Jovens Caçadores - O Ciclo (1)
8 Capítulo 9
Nina Narrando
De todos os meninos solteiros existentes na face da terra, eu tive que me apaixonar pelo Diogo, um menino que namorava. Parece que eu tenho o dom para coisa errada, tanto eu como o meu irmão.
-Nossa! Hoje não esta sendo um bom dia: A menina morreu, a Ana não descobriu nada, esta começando a escurecer muito rápido e eu ainda por cima estou com frio e com medo.
Estávamos andando em uma rua de barro, deserta e escura, a única luz que tinha eram os faróis dos carros quando passavam e era uma coisa difícil de acontecer.
Como não ter medo?
-Medo do que Nina?- Ele passou o braço pelo meu ombro, MORRI- Melhorou o frio?
-O frio melhorou — Caramba, até que a minha voz saiu boa mesmo com o nervosismo que eu to sentindo de ficar tão perto dele- E eu to com medo do que vamos achar lá e essa rua ta me deixando um tanto apreensiva!
Ele suspirou e deu um meio sorriso.
-Nossos nomes não vão estar lá, nem o das nossas famílias! E nada de mal vai nos acontecer.
Ele abriu a jaqueta e me mostrou que estava carregando uma Ceska VZ/120 em um bolso secreto, nada ia nos acontecer mesmo.
-Não ia me importaria de chegar lá e o nome dos meus pais estiverem na lista!
Isso surpreendeu a ele.
-Nossa Nina, por que toda essa raiva?
Olhei para o Diogo e suspirei fundo, a única pessoa que eu havia contado a minha historia era a Ana.
-Eles sumiram depois de um acidente de carro, os médicos falaram que eles estavam bem, mas não vimos mais eles, desde então somos apenas eu e o meu irmão. Na verdade eles vieram atrás da gente uma vez, mas eu os expulsei da minha vida e o Thi também, mas ele é o que mais sofre com isso, tinha só 11 anos, não teve tanta convivência com eles quanto eu.
Ele demorou muito para responder, ele não imaginava a minha historia e também nunca tinha perguntado sobre ela.
-Meus sentimentos! Eu não sabia disso.
-Não tem problema. — Dei um sorriso- Alem da Ana eu não tinha contado para ninguém. Eu tinha uns 15 anos e cuido do meu irmão até hoje, meio que virei à mãe dele. Ele é a minha única família- Suspirei novamente- Por isso sou tão apegada a ele.
Suspiramos.
-Bom, acho melhor mudarmos de assunto, eu não gosto muito de falar sobre isso.
Continuamos caminhando e conversando, mas o sentimento de medo não me abandonava no trajeto até a encruzilhada.
Odiava sentir isso.
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