Jogos da União
3 Capítulo 2 - Um adeus? Espero que não
Notas iniciais
Todas as pessoas ao meu redor olhavam para mim. Dava para perceber que eram olhares de compaixão, de tristeza e até mesmo de confiança. Minha mãe, meu pai e meus dois irmãos menores me abraçaram. Eu desconcertada, deslocada, sem chão. Olhei novamente para todos a minha volta e prometi a mim mesma eu ia voltar.
_ Selecionados, favor comparecer ao palanque da Praça Maior dentro de uma hora! – disse uma voz no alto falante.
Meus pais me levam até em casa onde conversamos melhor.
_ Querida, nós confiamos em você! Pode ter certeza que você conseguirá sair viva de lá, seja forte! — disse meu pai
_ Eu não vou conseguir, admitam! Lembram-se das provas dos últimos anos? Cada vez mais esses jogos estão se tornando mais fatais. Não há como eu vencer – eu disse
_ Não fale isso! Você vai conseguir sair de lá viva sim, você tem que sair de lá viva! – respondeu minha mãe engasgada com o choro
_ Mana você vai voltar não vai? Você promete que vai voltar? – perguntou meu irmão menor
Vendo-o dizer isso, e observando o rosto do meu pai, da minha mãe, dos meus dois irmãos, eu pensei comigo mesmo: Eu tenho que voltar, por eles!
_ Prometo – disse eu consolando-o
Já estava na hora de me apresentar para o Condado, despedi de meus pais assim que os Moderadores vieram me buscar. Não aguentei e desabei em lágrimas. Não era possível que aquilo estava acontecendo comigo! Ahhh, esses jogos tem que acabar, e vão acabar!
Os Moderadores me levam nos modernos aeromóveis até à Zona Central, visto de cima o Condado 3 tem uma visão melhor, as pobres casas na região periférica ganham um aspecto melhor, as indústrias parecem que ficam maiores, os grandes Alpes que cercam o Condado ficam mais belos e visto de cima a Zona Central é ainda mais bela, as mansões são grandes e majestosos de cores que variam do amarelo, ao roxo e até mesmo rosa. Nessa região moram os magnatas, os donos das indústrias de tecidos, perfumes e produtos femininos e masculinos, moram na Zona central cerca de 5 mil pessoas, o que corresponde a 0,5% da população do Condado 3. Há várias árvores gigantes embelezam a exuberante Praça Maior onde ainda há uma grande concentração de pessoas na expectativa da chegada dos selecionados. Fico me perguntando como pode existir em um mesmo condado tantas diferenças, uma área muito rica e outra bem humilde.
Logo aterrissamos e antes de subir ao palanque um Moderador registra meus dados.
_ Elina Baudeluv, 22 anos, caucasiana, cabelos castanhos longos, olhos azuis, 1 metro e 79 centímetros de altura, pastora de ovelhas no Setor Alfa, Condado 3 do Império, Selecionada. Muito bem Sra. Baudeluv, está cadastrada! — disse o Moderador que conclui fazendo a saudação do Alvi-Império – Toda Glória ao Império!
_ Toda Glória ao Império – respondo desanimada com vontade de meter a mão nas fuças dele. Ele não fez nada, mas toda essa história de jogos está me deixando nervosa.
Dois Moderadores me guiam até o palanque (na verdade saem me empurrando com tanto força, que quase caio de cara no chão, além de participar desses malditos jogos ainda pagaria o maior mico na frente de todos do Império).
Logo avisto Tory Emmbey, o outro selecionado. Ele é da minha estatura, talvez um pouco mais alto, careca e robusto e sempre com um sorriso travesso no rosto, acho que ele tem uns 26 anos, mas com alma de 13 e coragem de 30. Ele logo vem me saudar.
_ Ora, ora, se não é a Elina, ou seria É Linda! – diz ele caindo na gargalhada, definitivamente não teve graça. Desde que nos conhecemos na escola ele vive fazendo piadinhas com meu nome, mas como de costume nenhuma tem um pingo de engraçada.
_ Olá Tory Cabeça de Ovo – respondo só pra não deixa-lo sem graça – finalmente você foi selecionado!
_ Pois é gracinha, aquele Líder não tinha boa mão pra sortear, mas até que enfim saiu meu nome! – disse ele
Mão muito boa ele tem em ME sortear. Não sei como que o maluco do Tory gosta desses jogos. Eu simplesmente odeio essa competição, tudo bem que até que engraçado quando os programas de humor da TV Império, mostra em câmera lenta a reta do final, as caras e bocas são hilárias, mas isso não tira o fato do quão macabrosão os Jogos da União.
Passados alguns minutos, o líder do Condado 3 surge do Salão de Entrada da Casa Maior e segue em direção ao palanque para o discurso. OHHHHHH Nãoo, mais discurso!
_ Senhoras e Senhoras do Condado 3 do Império! É com grande honra que apresento a vocês 2 dois 8 representantes do Alvi-Império para a 46º Jogos da União – começa a falar o Líder e então começa a contar a história da Guerra das Duas Nações e da criação dos jogos até que finalmente termina de falar – Agora vamos ao Hino do Alvi-império!
O hino começa a tocar e a bandeira a ser hasteada. Observo a bandeira subir, uma bandeira roxa com um brasão todo branco. O brasão é composto por duas mãos erguidas segurando uma coroa ao alto e abaixo dela, na parte central há a representação de um palácio. Enquanto o hino toca fico lembrando da minha vida aqui no 3, da minha infância, das ovelhas, das escaladas, mas tenho que aceitar agora é a vez de participar dos jogos. Eu prometi a minha família que iria voltar, e é isso que irá acontecer, eu vou ganhar esses jogos custe o que custar.
O hino termina e o líder faz a saudação:
_ Toda Glória ao Império
E o povo presente na Praça Maior saúda o Império também, exceto eu. Ahh como eu o odeio, mas também odeio a confederação, com certeza ela não deve ser diferente do Império, pelas imagens que o governo imperial passa para nós da Confederação. Com certeza ela deve fazer a mesma coisa em relação ao Império, corromper a cabeça dos confederados dizendo que a sua pátria é a melhor. Jogos da União. Esse nome com certeza não combina com a situação atual.
Logo a Sirene da Noite toca, é o toque de recolher, os Moderadores empurram bruscamente o povo para suas casas, até mesmo descendo o cacete para quem não obedecer. Os aeromóveis aparecem no céu e nos pega na Praça Maior. Lá dentro, fico olhando para baixo, pois pode ser a minha última visão do Condado 3. Então nos dirigimos para a Alva-Capital. Conhecerei finalmente a fonte da opressão.
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