Jogo para dois
24 Ás de Copas
Notas iniciais
Você… O que tanto sonha?
Escutava apenas resquícios daquela voz no meio da escuridão que ela se encontrava, sentia-se pesar ao mesmo tempo que sequer sentia seu corpo, apenas sua cabeça que pesava como se estivesse a puxando para cada vez mais baixo.
Os sons eram muito distantes, ecoavam e ela não conseguia fazer nada, mas ela ao menos tentava? Ela nem sabia se conseguiria tentar.
Queria abrir os olhos e um desespero abateu-se quando ela sequer sabia como fazia para mexer algum membro. Parecia que sua mente havia sido desplugada do resto do seu corpo a deixando ali, à deriva na imensidão escura.
Onde ela estava?
Foi a última coisa que questionou-se antes de novamente tudo silenciar-se e novamente aquela sensação de tontura a tomar fazendo com que ela desistisse de qualquer ação.
Logo a dor veio.
Sua cabeça doía, como se pequenas agulhas fossem colocadas na nuca e nas temporas, queria gritar mas quando tentou nada aconteceu.
Onde estava? Porque ninguém a ajudava?
Na escuridão algo se formava, o negro começava a ganhar textura e quando identificou os fios que balançavam a sua frente ela teve vontade de tocá-los.
Sasuke estava ali também?
Por que ele não a escutava? Ele também estava preso ali? Sentia tanta dor quanto ela?
Por que aquela dor não passava? Parecia que a torturavam há horas.
Não soube dizer quanto tempo se passou, mas logo sentiu algo diferente junto com a dor.
Sede.
Sua garganta, agora ela sentia muito bem, parecia queimar, ela estava morrendo de sede e teve vontade de chorar com aquela sensação horrível.
Ao fundo logo veio os sons de passos e uma conversa, quem era? Agradeceria se a ajudassem.
Será que eles viam ela?
Sakura está com um pouco de febre.
Oh, seria por isso que sentia aquela sensação horrível?
A partir dali seu corpo, agora ela o sentia, começou a formigar… Cada músculo parecia contrair-se e teve vontade de tirar aquele tecido que a tapava, estava quente demais.
Com uma força, que para si parecia descomunal, ela enroscou os dedos no que parecia tecido…Ela o sentia apenas nas pontas dos dedos, era algodão.
E novamente uma onda de dor na sua cabeça veio e Sakura choramingou.
Como ela soube?
Finalmente podia escutar-se.
Mas teve dúvidas que aquela era sua voz, mas julgando pela queimação na garganta que doía na mesma intensidade em que ela estranhava a voz.
Chame Tsunade! Acione a central de emergência!
Oh, Tsunade estava ali? Isso foi bom de ouvir.
Será que ela ajudaria Sasuke também? Fazia tanto tempo que ele havia sumido….
A escuridão agora já não era tão densa, havia uma luminosidade que a fez frisar o rosto, alguém havia acendido a luz depois de tanto tempo.
Sentindo seu corpo relaxar-se e podendo perceber que estava deitada, Sakura forçou-se a acordar.
Era essa a sensação, finalmente conseguia explicar a si mesma.
Como se fosse naquela manhã de domingo em que você simplesmente não consegue acordar, o máximo que faz é ajeitar-se nos edredons e continuar no sono pesado, como se estivesse presa áquilo, e por isso forçou-se a acordar.
Abriu os olhos e teve o impulso de fechá-los na mesma hora. Por que a luz era tão forte?! Piscando várias vezes conseguiu mantê-los abertos e deparar-se com sua orientadora logo à sua frente, com a pequena lanterna em mãos pronta para mirar em seus olhos.
Por que a sua mestra estava com aquela cara? Teve vontade de perguntar, mas ao perceber que conseguia mover seu maxilar, não teve dúvidas.
— Água — Pediu e duvidou que haviam a escutado, já que ela mesma quase não ouviu.
Como se também tivessem acordado há pouco tempo, todos que estavam a sua volta começaram a movimentar-se. Eram médicos? Por quê ela estava no hospital?
— Sakura? Consegue me ouvir bem? Sabe quem eu sou? — Tsunade verifica os sinais de Sakura ficando otimista quanto aos resultados.
Ela ainda parecia confusa, mas assentiu fixando os olhos em sua mestre. Tsunade sorriu aliviada. Barulho de passos apressados encheu o quarto, Tsuande nem se virou para ver o que acontecia, escutou o suspirar dele.
Sakura olhou, e enfim se sentiu bem. Ele estava ali, e podia ver que ele também sentira falta dela. Ele parecia prestes a chorar e aquilo a deixou preocupada. Mas não tinha como expressar e fazer o que seu cérebro mandava, então o olhou e atendeu o olhar aflito dele com um sorriso de saudade.
Queria gritar para que deixassem ele ali, mas logo sentia-se zonza novamente e teve que se deitar. Fechou os olhos tentando responder as perguntas dos doutores e tentando esquecer a sede. Tudo parecia tão confuso quando a escuridão a tomava de olhos fechados. Tantas vozes, tantas palavras ditas de uma vez. Abriu os olhos, como se tivesse medo de cair no lugar que estava perdida, virou a cabeça e o viu novamente. As duas mãos encostadas no vidro e o belo sorriso de canto, não charmoso como quando quer seduzí-la, mas aliviado. Ele encostou a testa no vidro, queria chegar mais perto. Viu a respiração dele embaçar a barreira que os separava, e ela quis tocá-lo.
Ela queria chamá-lo, queria-o ali. Ele parecia mal, ela tinha que cuidar dele, só não sabia como. Sasuke então abriu a boca e disse lentamente:
“Está tudo bem”.
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Dava última lida nos emails enquanto os olhos encaravam o relógio, só mais cinco minutos.
Cinco minutos e quando chegasse as quatro horas poderia voar para o hospital.
Ele queria ter ficado com ela, mas logo que amanheceu Manu apareceu decidida a mandá-lo trabalhar e ficar com Sakura no quarto.
E ele realmente precisava dar uma olhada nos negócios, estava ausente a duas semanas e sequer fazia ideia de como estavam suas pendências e outras obrigações no cassino, agradecia mentalmente pela equipe que tinha mas sabia que estava na hora de interar-se.
Fechou a janela do navegador, tudo o que tinha que ser respondido fora feito e apenas deu uma olhada por cima das demandas que Neji assumiu emergencialmente em sua ausência.
No canto da mesa o escaninho estava atolado de pastas e papeis e o sentido de administrador de Sasuke gritou para pelo menos saber o que havia reservado ali para quando retorna-se, já havia acordado com Itachi que por enquanto não ficaria tantas horas no escritório e o que pudesse cuidaria em casa, sua prioridade seria somente Sakura.
Olhando com mais cuidado, percebeu que as pastas estavam todas alinhadas e separadas na divisória em que era reservada apenas as pendências resolvidas, e o Uchiha tinha completa ciência que aquilo não estava assim quando saiu e certamente Itachi não teve tanto tempo livre para cuidar dos contratos de novos fornecedores.
Com a ponta dos dedos fez uma rápida contagem, havia mais de cinco pastas ali!
Suspirou limpando sua mente e organizando uma agenda mental, de forma que desse conta de acabar as prioridades dentro de seu tempo sem que isso acabasse interferindo em sua saída mais tarde. Estalou o pescoço e pegou a primeira pasta deixando a caneta pronta para começar a assinar. Leu os documentos com o máximo de atenção que detinha depois de dias sem pensar nos negócios, e quando, por fim, ficou satisfeito e apontou a caneta para onde deveria assinar parando surpreso logo em seguida. Não acreditou no que via.
Pegou a próxima pasta, a próxima, a próxima… Tirou documentos das gavetas, releu contratos que deixara para avaliar depois, olhou cada papel que tinha em sua mesa.
— Sasuke? Não esperava vê-lo. — Hinata disse voltando um passo para trás da porta ao se surpreender com a figura dele ali sentado. — Chegou agora? — perguntou cautelosa e um pouco tímida pela entrada brusca.
Sasuke ergueu os olhos para ela de forma curiosa e acenou para que entrasse. A mulher assim o fez, parando incerta em frente à mesa dele. Sasuke permaneceu calado, olhando para ela de boca semi aberta, como se quisesse perguntar algo, mas se algo estivesse o impedindo. Hinata engoliu em seco e respirou fundo.
— Eu fico feliz de Sakura estar melhor. Na primeira oportunidade vamos visitá-la. — Sorriu docemente recebendo um aceno mais confortável de Sasuke.
— Obrigado. Mas, — apontou para os papeis a sua frente esperando que ela entendesse sem usar mais palavras. Estava confuso demais para se expressar. — O que significa isso?
Ele não usara um tom rude, na verdade estava mais como alguém perdido querendo respostas. Mas isso não significava que ela não sentiu um frio na espinha.
— O senhor Uchiha, bom… — Hinata depositou seus papeis na mesa de Sasuke e ele viu as assinaturas nelas também. — Seu pai tomou conta de tudo enquanto você esteve fora... — Esperou pela reação de Sasuke, que chegou tardia, mas não decepcionou.
Ele franziu a testa enquanto encaixava todas as peças daquele quebra cabeças inusitado. Olhou o traço rebuscado em caneta preta, nitidamente a assinatura de seu pai. Viu anotações dele em post-its, viu alterações que ele mesmo havia pensado em fazer em planos de negócios. A letra de seu pai.
— Onde ele está? — Sasuke perguntou sem tirar os olhos do que havia em suas mãos.
— Ele ficou até tarde ontem, acho que não vai voltar já que você voltou. — o tom calmo de Hinata o manteve no estado de torpor que estava. Passou a mão pelo cabelo e suspirou.
— Por favor, preciso ficar sozinho.
— Claro, Sasuke. — respondeu simplesmente deixando-o sozinho com seus próprios pensamentos enquanto o relógio apontava às 4 horas da tarde.
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Ela parecia tão imersa em pensamentos, nem havia o visto parado à porta. Ele não se moveu, contudo, para chamar sua atenção. Contemplava-a de onde estava. Ela ainda estava pálida, os lábios e as bochechas com pouco de seu rosado. Ela parecia tão frágil, ele queria cercá-la com os braços e protegê-la do mundo. Os cabelos estavam presos em uma trança e ele podia ver os dedos passando pelo lençol de forma delicada, mas ele sabia que era sinal de impaciência.
O que ela estava pensando?
Ela umedeceu o lábio e piscou, aquilo o deixava bem, agora sabia como detalhes tão mínimos faziam toda a diferença em sua vida. Não aguentou ficar de longe observando, deu um passo e fechou a porta atrás de si.
— O valete, o rei e a rainha conversavam no salão de jantar do castelo de cartas. — começou baixinho, mas alto o suficiente para Sakura sobressaltar e dar um sorriso de saudade, fraco e sincero. Ele sentou-se na beirada de sua cama e alisou o rosto dela a vendo fechar os olhos. Sua voz, rouca e profunda, a chamou para a história — Havia uma ameaça iminente em que o Ás de espadas chegava com seu exército para derrubar o castelo do rei.
Sakura suspendeu o sorriso em seu rosto e o olhou como uma criança curiosa pelo fim da história. Sasuke fez um carinho singelo em sua cabeça e olhou-a nos olhos por um instante.
— “Como ei de afastar meu inimigo, quando não apontas franquezas em suas defesas?” — Sasuke engrossou ainda mais a voz fazendo Sakura rir encantada — “Lute, use sua força, meu rei.” — Sasuke mudou a voz novamente e Sakura se ajeitou o olhando com encanto infantil. — A rainha, contudo, nada dizia. Apenas se levantou e e mandou que trouxessem algo. O rei e o valete se surpreenderam, e do alto do castelo de cartas o rei gritou sua vitória perante o às de espadas, que nada pôde fazer a não ser pedir clemência. — Sasuke terminou com um toque de suspense deixando seu sorriso despontar em um só canto.
— Mas… o que aconteceu? — Sakura perguntou enfim. Sasuke absorveu a voz dela e depositou um beijo no topo de sua cabeça.
— Enquanto eles discutiam táticas de batalha, a rainha se disfarçou de camponesa e entrou nas foças do Ás de espadas e sequestrou uma carta. O ás de copas estava sobre o poder do rei, e não havia sangue, castelo ou poder que valesse mais que o coração do Ás. — Sasuke respondeu deixando um silêncio confortável entre eles, ambos entendiam o significado — Senti sua falta. Quase desmoronei um castelo... — sussurrou em segredo depositando um beijo singelo nos lábio dela.
Sakura riu baixinho, erguendo os braços para abraçá-lo da maneira que suas forças deixavam. Sentiu o cheiro dele, o perfume que a aclamara no dia do assalto em sua casa, o perfume que a fazia sonhar com ele, o cheiro que a confortava. Não tinha mais medo de cair na escuridão, de estar longe, sabia que ele não a deixaria.
A Haruno levantou um pouco o rosto que repousava no pescoço de Sasuke e pode ver as olheiras que haviam crescido demasiadamente no rosto do Uchiha, sentiu um aperto no peito. Ino e Gaara passaram boa parte do dia com ela e a amiga contou-lhe os difíceis dias que Sasuke passara, que não deixava seu lado por nada, precisando de muita insistência para que o moreno fosse pelo menos se alimentar.
Levantou a mão livre até o rosto dele, retirando com a ponta dos dedos, os fios negros que caiam por cima dos olhos até chegar na mancha escura contornando-as enquanto Sasuke fechava os olhos ao seu toque.
— Você não se cuida mesmo, não é? — Sakura disse baixinho com um sorriso quando ele a encarou de volta -...Me desculpe por te fazer passar por isso — juntou as sobrancelhas rosadas imaginando as horas sem fim que o consumiram.
— Você está bem — ele afirmou ignorando a preocupação dela. Olhou-a nos olhos, pegando cada pequeno detalhe depois de dias sem vê-los. Eles brilhavam para si, envoltos em olheiras de cansaço. Passou o polegar pela lateral do rosto dela, esperava que ela entendesse a saudade que ele sentira, a dor de vê-la daquela forma apenas com o olhar. Era incapaz de verbalizar seus sentimentos mais uma vez. — Sente alguma dor?
Sakura deixava-se levar pelo olhar e voz dele, como se ele invadisse cada célula do seu ser e deixasse sua marca. Sorriu para ele no fim, afinal, era para ele que ela destinava todos.
— Sim, estou bem… Algumas vezes tenho um pouco de dor de cabeça e sono — Sakura o respondeu — Tsunade disse que é normal e que vai pedir mais alguns exames, já o sono… Convenhamos que definitivamente natural da minha pessoa — a Haruno riu travessa.
Sasuke balançou a cabeça deixando um vestígio de riso escapar e deu mais um beijo no topo da cabeça dela, tomando cuidado com o curativo.
— Boa tarde, vejo que está bem melhor, Sakura. Boa tarde, Sasuke. — Tsunade entrou indo direto para o prontuário perto da cama de Sakura dando uma olhada para o casal que se separou mas continuaram com as mãos entrelaçadas — Seu namorado assustou os enfermeiros da minha equipe, garota. Ou você acordava ou teria que chutá-lo do hospital. — a loira sorriu para Sakura enquanto puxava a pequena lanterna do jaleco escutando a risada da aluna e paciente.
— Tsc — Sasuke acomodou na poltrona dando espaço para Tsunade realizar os procedimentos.
Tsunade gentilmente segurou o queixo de Sakura analisando suas feições antes de apontar a luz em direção aos olhos verdes que piscou algumas vezes devido a claridade.
— Oh, isso é um bom sinal — Tsunade sorriu enquanto a observava seguir a luminosidade conforme movia a lanterna — Sente enjoo ou até mesmo formigamento de em alguma parte do corpo, Sakura? — perguntou analisando a parte de trás da sua cabeça onde a garota havia levado o golpe.
— Não shishou, apenas não sinto muito apetite — Sakura respondeu prontamente.
— Isso é normal, uma vez que estávamos a mantendo apenas com os nutrientes necessários, conforme formos trocando os comprimidos de vitaminas por lanches leves, seu corpo retornará a rotina — Tsunade avisou se afastando um pouco e colocando o estetoscópio no braço verificando a pressão.
Sasuke observava todo o exame de rotina em silêncio, porem não menos atento, os olhos seguiam cada passo feito esperando os resultados.
— Estarei diminuindo a partir de hoje alguns medicamentos e já solicitei uma nova tomografia, mas você está se recuperando bem, acredito que mais alguns dias já poderá voltar pra casa — Tsunade avisou enquanto rabiscava no prontuário — Ainda precisa ficar em observação, o que o Uchiha não vai deixar faltar, não é mesmo? -
Sasuke assentiu prestando atenção à tudo o que a mulher falava e desviou os olhos quando ela lhe sorriu.
— Vou deixar você agora, qualquer coisa não hesite em chamar — Tsunade ajeitou o jaleco — Ah! Já soube da novidade, Sakura? — a mulher perguntou da porta e balançou a cabeça vendo a confusão no rosto da rosada — Oras!- disse antes de sair fechando a porta.
Sakura encarou a porta fechada não entendo o que o furacão Tsunade Senju queria dizer com aquilo. Sasuke demorou algum tempo para entender, sorriu de canto pegando as duas mãos dela e deixando um beijo.
— Ainda lembra daquele teste que fez? — perguntou com certo humor, mas ela só assentiu arregalando os olhos ao ler as expressões divertida dele.
— Eu…
— Você passou. — completou a vendo soltar o ar em surpresa e felicidade. — Parabéns. Só não gosto da ideia de te mandar embora do meu Cassino no próximo semestre. — riu a vendo embasbacada.
Sakura abriu e fechou a boca, os olhos olhavam de Sasuke e suas mãos piscando algumas vezes.
— Kami.. — Sakura balbuciou — Eu vou… Eu consegui a residencia no hospital?- perguntou vendo Sasuke acenar positivamente — AH!- a Haruno exclamou esquecendo do seu estado e jogou-se nos braços de Sasuke que apressou a segurá-la.
— Sakura! — Sasuke a abraçou de volta — Cuidado! — disse, já que ela ignorava a agulha que estava no seu braço.
Uma batida leve na porta fez Sasuke se afastar um pouco e autorizar a entrada de quem quer que fosse. Sakura se deitou melhor na cama sem deixar de olhá-lo.
— Querido? Não sei como me surpreendo. — Mikoto entrou no quarto chamando a atenção de Sasuke.
— Mãe… — foi interrompido quando Fugaku apareceu atrás dela com o mesmo olhar impassivo. Itachi vinha logo depois, pois finalizava uma ligação no celular.
Depois de um breve momento de hesitação, Sasuke acenou rapidamente com a cabeça e voltou-se para olhar para Sakura. Ela se aprumou preocupada — Como está?
Mikoto não sabia pra quem se direcionava a pergunta. O tom havia mudado, mas ela ainda estava pasma pelo cumprimento que Sasuke deu à Fugaku. A morena olhou para Itachi que parecia tão surpreso quanto ela.
— Estamos bem — o homem respondeu sério.
O clima dentro do quarto se tornou tenso. Sakura se preocupava cada vez mais com os olhos frios e perdidos de Sasuke, Mikoto não sabia o que pensar. O homem não parecia surpreso, então ela limpou sua garganta e se aproximou de Sakura.
— Não sabe a imensa alegria em saber que você acordou e bem. — Mikoto segurou a mão de Sakura com o semblante emocionado. Sakura sentiu-se constrangida por um momento, e Sasuke sorriu à vermelhidão que subiu pelas bochechas deixando-a mais saudável.
— Obrigada — ela sorriu para a Uchiha que sentou-se com cuidado na beira da maca segurando as mãos de Sakura entre as suas, e arregalou os olhos quando em um movimento inesperado Mikoto colocou os lábios na sua testa.
— Ficamos tão preocupados!- Mikoto suspirou ao encará-la novamente.
— Er… Ainda lembra de mim, cunhada? Sabe porque a chamo assim? Quantos dedos tem aqui? — Itachi gracejou tirando uma risada de Sakura, mas era perceptível que tentava dar um jeito de amenizar o climão do quarto.
— Obrigada por terem vindo me ver. — Sakura disse constrangida com a situação e com tantas pessoas a olhando. Olhou em cada rosto e lembrou-se de sua família. O peito apertou, mas o olhar de Sasuke a acalmou. — Eu estou bem, logo vou pra casa.
— Oh, mas isso e maravilhoso! — Mikoto colocou as duas mãos em frente ao peito e sorrio dando atenção para a moça — Pode contar conosco para o que precisar, meu bem! -
Itachi sentou-se na poltrona que momentos atras era ocupado por Sasuke e sorriu abertamente para Sakura, havia conhecido a garota há tempos atrás e adquirido um carinho imenso por ela, todas as encrencas que ela se meteu em festas quando Itachi ia visitar a prima da rosada, e as conversas em plena madrugada que tinha com Sakura enquanto a pimenta recuperava-se de mais um abuso do àlcool.
Sempre brincou com a Haruno que eles ainda fariam parte da mesma família, claro que quando a Pimenta comentou que Sakura precisava de emprego jamais pensou que isso faria Sakura, sim, entrar para sua família, mas como cunhada? Fora uma imensa e alegre surpresa pra o Uchiha.
— Sabe querida, ele pode ter falado que ele era seu namorado, mas não se engane, sou eu que você ama — Itachi pegou a mão com a aliança de Sakura e falou galanteador — Sou o mais velho, mais bonito e mais legal, entendo que não lembre de mim, mas iremos lutar juntos! -
O quarto foi coberto pelas risadas, Sakura sentia as lágrimas causadas pelo riso e pelo canto do olho pode ver o pequeno sorriso que estava nos lábios de Fugaku que se encontrava na janela.
— Cale a boca — Sasuke passou pelo irmão dando um tapa na nuca de Itachi.
— Desculpe Itachi, mas tenho certeza que não é esta Haruno que você procura — Sakura respondeu.
— Ele já te fez acreditar nele — Itachi suspirou pesadamente dando fim a sua atuação — É bom te ter de volta, coisa rosa — o moreno sorriu e apertou levemente a mão de Sakura.
— Obrigada Ita-kun — Sakura respondeu animada. — E senhor Uchiha. — Sakura se virou para o patriarca, de forma mais contida, recebendo um aceno simples. Ela voltou-se para Mikoto e Itachi que contavam sobre Sasuke de forma exagerada para fazê-la rir.
Sasuke escorou-se na parede perto da janela. Cruzou os braços e assistiu aquela cena por um tempo. Tinha consciência do homem a seu lado, era uma sensação estranha depois de fugir tantas vezes de sua presença. De soslaio, viu o pai mexer-se. Ele também estava desconfortável.
Inúmeras palavras passaram pela cabeça de Sasuke, algumas mal criadas, e outras impensáveis. Sua mente estava em ebulição, pesando contras e à favores, medindo as circunstâncias e suas consequências. Olhou para frente, viu o sorriso dela, sentiu os ombros mais leves, a responsabilidade mais branda.
Engoliu o bolo que chamava-se orgulho, respirou fundo e deixou aquela única palavra sair de seus lábios da forma mais sincera que pôde.
— Obrigado, pai.
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