Jogo para dois
28 Grande prêmio
Notas iniciais
Ah, aqueles olhos.
Davam calafrios aos desavisados. Eram subestimada pelos grandes.
Olhos tão poderosos e cheios de persuasão.
As mãos estavam no bolso enquanto assistia aquela partida quase mortal no andar de baixo de seu cassino. Kakashi estava junto, ele parecia suar e isso fez Sasuke sorrir de canto.
Ajeitou sua postura e viu as mãos delicadas passarem pelas cartas com coordenação invejável, os olhos analisarem o seu redor à procura do que queria e precisava saber. O sorriso dele aumentou quando o dela despontou depois de ouvir um sussurro em seu ouvido.
Kakashi engoliu em seco e olhou para o lado. Sasuke teve vontade de rir, ele sabia a pressão que o velho homem estaria sofrendo naquele momento.
Olhos perspicazes, astutos demais para criatura tão frágil. Inteligentes para deixar quem os encara desconfortáveis.
Tirou o celular de seu bolso e verificou as horas, em breve teriam que ir embora.
Pegou seu blazer nas costas da poltrona e vestiu-o enquanto saia da sala. Cumprimento Neji com a cabeça ao encontrá-lo no corredor. Desceu as escadas ouvindo os gritos de felicidade. Então ela havia ganho…
— Mais uma…
Ouviu aquela voz. Como seu interior e enchia de ternura e amor só de ouvir, vê então o fazia querer prendê-la para sempre em seus braços e deixá-la ali, pertinho.
Ela iria protestar. Não era de se submeter à isso, a personalidade era forte demais, decidida demais, independente demais.
E mesmo que fosse assim, ele a amava.
Porque ela parecia com sua mãe. Parecia com Sakura.
— Mais uma, senhorita Uchiha? — Kakashi viu Sasuke se aproximar e sorriu nervoso.
O Uchiha se aproximou da mesa vazia, ainda não haviam aberto o Cassino, mas Kakashi tivera o azar de ir trabalhar de ônibus e ser sequestrado até ali pela pequena que olhava as cartas em suas pequenas mãos.
Sarada.
Ela sentava-se em uma caixa de plástico colocada ali para ficar na altura da mesa. Mexia os pezinhos impacientes destacando as meias de fadinhas em seus pés. O vestido vermelho ia até os joelhos e nos braços estavam as pulseirinhas delicadas que ganhava da avó a cada ano de vida. Haviam 4 em seu pulso, balançando enquanto ela tentava ajeitar as cartas iguais ao jeito que sua mãe segurava as dela.
O cabelo estava penteado para o lado, curtos e negros, assim como os do pai. Os olhos também eram negros, mas tinham a malícia para jogo iguais aos da mãe. Conseguia se transformar quando se tratava de jogos, de princesinha à rainha.
— Mais, Takashi! — a pequena bradou decidida.
— Ka-ka-shi, meu amor — Sakura corrigiu sorrindo ao ver o marido à seu lado. — Ela conseguiu fazer somas simples. — sussurrou orgulhosa.
Sasuke ergueu as sobrancelhas surpreso e olhou as cartas da filha. Teria que receber um 3 para fazer 21, as chances eram…
— Três, senhorita. — Kakashi virou a carta.
Sarada acertou os oclinhos no rosto. Nem havia dado atenção à seu pai ali ao lado. Seus olhinhos apertavam-se enquanto tentava fazer aquela conta complicada na cabeça. As bochechas estava levemente infladas e vermelhas, as cartas laterais quase caíam pendidas para o lado.
— Mamãe. - sussurrou a pequena sem tirar os olhos de Kakashi.
— Você ganhou, meu bem.
— Ganhei? Ganhei! — mostrou as cartas para Kakashi dando um sorriso infantil e feliz.
— Ok, ok. Está querendo deixar o papai pobre? — Sasuke se refez depois da surpresa, imaginando que talvez Kakashi tivesse embaralhado as cartas para deixá-la ganhar, e a pegou no colo recebendo um forte abraço no pescoço.
— Eu ganhei a aposta, papa. O senhor viu? — ajeitou novamente o óculos no rosto e deitou a cabeça no ombro do pai.
— Aposta? — Sasuke riu ajeitando ela no colo e vendo Sakura pegar a mochila vermelha da filha.
— Pirulito. — respondeu sucinta. Característica que herdara dele e agradecia imensamente por isso.
Sakura se adiantou tirando os óculos dela e guardando na caixinha dentro da bolsa enquanto se dirigiam até a porta principal do prédio sentindo Sasuke entrelaçar suas mãos enquanto levava a filha no colo.
O mustang não estava há muitos metros dali e logo partiram com Sarada na cadeira infantil instalada no banco de trás do carro.
Sakura encostou a cabeça no banco do automóvel observando a filha que prestava atenção na paisagem da grande cidade, sentiu o toque em sua mão a fazendo voltar sua atenção para o marido que dirigia com uma mão enquanto a outra lhe fazia um carinho com o polegar.
Logo estavam em casa e sendo recebidos por Shin que girava em volta de Sarada arrancando as risadas que preenchiam o apartamento enquanto os pais observavam a bagunça da pequena com o pug.
Sakura, então, dei um tapinha no ombro do marido e sorriu travessa quando ele a olhou desconfiado. Sakura poderia admirá-lo por muito tempo, a idade fazia bem ao seu marido, que ao invés de perder o charme juvenil, aumentou isso com aquela beleza que parecia melhorar ainda mais com o tempo. Deu uma piscada e apontou a menina com a cabeça.
— Hoje é seu dia de dar banho na Sarada.
E saiu para a cozinha antes que Sasuke tentasse barganhar.
Sasuke abriu os botões do pulso da camisa social e as remangou liberando os braços, tirou o relógio do pulso e foi até a filha, pronto para a tarefa.
Sarada estava deitada no sofá, as energias da criança já estando ao fim depois do dia na escolinha e a bagunça no Sharingan, que sempre acontecia quando Sakura saía mais cedo do consultório e pegava a filha para encontrá-lo no escritório. Parou em frente à ela com as mãos nos bolsos e sorriu para sua pequena cópia, os olhos teimavam em ficar abertos mas estava sendo uma batalha difícil ali.
Abaixou-se até ela e colocou o rosto no pescoço sentindo o perfume infantil antes da risadinha da filha soar pelas cosquinhas.
— Papa! — Ela se contorcia rindo — Cos..quinhas.. Papa! -
Sasuke era um verdadeiro bobo desde que pegou Sarada nos braços pela primeira vez. Junto de Sakura, ela tornou-se seu motivo de felicidade, o maior prêmio que ele poderia ter ganhado em sua vida.
— Vamos pro banho! — Pegou a pequena risonha nos braços rumando até o banheiro, pegou a toalha da menina no cabide atrás do quarto da mesma.
— O aniversário da mamãe está chegando... — Sasuke comentou depois de colocá-la dentro do box e enquanto colocava a quantidade de shampoo nas mãozinhas da filha para que a mesma lavasse os cabelos, estava agachado em frente ao chuveiro auxiliando a pequena Uchiha que já teimava dizendo que poderia tomar banho por si só.
— Precisamos pensar no presente dela! — Sarada disse em tom baixo — Ai… Pai! — choramingou quando a espuma caiu nos olhos.
Sasuke prontamente a ajudou tirando o excesso com água rapidamente enquanto a pequena tentava segurar o choro, orgulhosa como a mãe, logo os olhinhos negros abriram-se um pouco avermelhados pela ardência.
— Pronto — Sasuke passou a mão pelo rosto da filha — O que acha de no sábado irmos dar um passeio e procuramos alguma coisa, hun?
— Hai!
Pegou a toalha e a enrolou ali a pegando no colo e indo até o quarto vesti-la.
— Papa…
— Hm — Sasuke murmurou enquanto pegava as peças de roupa para ela.
— Sabe, eu tava pensando… Hoje a sensei disse que vai ter um bebê, parece que ela encomendou sabe — disse enquanto o pai a ajudava a colocar o pijama — Ai, eu pensei… Por que não encomendamos um bebê?!
— Ahn? — Sasuke levantou a cabeça confuso, a mente do Uchiha havia parado por alguns segundos.
— É! Porque você não encomenda um bebê para a mamãe de aniversário? Eu quero um irmãozinho!
Naruto o alertou sobre aquele momento, não achou que viria tão cedo.
— Sarada…
— Ia ser bem legal — Sarada colocou a mão no queixo pensativa — Por favor! Por favor! -
Encarou a menina que juntava as mãozinhas na frente do rosto em súplica, respirou fundo antes de sorrir para a grande ideia da filha.
— Vou conversar com a sua mãe, o que acha? — Respondeu secando os cabelos por fim.
— Faça o seu melhor papa! — Abraçou o pai, a mente inocente da menina alheia aos planos do Uchiha mais velho.
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Sasuke entrou rindo em seu quarto. Sakura lia um livro sentada na beirada da cama, com apenas uma perna estendida sobre o colchão e uma xícara grande do que deveria ser cappuccino. Ele havia acabado de sair do banho e enxugava os cabelos quando ela o olhou por um momento antes de voltar a atenção pro livro.
— O que ela aprontou dessa vez? — Sakura perguntou sem tirar os olhos do livro.
— Estava sugerindo algumas ideias que não deveria na idade dela… — Sasuke desfez-se da toalha e parou a meio caminho do closet.
Usava apenas a calça de moletom azul marinho, e Sakura pareceu perceber isso quando levantou os olhos curiosa para o marido e o viu de braços cruzados sobre aquele peito que ele mantinha definido. Sasuke parecia pensativo, olhando para fora, pela janela que mostrava as milhares de luzinhas na cidade.
— A inteligência dela me assusta, ás vezes — Sakura fechou o livro, sem desviar da expressão dele. Desde o início sabia que aquele jogador não podia ser ignorado quando parecia tramar algo. — Sasuke?
— Faz tempos que não fazemos um joguinho — ele a olhou de canto subindo os olhos pelas pernas dela sem disfarçar. Sakura sorriu mostrando-se escutar.
— Que tipo de joguinho, sr. Uchiha? — Sakura ergueu uma sobrancelha deixando aqueles olhos brilharem desafiando-o.
Sasuke sorriu de canto, jamais resistiria aqueles olhos selvagens que davam a vitória como certa. Andou até a beirada da cama ficando ao lado dela, as mãos foram até os cabelos rosas e e pararam atrás erguendo a cabeça dela para que ele chegasse bem perto dos seus lábios.
— Vamos fazer uma aposta, senhora Uchiha. Se você ganhar, eu falo o que a Sarada propôs. — ele sussurrou misterioso preso naqueles olhos. Sakura perdia toda a noção quando ele a tomava desse jeito e torturava tão perto.
— E se você ganhar? — ela perguntou deixando um delicado beijo na boca dele.
— Se eu ganhar — ele a deitou cobrindo-a com seu próprio corpo e deixando beijos pelo pescoço dela. Subiu até que os olhos se encontrassem e deu um sorriso sacana — Então fazemos o que ela pediu.
Fim.
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