Jovem ambição
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Céus! Tudo nessa casa grita a presença de Lucius Malfoy, quanto mais os anos passam mais pomposo ele fica. Toda essa atenção que ele gosta de chamar para si acaba tirando o brilho de minha priminha, é uma pena.
Esse era o pensamento do rapaz loiro de cabelos extremamente longos ao andar em meio a pavões pelos jardins da mansão Malfoy em direção a grande porta de carvalho que dava acesso ao interior da casa. Estava ali para discutir com Lucius mais uma missão dada pelo Lord aos dois. Apesar de todo o egocentrismo que Malfoy poderia ter, o rapaz tinha que admitir que gostava dele. Admirava a sua forma de agir, como ele conseguia ser discreto mesmo colocando em prática seus ideais.
Mas Evan Rosier queria mais. Não desejava simplesmente ver as engrenagens se moverem como Malfoy, ele desejava ser uma das grandes engrenagens. Desejava fazer as coisas acontecerem e ser reconhecido por isso.
Já dentro da casa, o homem estava acomodado numa poltrona em uma das grandes salas de visitas da mansão, era da família, além de ser amigo do casal, por isso nenhum dos elfos da casa o impediu. Enquanto um elfo ia comunicar seus donos a respeito do visitante, outro servia um copo de whisky de fogo ao convidado.
— Evan! Que surpresa, primo! Estou feliz em vê-lo! – Uma jovem mulher acabava de entrar no aposento, o abraçando logo em seguida com um sorriso no rosto, contente pela surpresa.
— Oh Ciça, linda como sempre, acho que nada é capaz de apagar a sua luz não é mesmo?
— Deixe de ser bobo! E então, o que o traz aqui? – Perguntou Narcisa Malfoy enquanto colocava uma mecha do cabelo extremamente dourado atrás da orelha.
— Vim conversar com Lucius sobre a última missão que o Lord nos designou, tem algumas coisas que ainda precisamos decidir. Por falar nisso, onde ele está?
— Ele não está, foi resolver algumas coisas com meu sogro. – Ciça mudou tão depressa a expressão alegre por uma de desagrado que foi impossível não ser notada.
— O que houve, prima? Por que essa cara? – Questionou ele rindo do semblante emburrado dela.
— Não gosto de Lucius metido nessas coisas, tenho medo por ele, tenho medo por todos vocês. Me diga a verdade, primo, o que acha de tudo isso? – A angustia dela em relação ao assunto era palpável. Nunca fora fácil ter a família toda envolvida em situações tão perigosas, mas desde que tinha se casado com Lucius o perigo parecia ter se tornado ainda mais real, o medo de perder a família que mal estavam começando a construir as vezes a sufocava.
— Se quer saber a verdade, acho o ideal importante. Nós somos superiores, Ciça, você sabe que é verdade, e esses sangue ruins estão sugando nossa magia, eles não são dignos do nosso mundo e mesmo assim cada vez parecem ir mais longe, conseguindo cargos mais altos, alcançando cada vez mais poder. – O ódio era ainda mais concreto nos olhos admiravelmente azuis do jovem.
Narcisa admirou o homem a sua frente, tinha um grande carinho por ele. Tinham quase a mesma idade e ainda assim ele parecia mais forte e poderoso que ela, não por ser homem, mas por todo o porte que exibia. Por toda a incrível habilidade em duelo, sempre elogiada e comparada a bruxos mais experientes que ele. Ao auge de seus 21 anos era um jovem bonito, seus longos cabelos que quase batiam em sua cintura, por incrível que pudesse parecer, o deixava com um ar ainda mais nobre.
Era apenas um menino, mas era tão homem.
— Agora quanto a Voldemort... – Desdenhou ele. – Não sei... Acho ele teatral demais, com todas aquelas bobagens de mascaras para os comensais e símbolos a serem exibidos. Chega a ser patético, para mim ele parece só mais um maluco querendo manipular todos a sua volta. Um moleque que mal sabe usar os brinquedos que tem. Igor concorda comigo.
— Rodolphus diz que Karkaroff não é confiável, que ele só pensa em si mesmo, em salvar sua pele. – Arriscou a mulher.
— Ah por favor! Rodolphus é um idiota! – Exclamou Evan com um gesto de desprezo. Todos sabiam da falta de simpatia que o homem sentia pelo marido de sua prima mais velha. – Bella é uma mulher tão incrível, é uma pena que tenha sido condenada aquele estúpido do Lestrange.
— Se quer mesmo saber, prima – continuou ele esquecendo a pessoa citada pela loira. – Penso exatamente como Igor. Não acho Voldemort digno de confiança, apesar de papai passar o dia cobrindo o Lord de elogios, não sou como ele, não acredito tão fácil assim em qualquer um, ainda mais uma pessoa que pouco sabemos sobre seu passado.
— Mas ele diz ser o herdeiro de Slytherin, Evan, isso com certeza o faz no mínimo importante.
— Isso qualquer um pode dizer, Ciça, agora e as provas? Ser ofidioglota não é prova de nada. Não, ele é só mais um lunático querendo poder. Mas não me importo, o que sei é que esse lunático será meu passaporte para a eternidade. Quero fazer algo grande, prima, e vou fazer. Você vai ver, quando o momento chegar, entrarei para a história, e não irei precisar de Voldemort nem de ninguém para isso. – O brilho nos olhos do loiro poderia ser considerado a personificação da principal característica de sua casa. Ambição. Naquele momento até Salazar Slytherin acreditaria em suas palavras.
— Lucius acha que a guerra trará bons frutos para ele, prestigio. Eu não sei se tenho tanta certeza disso. – Confessou ela baixinho.
— É claro que ele acha, não estaria nessa se não achasse. – Ironizou ele. – Não se preocupe, Ciça, Lucius é inteligente e sabe o que faz. Assim que o Lord nos livrar da presença detestável de todos esses sangue ruins nós saberemos nos livrar dele e tomar o poder para as famílias que o merecem por direito.
Narcisa remexia as mãos de forma nervosa, como se toda a conversa deles fosse um pecado. E realmente era, ninguém fora daquelas paredes poderia saber do que estava sendo falado ali, a ira do Lord das Trevas cairia esmagadoramente sobre eles.
— Eu espero que esteja certo, primo. Realmente espero.
— É lógico que estou! – O jovem tinha abandonado o tom conspiratório e agora se largava confortável na poltrona com uma perna pousada sobre a outra, sorrindo de forma encantadora. – Quando menos você perceber estará com essa mansão cheia de pequenos pavõezinhos de olhos cinzentos como os de Lucius, vivendo em um novo mundo, puro como nunca antes.
A menção aos futuros filhos de Narcisa e Lucius fez a mulher soltar o sorriso mais bonito da noite, sorriso esse que pareceu iluminar todo o ambiente.
— Já eu, talvez fique famoso por matar algum bruxo prestigiado – Gracejou. – Algum auror quem sabe? Talvez eu mate Alastor Moody. – Falou ele entre gargalhadas. – Você já pensou nisso, Ciça? “Evan Rosier, o grande bruxo que pisou sobre o corpo do famoso auror Alastor Moody.” Papai ficaria tão orgulhoso que mandaria fazer cantos sobre minha façanha. – Deu uma piscadinha para a loira.
— Você é uma peça rara, primo! – disse ela rindo.
Quando as risadas cessaram o homem se levantou de onde estava sentado, ajeitando as roupas elegantemente.
— Bom... Pelo visto seu marido vai demorar não? Acho que vou indo, volto outra hora. Avise ele que estive aqui sim, preciso conversar com ele o mais breve possível.
— É claro, Evan. Não fique mais tanto tempo sem vir me ver, sinto saudades de conversar com você. Lembre-se que eu sou sua prima, não Lucius. – Ralhou a mulher de forma carinhosa, se levantando do sofá e abraçando o primo com carinho.
— Vou voltar mais vezes sim, pode deixar.
Enquanto se dirigia para fora da grande casa dos Malfoy, Evan pensava sobre a conversa que havia compartilhado com a prima, tudo que dissera para ela era a mais pura verdade. Realmente acreditava em cada palavra que proferira. E agora, depois de ter pronunciado em voz alta, o desejo de matar Alastor Moody se tornara ainda mais palpável para o homem. Soltou uma risada para si mesmo.
Seria fácil, apesar da fama do auror, ele era um bom duelista e tinha certeza que seria capaz de eliminar o mais velho.
O que Evan não podia prever naquela noite era que esse desejo impensado seria a sua ruína. Seria sim lembrado, entraria para a história e viraria lenda entre os sonserinos. Grandes bruxos ligados as trevas como Phineas Nigellus Black exaltariam sua bravura em seu último duelo, quando resistiu à prisão.
E apesar de ser o único bruxo até então capaz de arrancar um pedaço de Alastor Moody, foi o jovem ambicioso e de riso sedutor quem caiu.
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