Journey

16 Dieciséis


Notas iniciais
Olá! Desculpa, eu ia postar ontem, mas eu senti que o capítulo não tava 100% como eu queria, daí eu não consegui. Mas agora tá tudo certo, prontinho pra vocês lerem.

– Eu sempre quis ter uma luminária de lava dessas. — Dean falou, apontando pro objeto — Mas meu pai sempre dizia que ela ia quebrar e essa gosminha de dentro ia cair na minha cara.

– Que dramático... — Gabriel comentou — Mas não fuja da pergunta. Você gosta do Castiel?

– Que que você acha? Ele é meu amigo.

– Não faz a egípicia pra cima de mim, Deano, eu quero saber se você gosta, gosta do Castiel. — Dean apoiou a mão na testa. Aquele assunto lhe deixava fora da sua zona de conforto.

– Que droga, Gabriel. Quantos anos você tem, doze? — Dean suspirou — É... é complicado.

– Complicado é comigo mesmo. — Gabriel disse, mas Dean não parecia convencido — Olha, eu sei que você deve me achar um doido varrido, mas eu me importo com o meu irmão. E eu sempre ajudei ele com esses sentimentos.

– Obrigado, mas não tem nada de "esses sentimentos".

Ficaram em silêncio por um bom tempo. Gabriel não parava de encarar qualquer movimento que Dean fazia perto de Cas, qualquer olhar, qualquer suspiro. Era como se ele estivesse lendo tudo e julgando. Quanto mais Dean se sentia desconfortável, mais ele achava engraçado e se enchia de certeza.

– Para com isso, Gabriel! Tá, você tem razão. Eu g-gosto... Deus, eu nem consigo dizer isso em voz alta. É porque isso nunca aconteceu. — Dean cobriu os olhos com as mãos — Eu tenho certeza que eu gosto de meninas. Só que eu não consigo tirar ele da cabeça.

– Talvez você seja bissexual. — Gabriel falou — Ou heterossexual, mas homo-romântico. Você deveria dar uma olhada na internet.

– Mas eu nunca tive esse tipo de curiosidade... Eu só me importo muito com o Cas. E acho que ele tem olhos bonitos.

– Cassexual!

– Não brinca, Gabriel, eu to falando sério. Eu to desesperado. Mas também, que diferença faz? Eu nunca vou conseguir explicar um troço desses pro meu pai. Sem falar que daqui a pouco eu vou embora e vai ficar tudo por isso mesmo. Que sentido tem ficar alimentando essas coisas?

– É, continue dizendo isso pra você mesmo. Vai passar o resto da vida pensando no "se". Se eu tivesse ficado a semana toda, se o Sam tivesse participado do festival, se eu e o Cas...

– Você não tá ajudando.

– O que eu quero dizer, Dean — ele se levantou e se posicionou ao lado de Cas, com um tom de voz mais baixo — é que se você pretende reprimir isso e se tornar um adulto frustrado, pelo menos faça essa semana valer a pena.

– Adulto frustrado? Que droga de conselho foi es... — parou de falar, porque Cas estava acordando. Era pouco mais de 1h da manhã. Gabriel piscou para Dean e entrou no banheiro.

– Isso aqui é meu quarto? — Cas perguntou — O que aconteceu?

– Muitos coquetéis coloridos. — Dean sorriu.

– Cassie, eu enchi a banheira. — Gabriel anunciou, com uma toalha na mão. Castiel se levantou devagar e deu alguns passos com certa dificuldade. — Vem cá ajudar ele, Dean.

– Não precisa. Minha cabeça tá doendo, mas eu consigo me virar sozinho.

– Castiel, você nem tá se aguentando em pé... Segura a toalha dele, Dean. — o loiro olhou para a toalha e depois para Gabriel.

Dean estava nervoso. Agora que Gabriel tinha arrancado uma confissão dele, se sentia transparente, como se o mundo todo tivesse acesso ao que se passava no interior da sua mente.

– Segura esse troço e não dá pití. — Gabriel foi firme.

– O que você tá aprontando?

– Nada, eu só quero que você termine o que começou. — Gabriel começou a falar num tom sério e enigmático — Você está em fase de teste, Dean Winchester. Vamos ver o quanto você se importa.

Dean respirou fundo e arrancou a toalha da mão dele. Quando entrou no banheiro, Cas estava terminando de tirar a cueca. Dean rapidamente cobriu os olhos com a toalha.

– Ai, merda. Desculpa, desculpa, eu não vi nada! — disse no impulso, o que não era totalmente mentira, pois na verdade não tinha certeza do que tinha visto.

– Não precisa ficar assim, é só o corpo humano. — Cas falou, mas Dean permaneceu com a toalha na cara e só foi tirá-la quando ouviu o barulho de água se movimentando na banheira. Cas estava devidamente dentro da água. Dean então sentou-se num banco afastado, perto do boxe.

– Tá tudo doendo. Eu nunca mais quero ficar bêbado nessa reencarnação. — Castiel disse.

– Você deve estar no youtube uma hora dessas. — Dean tentou descontrair o ambiente, mas não deu muito certo. Castiel deu um sorriso lateral. — O que deu em você, cara?

– Festas grandes sempre me deixam com esse sentimento de solidão. E também voltar pra casa... Acho que eu queria esquecer que eu tava aqui, foi quase planejado.

– Nada disso teria acontecido se eu não tivesse me perdido de você.

– Ah, teria sim. Você ia desperdiçar sua noite tentando tirar aquelas tacinhas da minha mão.

– Aposto que eu teria conseguido, a culpa foi toda minha... Você não precisa aceitar tudo que eu faço.

– Que droga, Dean! — o grito de Cas assustou Dean, ele nunca tinha gritado com ele antes — Para de se culpar por tudo!

O silêncio que caiu entre os dois só foi interrompido por um doce som de música romântica que começou a vir do quarto.

– Você também tá ouvindo isso?

– Gabriel, seu... — Dean colocou a cabeça pra fora do banheiro, mas o irmão de Cas não estava mais ali. Havia apenas o toca discos ligado, uma porta semi-aberta e barulhos de passos no corredor. Com cuidado, tirou a agulha de cima do disco.

– Dean! — Cas chamou do banheiro — A toalha!

Dessa vez foi cauteloso ao entrar. Tinha encontrado um campo de visão seguro e estava pronto para entregar a toalha, quando Cas se levantou depressa, espirrando água para todos os lados. Dean até tentou cobrir os olhos, mas não deu certo.

– Eu não vi nada, eu não vi nada! — Dean disse, ainda com as mãos sobre os olhos.

– Você claramente olhou. Não precisa negar. — Cas riu — Qual é, você nunca fez xixi no banheiro da escola?

– Não! Com todo mundo olhando? É pressão demais.

– Ai meu Deus, você tá todo vermelho. Tudo bem, eu já tô de toalha.

Dean foi aos poucos removendo as mãos da cara para conferir que, de fato, Cas já estava de toalha.

– E eu não to vermelho, tá? Eu to com calor, tá muito quente aqui dentro, é só isso...

Bocejando, Dean se jogou sobre a cama de Cas, enquanto o outro escolhia uma roupa de dormir na arara e se vestia.

– Cara, eu to com sono. — Dean falou — Dê adeus para sua cama, eu acabei de me apossar dela.

– Ok, eu vou dormir no tapete então.

– Não, não, é brincadeira! Deixa que eu durmo no tapete...

– Mas tem espaço o bastante pra nós dois aqui na cama — Cas disse ao mesmo tempo que se acomodava ao lado de Dean. O menino do Kansas estava arrepiado. Só de pensar na proximidade entre os dois, sentia como se algo dentro dele fosse explodir a qualquer momento. Dean engoliu em seco. Castiel abriu um dos olhos e viu que Dean o encarava.

– Você ainda tá vermelho. — ele riu.

– Cala a boca, eu não controlo isso. — Dean colocou a mão sobre o rosto — V-você também tava bem vermelho hoje à tarde.

– Porque você me deu um susto!

– Susto? Isso foi tudo que você sentiu? — Dean suspirou e virou as costas pra Cas. Seu silêncio diante da pergunta poderia tanto significar um sim muito triste quanto um não muito intenso. Era impossível saber. Dean então virou de volta. Os olhos de Cas estavam fechados, mas se abriram quando Dean pousou a mão sobre seu rosto.

– Você realmente não vai me deixar dormir? — Dean não respondeu à pergunta, apenas umedeceu os lábios com a língua e foi se aproximando de Cas. O moreno não estava fazendo nada para pará-lo, apenas manteve seus olhos fixos nos de Dean. O beijo começou bem suave assim como o outro, mas quando deram por si, não estavam mais no nível dos beijos de boca fechada. Dean pressionava e abria espaços com a língua num ritmo lento.

– Isso foi... — Cas falava ainda sem ar — surpreendentemente bom... Mas eu tô com muito sono. E já beijei muita gente por um dia só. — Cas desgrudou-se de Dean e virou para o outro lado.

– Cas... — Dean se sentia exposto e muito mais inseguro do que em qualquer outro momento da sua vida. O beijo teve muito significado para ele (e modéstia a parte, foi muito caprichado, ele fez tudo que sabia). O que poderia ter dado errado?

– Não fica assim, Dean, prometo que continuamos amanhã.

Dean enfim caiu no sono, abraçando a promessa, a leveza interna que sentia e, provavelmente, em algum momento da noite, abraçando Cas.

Notas finais
Comentários serão apreciadíssimos, so don't be shy. (: