John Fang

3 A Primeira Batalha


John já usava suas roupas novas, o dia estava quente e por isso a blusa estava na mochila, faltavam quinze minutos para ás oito horas da manhã. O portão do laboratório do Professor Eduardo estava tumultuado, e quando um funcionário o abriu todos pareciam uma manada de animais correndo pela rota de pedras sobre um jardim, antes mesmo de chegar a portaria, havia uma longa mesa que na verdade era um conjunto de mesas iguais a que tinha na sala onde foi entrevistado, atrás dela estavam os assistentes do Professor Eduardo. Lá fora, antes do portão ser aberto havia um papel instruindo a procurar pelo assistente que realizou o teste. John teve dificuldade em achar o assistente no meio daquela correria, mas por sorte a grande maioria ali era mais nova e por conseqüência mais baixa que ele, e acabou achando ele na ponta extrema direita da mesa, muita gente falava alto ao mesmo tempo.

– Pessoal, organizem uma fila por favor, só vou entregar o Pokémon para aqueles que fizeram o teste comigo, não insistam. – gritou o assistente parecido com o professor Eduardo, estava aborrecido e após alguns minutos as filas foram organizadas e as pessoas começaram a sair após receber seus Pokémon, quando John chegou na mesa, o assistente estava de costas e abaixado sobre uma grande caixa de madeira cheia de pokebolas. – Qual Pokémon você quer? Cyndaquil, Totodile ou Chikorita?

– Qual o tipo de cada um? – John viu a impaciência do assistente ao notar quão estúpida foi sua pergunta, mas escolher qualquer um só por querer evitar aborrecimento seria pior, não esperou a resposta – Quero o de fogo!

O assistente mexeu um pouco na caixa, se levantou e após se virar colocou uma pokebola que tinha um adesivo de chamas do tamanho do botão e um aparelho um pouco grande para a palma da mão sobre a mesa.

– Cadê o seu documento? – disse em quanto tirava de um dos bolsos de seu jaleco um bloco com cartões de cor verde claro.

John entregou sua identidade, após o assistente conferir o nome e procurar entre o bloco, o colocou ao lado da pokebola e da identidade de John.

– Próximo! – disse o assistente enquanto dava as costas e se abaixava sobre a caixa novamente.

John pegou a pokebola, identidade, cartão de treinador e a pokedex, guardou tudo de qualquer jeito no bolso frontal de sua bolsa junto com algumas pokebolas vazias que havia comprado no Market, menos a pokebola com adesivo de chamas. John nem sabia como ele era, conhecia poucos Pokémon e nem sabia o nome de todos que já tinha visto, olhar aquela pokebola fazia seu coração bater mais forte Por quê estou tão empolgado? Eu quero ver o meu Pokémon, mas não nessa muvuca.

Já fora dos muros do laboratório quase todos batalhavam, ele via três Pokémon muito pequenos diferentes em volta: Um quadrúpede verde com colar de sementes presas a pele, grandes olhos vermelhos e uma folha que nascia em sua cabeça; um pequeno crocodilo bípede azul; e um Pokémon com as costas de cor azul escuro fosco que passava por sua cabeça até chegar em seu longo focinho, ainda em suas costas quatro círculos vermelhos que se ligados formavam um quadrado, a parte frontal de seu corpo tinha cor amarelada, possuía pequenos braços e pernas maiores e mais grossas, porém também curtas, olhos aparentemente fechados, provavelmente esse seria o Cyndaquil. John só queria sair dali por enquanto para conhecer seu Pokémon.

– Use o Tackle Cyndaquil! – Uma voz feminina veio de suas costas.

Quando se virou, um Pokémon azul fosco e amarelo corria em sua direção, a pokebola abriu em sua mão criando um arco de luz até o chão e um Pokémon idêntico se formou entre ele e o que vinha em sua direção, que parou de avançar e recuou ficando de costas para uma garota que usava uma saia vermelha folgada na altura do joelho, uma justa camiseta rosa com um rosto de Pokémon de olhos grandes, ela tinha longos cabelos castanho claro, olhos também claros e um rosto bonito, parecia ser mais nova do que John; então viu uma linha de luz branca surgir do chão e formar um circulo ao redor dos dois com uma linha entre os dois e outro circulo bem no meio formando uma pokebola,, entre eles havia cerca de três metros, toda a visão do que estava fora do circulo escureceu levemente e os sons vindos de fora se tornaram apenas sussurros, um retângulo cinza claro e levemente transparente apareceu a dois palmos do lado direito de seu rosto como a imagem de um monitor aparece após o ligar, na ponta superior direita do retângulo uma contagem regressiva que estava em vinte e sete segundos, abaixo do retângulo uma tira horizontal com o nome: Cyndaquil, no centro do painel cinza apenas um outro retângulo mas dessa vez vermelho, escrito Lutar. O coração de John disparou, suas mãos começaram a tremer, era a primeira vez que via aquilo acontecer, e ao mesmo tempo ficou com raiva da garota que o atacou.

– O quê foi? – ela zombou, parece que o desespero de John estava escancarado em seu rosto – Não sabe batalhar é? – disse como se falasse a um bebê.

– E você não sabe perguntar se eu quero batalhar? – suas palavras soaram para si mesmo como se fossem de uma criança.

John levou a mão até a opção Lutar que se estendeu em quanto trocava de cor para cinza e se partiu em quatro partes, o primeiro era branco e possuía o nome Tackle, abaixo do nome o número trinta e cinco, o retângulo ao lado direito também era branco e estava escrito Leer, abaixo estava o número trinta, os dois retângulos inferiores estavam em branco e tinham a mesma cor cinza do primeiro retângulo. Acima dos dois Cyndaquils haviam barras idênticas em telas sobre o nada assim como a tela cinza a frente do rosto de John, as barras eram verdes e na borda esquerda havia a sigla HP, na direita o número cem por cento, mas somente dentro da barra do Cyndaquil de John o número onze por onze, acima da barra de ambos o nome Cyndaquil seguido por Level um em numeral. A contagem já estava em doze.

– Cara não enrola, ok? – ela estava impaciente.

John não respondeu, apenas a olhou e rapidamente levou a mão até o Leer, não sabia qual a função de cada opção, de cinco segundos o contador zerou. O Cyndaquil de John ficou sobre as patas traseiras e encarou seu inimigo que parecia um reflexo, uma leve camada verde de luz passou de cima para baixo em seu inimigo e um retângulo pequeno em azul apareceu abaixo de sua barra de HP: Def seguido do número um negativo. O Cyndaquil inimigo correu em direção ao seu, o acertando com um jogo de corpo, seu Cyndaquil deu um passo para trás com o impacto, seu inimigo retornou a mesma posição que estava antes e o de John agora estava com oito por onze dentro de sua barra de HP, ao lado direito 73%. Parece que abaixei a defesa dela, mas não causei dano. John não sabia se isso o deixava em uma posição boa ou ruim, o contador foi para trinta e a opção lutar apareceu novamente a sua frente.

– Tenta pelo menos causar dano no meu Pokémon sabe, pelo menos não passe vergonha. – John não sabia se ela era tão ignorante quanto ele ou se ele tinha apenas que aceitar a ironia dela – Ninguém usa esse Leer, ele não presta.

– Você não pode sair atacando alguém assim sua louca! – John estava nervoso, pelas provocações e pela atitude dela – e se eu não tivesse um Pokémon? Você não pensou nisso?

– Você é burro? – ela parecia estar se divertindo com aquilo agora – você acaba de sair do laboratório durante a distribuição de iniciais do ano, com uma pokebola com adesivo de chamas e não ia ter um Pokémon? – Ela tinha razão, ele só estava falando besteira por não ter gostado de ela ter o atacado repentinamente, mesmo sem razão ele definitivamente não ia com a cara dela.

– Quer saber? Só vamos acabar logo com isso! – não vou discutir com ela, só estou perdendo a razão toda vez que abro a boca.

– Já desistiu? – e cada vês ela se divertia mais – tem a opção de desistir no canto inferior direito do painel se você quiser.

Era verdade, John ainda não a tinha visto, mas aquilo já era pessoal. Vamos ver do lado de quem a sorte está, faltavam cinco segundos no contador e o Leer agora possuía o número vinte e nove, aquilo provavelmente era o número de vezes que podia usar aquele golpe. Tackle foi a escolha dessa vez. O inimigo foi mais rápido dessa vez, o movimento foi o mesmo, o Cyndaquil de John agora estava com cinco de HP e a barra mudou de cor para amarelo em 46%, o mesmo movimento foi feito no inimigo, mas com uma diferença, o inimigo ao ser atingido perdeu o equilíbrio e quase caiu, sua barra estava em cinqüenta e cinco por cento. A expressão da garota mudou, em apenas um golpe o Cyndaquil de John tirou 36% de HP do dela quando o dela tirou 27% do dele.

– Seu Cyndaquil é forte, pena que tem um treinador fraco.

John não respondeu, seu Cyndaquil podia sim ser mais forte, mas era mais provável que a causa dele ter batido mais forte foi diminuir a defesa de seu inimigo, novamente o contador foi para trinta, e John não tardou a escolher o Tackle novamente. O Cyndaquil da garota começou atacando novamente, em seguida o se John, o dela ficando com 28% e o de John com 19%.Só preciso atacar antes na próxima rodada! Mas seu entusiasmo caiu junto com seu Cyndaquil no ataque inimigo, seu Cyndaquil perdeu o HP que lhe faltava quando o primeiro movimento foi o do inimigo. Então os sons da muvuca voltaram, as linhas de luz que formavam a pokebola se apagaram e a visão retornou ao normal, um grupo de garotas muito felizes cercou aquela que acabava de derrotar John, abraçando-a e pulando. John não entendia por que aconteceu daquele jeito, se ele fosse perder seria no próximo turno e se ela atacasse antes. Ele apontou a pokebola para o Cyndaquil desmaiado no chão assim como o professor Eduardo havia feito com o Ratata, o raio vermelho acertou e o sugou, então uma mão pousou sobre o seu ombro.

– Puta cara que estranho, não era definido qual dos dois atacava antes. – disse um cara mulato, parecia mais velho que John, tinha cerca de um metro e oitenta de altura, pouco mais encorpado que John e sua barba era mais fechada.

– Pois é, eu não entendi.

– Olha, eu acabei de perder uma luta também, você vai no Centro Pokémon agora certo? Eu to indo pra lá.

– Beleza, vamos lá.

Enquanto caminhavam até o Centro Pokémon ele disse que também era filho de não treinadores, seu nome era Marcos Vinicius mas todos o chamavam de MV, tinha a mesma idade de John mas era dois meses mais velho. Ele usava uma camiseta de cor roxo escuro nos ombros e ia se transformando em cinza ate a cintura, sem nenhuma estampa, estava sem mochila. Usava calça jeans preta, tênis preto com cadarços roxos, e tinha o cabelo quase raspado. Então chegaram ao centro Pokémon.

– E pensar que já fiz entregas aqui antes de ir para o caixa do Market, mas nunca usei um centro Pokémon. – disse John.

– Sério? Eu já vim aqui com um tio meu uma vez quando ele veio passar um tempo lá em casa. – respondeu MV.

– Então você não é o primeiro treinador da família?

– Não, aliás acho que a maioria é, mas a família está muito espalhada, mas meus pais não são.

– Saquei.

A fila não estava grande e não demorou mais do que dez minutos para que John e MV chegassem ao balcão, a enfermeira pegou a pokebola, colocou em uma bandeja com seis espaços redondos, a encaixou em uma maquina e apertou um botão, dava pra ver algumas luzes da fresta em que a bandeja havia sido encaixada, cerca de dois minutos depois a devolveu, em seguida foi a vês de MV. Apesar de tudo John havia pego seu Pokémon inicial cedo e mesmo a maioria pegando e desafiando a primeira pessoa que via os que estavam ali eram os primeiros que haviam pego seus Pokémons e lutado, mas provavelmente mais tarde o centro Pokémon estaria mais cheio. Eles conversavam próximos a saída.

– É normal uma pessoa atacar outra sem mais nem menos? Eu sempre vou ser obrigado a lutar se alguém simplesmente me atacar? – perguntou John.

– Meu tio disse que isso pode até ser um crime, se a pessoa atacada tiver um Pokémon, ele vai sair sozinho e vira uma batalha. – respondeu MV.

– E se a pessoa não tiver?

– Ela vai ser atingida pelo Pokémon eu acho – disse com o indicador e o polegar sobre o queixo e levantando apenas uma sobrancelha. De repente ele pareceu se lembrar de algo – você pode me ajudar em um teste?

– Que teste?

– Eu peguei um Totodile de Pokémon inicial, teoricamente água tem vantagem sobre fogo, mas eu não entendo como isso funciona.

– Claro! – John havia gostado da idéia, aquilo não seria uma batalha séria e sim uma forma de prestar atenção e conhecer melhor a batalha – Aproveito e vejo como funciona esse negócio de abaixar a defesa do inimigo.

MV sorriu, parecia que a primeira intenção dos dois ao pegar o Pokémon inicial era a mesma, tomaram uma pequena distancia um do outro e jogaram as pokebolas ao mesmo tempo, porém nada aconteceu, as pokebolas não se abriram.

– Vocês não podem batalhar dentro do centro Pokémon – disse uma enfermeira que passava por ali soltando um suave risinho.

– Isso foi um pouco constrangedor – disse MV enquanto caminhava para fora do centro Pokémon.

– Acho que um monte de gente vai fazer isso ainda hoje – disse John sorrindo.

Já do lado de fora eles soltaram seus Pokémon, novamente o contorno de uma pokebola se formou ao redor deles e o que estava fora escureceu.

– Irado isso né? – disse MV olhando o chão em volta.

– Sim – Afirmou John, na primeira vez não pudera admirar a experiência.

No painel os números abaixo do Tackle e Leer eram trinta e cinco, e trinta novamente, John não havia prestado atenção antes, mas seu Cyndaquil estava no level dois, o número dentro de sua barra de HP agora era treze ao invés de onze.

– Quanto de HP tem o seu Cyndaquil? – perguntou MV.

– Treze, e o Totodile?

– Quatorze.

Ambos pareciam ter dúvidas semelhantes, John também queria saber o HP do seu adversário, no primeiro turno Cyndaquil usou Tackle deixando o HP de Totodile em 79%, Totodile deu um arranhão em Cyndaquil o deixando com 85% cento do HP.

– O Cyndaquil perdeu dois de HP? – perguntou MV.

– Sim, Totodile também?

– Não, ele perdeu três.

– Como é o nome desse golpe que você usou?

– Scratch.

O Cyndaquil de John poderia sim ser mais forte que o comum, no turno seguinte ambos usaram Leer, o quadrado com “Def -1” apareceu novamente, no terceiro turno após trocarem Tackle e Scratch, Cyndaquil e Totodile tinham respectivamente 54% e 50% de HP, Cyndaquil havia levado um de dano a mais do que antes do Leer e provavelmente Totodile também. Após mais alguns turnos Totodile caiu, e Cyndaquil só precisava levar mais um golpe para ser derrotado, em todos os turnos Cyndaquil atacara antes.

– Você vai pra qual cidade John? – Perguntou MV enquanto Totodile era recolhido para a pokebola, pessoas saiam e entravam no centro Pokémon, todos novos treinadores.

– Bom, pensei em começar indo até a cidade Outono, vou partir hoje mesmo – John recolhia Cyndaquil e caminhava em direção a MV.

– Hum – ele pareceu refletir um pouco – Eu poderia ir com você, mas já decidi que vou ficar aqui na cidade verão por um tempo, o suficiente para chegar ao level de treinador dez, vou procurar Pokémon ao redor da cidade, não longe o suficiente para que eu não possa voltar até o anoitecer. – ele parecia muito ciente do que estava fazendo.

– Então sua família não se importa de você sair para ser um treinador? – John pensou que todos Não Treinadores passariam pela mesma experiência que ele por tomar essa decisão.

– Não – disse sorrindo – eles estão me dando o maior apoio, parece que tive sorte com a família não é?

– Sim, acho que eu não tenho essa opção – seu rosto devolveu o sorriso, mas John não.

– Vamos fazer o seguinte, me passa o seu número de celular, agente pode se ajudar trocando informações e até ter marcar umas batalhas de vez em quando.

– Pode ser – John gostou da idéia, mesmo sem sair da cidade conheceu alguém com quem poderia aprender a um nível de igualdade eles trocaram os números até chegar na fila do Centro Pokémon novamente – você disse que vai ficar aqui até o level dez de treinador, como assim level de treinador?

– É o seu level, meu tio disse que um treinador só pode passar do level dez após derrotar os primeiros quatro sub-ginásios de um estado, depois disso você só poder chegar até o level vinte e terá que derrotar o ginásio da capital Estações – ele fez uma pausa e levantando apenas a sobrancelha direita inclinou levemente a cabeça para a esquerda – depois disso eu não lembro como se faz, mas você pode ver o seu level de treinador na sua Pokedex.

– Hum – John ficou em silêncio por um breve momento, ele não sabia que era obrigado a lutar nos ginásios, e nem que o ginásio de sua cidade era na verdade um sub-ginásio – então parece que vou ter que voltar aqui se quiser passar do level dez.

– Sim – disse enquanto entregava sua pokebola no balcão.

Já do lado de fora do Centro Pokémon.

– Bom, acho que é isso – disse John colocando os polegares entre as alças da sua mochila – agente se vê por ai – estendeu a mão para MV.

– É, agente se vê – apertou a mão de John e depois caminhou para o norte da cidade.

Já era quase dez horas da manhã, a saída que dava para a Rota do Sol Poente ficava do lado sul da cidade, sua antiga casa ficava naquela região, sentiu um aperto enquanto passava por lá, mas ao avistar a Rota do Sol Poente tudo mudou.

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