Jogo para dois
15 Naqueles braços
Notas iniciais
Ela acordou, mas não abriu os olhos. O calor do lençol era cômodo, mas eram os braços dele que a confortavam a segurando pela cintura enquanto as pernas dos dois se enroscavam embaixo do tecido negro. Sentiu a respiração dele na sua nuca e o peito colado nas suas costas. Suspirou roçando o rosto no travesseiro e sorriu ainda sonolenta.
O perfume dele dominava o lugar, a presença de Sasuke tomava tudo a sua volta e o calor do corpo dele em si a fizeram se arrepiar, não queria acordar, quando foi a ultima vez que se sentiu tão em paz como naquele momento?
Ela sequer alguma vez havia se sentido assim?
Suspirou mais uma vez e sentiu o braço a puxar pra mais perto do peito dele. O nariz de Sasuke roçou pelo seu cabelo e ouviu um murmurio de aprovação sair rouca da garganta dele.
— Dormiu bem? — ele perguntou com a voz de quem acabara de acordar.
O corpo dele se encaixou no dela e beijos começaram a serem deixados na nuca , no pescoço, no ombro… Sasuke se inclinou sobre ela e puxou o rosto que esquentava segurando o sorriso bobo que teimava em aparecer.
Ergueu os olhos para ele e sorriu ao vê-lo sorrindo para si. Não dizia nada, só a contemplava. A franja negra pinicava seu rosto e moldava o dele, os olhos estudavam cada detalhe de suas feições e a boca exibia um bonito sorriso de canto. Sakura levantou a mão e pousou sobre o rosto dele, virando o corpo para ficar em baixo do dorso masculino, ela sentiu a barba que ameaçava aparecer, a sedosidade da pele branca, o veludo da boca.
— Muito bem — respondeu num sussurro se aproximando para deixar um beijo delicado nos lábios dele.
Ele deixou uma risada curta escapar e voltou a dar beijos no pescoço dela. Sakura o abraçou e logo o tronco dele estava inteiro sobre ela. Os braços femininos o abraçaram e Sasuke acomodou a cabeça no pescoço dela, olhando para uma pinta pequena que ela tinha perto do maxilar. Queria ficar ali pra sempre, sentindo o coração pulsar na jugular e o perfume dela o enebriar, a pele o seduzir e a voz o encantar enquanto sentia o calor do corpo dela no seu.
As mãos se procuraram e entrelaçaram seus dedos, era mais um contato que faziam em silencio sentindo uma corrente elétrica passando dos dedos de um para o outro enquanto com o polegar ele fazia um carinho na pele dela.
Sasuke levantou um pouco o rosto, o rosto dos dois ainda mostrando sono com os olhos não abertos por completos, roçou o nariz no maxilar dela enquanto deixava seu olhar preso ao dela como se aquele gesto representasse tudo o que sentia e voltou a acomodar o rosto no pescoço dela deliciando-se com o perfume da mulher abaixo de si.
—Gosto de você- Sasuke com a voz preguiçosa causando um arrepio nela e ele sentiu-se contente por isso.
— Gosta? — ela sussurrou perto do ouvido dele. Riu quando ele resmungou algo e levantou a mão para acariciar o cabelo liso da nuca dele num carinho amoroso. Olhava para o teto sentindo seu coração disparado — Não consigo mais ficar longe, isso é maluco… — ela comenta num sopro dando uma breve risada nervosa. Suspira. — Gosto demais de você. — confessa aproveitando que o rosto dele não está em sua direção e o sente se mexer querendo se levantar, mas ela o segura pela cabeça sentindo a vergonha subir por seu rosto.
Sasuke virou-se para o pescoço dela e voltou a beijar, agora com mais vontade. Não acreditara que havia deixado as palavras saírem dele daquela forma, mas sentiu que era necessário, que devia dizer mais uma vez. As mãos dela puxaram seu cabelo enquanto seus lábios tomavam aquela pele suave e cheirosa.
Deitou-se de corpo inteiro em cima dela, somente com os lençóis cobrindo os dois corpos. Uma mão passou pela lateral do corpo dela, estudando cada curva, enquanto a outra o sustentava. Deixara o pescoço dela e beijava-lhe a boca.
Sakura havia se tornado seu maior vício. Uma aposta contra si mesmo que rendera além do que imaginava. Ela se tornara uma peça fundamental num jogo complicado que ele não conhecia, mas que aos poucos aprendia as regras. Não havia como fugir, não passaria e nem desistiria dessa jogada.
Sakura havia ganho o jogo, mas o prêmio era dele.
Não tinha como esconder de si mesmo, não havia escolha e nem o que pensar. Seu corpo pedia por ela, sua mente, seus olhos, sua boca...
Ele havia se apaixonado.
Mordeu o lábio inferior dela sorrindo e ouviu uma risadinha baixa dela que o fez apertá-la mais forte em seus braços e ainda a segurando virou-se na cama a trazendo junto fazendo Sakura deitar-se sobre ele com a cabeça em seu peito enquanto a mão dele a segurava possessivamente pela cintura e a outra fazia um carinho na base das costas dela, lugar que ele fazia questão de dar atenção após a descoberta da última noite.
Fechou os olhos deleitando-se com os lábios dela roçando em seu pescoço em uma sequencia de beijos carinhosos enquanto ela se abraçava contra ele.
— Podemos ficar aqui o dia inteiro? — ela perguntou manhosa enrolando suas pernas nas dele sentindo um calor terno e sensual.
Ele não respondeu com palavras. Abriu os olhos apenas para dar uma piscada e jogou o lençol por cima da cabeça dos dois escutando o riso de Sakura. Tudo podia esperar, aquilo que viviam naquele momento, ninguém iriam atrapalhar.
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Estava sentado na cama com a toalha no pescoço enquanto a observava vestir a roupa intima e sorriu vendo Sakura colocar uma camiseta sua, que tinha o tamanho necessário pra tapar parte do corpo dela, tapando o corpo que ele não cansava de ver.
Ainda sentado na ponta da cama, colocou o corpo um pouco pra frente e sem dificuldades os braços dele a alcançaram e a puxou para si fazendo Sakura prender a respiração com o movimento repentino já que estava de costas para ele e gelou ao toque dele em si.
Ele pegou a base de sua camisa e a levantou até poder ver os quatro símbolos e mais uma vez os analisou, o contraste da tinta negra com a pele branca o fascinavam cada vez mais.
Plantou um beijo no local antes de abaixar a camisa e a colocar no colo dele, recebendo dois olhos verdes curiosos e surpresos enquanto o rosto tinha uma coloração avermelhada e os cabelos rosados molhados que colavam em seu pescoço.
— A senhorita vai me contar sobre isso?- Sasuke perguntou não escondendo a curiosidade sobre a tatuagem -Me pegou de guarda baixa… -
— Você deixou isso bem claro- Sakura sorriu sem graça e mordeu o lábio -Quando fiz dezesseis eu fui escondida com Ino e fiz o às de copas, eu era menor de idade e minha mãe iria surtar se visse… Foi um trabalho árduo esconder por tanto tempo, mas um dia ela me pegou e bem a reação dela foi totalmente ao contrário, meu pai se fez de durão, mas depois elogiou — a rosada deu de ombros e passou o braço pelo ombro do moreno o olhando — Quando eles faleceram… Eu decidi completar ela com os outros naipes-
Sasuke escutava atentamente, por um momento aumentou seu aperto contra ela a trazendo mais próxima vendo os olhos verdes perdidos nas lembranças, o olhar perdido durou uma fração de tempo até o verde novamente brilhar ali mostrando o orgulho que sentia por sua atitude.
Ele sorriu contido, ela era tão volúvel se tratando de suas emoções, mas não de um jeito ruim, e sim de um jeito que o deixava ainda mais curioso por desvendar cada segredo escondido por baixo daquele sorriso, daqueles olhos, daquela pele.
— Achei um ótima ideia. — ele disse com certo humor melhorando clima entre eles e deixando um beijo entre os olhos dela. — Aqui tá bom, mas acho que precisamos comer algo. Fome? — perguntou a olhando direto nos olhos.
—Não vou contestar- Sakura levantou-se assim como ele -Comer seria ótimo- o respondeu e recebeu um sorriso de canto de Sasuke que pegou em sua mão entrelaçando os dedos a puxando para fora do quarto.
Sakura olhou para suas mãos e para o moreno de costas para ela e sorriu.
A manhã e parte da tarde passaram de forma rápida e intensa. Sasuke e Sakura conversaram e descobriram particularidades que só se descobrem no convívio intimo. Sasuke descobrira variações nos verdes dos olhos dela a cada parte iluminada pelos raios de sol, descobriu que ela torcia a barra da blusa ou enrolava uma mecha do cabelo quando se sentia tímida, que ela roía as unhas quando elas não estavam pintadas, que tinha um tique de inquietação em que mexia os joelhos, ou até mesmo nos vícios de linguagem dela quando se empolgava em falar algo. Ela era espontânea, numa simplicidade e inocência que encantavam, falava tudo atropelado, gesticulando com os braços pro alto e rindo em meio as frases.
Ela era desastrada, mas sabia disfarçar muito bem, era medrosa e morreu de vergonha contando que o que mais faz é procurar uma saída próxima ou bolar planos mirabolantes para escapar em situações constrangedoras, ele riu quando ela deu como exemplo o dia do hospital quando conhecera a mãe dele numa situação nada convencional.
— Não ria, não foi uma situação legal ok?- Ela disse quando viu a cara dele.
Ela era leve, tudo o que ele precisava na vida naquele momento. Leveza e simplicidade.
Já sem maquiagem, ele percebeu as sardas no nariz, eram pequenas e discretas, mas davam um charme juvenil à ela. Mesmo sem qualquer maquiagem, ela era linda. Sorriso lindo, olhar lindo.
— Por que me olha tanto… desse jeito? — ela perguntou tímida e ele percebeu que a encarava e infelizmente nem fazia ideia do que ela havia falado por último, a beleza limpa dela havia hipnotizado-o.
Ele sorriu, escondendo seu próprio constrangimento por se encontrar em uma situação tão vulnerável, tão reflexiva e apreciativa. Assustava essa nova atitude que sua mente o fazia adotar quando ficava muito perto dela, mas se deixava levar, pois o sentimento era recompensador e nada mais o afetava.
Ele a puxou para cima de si no sofá, e a observou calado. Os cabelos estava bagunçados, mas ainda assim ele a achava deslumbrante, os olhos esperavam curiosos e ansiosos como os de uma criança no Natal. Ela era frágil, parecia ser, e ele queria defendê-la, fazê-la sentir segurança, ou qualquer coisa mais perto disso que fosse capaz de converter em palavras.
— Sasuke?- Ela chamou segurando um sorriso sentindo ele a segurar pela cintura enquanto alguns fios de cabelo caiam sobre o rosto dele mas não a impedindo de ver seus olhos.
— Já pensou… — ele começou e ela percebeu certa hesitação na forma com que ele falava, como se não soubesse como se expressar direito — pensou em algo… na verdade deixar de fazer algo certo por outro arriscado?
Sakura franziu as sobrancelhas não entendendo onde ele queria chegar com aquilo. Tentou imaginar, mas essa falta de clareza dele a deixava ainda mais perdida.
— Desculpa, mas não entendi… me dê um exemplo. — pediu para ajudá-lo, mas ele se mexeu e desviou os olhos um tanto frustrado.
— Bom, por exemplo — suspirou e voltou a olhar pra ela, guardando uma mecha de cabelo atras da orelha dela — Esquecer o trabalho por hoje e ficar o dia todo em casa....
Sakura deu um pulo na mesma hora e procurou com desespero o relógio da sala. Abriu a boca assustada e o puxou pela mão com insistência.
— Sasuke! Meu trabalho! Preciso ir! — disse com tanta urgência que fez Sasuke rir e se levantar.
— É mesmo, né? Vai que seu chefe te manda embora. — disse rindo e recebendo um olhar primeiramente assustado e depois raivoso junto de alguns tapas.
Sasuke levantou-se com ela o puxando pela mão, mentiria para si mesmo se não pensou em convence-la para ficarem ali aquela noite, mas sabia que ela rejeitaria então o Uchiha a acompanhou para se arrumarem.
—Vou precisar passar em casa- Sakura disse entrando no quarto e encostou a cabeça no peito dele quando o moreno a abraçou por trás.
—Não vai querer ficar né- Sasuke perguntou preguiçoso, quantas vezes coordenou o sharingan sozinho quando o irmão resolvia ter suas escapadas?
—Sasuke!- Sakura virou-se para ele -Eu tenho que trabalhar e o senhor mais do que ninguém deveria saber disso porque você também tem que trabalhar! Tenten já me substituiu ontem então garotão… Precisamos nos arrumar- ela disse apontando pro peito dele.
—Certo então senhorita- Sasuke a puxou para ele e deu um beijo na bochecha dela -Comece achando seu vestido- ele deu um beijo nela sorrindo ao ver os olhos que ate segundos atras estavam firmes se mostrarem surpresos e o rosto avermelhar.
Sakura passou a mão pelo rosto, não adiantava sentir vergonha àquela altura do campeonato, mas era inevitável não sentir nada quando ele a seguia com os olhos como uma predador enquanto ela caminhava pelo quarto vendo peças suas por todo o lugar. Ignorava-o, fingindo procurar qualquer coisa no chão, quando seus olhos bateram em algo que fez se coração acelerar. Seus olhos quase lacrimejaram e as mãos tremeram levemente não acreditando no que havia em cima da escrivaninha.
Sasuke observou curioso enquanto ela se aproximava do objeto como se não acreditasse.
— Sasuke… — ela o chamou sem tirar os olhos da escrivaninha — Como você… onde encontrou… ele?
Sasuke foi até seu closet e pôs a escolher seu vestuário para aquele dia.
— Você o deixou o carro, havia até me esquecido dele… — disse displicente sem olhar para ela.
— Você leu? — perguntou agora abraçando o caderno que havia perdido como se fosse parte de seu corpo. Ele riu com a pontada de desespero na voz dela. Havia coisas particulares além das matérias acadêmicas, havia pensamentos, divagações, desabafos e desenhos de palitos.
— Teve vezes que eu não tinha o que fazer. — respondeu dando de ombros e se virando para ela já com a camisa aberta no corpo.
Sakura riu nervosamente e sentiu o rosto ficar quente e desviou do abdômen destacado para não cair em perdição. Agradeceu baixinho por ter cuidado do seu caderno e colocou o vestido amarrotado, arrumou o cabelo como pôde usando um pente que encontrou no banheiro dele e começou a arrumar a cama com rapidez, acabando antes que ele se desse conta. Ela se movimentava com tanta familiaridade, que parecia já fazer parte daquele lugar. Ele não achou a ideia ruim… tê-la daquele jeito em sua rotina.
Encostou-se no batente da porta e esperou até ela ficar pronta, os cabelos rosados se movimentavam junto com ela e contrastavam com a pele branca dela, a viu pegar o caderno e a pequena bolsa que estava caída no meio do quarto e ele não pode evitar de morder o lábio inferior, as lembranças ainda corriam por todo seu corpo que reagia a ela intensamente.
Ele sabia que não se importaria de ter Sakura em seus braços novamente a qualquer momento do seu dia e sentir tudo o que sentiu na noite passada.
Sakura acenou para ele avisando estar pronta e os dois seguiram para fora, pegando os sapatos de Sakura que se encontravam até a entrada e assim saíram do apartamento do Uchiha, que tinha seu braço contornando sua cintura deixando junta a ele.
Em poucos minutos o mustang estacionou no prédio de Sakura, o relógio já marcava seis horas da tarde e a rosada torcia para Ino já ter saído, sabia do escândalo que a loira faria e que ela não iria deixar de envergonhá-la na frente de Sasuke.
Abriu a porta e apressou-se a entrar antes dele e suspirou vendo o lugar vazio mas o pequeno bilhete na mesinha ao lado da porta não passou despercebido.
Sakura o pegou sobre os olhos atentos do Uchiha e não segurou a risada ao reconhecer a letra de Ino.
“Na minha época você tinha que voltar pra casa as nove da noite sabia? O que vou fazer com você Sakurita? Aposto que voltou com a roupa toda amassada, sua pervertida.
Nos vemos no serviço… Isso se você não ganhou uma semana de folga.
Te amo”
Sakura riu e amassou o papel num bolinha jogando no cestinho, foi até o quarto correndo gritando para que Sasuke ficasse a vontade. Ele riu quando ouviu um barulho que mais parecia um tropeço e depois um xingamento. Com as mãos para trás se colocou a andar pela sala do apartamento das duas. Havia vários porta retratos, e a maioria era de Ino com amigos, família ou Gaara. Tudo era bem decorado, bem limpo e remetia à uma casa feminina. Passou os olhos pelos suvenirs e todo tipo de bugiganga decorativa nos móveis da sala quando viu um porta retratos que o fez sorrir sem perceber, Ino e Sakura na época da escola. Ino de cabelos curtos e sorriso sapeca e Sakura tímida com um laço vermelho no cabelo comprido. Os olhos passavam tanta coisa, mas principalmente inocência, a mesma que ele ainda enxergava ao olhar para ela.
Quantas vezes já tinham vindo na casa de Ino e nunca percebeu aquela cabeleira rosa na foto?
Colocou a foto no lugar e voltou-se para a porta que ela havia desaparecido, sorriu sozinho pensando na cara dela se a pegasse se trocando, mas a visão o atiçava a fazer isso. Abriu a porta com sutileza e parou no meio quando a viu, já vestida e arrumada com uma foto em mãos e a cabeça baixa, como se falasse com ela. Antes de fechar a porta novamente ele viu um homem, uma mulher e uma menina sorrindo. O sorriso sumiu e ele voltou para a sala se sentando no sofá enquanto dava à ela a privacidade que precisava.
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Sakura
Eu pareço um robô andando por essas mesas e servindo as bebidas, antes minha cabeça girava em torno de ossos e células, agora só penso nele. Argh! eu vou ficar maluca, mas por um bom motivo.
Minha vida é sempre assim, as coisas acontecem de forma rápida e avassaladora. A morte dos meus pais me fez crescer rápido e aprender a tomar conta de mim mesma, o roubo da minha casa me fazendo reaver minha grande amiga que se mostrou solícita e disposta a me ajudar, e agora Sasuke.
Ai, se você conseguisse ver o que passa na minha cabeça quando eu vejo ele.
— Menina! Veja por onde anda!
— Desculpa! desculpa! — velho chato, me deixa sonhar.
Voltando… nossa, ele é… ele é… sabe quando você encontra aquilo que há muito vem procurando? eu precisava de carinho, precisava de uma base, de alguém que cuidasse de mim. Depois de um tempo, isso faz falta. Muita falta. Sasuke se abriu, me deu a mão e eu me senti segura.
Posso ser quem eu quiser com ele. Não precisa mascarar nada, filtrar o que dizia, tentar passa outra imagem que não fosse eu. Ele se tornou meu porto seguro, onde posso deixar minha âncora e descansar um pouco desse mar que se chama vida.
Deixei os copos no balcão e dei um jeito de escapar do Naruto, desde que chegamos juntos ele não para de me olhar estranho, daquele jeito pervertido. Me abano só de pensar que ele tem motivos… nossa.
Há um tempo, descobri um cantinho que posso parar pra respirar um pouco, daqui consigo ver o vidro escuro, sei que é ali que ele deve estar. Escoro num dos caças níquéis e tento ver se ele está lá.
E suspiro, e você fara o mesmo e acho que sua cara de boba seria pior que a minha neste momento, só de imaginar o que estamos nos tornando…tudo que já aconteceu.
Eu não sinto medo, de verdade, não sinto medo de ser rejeitada e jogada de lado. Mesmo que nunca tenhamos dito nada, eu sinto que isso é diferente, que pertencemos um ao outro, sabe? É complicado tentar explicar, mas eu sinto que ele gosta tanto de mim quanto eu dele e que quando estamos juntos é tudo o que queríamos estar fazendo.
Ele me deixa desnorteada e ao mesmo tempo com a certeza de que isso é certo. Ele confunde meus sentidos, mas tudo parece fazer sentido quando estamos juntos.
Um sorriso bobo aparece só de imaginá-lo com aquela pinta de executivo, segurando uma caneta entre os dedos e me olhando de volta pelo vidro escuro. Ele deve estar sorrindo também, daquele jeito que provoca todo tipo de coisa em mim, somente por ter a visão de sua funcionária e amante se escondendo e sorrindo igual idiota pro vidro. Eu preciso me tratar!
Ok, cara de garota trabalhadora refeita, preciso voltar a fazer algo, mas meus olhos não deixam aquele vidro. Queria só ver ele um pouquinho, depois chegar mais perto e dar um beijinho naquele nariz bonitinho. Só um beijinho!... Ai tenho que trabalhar!
Os barulhos da fichas batendo umas contra as outras, das máquinas de embaralhar cartas, dos gritos de êxtase e os resmungos de derrota finalmente fazem algum sentido. Eu me perco fácil em pensamentos quando se trata dele. Ele amansa meus problemas, deixa-os quietinhos como se não existissem, me dá uma felicidade danada sem se dar conta de quão simples consegue fazer isso.
Ai Sasuke… o que faz comigo?
— Arrrrrrgh!!!!!!!
— Tenten? O que acont…
— Vou agora no RH! Argh, que ódio!
Er… hãn… ok.
Onde estava? ah sim. Sasuke, ó Sasuke! Como me deixaste assim? Por que meu coração… Não, não vou fazer vocês lerem isso. Eu passo longe de ser romântica, sério. Mas ele me deixa doida, me deixa sem noção, ás vezes algumas coisas escapam e eu quero agradar, entendem? E lá se vai outro suspiro. Eu quero esse homem pra mim, mas para sempre.
— Tsunade???
O que minha coordenadora está fazendo aqui? Kami do céu!
Finge que não viu… Apressa o passo… Desvia…
Enquanto Ino me grita no bar, eu volto a pensar nele, porque isso é gostoso, faz o tempo passar.
Há muito ainda pra rolar nessa mesa. O jogo ainda está rolando e eu ainda não sei como interpretar as jogadas dele, só sei que estamos jogando juntos.
Eu não tive medo de apostar tudo, não vou recuar.
Andando pelo salão de jogos eu consigo ver um relógio prateado que fica acima da ala das roletas e não consigo segurar um suspiro.
Meia noite
E por mais que eu ame meu trabalho, conto cada minuto pra chegar logo a hora de encontrá-lo do lado de fora do prédio e sentir o braço dele na minha cintura me conduzindo até o carro.
A volta ao lado dele definitivamente é algo que faz o dia cansativo valer a pena, me sentia protegida e sabia que estaria tudo bem se eu estivesse naqueles braços.
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