Jogo para dois
18 Minha
Notas iniciais
Ele abriu os olhos e fitou o teto por uns minutos. Não tinha vontade nenhuma de se mexer, o braço formigava, havia um perna pesando sobre a sua, mas ele não queria se mexer. Olhou para baixo e a viu, iluminada pela luz que tentava entrar pelas cortinas. Estava encolhida com a cabeça apoiada em seu braço, os braços em volta de seu corpo nu e as pernas enroscadas nas suas. Desceu o rosto alguns centímetros, até que os fios fizessem cócegas em seu queixo. Deu um beijo ali, suave o bastante para que ela nem se mexesse.
O calor do corpo dela proporcionava sensações que beiravam o estado primário de um homem. Seus instintos o guiavam quando estava entre quadro paredes com aquela rainha de copas. O jogo entre os dois se tornava algo inconsciente e animalesco. Estrategias ferinas para alcançar o desejo e acabar com as necessidades que o corpo de um tinha do outro.
O coração palpitou mais forte à breve menção do que essa mulher estava fazendo consigo. A vontade de tê-la era mais forte do que jamais tivera, o gosto dela fazia falta quando estava longe, o cheiro dela, o sorriso que iluminava o dia. Ah, como ele parecia um bobo só de pensar no sorriso dela, acabava sorrindo sozinho em qualquer lugar que estivesse, se tornando algo constrangedor. Mas se tornara inevitável.
— Bom dia. — a voz rouca dela o fez afrouxar o abraço que nem tivera intenção de dar e acomodá-la melhor a seu lado. Respondeu com um sorriso de canto e contemplou o sorriso largo de quem acabara de acordar e não se importava com a situação da maquiagem e do cabelo àquela hora do dia. O rosto estava inchado e ela estava sonolenta, mas ainda parecia-lhe maravilhosa. — Não fica me encarando, Sasuke-kun. — ela soltou de forma infantil, o que o fez rir.
— Sasuke-kun?- perguntou a pegando num abraço novamente. Quando fora a última vez que fora chamado assim?
— Uou! Faculdade! — ela saltou da cama desesperada.
Ele continuou observando-a, deixando seus olhos seguirem os naipes tatuados nas costas brancas e bem delineados. Ele gostava de olhá-la. Era natural, sem segredos, sem falsa beleza. Ela era bela, tão bela que lhe enchia os olhos e lhe dava água na boca.
Sakura corria pelo quarto, cabelos desgrenhados, tropeçando nas roupas atrás de uma calça que ela não havia levado, desesperada com medo de perder a aula e sem entender onde estava sua bolsa. Sasuke a observava, seu coração saltava com qualquer minimo detalhe que ela deixava escapar, ele sorria a cada coisa boba que ela fazia.
Cansou de vê-la sofrer e se levantou a abraçando junto do cobertor. Ficaram assim, como um casulo. Ela de olhos arregalados e ele afagando o cabelo dela.
— Sasuke…
— Sakura, hoje é domingo. Volta pra cama.
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As coisas no cassino estavam indo bem. Os lucros vinham crescendo exponencialmente e Itachi já estava com planos de abrir um segundo cassino ou algo similar, ligado à entretenimento. A cabeça de Sasuke, em outras circunstâncias, estaria ligada à toda essa mudança de cenário e mercado, mas ele estava parado em frente à uma joalheria com o celular na orelha enquanto Itachi dizia coisas que para Sasuke não fazia sentido àquela hora.
Dois meses nesse jogo com ela. Dois meses se viciando e não conseguindo largar a mesa e deixar de apostar. Sakura não era mais o prêmio, era o jogo em si. Não estava ali pelo que ela lhe daria se ganhasse, mas só por jogá-la, para ter as cartas nas mãos e degustar a sensação desse toque, da ansiedade que cada jogada traz, do medo de errar, da atenção ao blefe e nos olhos que teria que ter nos adversários.
— … entendeu, Sasuke? — a voz de Itachi no telefone o fez se afastar da vitrine e bufar balançando a cabeça.
— Claro, que hora é para estarmos lá?
— Você não estava me ouvindo! — acusou do outro lado da linha — Fedelho. Acabei de falar que é para estar às 9.
— Ok, ok. Até mais.
Guardou o celular de forma automático e entrou na loja de súbito. Pensar nos adversários o fez remontar a estratégia e pensar em novas formas de jogar. Não era porque era novo naquela mesa que iria fazer feio, só precisava de uma mão boa e de sorte.
Aquele jogo era seu.
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Com as mãos sobre o queixo, o paletó estendido atrás da cadeira e a gravata frouxa, ele a observava mais uma vez. A saia do uniforme lhe caía tão bem, as pernas bem desenhadas no tecido preto, a camisa que pedia para ser aberta botão por botão. O cabelo estava solto e a boca pintada de rosa. Ela andava de um lado para o outro, mesclando sorrisos e mordidas de lábio que mostravam ansiedade, angústia, nervosismo.
Os saltos haviam sido deixados perto da porta de seu escritório, ela os tirara assim que entrou, deixando um suspiro exagerado de satisfação e alivio escapar. Ele riu. Ela era uma graça, um furacão de espontaneidade que surgia do nada e o surpreendia com a facilidade com que lhe chamava a atenção e fazia esquecer qualquer outra coisa.
— Não era para estar feliz? É uma grande oportunidade — ele disse em seu tom mais calmo, deixando as costas penderem na cadeira e relaxar enquanto ela se matava de nervosismo e inquietação. — Isso mostra um voto de confiança por parte de sua professora, não?
Sakura o encarou, a rosada estava próxima a parede vidro, os pés batiam no carpete escuro do escritório dele.
—Não vai dar certo- Sakura murmurou virando-se para a vista do cassino -O outro cara é da federal e está quase se formando, mesmo que Tsunade esteja me apadrinhando e eu provavelmente tenha feito uma boa pontuação na prova teórica, é difícil… — a mulher suspirou cruzando os braços na frente do corpo.
— Tem que aprender a ter mais segurança em você. Pelo jeito você é excepcional. Está a frente de alguém que, aparentemente, estuda numa universidade melhor e mesmo assim foi indicada ao cargo mais cedo que ele. Não é algo a se considerar? — perguntou com a mesma calma a vendo andar de um lado para o outro novamente.
—Eu não sei- Sakura fechou os olhos e encostou a cabeça na poltrona ao seu lado -Vou descer… Me desculpe por isso Sasuke-kun, você ta cheio de coisa pra resolver e eu to aqui te enchendo com as minhas coisas- ela fez uma careta se culpando antes de passar a mão pela roupa tirando o amassado.
Sasuke fez sinal apara que ela se aproximasse e afastou a cadeira da mesa. Sakura deu um sorriso traquina e fez que “não” com a cabeça. Ele ergueu uma sobrancelha e chamou novamente com os dedos. Ela mordeu o lábio e negou novamente, como uma criança danada segurando o riso.
— Venha.
— Não.
— Por que?
— Porque senão não vou querer sair.
Sasuke sorriu de canto e bateu na perna uma única vez.
— Venha, quero te dar algo.
Ela o olhou curiosa e um pouco desconfiada. Ele riu por dentro, ela realmente parecia uma criança. Sakura se aproximou e Sasuke a puxou para eu colo na primeira oportunidade. A abraçou dando um beijo no pescoço dela, enquanto ela ria agarrada aos braços dele em volta dela.
—Você vai se sair muito bem, acredito em você. Ok? E não pense que me atrapalha, largo isso pra ficar com você, bem sabe disso. — disse baixinho.
Ouviu a risada dela diminuir até ouvir somente a respiração dela próximo ao seu ouvido enquanto Sakura se aninhava no seu colo e brincava com seu cabelo na nuca o trazendo um arrepio.
—Eu sei… E eu não sei reagir com isso as vezes- Ela murmurou envergonhada -Obrigada-
Sasuke deu-lhe um beijo na face e a fez olhar para ele. A mão sustentava o rosto feminino e os olhos conversavam em particular. Era hipnotizante olhar aqueles olhos verdes por tanto tempo, era renovador. O rosto dela começou a ficar vermelho, ele sabia que essa intensidade com que a encarava, a deixava extremamente constrangida quando pega de surpresa. Segurou o rosto dela entre as duas mãos e a aproximou para um beijo breve, mas infinito dentro de seu tempo. Sentia vontade de mais, mas ali eles não poderiam, Itachi entraria a qualquer momento.
Se separaram e toda a tensão que existia em Sakura evaporou-se, ele conseguia sentir. Afastou o rosto dela o suficiente para estender o braço e tocar a testa com o dedo indicador e médio na testa dela. Ela colocou a mão ali e o olhou confusa.
— Amanhã, esteja pronta às 8. Mikoto Uchiha não gosta de atrasos.
—Agora eu realmente fiquei mais calma- Sakura juntou as sobrancelhas antes de se levantar e rumar para a saída do escritório sob os olhos ônix.
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Sasuke arrumava o relógio pela terceira vez em frente à porta dela. Tentava mascarar sua ansiedade, mas estava difícil. Quase impossível.
Olhou mais uma vez as horas, ela não estava atrasada, mas a espera o deixava em ponto de ebulição. Àquela noite era diferente, ele ia apresentá-la a sua família. Tios, avô, primos iriam saber quem era a garota de cabelo rosas que sua mãe já deveria ter comentado em alguma visita e que Shisui certamente ter dito que conheceu.
Ergueu os olhos quando a porta e abriu e seguiu com os olhos dos pés até o rosto. Um sorriso de satisfação foi o bastante para expor o quanto havia gostado do que via.
O tecido vinho lhe caiu perfeitamente, a manga de renda que ia até o antebraço e contraste de cores entre o vestido e a pele dela era belíssimo, a renda se entendia até o busto onde se encontrava com a camada grossa do tecido e na cintura um fino cinto preto demarcava as curvas da mulher que usava uma sapatilha de vinil bege.
—Vocês dois aprontaram pra mim- Sakura disse suspirando passando a mão pelos cabelos escovados -Não precisava disso- completou fazendo uma careta.
Pode ver Ino sorrindo cúmplice para ele enquanto fazia um sinal positivo com a mão e Gaara levantava a mão em um aceno para o Uchiha.
Sasuke sorriu de canto pegando a mão de Sakura e a entrelaçando com seus dedos.
Depois de saber por Ino que Sakura estava preocupada com o que vestir, cedeu o cartão de credito para que a loira levasse Sakura em algumas lojas, o plano não era ela saber que ele estava por trás disso mas a loira cometeu o deslize ao deixar Sakura ler sem querer o nome do titular.
— Linda. — ele sussurrou no ouvido dela deixando um beijo na bochecha corada — Não a espere hoje. — Sasuke piscou para Ino deixando Sakura enfurecida de vergonha a seu lado.
—Vou trancar a portaaaa- Ino cantarolou antes de fechar a porta os deixando do lado de fora.
— Oh, você me mata de vergonha, Sasuke — Sakura acusou rindo em seguida. — Estou nervosa.
— Não precisa, vai ser uma recepção simples. — ele assegurou segurando a porta do elevador para ela e entrando em seguida — Sorte a sua que não quero borrar seu batom antes da festa. — disse displicente apertando o botão para o térreo.
—Você tem um problema com elevadores, não é mesmo?- Sakura o olhou pelo canto dos olhos.
— Tenho problemas em ficar perto de moças bonitas. — respondeu voltando os olhos para ela com um sorriso de canto extremamente charmoso. Ele gostava de ver as reações dela para suas respostas rápidas.
—Oh é mesmo?- Sakura levantou uma sobrancelha em questionamento -Legal saber disso senhor Uchiha- sorriu para ele, a postura dela a sua frente nublou seus olhos.
Ele riu e se aproximou enquanto ela dava passos para trás até encostar nas paredes do elevador. Sasuke apoiou um braço na lateral do corpo dela, prendendo-a. Os olhos ficaram na mesma altura, e era enlouquecedor o que aqueles olhos verdes e desafiadores faziam com ele.
— Com ciúmes? — perguntou provocante. Ela bufou tentando passar descrença no que ele falou. Ele deu um sorriso breve e a segurou pela mão novamente, os dois ficaram quietos pelo tempo seguinte, mas na cabeça dele era claro que só ela conseguia fazer aquilo.
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Sakura observava a paisagem pela janela, o bairro de Konoha não era muito frequentado pela rosada devido a distancia da parte central da cidade, as casas eram de estilo clássico e a chuva fraquinha deixava o bairro mais charmoso.
Sasuke a conduziu pelos jardins bem cuidados da residência e ela agradeceu pela tenda que Mikoto mandou estender por toda a entrada os protegendo da chuva. Ele viu os olhos dela analisaram tudo com curiosidade, as mãos dela começavam a suar e os ombros pareciam tensos.
— Já disse que não precisa se preocupar. Fica calma — ele disse em seu tom controlado, fazendo de tudo para que ela não visse que por dentro ele entrava em ebulição num misto de nervosismo e ansiedade.
—Da ultima vez, sua mãe nos pegou no corredor e seu primo me viu bêbada- Sakura suspirou apertando sua mão na dele -E quando você ta nervoso fica olhando pro relógio- os olhos verdes o encararam acusadores.
Ele freou o impulso de olhar para o pulso e sorriu de canto para ela. Tão esperta, tão observadora. Ela sabia como surpreendê-lo, algo difícil depois de tanto tempo preso em mesas de jogos.
— Me pegou. Mas é só fazer como eu, finja que não está acontecendo nada. Eles sabem coisas piores sobre mim — Disse sem olhar para ela, se divertindo com o clima que ficou depois do tom misterioso que usou na voz e no olhar curioso dela em sua direção — Vamos?
Sakura percebeu o barulho de conversas e copos que vinham de dentro da casa e virou-se para a porta de madeira branca antes de acenar positivamente para ele.
Foi saudada por uma espaçosa e bonita sala, era decorada com quadros que exalavam bom gosto, pequenas esculturas nos cantos, algumas acompanhadas de flores brancas e de longos caules. Aparentemente, os móveis havia sido retirados para dar mais espaço para os convidados, e Sakura sentiu-se ligeiramente desconfortável ao ver tantas pessoas desenvoltas na classe dentro de um mesmo cômodo. Apoiou-se no braço de Sasuke terminando de observar os detalhes daquela casa, o lustre bonito de cristais que balançava suavemente à brisa do ar condicionado. Viu os detalhes em gesso no teto, olhou mais uma vez para os quadros, para as pessoas, para o teto…
— Querido! Fico feliz que tenha chego na hora! — Mikoto segurou o rosto de Sasuke entre as duas mãos e lhe sorriu afetuosamente. Sakura soltou o braço dele com constrangimento por estar desligada e se afastou para dar espaço aos dois, com uma vontade doida de abraçar os próprio braços. — Sakura! Como está linda. — Mikoto elogiou pegando na mão da moça e estendendo para olhá-la de corpo inteiro. Sasuke sorriu com a cena, observando com as mãos no bolso — Muito obrigada pela sua presença, fico realmente muito feliz.
Sakura sorriu, sentia o rosto ficar vermelho enquanto a matriarca a puxou para um abraço.
—Parabéns senhora Uchiha- A rosada disse baixinho, tomada pela vergonha -Obrigada pelo convite-
—Faço questão que esteja presente Sakura- Mikoto disse gentil.
—Mãe- Sasuke chamou baixo pela mulher fazendo as duas o olharem para ele -Feliz aniversario- o moreno disse entregando a sacola que segurava na mão esquerda.
—Oh Sasuke- Mikoto sorriu pegando o embrulho em mãos retirando a caixa de veludo que continha a pulseira de pedras -Filho… — a mulher levou a mão a boca em surpresa.
Sakura disfarçou a surpresa ao ver tanto brilho numa joia só, sorriu delicada para Mikoto e apertou o braço de Sasuke num agradecimento mudo. Ele pousou a mão sobre a dela e sorriu aos agradecimentos da mãe.
— Por favor querido, leve este junto aos outros presentes e ajude Itachi com a gravata, está me dando agonia vê-lo com aquele troço no pescoço. — apontou para o mais velho que olhava distraído para o celular perto da mesa de presentes.
— Claro. Espere um segundo, Sakura. — sussurrou levando um assentimento em resposta e indo até onde a mãe mandara.
— E como vocês estão? — Mikoto perguntou na mesma hora tomando um gole de sua champanhe a oferecendo uma taça para Sakura. Os olhos negros da matriarca não deixavam escapar nenhuma reação da moça a sua frente.
A Haruno segurou a taça com as duas mãos observando as bolhas da bebida a sua frente.
—Oh… Estamos bem -Sakura sorriu gentilmente para a Uchiha.
— Bem? — a mulher repetiu com curiosidade, se aproximou mais de Sakura e sorriu gentil — Sabe que aprovo, não é? Terei netos lindos! — Riu sem se segurar ao ver o rosto de Sakura mudar de cor na mesma hora.
Sakura abriu a boca mas a mesma se fechou, sentia a mão gelar e a mente não ajudava a pensar no que responder a mãe de Sasuke. Mikoto conseguia ser ainda mais intimidadora que Sasuke concentrado numa mesa de poker. E ela nem estava se esforçando.
—Sim, estamos bem… Sasuke é incrível- Sakura finalmente respondeu -Obrigada- respondeu em tom mais baixo.
— Você é realmente uma graça. — Mikoto sorriu para a garota, mas logo seus olhos foram para as costas de Sakura e a mulher acenou para alguém. — Fugaku, venha conhecer a nossa nora.
Sakura abriu a boca, mas não havia resposta que viesse naquela hora. Engoliu o resto da champanhe fazendo de tudo para que seu auto controle não a deixasse na mão. Olhou para trás e viu um homem elegantíssimo e muito parecido com os irmãos Uchiha vindo em sua direção com um copo de uísque.
— Itachi finalmente se acertou? — o homem perguntou com uma leve pitada de humor. Sakura ainda estava tão desnorteada com toda a situação que não conseguiu responder antes de Mikoto.
— Esta é a namorada de Sasuke! — Mikoto o corrigiu com censura.
— Sasuke? — perguntou levantando a sobrancelha igual ao Uchiha mais novo — Muito prazer, sou Fugaku Uchiha. Pai de Sasuke e Itachi.
—Sakura Haruno- A rosada respondeu educadamente e apertou a mão que ele lhe estendia.
A verdade é que Sakura não sabia o que fazer naquele momento, não podia ser grosseira mesmo sabendo de toda a tensão que tinha entre Sasuke e o pai que estava sendo muito sociável com ela ali.
—Uma futura médica- Mikoto sorriu -Ela não é linda? Foi Sakura que ficou com Sasuke no hospital- a mulher disse e Sakura teve certeza que já havia sido de conversas anteriores.
Fugaku assentiu se recordando e ofereceu um sorriso pequeno e cortês a Sakura.
— Bem vinda à família. — ergueu o copo em brinde à ela. Mikoto apertou seu braço feliz com a situação — Espero que meu filho à faça feliz…
— Um Uchiha deve ser honrado nessa família — Sasuke interrompeu se colocando a frente de Sakura. Ela não compreendeu o que aconteceu em tão pouco tempo, mas via os ombros dele tensos a sua frente e a mão fechada em punho ao lado do corpo. A respiração parecia agitada, como se ele tivesse andado rápido até ali. Ela teve receio do clima que começou a tomar.
— Querido, por favor…
— Mãe, o que ele faz aqui? — Sasuke interrompeu e Sakura viu a mão de Mikoto voltar antes de tocar o ombro do filho. A expressão da mulher se transformou de feliz e jovial em cansada.
— Ele é seu pai. Por favor não comece uma cena, temos pessoas… — Mikoto, ao lado do filho, tentava amenizar a situação e colocar um pouco de noção do lugar onde estavam.
Sasuke só via o homem a sua frente, controlava a respiração mas ela saía pesada e sem ritmo. A sua visão estava turva, o estresse o fazia explodir por dentro quando guardado dentro de si. A voz de sua mãe era distante, as outras pessoas não existiam ao redor, somente o homem que o olhava impassivo.
— Você não é bem vindo na casa da minha mãe. Saia. — a sua voz saiu sem som em seus ouvidos, estes estavam tapados pela fúria cega que o consumia. Ele não percebeu os olhares que começaram a ir na direção deles e nem em Itachi se apressando para apartar.
— Garoto, não faça isso em frente à tanta gente. — Fugaku murmurou baixo, mas tão feroz quanto o filho.
— Sasuke, por favor — Mikoto intercedeu mais uma vez, mas o rapaz não deu atenção. Encarava o homem a sua frente sentindo seus sentidos ficarem entorpecidos e loucos para serem extravasados para fora.
— Eu não vou aceitar a vergonha da minha família sob o mesmo teto que a minha mãe. — As veias no pescoço dele estava estufadas, as mãos fechadas em punho e a voz havia subido algumas oitavas.
O braço de Itachi entrou na frente do peito dele e Mikoto disse alguma coisa, mas o rosto indiferente de Fugaku o fazia só pensar em seu punho socando aquela cara e tirando sangue. Seus braços tremiam perto do corpo e tudo o que recebia era o olhar entediado do homem. Itachi disse algo, sua mãe disse algo. seu avô apareceu discretamente ao lado dele, mas nada o fazia mudar de alvo.
—Sasuke- a voz feminina porém firme atrás dele veio junto com o toque das mãos em seu braço -Para por favor, pela sua mãe e pelo Itachi… Por mim- sentiu um leve puxe no tecido da camisa -Isso só vai piorar as coisas… -
Foi como se toneladas tivessem saído de seus ombros e os sons voltassem a fazer sentido. Olhou para o seu ombro, e viu os olhos verdes implorando para que ele se acalmasse. A visão dela, o vendo naquela situação o fez sentir um breve momento de vergonha, não era algo que queria que ela presenciasse. Respirou fundo e passou a mão no rosto se virando de costas para Fugaku.
Sentiu-se um pouco tonto, mas respirou mais uma vez para coordenar seus pensamentos. Sua noite havia acabado ali, não faria o que seu instinto mandava. Logo viu as pessoas desviarem os olhares da cena e voltarem a conversar.
— Mãe — se virou para Mikoto, sua voz estava grossa. Ele limpou a garganta e sorriu sem graça — Desculpe, eu prefiro ir embora.
— Filho, não…
— Amanhã eu venho ficar com a senhora. — deu um beijo na testa da mãe e segurou a mão de Sakura se virando para a saída.
Sakura suspirou enquanto andavam pela casa em direção a saida, fitava as costas dele e os ombros largos que mostravam toda a tensão dele, soltou a mão dele quando chegaram ao hall de entrada da casa fazendo Sasuke virar-se para ela.
—Só um minuto- Sakura disse virando-se de volta para a casa e indo em direção as três pessoas que os observavam.
Sakura primeiramente foi abraçada por Itachi que sorriu para ela antes da rosada afastar-se e abraçar Mikoto.
Só podia ver suas costas e o cabelo rosa mas pode ver o rosto da mãe perder um pouco da tristeza e acenar positivamente para ela antes de dar um beijo na bochecha de Sakura e Sasuke pode ver a Uchiha dizer um “obrigada” para ela que, antes de partir, acenou para Fugaku e voltar para Sasuke com um sorriso para ele que a observava atentamente da porta.
Sasuke pousou a mão nas costas dela, em cima de onde ele sabia haver as tatuagens. Esse pensamento o fazia se sentir calmo, era assustador a mudança de humor que ela era capaz de fazer nele. Os dois seguiram em silêncio até o Mustang. Sasuke abriu a porta para ela e suspirou quando sentou em seu banco.
— Tem algum lugar que queira ir? — perguntou sem desviar os olhos da frente, mas sem ligar o carro.
Sakura suspirou baixo passando as pelos próprios braços sentindo a renda do vestido enquanto pensava como ela deveria reagir a tudo aquilo nesse momento delicado.
—Podemos pegar uma pizza no caminho… Ver algum filme?- Sakura sugeriu mordendo o lábio inferior, internamente se perguntava se Sasuke não gostaria de ficar sozinho e se ele estava tentando manter a educação com ela.
— Mas você se arrumou e está tão bonita… — ele olhou de canto para ela encarando o vestido mais uma vez — Está com fome? Podemos ir naquele restaurante, ou em outro. — ele ligou o motor do carro e sentiu um breve desconforto com os olhos dele estudando todos os seus movimentos.
Passou a mão pelo cabelo desalinhando eles, sabia que ela estava remoendo algo dentro de si. Todos os seus movimentos eram calculados. Era normal ela se sentir assim, deveria ter mil perguntas sendo formuladas naquela cabecinha perigosa. Mas ela nada dizia. Ele puxou o ar com força e saiu do estacionamento da casa da mãe.
Sentia-se tão leve ali, ao lado dela, no seu carro. Indo para alguma lugar sem rumo, só com a certeza de que ela estava ali. Logo se sentiu frustrado, mas decidiu não pensar naquilo, os olhos dela o avaliavam mais uma vez.
— Diga. — ele soltou baixo sem tirar os olhos da rua movimentada.
—Ahn?- Sakura levantou o olhar para ele mas virou-se para fitar a chuva que aumentava lá fora -Não posso me meter nisso, somente você pode decidir algo, mas… — ela suspirou -Estava me lembrando que eu quase deixei meu pai sair de casa aquela noite antes de conversar com ele… Havíamos brigado dois dias antes, coisa boba, mas eu cabeça dura acabei piorando a situação, era só sobre uma festa- Sakura sorriu nostálgica -Mas quando vi que ele e a minha mãe iriam sair, aproveitei que ela se arrumava e me sentei na frente dele na mesa da sala e fizemos as pazes… Foi minha ultima conversa com ele Sasuke, no outro dia eles não voltaram pra casa e eu não sei dizer como eu me sentiria se eu não tivesse conversado com ele naquela noite- Sakura brincava com os dedos no colo e sutilmente passou um dedo no rosto impedindo que uma lagrima caísse.
Sasuke escutou, absorveu. Ficou em silêncio.
Algumas quadras haviam se passado e ele não havia dito nada. Era um história triste, ele sabia o que ela queria dizer a ele, mas as circunstâncias eram diferentes. As histórias eram diferentes. Seu pai havia traído sua mãe em sua própria casa. Ela havia manchado o sobrenome, o título de pai, o sentido de ser homem.
— Eu sinto muito — disse em tom ameno entrando numa rua conhecida e acelerando um pouco até chegar no limite da cidade.
Sentiu a mão dela na sua perna em um carinho delicado.
Sakura não falava nada, o silêncio foi incomodo por certo momento. Mas os olhos foram chamados para as luzes que se estendiam pela frente. Era um bonito parque deserto, não havia bancos, somente local para caminhada e locais para se refrescar. De dia deveria ser lindo, mas a noite era deslumbrante.. As árvores mesclavam suas folhas com as luzinhas colocadas em volta da copa. Havia os canteiros de flores iluminados com luzes coloridas e a lua cheia no céu. Sasuke estacionou ali, mas não saiu.
— Eu agradeço, mas entende que os casos são diferentes, não? Não foi uma festa, ou qualquer implicância adolescente. Foi meu pai traindo a minha mãe na minha frente. Eu não consigo perdoar. — disse ainda com as mãos no volante, seus pensamentos vagavam para aquele dia fatídico.
—Eu entendo, são situações diferentes mas… Eu só não quero te ver fazendo algo que vai te magoar mais sabe? Ou que se arrependa depois- Sakura respondeu baixo.
— Ele era meu exemplo — deixou escapar sem ver. O peito apertou com a vontade de desabafar algo que havia sido guardado há muito ali dentro. — Eu queria ser como ele, entende minha decepção? — perguntou voltando os olhos para ela numa súplica por compreensão.
— Veja bem — Sakura começou pensando bem em cada palavra, Sasuke continuava olhando para ela. O jeitinho como mexia os dedos de forma inquieta o distraia e relaxava, mas aqueles olhos o deixava em outro mundo, ainda mais quando o olhava tão brilhantes — Pense na vida como um enorme tabuleiro de xadrez. — gesticulou de forma graciosa como se pegasse as peças de um tabuleiro imaginário — Todas as peças são importante para a sua vitória, todas elas tem seu papel para que você consiga dar o xeque mate, não é? Algumas deverão ser sacrificadas para isso, algumas serão penalizadas e usadas para conseguir ganhar, mas todas elas são de suma importância. Aquelas que foram perdidas não são menores que as que continuam. Agora pegue isso e coloque na sua vida. Seu pai foi uma das peças que você teve que sacrificar de seu jogo para criar seu caráter e a vida que tem hoje, seria diferente se nada disso tivesse acontecido? Talvez. — ela enrugou a testa para ele pensando em uma forma mais simples para explicar. — Nenhuma peça é posta na sua vida levianamente. Algumas coisas, ruins e boas, devem acontecer para que sigamos nossas vidas e aprendamos com ela. Algumas vezes nosso cavalo irá pegar a rainha do adversário, outras o nosso bispo será derrubado pela torre do outro. O que aprendemos com isso? Aprendemos o que não devemos fazer e na próxima jogada fazemos melhor. Você não precisa se jogar nos braços de seu pai, mas aprenda a ver ele como alguém que lhe ensinou algo nessa vida. Foi desonroso? Sim. Mas… estou fazendo sentido? — perguntou insegura com as mãos paradas em frente ao corpo.
Sasuke a olhou. Um sorriso começou a brotar em seu rosto e a mão foi até o rosto dela. Tirou o cinto de segurança e apoiou a testa na dela. Sentiu o cheiro do brilho labial dela, do perfume intenso de seu pescoço, de seu cabelo. Fechou os olhos absorvendo tudo o que podia. Sentiu o hálito dela, fresco e convidativo bater em seu rosto.
Segurou a cabeça dela por um tempo longo demais para se contar, mas ela não recuou. Ele só precisava colocar sua cabeça em ordem e deixar que aquela sensação de alívio invadisse seu corpo.
— Obrigado. — soprou no rosto dela abrindo os olhos. Ela o correspondia com um sorriso singelo e os olhos verdes brilhando. Era uma imagem que ele guardaria naquela noite.
Afastou-se um pouco e passou a mão pelo rosto. Sakura se ajeitou no banco de modo inquieto.
— Eu queria ter ajudado mais. — ela disse baixo.
— Você ajudou. Muito — ele assegurou virando-se para ela novamente. Olhou alguns segundos pensativo para o rosto dela e então mexeu no bolso do blazer. — Eu queria fazer isso de outra forma, mas… — engoliu seco e olhou para o rosto confuso dela. Parecia haver uma pedra de gelo em seu estômago e a boca secava com uma rapidez incrível. O coração pulou forte e a respiração começou a pesar. — Queria que fosse diferente.. bem, eu… — puxou o ar, não gostava de se mostrar vulnerável daquele jeito, mas a situação o deixava nervoso. Olhou mais uma vez para os olhos verdes que aparentavam expectativa, como se já soubesse o que viria a seguir. Pegou a mão dela, deixando de lado o que havia planejado e colocou a aliança prateada com delicadas pedras encrustadas, na posta no dedo anelar direito, deixou-o ali e engoliu em seco — A verdade é que já estamos mas… Quer namorar comigo Sakura?
Ele não segurou o sorriso quando ela arregalou os olhos. Não segurou o riso quando ela ficou pálida e começou a gaguejar um “sim” atrapalhado enquanto tremia violentamente. Ele não segurou o beijo que deu nos lábios rosadas quando ela deixou que ele encaixasse a aliança no dedo e o agarrou por cima do banco do mustang.
— Sim! Eu aceito! Ai Kami! — ela beijava o rosto dele inteiro e depois a boca, saboreando um beijo sem ritmo algum e embriagado de empolgação.
Sasuke riu quando ela se afastou para apreciar o anel. Ela chorava emocionada e não sabia o que dizer. Para ele não precisava palavras, as emoções da rainha do poker estavam estampadas com nitidez. Segurou o rosto dela e tocou a testa como da última vez.
— Sasuke… — ela sorriu com a mão na testa.
— Isso significa que você é minha para sempre. — ele respondeu selando a união com mais um beijo.
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