Jogo para dois
20 O preço da sorte
Notas iniciais
A caneca de café era sua companheira naquela manhã. Ninguém havia acordado ainda, mas seus estudos já haviam sido negligenciados demais nos últimos dias. Os olhos verdes ardiam pedindo mais umas horinhas de sono, mas o conteúdo daquela matéria deveria ser assimilado, Tsunade acreditava nela e ela precisava provar que era digna dessa confiança.
Virou a página do livro e começou as novas anotações quando escutou um suspiro de surpresa atrás de si.
— Bom dia, porquinha. — cumprimentou sem tirar os olhos do caderno que recuperara da casa de Sasuke.
—Dia- Ino disse bocejando e coçando o olho andando preguiçosa -Testa, me diz que você foi dormir por favor- a loira disse encostando a cabeça na mesa.
— Ahn, claro — respondeu distante, sem ao menos prestar atenção ao que Ino falava, recebendo um tapa perto da orelha — Ai! Sua bruta! Sim, dormi! aii — resmungou passando a mão no local atingido e voltando-se para os papeis na mesa da cozinha — Ontem, no Sasuke. — terminou em tom mas baixo.
—Por Deus Sakura!- Ino bufou -Serio, eu vou jogar esse livro pela janela se você não fechar ele agora. Vou ligar pro Sasuke também, ouviu? Onde já se viu isso! Sakura Haruno, você está de castigo- Ino fazia gestos para todos os lados com os braços -Eu preciso de você viva pra ir na sua formatura com meu belo salto quinze ouviu?-
— Castigo? — Sakura ergueu os braços espreguiçando-se e colocando mais café na caneca. — Eu preciso estudar, Ino. Obrigada por se preocupar, mas eu escolhi essa vida já sabendo o que vinha. — deu de ombros roubando uma torrada da amiga. — E Gaara, onde está?
—Dormindo, né amiga? Nem eu sei o que to fazendo de pé as nove da manhã de um domingo- Ino cortou um pedaço de queijo e entregou para Sakura -Tadinho, teve que ajudar o Naruto no bar ontem... Sério, fecha esse livro um pouco- disse suspirando.
Alguns minutinhos iriam fazer bem para seus neurônios, ela pensou dando-se por vencida e fechando o livro e acertando anotações sob o olhar satisfeito de Ino. Aceitou a fatia de queijo e olhou, cansada, para Ino.
— Ok, você me ama e me quer só pra você. Já entendi — riu um pouco da cara de Ino — Me conte as novidades. — disse dando um sorriso. Fazia tempo que as duas não ficavam sozinhas para baterem um papo.
—Convencida você doutora- Ino serviu café para as duas -Amiga, preciso te contar uma coisa- Ino mordeu o lábio inferior encarando a caneca entre as mãos.
Sakura ergueu os olhos para Ino aguardando. Ino era tão simples de ser lida, tão transparente. Ela parecia ansiosa, nervosa, tudo bem óbvio, mas tinha um brilho que não deixou Sakura se preocupar demais.
— Diga- disse deixando o café da manhã na mesa e a olhando com expectativa.
—Bem… O Gaara anda deixando muita coisa dele aqui, tem até uma parte do armário, sabe? E essa semana, você estava na faculdade e eu fui dar uma organizada nas coisas dele, tinha roupa limpa pra guardar e… — Ino disse atrapalhada — Veja bem, hipoteticamente, eu posso ter encontrado uma caixinha dentro de um dos casacos dele e HIPOTETICAMENTE eu posso ter aberto e ter achado um par de alianças douradas!- Ino dizia fazendo caretas e encarava Sakura pelo canto dos olhos.
Sakura demorou alguns segundos, seu cérebro estava saindo do estado de profunda concentração para se entregar a exaustão, mas quando tudo fez sentido ela quase soltou um grito, quase derrubou a cadeira quando levantou de uma vez, e quase amassou Ino quando a abraçou forte.
— Oh Kami! Ele vai te pedir em casamento? — Sakura perguntou retoricamente num grito sussurrado. Um surto começou a tomar conta das duas amigas que sorriam feita bobas sem palavras para dize.
—Eu acho que sim!- Ino disse no mesmo tom de voz de Sakura, os olhos azuis arregalados.
—Eu to tão feliz por você amiga! Mas, tão feliz!-
—Eu tentei esquecer eu juro! Mas eu não consigo mais agir normal perto dele!- Ino disse -Mas agora me sinto mais leve, você mal parou em casa essa semana e não queria surtar pelo telefone-
Sakura colocou as mãos nos ombros da amiga, o sorriso não saia de sua boca, estava tão feliz por Ino, sabia o quanto ela amava Gaara e o quanto aquilo era reciproco. Eles faziam um casal tão lindo desde sempre, tão companheiros e tão amigos. Se sentiu mal por não ter tanto tempo para compartilhar com sua amiga, e com esse sentimento ela abraçou Ino mais uma vez.
— Desculpa, meu amor. — ela pediu apertando forte — Essa loucura da vida… Ai, temos que comemorar! Sem ele saber, claro — riu de forma conspiratória com Ino. — Minha porquinha vai casar! Nossa, isso é tão surreal!
—Testuda- Ino se pendurou no pescoço dela -Alias, só pra não ter erro, eu abri a caixinha e a aliança esta com meu nome gravado- a loira confessou no ouvido de Sakura que riu.
—Vocês são barulhentas- escutaram a voz grave no ambiente e as duas se olharam sem se afastar.
—O que houve?- Gaara perguntou bagunçando os cabelos enquanto abria a geladeira -Sério, vocês duas estão me assustando… — ele as encarou com uma careta e rosto amassado.
— Nada! — Sakura se aprumou desfazendo o sorriso e fingindo um bocejo que se tornou real. — Vou dormir, só me acordem se um de vocês estiver pegando fogo, ou se eu estiver pegando fogo e não sentir. Vou hibernar.
—Isso ai é uma indireta para avisar o Sasuke que ele deve se vestir de bombeiro?- Ino perguntou com uma sobrancelha levantada.
—Não esperava isso de você coisa rosa- Gaara riu junto com a namorada.
— Idiotas! — ela gritou em meio a risos tapando o rosto nem querendo imaginar no Sasuke vestido de farda. Precisava dormir de verdade, e aquilo não ajudava em nada.
Esfregou os olhos com força, repassava o que havia lido mentalmente e de forma automática, já puxara o edredom até perto do nariz e deixava o corpo relaxar aos poucos. Logo a matéria sobre o sistema renal e imagens de Sasuke fardado começaram a se misturar em sua cabeça, e foi assim que adormeceu em poucos minutos.
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Sakura segurou a risada enquanto bebericava do chá e Hinata passou os dedos evitando que as lagrimas escorressem pela maquiagem.
—É serio?- Sakura perguntou.
—Sim! Sasuke-kun tinha decidido que ia se mudar para Komatsu, acho que foi aquelas ideias de adolescente sabe? Itachi não estava em Tokyo na época e o Naruto-kun foi atras dele, acho que até brigaram feio, fiquei tão preocupada com os dois… -
—Mas vocês dois não estavam juntos né?- Sakura perguntou, adorava ouvir Hinata, a morena era tão calma que trazia essa sensação tranquila para Sakura que nos últimos dias não conseguia sequer dormir direito.
—Não… Eu, eu sempre gostei do Naruto eu acho, o conheci bem nova… Eu tinha tanta vergonha e o Naruto… Bem é o Naruto- Hinata sorriu e deu de ombros -Quando o Itachi soube que eu estava cursando a faculdade, Neji já estava quase se formando, ele nos convidou para o novo negocio dele e aqui estamos-
—Imagino a sua cara quando o Naruto apareceu-
—Nossa… — Hinata sorriu nostálgica — Ai, eu vivia me escondendo. Mas sabe, ele sempre me achava e me dava cada susto gritando daquele jeitinho dele. — riu de forma encantadora enquanto as bochechas ficavam rosadas. — Até que ele começou a me assustar pelos cantos do cassino, só pra me ver sem graça. Aquele danado. — balançou a cabeça segurando o riso enquanto Sakura imaginava os dois em outra época. — Até que um dia ele percebeu… acho que nem ele sabe explicar direito como aconteceu.
—Que bom que no final ele se tocou- Sakura terminou o chá e Hinata concordou -Fico feliz Hina-chan-
—Já são quase três anos… — A morena suspirou -Eu que fico Sakura-chan! Sasuke precisava de alguém, agora não vejo ele sem você, fizeram bem um pro outro-
Sakura mordeu o lábio, o sorriso bobo sempre dava sinais quando ouvia o nome dele. Colocou uma mecha atras da orelha e viu Hinata sorrindo para ela, como se a entendesse sem dizer qualquer palavra.
— Bom, acho melhor eu ir indo. Se o Neji me vê aqui… — Sakura fez som de chicote fazendo Hinata rir com gosto.
—Oh… Ontem ele foi jantar lá em casa e quando eu comentei sobre a Tenten, nossa eu nunca vi o nii-san tão vermelho, até o Naruto percebeu- Hinata disse como se falasse um segredo -Eu acho que eles andam se encontrando-
Sakura abriu a porta, mas deixou só metade do corpo pra fora, sustentando a cara de fofoca com direito a boca aberta e olhos arregalados.
— Que danadinhos! Por isso ela não saia desse RH! — riu baixinho como uma adolescente — Eles combinam de um jeito maluco. Você tem que me contar mais fofocas, Hina-chan! — Sakura acusou rindo em seguida. — Melhor eu…
Sentiu-se ser puxada para trás e pode ver Hinata jogar-se em sua cadeira rindo mas logo a porta a sua frente fechou-se e pode olhar para trás sendo recebida pelo sorriso de canto dele enquanto ainda a segurava firme pela cintura.
—Conversando em horário de expediente, senhorita Haruno?- Sasuke perguntou com falsa rigidez.
— Sr. Uchiha! — ela fez cara de surpresa e culpa, mas por dentro sorria como criança — Me desculpe, sr. Uchiha. Prometo que isso não vai mais acontecer. Posso fazer alguma coisa pelo senhor?
—Não sei se é algo inteligente de me propor, Haruno- Sasuke a puxou contra si enquanto a dirigia para o sofá atras dos dois.
— Eu preciso desse emprego, senhor — ela continuou o joguinho deles não escondendo mais o sorriso, a mão subiu pelo pescoço dele quando ele a deitou no sofá e ficou olhando para os olhos verdes. — Como você tá? — ela perguntou sussurrando deixando de lado a brincadeira e vendo as olheiras profundas no rosto branco.
—Estou bem- Sasuke fechou os olhos sentindo os dedos de Sakura correrem pelas suas pálpebras e suspirou cansado -Os investidores estão fodendo com a minha paciência, Itachi quer mais um encontro com eles amanhã, dizem que é arriscado demais abrimos um segundo prédio agora- encostou a cabeça no ombro dela.
— Hm… — ela murmurou pensativa fazendo um carinho nos cabelos dele — Você precisa relaxar um pouco, posso te ajudar com alguma coisa?
—Os últimos dias estão difíceis- Sasuke resmungou -Sei uma ótima maneira mas isso nos levaria ao inicio da nossa conversa- o moreno beijou o pescoço dela.
— Sasuke! — ela riu empurrando ele sem força alguma. Ele deixou que seu peso a prendesse no sofá do escritório e ela beijou perto de sua orelha recebendo um ronronado dele de aprovação — Isso é depois e em outro lugar. Mas posso fazer uma massagem? — perguntou dando outra risada quando ele deixou uma mordida na mandíbula.
—Esta querendo me testar mulher?- Sasuke disse rouco -Me deixe aqui por uns minutos antes que Neji ou Itachi me achem…Como esta a faculdade?-
— Está uma loucura — ela suspirou enrolando uma mecha do cabelo dele em seu dedo — Tsunade está me enchendo de pequenos testes e me preparando para aquela vaga, sabe? To estudando bastante também… — ficou um pouco em silêncio apreciando o perfume tão característico dele, sentindo-o se ajeitar melhor em seu pescoço — E realmente, não quero que Neji ou Itachi te ache deitado em cima de mim. Não sei de qual dos dois eu tenho mais medo. — comentou rindo.
Se surpreendeu ao sentir Sasuke se levantar inesperadamente e apoiou-se nos cotovelos pronta para pergunta-lo o que havia acontecido quando o viu ir até a porta e trancá-la para depois puxar a gravata desfazendo o nó e voltando a se deitar sobre ela.
—Pronto- ele disse simplesmente arrancando uma risada dela.
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Esfregou os olhos cansados descansando a caneta ao lado do teste que Tsunade havia preparado para si. Havia pego a segunda para estudar, quando dera por si havia virado a noite novamente e receava seu estado durante a noite.
Prendeu os cabelos e ergueu o braço no laboratório vazio mostrando que havia acabado. Tsunade pegou a folha de sua mesa e pô-se a ler em sua pose estoica. Aguardou ansiosa para ser liberada logo e poder descansar para ir trabalhar a noite. Tsunade entortava a boca de uma maneira que Sakura não conseguia compreender a intenção, e seu estado de cansaço não auxiliava uma boa analise de expressão.
— Você foi melhor neste teste, porém tem que se atentar a pequenos detalhes que podem custar pontos… — ela apontou para alguns exercícios dando exemplos e fazendo anotações em destaque para que ela retomasse os estudos naquele ponto.
— Desculpe, Tsuande shishou. — ela tentou desesperadamente conter o bocejo, falhando miseravelmente e dando de cara com a carranca de censura da professora — Se quero ser médica tenho que me acostumar com essa vida — deu de ombros se desculpando.
— Se quer ser médica tem que aprender a ser uma antes de se preocupar com os horários que irá trabalhar. — bateu os papeis com força na mesa e Sakura apertou os dentes numa expressão cômica de pavor -Por Kami, Sakura! Quando eu estava me formando tive que desistir de muitas coisas sim, mas não é por isso que deixei de viver, degustar um bom sake ou aproveitar o belo namorado que me busca todos os dias na universidade- a loira cruzou os braços na frente do peito -Não tem necessidade de se matar dessa maneira, você é brilhante e o mais importante é minha aluna, não decidi te orientar por nada, Sakura-
As bochechas de Sakura esquentaram, aquele elogio foi repentino e ela não sabia lidar muito bem com eles. Guardou suas coisas na bolsa segurando o sorriso bobo. Havia se esforçado muito para chegar ali, se esforçava o dobro para permanecer e orgulhar seus pais onde eles estivessem, era obrigação ser a melhor, um objetivo pessoal se destacar e conseguir uma boa formação antes dos 30.
— Obrigada Shishou. — cumprimentou fazendo uma leve reverencia com a cabeça.
—A proposito… Qual o nome do felizardo?- Tsunade perguntou com um sorriso de canto -Só o vi algumas vezes antes de entrar no carro, mas posso dizer que ele tem ótimos gostos para carro e joias-
Sakura riu um pouco passando o polegar pela aliança em seu dedo e dando um sorriso gigante para a professora.
— O nome dele é Sasuke… — disse somente o primeiro nome para não levantar mais especulações.
—Sasuke hn?- Tsunade disse enquanto organizava suas coisas -Ele tem algum vinculo com aquele cassino?-
Sakura coçou a cabeça irritando-se com seu raciocínio lento, não saberia dizer com certeza se aquela era uma informação que gostaria de dar à ela, visto que logo descobriria que ela trabalha lá e que, provavelmente, isso influenciara nos seus estudos e também saberia que foi assistida tendo surtos nas mesas de jogos e nos caça-níqueis.
Mas não era uma boa ideia mentir, de qualquer maneira.
— Bem, sim. — respondeu com seu tom mais casual — Ele e o irmão são… donos de um aí… — fez carreta com a porcaria que tinha acabado de falar ao ouvir a risada de Tsunade.
—O que é isso Sakura? O que tem de demais estar com um empresario? Você é bonita, acho que não preciso comentar isso dele- A mulher a encarou.
Sakura riu, mas quase chorou quando a professora a acompanhou pelos corredores da universidade em passos lentos.
— Oh, não me foco no que ele faz — Sakura disse abanando a mão — Ás vezes até esqueço do berço de ouro dele… — riu sem graça vendo Tsunade distante sem prestar atenção ao que dizia.
—Eu vou algumas vezes ao lugar, já vi Sasuke algumas vezes lá- Tsunade comentou -Na ultima vez eu também te vi lá, isso explica boa parte do seu cansaço, uma estudante de medicina conseguir manter um emprego é difícil, me faz lembrar de mim… — a loira sorriu nostálgica.
— Da senhora? — perguntou rápido demais para se arrepender. Já alcançavam as escadarias e davam espaço para que estudantes em grupos passassem. Era estranho estar naquele clima amigável com sua professora e orientadora, num bate-papo casual com a mulher que se guiava como exemplo.
—Oh sim, trabalhei em uma loja nove horas por dia até conseguir a residencia- Tsunade a respondeu empurrando a porta de saída.
— Nossa! — Sakura estava realmente impressionada. Sempre imaginou que Tsunade tive todo seu tempo livre com a cara nos livros, só estudando para chegar onde chegou — E mesmo assim se tornou uma médica renomada. É um ótimo exemplo, doutora Senju. — Sakura sorriu ao pronunciar as palavras e ver a expressão de orgulho que aquele tratamento dava á quem se esforçara tanto para chegar ali.
—Você tem um futuro brilhante Sakura, esta no caminho certo, eu não estaria a puxando o máximo possível se não visse seu talento para medicina- as duas pararam em frente ao prédio da medicina -Agora, faça o que sua shishou lhe disse e aproveite um pouco- indicou com o queixo para trás de Sakura -E consiga um desconto nas garrafas de sake para mim-
Sakura se virou e pode vê-lo sentado em um dos bancos do patio que fazia parte do complexo da universidade, virou-se novamente para sua mestra que agora já estava alguns passos distante de si.
—E conserte aqueles caça niqueis viciados!- a mulher gritou sem se virar levantando uma mão em aceno.
Sakura colocou as duas mãos na boca para não gargalhar, certamente Sasuke também tinha ouvido, tropeçou nos próprios pés e quase foi ao chão se Sasuke não tivesse a segurado com rapidez.
— Obrigada. Ai que vergonha — ela disse dando um beijo no rosto dele e ajeitando a bolsa no ombro. — Amo essa mulher. — ela deu de ombros sorrindo como criança. — Não precisava ter vindo, eu sei que está ocupado.
—Tsc- Sasuke pegou a bolsa de seu ombro antes de selar suas bocas a fazendo sorrir.
—Eu disse que viria, ainda mais que tenho uma reunião com Itachi e os acionistas e provavelmente não vou poder te ver até o final da noite- o Uchiha disse enlaçando a cintura de Sakura enquanto andavam até o estacionamento -Você pode descansar na minha sala até a hora de descer pro cassino-
— Olha, ótima ideia — ela encostou a cabeça no ombro dele — Logo terei que pedir teto no Cassino — ela riu bocejando novamente. Sasuke ergueu a sobrancelha em questionamento e ela riu bobamente — Gaara vai pedir Ino em casamento, mas ele não sabe que ela descobriu. — alertou apontando o dedo pra ele.
—O que? É serio? — Sasuke disse pegando a chave no bolso -Ela pediu pra você sair?- perguntou confuso.
—Não, não! Mas, oras, não acho confortável, não para mim e nem para eles, continuar lá enquanto são recém casados. Aliás, era um lugar provisório, de qualquer maneira. Mesmo Ino insistindo e tal… entende?
—Hm… Não vou deixar você voltar para aquele lugar de antes Sakura- Sasuke disse serio -Posso te ajudar procurar algo-
— Você da medo quando fala assim… Acho que vou procurar algo mais perto do centro. Mais seguro e perto do hospital se eu passar na residencia se eu passasse nos testes — ela sorriu — Não quero voltar pra lá, obrigada vou aceitar sua ajuda, mas... Agora só quero dormir — resmungou encostando a cabeça na lateria do mustang e fechando os olhos, sentiu o corpo dele próximo ao seu.
—Ino me disse que você não anda dormindo- Sasuke disse colocando uma mecha rosa atras da orelha dela.
—Oh aquela fofoqueira, eu já levei um sermão por isso hoje- Sakura suspirou o abraçando -Mas assumo que isso não foi nada saudável-
—Hn, preciso de você inteira doutora- Sasuke disse dando um beijo no canto da boca de Sakura antes de suas bocas se encontrarem.
O beijo era calmo, embalado pelo clima de outono, Sasuke segurava o rosto dela em uma de suas mãos enquanto a outra a trazia para si enquanto ela o abraçava, a sensação de se sentir completo um pelo outro que aqueles toques passavam corriam de um para o outro.
Se separaram e Sakura encostou a testa no peito dele sentindo o carinho em seus cabelos.
—A proposito- Sasuke disse -... O que ela quis dizer sobre uma fantasia de bombeiro?-
Sakura bateu a mão na testa e sentiu o pescoço queimar, desviou o rosto e resmungou baixo.
— Aquela porca imunda me paga!
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Naruto havia dado sinal para que ela pegasse as doses no balcão. Ela se esforçava para sorrir e não se arrastar em cima dos saltos. Havia dormido umas duas horas no sofá do escritório de Sasuke até ser acordada por Itachi batendo na porta, ele pediu mil perdões depois mas ela não conseguiu voltar a dormir. Seu estado era lastimável, e ainda era o primeiro dia de trabalho da semana.
A cada passo que dava, ela tentava memorizar alguma matéria que estudara mais cedo, servia as pessoas com movimentos automáticos. Seus olhos, por vezes subiam até os vidros espelhados do escritório dele, mas não o vira desde que saíra de lá e descera para trabalhar.
Entrou no banheiro para passar água na nuca e viu seu reflexo quase chorando. Seus olhos estavam bem maquiados, mas dava pra ver a profundidade de horas sem dormir impregnadas neles, sua boca estava caída nos cantos em profundo sinal de cansaço.
Arregalou os olhos e encheu as bochechas de ar encarando a si mesma com altivez.
— Aguenta, Sakura! Só mais uma horinhas! Você vai passar por coisa pior, aguenta! — disse apontando para o espelho em tom firme e relaxando os ombros no processo.
— Faz igual eu, entra numa cabine e dorme. — Tenten apareceu do nada ao lado dela passando a mão no canto da boca babada.
— Você… Você… dorme no banheiro? — Sakura estava atordoada apontando para onde a garota havia acabado de sair. — Se o Neji souber…
— Neji? — Tenten riu desfazendo um coque torto e refazendo-o com toda a paciência do mundo — Neji já estreou aqui… se é que me entende… — piscou deixando uma Sakura pasma. Tenten gargalhou — Sério, você tem que relaxar mais. Se cuida, doidinha.
Passou pela moça dando um tapinha no ombro de Sakura e saindo do banheiro como se nada tivesse acontecido. Foi impossível não sair rindo depois. Havia coisas pequenas que conseguiam melhorar um estado de humor de forma esplendorosa. Respirou fundo e andou com mais energia pelos sons de caça níqueis, as fichas batendo nas mesas, as risadas dos vitoriosos, a musica ambiente… Ela sorriu para Ino dando uma piscada e continuou seu desfile pelas mesas observando cada jogada até que um sinal de Kakashi chamou sua atenção. Se aproximou para ver o que ele queria.
— Sasuke acabou de me pedir para te colocar na mesa, vamos começar uma aposta agora. — disse baixo perto do ouvido dela. — Ele disponibilizou 5 mil fichas à você.
Sakura arregalou um pouco os olhos e balançou a cabeça com a “ajuda” que Sasuke estava dando.
— Não sei se seria prudente… É uma mesa alta- ela disse olhando para a mesa cheia de velhos magnatas.
— O que estão conversando aí? — um dos velhos, o mais gordo, perguntou com cara de poucos amigos enquanto batia suas fichas com tédio.
— Ela foi convidada para se juntar aos senhores pelo senhor Uchiha — Kakashi disse em voz alta e Sakura fez um reverência por educação — Teria algum problema?
— Por mim tudo bem, pelo menos teremos algo bonito para se olhar nessa mesa cheia de velhos pançudos — o que parecia mais gentil disse tirando gargalhadas exageradas das mulheres atras de si.
Sakura não se sentia cem por cento confiante naquela noite, mas uma da mulheres já puxava a cadeira ao lado do senhor simpático para que ela se sentasse e recebia um aceno de cabeça do velho.
— Não se acanhe criança, Poker é bem simples. — garantiu de um modo paternal que fez Sakura sorrir sem graça e agradecida pelo tratamento. — Mande as cartas, dealer! Hoje eu pego o que Maru me tirou semana passada! Aprenda comigo, menina.
— Você veio de onde? Las Vegas? — o gentil senhor gargalhou ao ver Sakura ganhando o montante com um blefe momentos depois.
Ela riu contida enquanto os outros acenavam em concordância. Muitas pessoas paravam para assistir enquanto a torre de fichas de Sakura cresciam e diminuíam a cada aposta bem feita ou não.
Ela estava concentrada, observava os homens enquanto sua mente tentava se manter acordada. Sua última jogada foi arriscada demais, mas conseguira enganar bem e estava aliviada por isso, iria perder muito se um deles tivesse uma mão boa. Porém era fácil perceber alguns vícios em cada jogador. O mais perto do dealer daquela rodada não apostava alto quando tinha uma mão ruim, o outro só apostava depois da quarta carta virada, mas suava demais quando se via sobre um problema e aliviava a expressão de forma assustadora quando tinha uma boa estrategia. O senhor gentil ao lado dela não tinha medo de se arriscar, parecia até gostar de observá-la jogando depois de ver o potencial da menina, mas hesitava um pouco na hora de blefar.
Ela perdeu algumas fichas numa má interpretação de sinais, e já sentia a cabeça doer. Viu a cabeça de Naruto e de Ino se elevando pelas pessoas que os assistia, ouvia os comentários de pessoas que entendiam ou não do jogo, viu as mulheres fazendo massagem nos velhos gordos, viu o vidro espelhado e imaginou se Sasuke a estaria observando ou se ainda estaria em reunião.
Balançou a cabeça e olhou a rainha de paus e o às de ouro em sua mão, Kakashi virou um 5 de espadas, um valete de paus e um 9 de copas. Continuou impassiva e pagou a aposta dos outros. O dealer parecia estar com uma mão boa, apostou relativamente bem, o bastante para não desencorajar os outros jogadores. Kakashi virou um às de copas e mais uma rodada de apostas, o senhor rabugento saiu do jogo e só os três continuaram pagando as apostas. Um par de às ela já tinha, rezava para conseguir um Royal Flush.
A cabeça doeu e numa piscada ela perdeu o movimento de aposta de um dos jogadores. Pagou a aposta calculando quanto lhe restaria se perdesse naquela rodada.
Kakashi virou a última carta, e o 10 de espadas apareceu como uma prece catada por anjos. Ela dobrou a aposta e os outros dois pagaram, um suava muito e o outro a encarava com um sorriso desconfiado.
— Mostrem suas cartas. — Kakashi pediu.
O que suava havia feito um único par de 10, o o senhor gentil não tinha nada em mãos e Sakura quase chorou ao ver seu Royal Flush.
— Obrigada pelo jogo, senhores. — Ela se levantou de repente e curvou a cabeça em cumprimento.
— Oras, agora que a sorte assoprou a seu favor. — o senhor a questionou vendo-a pegar as fichas sorrindo.
— Um bom vencedor sabe quando parar. — Agradeceu mais uma vez saindo do lugar e achando Naruto que apareceu ajudando-a com as fichas.
Andava ao lado do loiro que segurava dois baldes de fichas enquanto ela levava um, sentia-se nervosa como a muito tempo não se sentia por causa de um jogo, abaixou os olhos para ver o montante de fichas e engoliu a seco ao tentar calcular o possível valor que levavam ali.
— Uau! Você poderia ser milionária se levasse os jogos a sério. — Naruto assoviou olhando para os baldes.
— Não, não! — ela respondeu rapidamente — Ao mesmo tempo que isso pode te levar alto, pode te fazer cair nas profundezas com a mesma velocidade. Jogo vicia, meu pai me dizia sobre o tamanho da ganância, sobre o perigo de sempre querer mais. — ela disse com olhos astutos. — Acho que vou deixar esse valor aqui, sabe depois Sasuke dá um jeito de me passar, não sei. — ela disse já cansada de pensar.
— Boa ideia. — Naruto deixou os baldes no guichê de troca. — Ótimo jogo, doutora! Hoje o uísque é por sua conta! — levantou os braços e depois ergueu Sakura do chão num abraço apertado fazendo-a rir.
Agradeceu aos deuses quando retirou o salto dos pés sentada nos bancos do bar de Naruto, passou os dedos massageando o lugar dolorido e suspirou cansada escutando a risada do loiro que recolhia os objetos da bancada.
—Vai querer carona Sakura-chan? O teme ainda não apareceu- Naruto perguntou sentando no banco ao lado dela.
Sakura levantou o olhar, todos os funcionários e amigos já relaxados devido ao expediente cumprido na terça feira, Temari já passava por eles pronta para ir embora junto com Shikamaru enquanto Ino entrava no setor de funcionários.
—Não precisa não- Sakura sorriu -Vou com Ino e Gaara… Eles ainda estão em reunião? A essa hora?-
—Hai- Naruto suspirou -Não é a primeira vez que aqueles velhotes fazem isso, Itachi me comentou uma vez que eles fazem de proposito para ver o funcionamento do lugar em tempo real, eles não confiam muito em números no papel, não importa o quão impecável são os relatórios do teme-
— Tadinho — ela suspirou imaginando o quão cansado ele deveria estar. Tudo o que ela queria agora era dar um beijo nele agradecendo pela grande ajuda que dera e por acreditar que ela não o faliria.
— Pronta? — Gaara perguntou de repente a fazendo sobressaltar — A Ino tá apressando, não sei qual o problema dela. — deu de ombros acenando para Naruto.
—Eai, vamos indo?- Ino apareceu sorrindo -Estou louca pra chegar em casa-
—Credo porca, esta esperando visita?- Sakura levantou-se do banco dando um abraço em Naruto — O uísque fica pra próxima. — piscou para o loiro.
—Nunca se sabe quando vamos receber uma surpresa amiga- Ino mexeu os longos cabelos -Né amor?- sorriu para Gaara que acenou perdido no assunto.
O casal e Sakura passaram pela saída para funcionários com sorrisos cansados de uma boa noite de trabalho. Ino ficava cutucando Sakura pela quantia que havia ganho.
— Arrasou, amiga! Pena que é só de demonstração. — ela balançou a cabeça crispando a boca.
Gaara girava as chaves do carro no dedo indicador enquanto segurava a mão de Ino com a outra mão.
— Não foi demonstração… — Sakura disse devagar e os dois arregalaram os olhos surpresos. Gaara até parou de andar. — Sasuke meio que me emprestou 5 mil fichas, quadrupliquei a quantia e vou devolver o investimento dele, o resto é meu.
—Oh meu deus… — Ino sibilou -Oh meu deus! Testuda… Esse é pra casar-
— Casar… — Sakura riu levando um cutucão dolorido e discreto de Ino — Nem tem ideia da ajuda que ele tá me dando com isso.
— Tô feliz por você, testa. — Ino segurou a mão da amiga dando um sorriso sincero.
— Eu precisava de um café — Gaara reclamou cortando o clima das duas — Sakura, já que tá rica, você paga!
— Hey! — ela riu pegando suas anotações da bolsa para ler no carro — Tudo bem, podemos…
Um baque surdo fez Ino gritar por segundos até ter sua boca abafada por uma mão masculina. Sakura teve o cabelo puxado para trás e sua boca tapada antes que pudesse gritar. Seus olhos lacrimejaram ao ver o corpo de Gaara caído no chão de forma desajeitada, a primeira coisa que pensou foi o pior. Seu corpo começou a tremer em pânico, mas não conseguia mover seus membros. Ino se debatia sendo segurada por um homem encapuzado a sua frente.
Olhou com desespero para os lados, assimilando o que acontecia, estavam sozinhos ali, sua mente gritava para que alguém saísse pela porta quando ouviu Ino mesmo com a boca tapada gritar e receber um puxão nos cabelos como castigo o que fez Sakura acordar e se debater mesmo com os braços presos nas costas.
—Quieta!- ouviu atras de si.
Levantou os olhos e encontrou com os Ino que chorava, os olhos azuis indo de Sakura para Gaara desacordado no chão.
— Rápido — uma voz urgente gritou atrás de Sakura, aparentemente havia mais de 3 naquele local — A bolsa da rosadinha.
Ela sentiu sua bolsa ser tirada com força de seu ombro, sentiu o rastro ardendo por onde a alça passou violentamente. Ino tinha espasmos enquanto chorava copiosamente tendo apenas a visão dos pés imóveis do namorado.
Aquele pesadelo parecia não ter fim. Sakura mexia os ombros por reflexo, mas já sentia o medo roubar as forças de sua perna e seu corpo amolecer. Seus ouvidos estavam tapados pelo terror e só ouvia coisas indistintas a seu redor. As pernas de Ino se movimentaram com fervor e isso chamou a atenção dela para a amiga, novamente.
— Não temos tempo para isso, ache o recibo do prêmio ou qualquer porcaria que dê o dinheiro. — o homem atras delas gritou furioso.
Sakura viu o homem que segurava Ino, tirar as mãos da coxa dela e resmungar para que o que vasculhava a bolsa encontrar o que procuravam.
Sentiu algo na mente se acender e Sakura entendeu o que se passava ali, o corpo todo tremia enquanto seus pensamentos eram direcionados para a noite em que perdera seus pais.
Seu corpo foi solto e virado para o outro lado dando de frente para o homem alto que tinha o rosto tapado que a segurava com força nos ombros.
—Onde esta o dinheiro, vadia?- Ele disse pegando uma parte de seus cabelos e a empurrando para o chão a ajoelhando enquanto a segurava pelos cabelos novamente de frente para Ino -Passa a porra do dinheiro ou seus coleguinhas vão pro inferno!- puxou os cabelos novamente a fazendo fechar os olhos pela dor.
—Vamos!- o terceiro disse e o objeto na mão dele a fez arregalar os olhos, a pistola apontada para Gaara.
— Não! Por favor! — a voz saiu esganiçada e teve que repetir inúmeras vezes para saber que era ela mesma quem gritava. — Não… por favor… não…
— Dois minutos. — Uma quarta voz falou mais baixo em tom de alerta.
— Merda. — o dono do revolver apontou para a têmpora de Ino e apontou o dedo para Sakura de forma ameaçadora. — Fala!
Sakura sempre acreditara que sua cabeça fora treinada para aguentar circunstancias de alto risco, sempre impassível e com estrategias friamente calculadas. Ela acreditava que conseguia ter qualquer situação sob controle, mas isso não era verdade. Sua mente não a ajudava, seu corpo tremia com violência, a imagem da ultima vez que viu seus pais sorrindo e depois dentro de uma caixão. Pensou em Gaara e a aliança que iria dar a Ino, na amiga que esperneava e talvez tivesse o pior fim. Começou a chorar sem parar e seu cabelo era puxado mais uma vez.
— Está… está no cassino — ela disse embargada e deixando os soluços escaparem.
— Filho da puta — um dos homens xingou — eu disse que tava lá dentro, merda!
— Um minuto.
— O que vamos fazer?
— Cala a boca!
Sakura olhava para Ino, as duas choravam em silêncio sentindo que algo ruim estava para acontecer. Elas não desviavam os olhos, tentando passar uma para outro sinais de conforto. Falando com os olhos que tudo ficaria bem, mesmo não acreditando naquilo. As duas se olharam por todo o tempo restante que tinham, hora se consolando, hora pedindo desculpas, hora se despedindo.
—Merda- o homem grunhiu e empurrou Sakura conta o chão soltando seus braços e sentiu a testa arder após a batida no asfalto do estacionamento dos fundos.
Soluçou e pôde ver a aliança no mão direita e sentiu-se como se quebrasse por dentro enquanto dor do medo invadia seu peito.
Sasuke.
Sua mente gritava por ele, gritava por ajuda, gritava para que ele simplesmente estivesse bem.
Olhou para a porta de saída dos funcionários e apenas rezou para que ele não aparecesse ali, havia perdido os pais, tinha seus melhores amigos em perigo, se algo viesse acontecer com Sasuke ali seria o fim para si mesma.
— O sinal — o mais calmos dos homens disse e os outros começaram a soltar palavrões.
Ino gritou mais uma vez, no ápice de se desespero enquanto se debatia. O que segurava a arma passou a mão na cabeça consternado. O que estava atrás e Sakura chutou suas costelas com raiva.
—Cala a boca, merda!- O homem gritou para Ino apontando a arma e Sakura quando percebeu já havia corrido para a amiga.
Fechou os olhos sentindo a dor aguda na perna enquanto o grito de Ino ecoava pelo lugar e contrastava com o barulho da arma de fogo, não abriu os olhos e sentiu os braços de Ino a segurar quando perdeu a força nas pernas.
—Vadia-
—NÃO-
Ino gritou mais uma vez antes de Sakura sentir-se estranha.
Sasuke...
Tentava chamá-lo, mas parecia que estava sendo desligada, mesmo na neblina que estava em sua mente ela o via mas ele parecia longe, abria sua boca mas não ele não ouvia.
Sasuke...
Até não sentir mais nada.
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