmente isso é um milagre. O nome dele é James, o sobrenome é algo estranho que eu não consigo soletrar. Merda. Isso pode se tornar um problema caso ele se importe em ser chamado formalmente. Ele me parece ter uma altura boa, mesmo porque eu não sou muito dotada de altura, os olhos são de um verde claro azulado e a voz eu ouvi pouquíssimas vezes, ainda não posso opinar muito.
— Prontinho! — termino de me avaliar no reflexo do espelho, para quem não tinha nada para vestir há algumas horas, até que estou maravilhosamente linda. O vestido tem um tom vinho que alcança os joelhos, os sapatos de um pretinho básico e meus cabelos harmoniosos, hoje eles estão comportados e alinhados do jeito que qualquer mulher deseja todos os dias, mas que nem sempre é possível.
Din-don.
O barulho da campainha aguça meus sentidos.
James é pontual, acabou de ganhar pontinhos comigo. Pontualidade diz muito sobre os homens e eu gosto disso, agrega valor.
— Oi! — abro a porta rapidamente, não era para ser assim, ser misteriosa instiga mais os homens. Se eu continuar tão ansiosa é possível que ele me ache uma desesperada, mas não vou mentir que James me despertou interesse de verdade depois de tanto tempo, eu até coloquei uma das minhas lingeries preferidas. Não que eu esteja querendo mostra-lo, quer dizer, não que eu vá transar no primeiro encontro... Aff, eu quero transar no primeiro encontro sim, daqui a pouco estarei criando um cinto de castidade aqui embaixo e, afinal, não há problema nenhum de se transar no primeiro encontro. Ele só não pode cogitar em me chamar de gata ou destruir tudo se for como um daqueles caras que é metade machista e a outra metade também.
— É... Oi!
James é lindo.
Alto.
Loiro.
Olhos verdes ou azulados. Tanto faz.
— Podemos ir?
— Você é linda. — James segura na minha mão para podermos finalmente caminhar. Mas algo não está certo, minha mão está molhada e pegajosa. Não acredito, isso vem das mãos de James. Eca. Deus do céu não me faça ter que pensar muito nisso, definitivamente, eu não posso ficar pensando muito nisso. Meus amigos dizem que sou extremamente hipocondríaca, que qualquer tipo de remédio pode encontrar na minha bolsa e por conta disso sempre estou lavando as minhas mãos. Estar com minha mão colada na de uma pessoa desconhecida que sua como um porco não é uma das minhas coisas favoritas.
— Obrigada. — murmuro.
Minha mão não está molhada.
Não está molhada.
La la la...
Meu subconsciente começa a tentar me acalmar.
No entanto, parece que as mãos molhadas de suor não é um dos maiores problemas, porque o carro de James é do tamanho de uma ervilha. Não que eu seja muito alta, mas ele tem um corpo atlético, forte, musculoso, gostoso... Porcaria, ele terá que fazer malabarismo para entrar nessa ervilha automotiva.
— Não precisa se preo-pr-preocupar! — ele gagueja.
— Sem problemas. — solto o meu melhor sorriso. O que posso fazer se sou educada?
James abre a pequena porta para que eu entre, ao menos é cheiroso aqui dentro, deve vir do seu perfume. Se passou pela minha cabeça que essa noite eu poderia transar dentro de um carro, essa aventura foi riscada, não há espaço nem para nós dois aqui! Justamente quando tudo parece ser tão limpinho, tenho certeza de que estaria protegida de qualquer doença aqui dentro dessa cápsula.
— Você sabe de um... De um lu-lugar que poderi-ri-riamos ir? — ele volta a gaguejar. Ah não, isso não pode ser real. James é GAGO? Como eu não percebi isso antes?
— É. — faço uma pausa dramática antes de respondê-lo. Preciso disfarçar para que ele não pense que me importo com esse pequeno probleminha. — Pode ser no Paris six?
Eu particularmente amo o Paris six, a comida é boa, o som ambiente é agradável e o champanhe de lá é incrível. Não ligo de sugerir lugares caros, porque trabalho demais para ser levada a um churrasquinho de esquina – não estou sendo preconceituosa, eu adoro um espetinho de linguiça, isso não foi sugestivo, juro, mas é que uso um dos melhores vestidos do meu closet e não estava nos meus planos sujá-lo com gordura –, e também posso pagar a conta sem problema algum, poxa vida, vivemos no século XXI.
— Po-po-podemos sim! — ele pigarreia parecendo um pouco nervoso. Eu gostaria de rir, mas não o ajudaria muito. Não só pela gagueira, mas é que James está todo apertado, o cinto de seguranças quase não consegue entrelaçar o torço forte.
E que torço.
Jesus quebre toda essa maldição.
— Ótimo.
James pisa no acelerador e libera a marcha para irmos jantar, um bom espumante vai me fazer esquecer a mão molhada de suor e a gagueira. Porque isso não é o que está em jogo aqui e sim a sua inteligência, o bom papo que tivemos nos últimos dias e o caráter que é impecável. Abstrair é uma das minhas melhores qualidades.
É isso, eu só preciso... Abstrair.
Mas o carro não nos ajuda, simplesmente não sai do lugar. Nos olhamos de imediato, eu vejo pavor nos olhos de James. Ele tenta mais uma vez, e outra vez, e a última vez, e quando vou abrir minha boca para dizer que poderíamos ir no meu carro, o motor engasga arrancando-nos em direção ao restaurante. Ufa, se o rapaz já está um tomate de tão vermelho, se eu oferecesse de irmos no meu carro aí sim nosso encontro estaria fadado ao fracasso.
Estamos no meio do caminho, James mais relaxado e acho que a gagueira é puramente emocional, porque ele diminui um pouco o gaguejar durante nosso papo divertido. Ele tem um toque de comédia que me interessa, parece enrolado e desastrado como eu. Só que nem tudo são flores, porque o carro morre assim que paramos em meio a um sinal vermelho e, desta vez, a ervilha automotiva não quer dar sinal de vida.
— Mer-mer... — ele engasga. — Merda! — consegue desengasgar com uma bofetada no volante.
— Relaxa, podemos pedir um táxi!
— Táxi? Eu não costumo gague-ga-gague-gaguejar assim! Minhas mãos estão suadas... Desde, desde que, des-de que to-to-tocaram nas suas. Agora essa porca-ri-ria não quer pegar! Que primeiro encontro desastroso!
Uma força sobrenatural me faz soltar uma gargalhada.
Estou rindo sem limites.
James abre os lábios se preparando para falar alguma coisa, mas o impeço.
— Isso foi fofo.
— Fofo?
— Não como um dos ursinhos que comprei para minha afilhada.
— Eu não sou sempre assim, Felicity. Sempre gago...
Eu volto a rir.
Que diabos está acontecendo comigo?
— Tudo bem, todo problema tem solução.
— Sim, eu faço alguns tratamentos com uma fonoaudióloga, mas você me tirou um pouco dos trilhos.
Primeiro, algumas observações aqui, ele disse uma frase inteirinha sem gaguejar. Segundo, pode ser patético, mas isso é até bonitinho. E, terceiro, o carro parado no meio da rua somado ao movimento com que James ajeitou os óculos de grau totalmente sem jeito depois de quase se declarar, superou todos os acontecimentos desastrosos.
Então, que se dane.
— Quando me referi à solução, era sobre você me beijar agorinha.
Os movimentos são rápidos demais para que eu possa me preparar, James arremessa os óculos de grau para os bancos traseiros e em um rompante tenta se aproximar do meu corpo, mas o cinto de segurança o impede, puxando ele para trás de volta.
— Inferno!
Ele murmura arrancando o cinto de segurança e partindo para cima, literalmente para cima, nossas bocas estão se chocando em um beijo desconexo. É quando decido parar antes que nossos dentes arranquem parte das nossas línguas, é um pouco cômico como ele está me olhando sem entender o porquê de ter parado, tadinho, nem ele percebeu o quanto não estávamos em sincronia. Mas o próximo passo é encostar nossos lábios com calma, ele não diz nada deixando com que eu o guie, e agora sim está gostoso, nossas línguas se encontram dando partida a um beijo que eu poderia colocar na categoria mediana. As nossas mãos estão por todos os lugares, o calor aqui dentro é ainda maior, aquela história de não achar possível transar dentro de um carro do tamanho de uma ervilha foi para o lixo, porque nesse exato instante me encontro encima de James, com minhas pernas enroscadas no seu torço forte. Ele se assustou um pouco de início, mas quem não se assustaria? Eu mesma vou me arrepender depois de toda a euforia, com certeza vou me arrepender.
Há algo vibrando na minha bunda e não, não é o que eu gostaria que fosse. A boca de James descola da minha me arrancando um grunhido insatisfeito.
— Preciso atender. — ele sussurra.
— Claro que não!
— Po-pode ser uma emergência! — as mãos dele me jogam para o banco carona.
Como assim?
Eu não sou a droga de uma bola de basquete para ser arremessada para longe.
— É sábado à noite.
— Fe-fe-fe... — dou um tapa nas suas costas para que ele consiga desengasgar. — Felicity, sou um médico, minha vida é uma emergência!
— Você realmente vai me deixar assim para atender um celular?
— Vai ser rápido, prometo.
O movimento que James faz para puxar o celular que continua vibrando freneticamente é o necessário para que eu abra a porta do carro e saia, colocando fogo pelas ventas. Colocando fogo por todos os lugares já que fui vencida por um telefonema, qual é, estávamos nos encaixando, a própria fúria, que homem para uma pegação para atender um maldito celular? Eu sou a emergência, a única emergência.
— Felicity!
James me grita.
Decido parar para lhe dar uma segunda chance, eu realmente sou boa em abstrair as coisas.
— O que é?
— Preciso correr para o Hospital de Starling.
— Isso é sério?
— É uma cirurgia. — ele murmura. — Mas posso te levar em casa.
— Me levar em casa? James, essa ervilha de quatro rodas está empacada no meio de uma rua sem movimentação alguma, em um semáforo que ninguém para. Acha mesmo que vai conseguir me levar em casa? Será um verdadeiro mistério conseguir chegar nessa bendita cirurgia de emergência.
— É... — ele dá de ombros.
— Eu vou voltar para casa caminhando... Estava calor demais aí dentro.
É melhor dar as costas e iniciar a caminhada de volta a minha casa antes que eu deixe escancarado demais que vou passar a noite com gostinho de quero mais depois da aventura dentro da ervilha automotiva.
— Ah, Felicity, podemos nos ver... Outro di-di-dia?
A essa altura àquela história de abstrair já foi para o saco.
— NÃO! — grito bem alto.
Devo ter assustado o rapaz, porque ele arregala os dois olhos.
— Mas...
— E antes que eu me esqueça, seria bom fazer mais sessões com sua fonoaudióloga! Boa cirurgia Doutor James Sei Lá O Que!
Dou as costas de vez, e para completar a incrível noite, meu salto alto esquerdo entra com vontade no vão de saída de ar da calçada, quebrando. Que ótimo, quebrar o salto de um Louis Vuitton depois de uma noite que com muito esforço poderia ser interessante realmente é um presente de grego.
Resmungando, retiro o par de sapatos e começo a trilhar o caminho de volta para casa de pés descalços depois de mais uma noite fracassada para entrar no meu livrinho de encontros que se tornaram um fiasco. Mas como diz o ditado: Nunca pense que não poderia ficar pior, porque sempre pode piorar.
— Gatinha! — braços fortes e suados me agarram por trás, colando nossos corpos. Primeiro me assusto, depois minhas vísceras se contraem com o molhado da camiseta de Oliver. Sim, a voz é irreconhecível. Aliás, só ele me chama de gatinha puramente para me fazer revirar os olhos.
— Que nojo!
— É suor. Você não sua?
— Suar é fisiológico, todos suam Oliver. Mas isso não significa que eu precise ficar me esfregando nas pessoas. — trato de me desvencilhar dos braços fortes. É pedir muito que depois de um encontro fracassado, um salto quebrado, eu não consiga ter se quer um minuto de paz?
Ele me ignora, como sempre.
— Então você perdeu os sapatinhos de cristal? É melhor se apressar antes que vire abóbora.
Espremo meus olhos.
— Não é da sua conta.
— Mais um encontro que não deu certo? Acho que você não é boa nisso.
Agora Oliver tocou na minha ferida.
Quem é ele para dizer que eu não sou boa em primeiros encontros?
— E você é bom nisso? Na primeira vez que Caitlin e Barry tramaram um encontro para nos conhecermos você apareceu depois de uma hora. Uma hora de atraso, Oliver!
— Eu posso explicar...
— Se não bastasse, você me esperava em uma motocicleta! Como eu iria montar em uma moto com aquele vestido?
— Você é fresca. — ele cruza os braços. O maldito está com aquele sorriso sabor morango nos lábios do qual odeio. A camiseta molhada com o suor de quem estava fazendo sua corrida de sempre pelo quarteirão, me fazendo arrepiar até os pêlos que não tenho, ainda bem que dizem que beleza não é tudo na vida.
— Boa noite, Oliver.
— Não mete essa, vou levar você em casa.
Eu volto a minha caminhada, mas o idiota também volta a me perseguir.
— Como é que é? Não vai não.
— Deixa de ser orgulhosa, estou apenas querendo te proteger.
Me proteger?
Essa é boa.
— Desde quando preciso ser protegia? — paro bruscamente e nossos corpos se chocam, me tirando o último resquício de paciência que restava. — Por acaso está dizendo que eu não conseguiria me proteger porque sou uma mulher?
— Pera lá, eu não disse isso.
Ele ergue ambas as mãos.
— Machista!
— Você é louca.
— Vai se ferrar.
— Felicity...
— Não me siga! — volto a andar batendo os pés no chão, porque meu sábado à noite se tornou um pesadelo. James parecia ser perfeito, mas as mãos suavam tanto que daria para encher os reservatórios de Starling City, para completar, gaguejava como o Guaguinho. Mas eu fui pacífica, tentei abstrair e até mesmo me joguei para cima dele. Ah, se bem que, ele não tinha uma pegada que digamos Oh meu Deus, talvez tenha sido melhor assim. Agora, Oliver surge suado com uma regata ridícula atrás de mim e, claro, com suas implicâncias de praxe.
— Vou ignorar sua falta de educação. — o idiota continua me seguindo até o jardim de casa. É, eu tenho um pequeno jardim, ele tem flores frescas, mas não é sempre assim. Os cachorros do vizinho cismam de arrancar as raízes da grama, deixando tudo uma zona. Às vezes penso em esganá-los, mas esse pensamento diabólico não dura mais que cinco segundos.
— Pronto, já me deixou em casa. — cruzo os braços.
— Não vai pelo menos agradecer?
— Eu não pedi que me trouxesse.
— Por que nunca abaixa a guarda?
Eu rio ironicamente.
Será por que você é um babaca?
Penso tão alto que a frase quase escapa dos meus lábios.
— Porque você é um babaca. — ops, parece que realmente escapou dos meus lábios.
— É, acho que você acaba de virar uma abóbora.
Ele pisca.
O sorriso está novamente ali.
— Tchau, Oliver!
— Gatinha, você não vai me convidar para entrar?
Ele se enfia bem na minha frente.
— Só se for para te enfiar no meu moedor de carnes. — sorrio feito um anjinho. Eu realmente sou capaz de fazer isso se ele continuar parado feito um poste na minha frente.
— Você não faria isso.
— Quer tentar a sorte?
— Você precisa relaxar um pouquinho mais, parceira. — seus lábios riscam na minha bochecha com rapidez, antes que eu o acerte. Geralmente ele sempre faz isso, mas de propósito me baba para que eu o xingue eternamente. É nojento. Muito nojento.
— Se eu não estivesse esgotada o acertaria em cheio!
— Minhas bolas estão com sorte. — volta a dar de ombros.
— Me deixe ir, Oliver.
Me preparo para andar quando ele me pega pela mão.
— Nos vemos amanhã no aniversário de um aninho da nossa garota?
— Claro, pela Judith, é só por ela que aceitei você como padrinho do meu lado.
— Não vai ser tão ruim assim.
— Já está sendo, Oliver. Já está sendo.
— Boa noite, gatinha.
Ele me deixa ir.
— E para você, uma péssima noite!
Notas finais
Até o próximo, meus amores. ♥.♥
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