JohnLock e o grande caso.
1 Beco Molhado
Notas iniciais
Mais um caso simples e doméstico resolvido.
Sherlock chega batendo as portas, indo se sentar em sua poltrona, e enquanto olhava para baixo, cruza os braços. Estava se sentindo entediado por não ter resolvido nada enigmático o bastante, ou que mantivesse sua mente ocupada. John, que estava logo atrás, para na porta e diz em tom de exigência.
– Mude essa cara de bebê que acabou de derrubar seu pirulito no chão, Sherlock!
– John, eu tenho uma mente capacitada o suficiente para resolver crimes melhores que os domésticos! Estou entediado, preciso de algo para me distrair.
John se dirige para a poltrona à frente de Sherlock:
– Se você fosse um homem normal poderia se distrair com uma bela mulher. Você é um bom homem… quero dizer, eu sei da sua fama.
– O que você está querendo dizer?
– Os vizinhos comentam que nunca te viram com mulheres, mas as mulheres comentam sobre seus fetiches com o detetive.
Sherlock franziu a testa e se estremeceu ao usar a imaginação.
– Já chega, ok?
– Sherlock, arrume uma companhia, nem sempre vai ter um crime perfeito pra você resolver.
Os dois ficaram quietos por um tempo.
– Me diz os seus. — Sherlock disse interrompendo o silêncio da sala.
– Os meus?
– Hmm! Você tem! E são os mais sujos que eu já vi.
– Ok… O QUÊ? Você está falando sobre fetiches?
– No beco dos sem teto.
– Aah! Agora além de deduções você lê mente?
– Estou apenas com as deduções, por enquanto.
John, meio envergonhado, fica quieto. Sherlock começa a dizer:
– Um dia desses, em que fui conversar com um dos meus informantes, você ficou pra trás, olhando as paredes e com uma cara maravilhada. Pelo que conheço de você e da sua mente, sei a facilidade que tem em imaginar e, John, eu não só olho você, eu o observo.
– Certo agora você está me deixando sem jeito.
John olhou para Sherlock, rapidamente, desviando o olhar para a janela, onde uma luz alaranjada e ofuscada entrava refletindo nos papéis sobre a mesa, e ficaram em completo silêncio. Logo escureceu, John se levantou para acender as luzes da sala, e foi para a cozinha.
– Vista seu casaco, John, vamos dar uma volta! -Sherlock gritou repentinamente.
John não agüentava o tédio e a escuridão da casa; se alegrou em partir para uma confusão. Ele sabia que uma “volta” com Sherl acabava em confusão.
– TÁXI!
Dentro do carro o taxista perguntou o local e Sherlock disse um local que John não conhecia. — Qual a grande aventura da noite?
– E precisa ter uma? Apenas dois bons amigos saindo do tédio mortal de uma casa. É simples, você realmente está comigo, John?
– Tudo bem e estou sim, apenas é você, então…
A cidade com todas essas luzes, carros, ônibus, casas barulhentas… Todo mundo fazendo algo.
O táxi entrou numa ruazinha escura, estreita e molhada. Os dois desceram e John ia acompanhando Sherlock em pequenos passos.
– Jesus, Sherlock! Estamos em um filme de suspense?
Sherlock virou num beco familiar para John, mas estava vazio, sem nenhum sem teto.
– Eu realmente não sabia esse caminho para o beco.
– Ah! Você não sabe de muitas coisas.
Sherlock parou no meio do beco de frente para John, que franziu a testa com cara de “Mas que diabos?” — na verdade, com a cara de sempre, desde que conheceu Sherlock Holmes.
– Olha John, tem muitas coisas que você não sabe, e nunca vai saber, mesmo que pense saber. E isso não é ruim, você nunca fica entediado mentalmente, sua mente sempre quer saber de tudo e nunca para.
– É, concordo. Mas por que estamos aqui? Novo caso?
– Nossa… conversa, mais cedo, John.
– Não acredito! O que você quer me trazendo no maldito beco do meu fetiche? Rir de mim? Ok faça!
– Me conte.
– Contar o que?
– Como é. Como se passa na sua imaginação.
– Eu não! Você está doido?
– Vamos, John, jogo mental. Estarei avaliando.
John encarou a parede com as mãos na cintura e mordendo os lábios.
– Conte!
– OK! Mas você tem que prometer não rir.
– Eu prometo.
John deu uns passos para frente, olhando pra cima.
– Sabe, eu tenho você como amigo e gosto de coisas complicadas, perigosas …- pensou-…
–Sim?
–… diferentes. A vida tem que ser no limite, e devemos fazer coisas inusitadas pra nos sentirmos vivos. Sexo é uma coisa que as pessoas fazem pra se sentirem vivas, e eu não sou diferente. Fazer sexo num lugar complicado, perigoso, diferente e inusitado é se sentir vivo duas vezes. E é por isso que eu tenho esse fetiche. Mas se não fossem pelos seus poderes, só eu saberia. Quando eu achar uma psicopata — riu — trarei-a aqui pra nos sentirmos vivos.
– Entendo.
– Bom.
Um silêncio se estendeu na conversa. John fitava a parede e Sherlock fitava John.
Sherlock caminhou em direção a John calmamente. Deu um suspiro e levantou suas grandes, mas delicadas, mãos, que se se encostaram ao pescoço arrepiado de John. Seus olhos se encontraram na mesma direção. Sherlock apertou os lábios e se aproximou de John, misturando o calor dos corpos. Este não sabia o que fazer. Aquilo era muito inusitado.
Sherlock fechou os olhos e encostou seu nariz gelado na bochecha esquerda de John, que se estremeceu. Depois, levou sua boca quente até a boca do loiro, beijando-o uma forma carinhosa. John estava travado, mas não se sentia incomodado com a situação. Ele até levantou sua mão receosa, encostando-a de leve no cabelo encaracolado de Sherl, mas este se afastou, lentamente, ainda com os olhos fechados e mordendo os lábios que acabara de deixar os de John.
– Mas… o que… o que foi isso, Sher… lock?
Sherlock ficou quieto olhando para baixo.
– Sherr…
– Isso, John, foi a coisa complicada, perigosa, diferente e inusitada que eu fiz para me sentir vivo, e sabe onde foi? No seu beco molhado.- Sherlock disse em tom de explicação e desabafo. Saiu andando pro fim do beco onde se via uma luz mais forte. A única coisa que se escutava era o encontro da sola de seus sapatos com o chão molhado.
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