Jogo para dois
9 Confiança
Notas iniciais
A Mercedes luxuosa estava estacionada na vaga de visitantes e Sasuke teve que segurar o impulso de chutar a lataria lustrosa e negra. Era impressionante como o seu humor podia mudar rapidamente ao ver um vestígio de seu pai.
Saiu de seu Mustang e logo começou a dobrar as mangas de sua camisa escura até os cotovelos, como forma de aliviar aquela raiva que começava a se apoderar dele.
Andou até o elevador em passos duros e sentiu o peito arder enquanto puxava o ar profundamente trincando os dentes. Tossiu assim que as portas do elevador se fecharam. Se segurou nas paredes geladas sentindo os espasmos daquela maldita tosse. A garganta protestava a cada força que fazia para deixar que aquele taque incômodo cessasse. Sentiu o gosto ferroso na boca, sua garganta já estava machucando-se com as tosses, mas ele esqueceu-se disso assim que entrou em casa e viu Itachi e Fugaku sentados no sofá, aparentemente à espera dele.
“ — Coloque em cima do balcão, meu amor. — Mikoto apontou para a direção que Sasuke deveria deixar as sacolas de compras enquanto ela retirava os saltos deixando uma expressão de alívio.
– O Itachi tá querendo abrir um negócio com aquele amigo dele, o Yahiko, a senhora conhece?
Mikoto acenou com a cabeça e Sasuke continuou seu discurso, rindo das ambições do irmão.
– E você, o que quer fazer, querido? — ela perguntou quando pegava um paletó de Fugaku caído por cima do sofá de forma desorganizada.”
– Sasuke, vamos conversar como pessoas… — Itachi começou, mas Sasuke não o ouvia.
– Saia da minha casa. — a voz saiu baixa, mas furiosa o suficiente para Fugaku entender que a mágoa ainda continuava ali. Ele olhava diretamente para o pai, ignorando a presença incomodada de Itachi.
Não havia como negar a origem de Sasuke. Os dois se encaravam com o mesmo silêncio felino.
“ — Vou trabalhar com o pai. Ele pediu minha opinião sobre a campanha que estão à frente e disse que eu levo jeito para… mãe?
Mikoto não escutava o filho. Olhava de boca aberta para a mancha de batom acobreado no forro claro do terno.”
– Sasuke — Itachi se aproximou com cuidado — Ele quer...
– Não precisa falar por mim, Itachi. — Fugaku cortou o filho, tao frio e preciso quanto uma navalha. — Sasuke, ja se passaram anos, o amadurecimento...
– Cala a maldita boca e sai da minha casa. — dessa vez o clima ficou mais denso e ate Itachi fechou a boca.
Sasuke olhava duro para Fugaku, o homem retrucava. Era uma batalha do mais frio, do mais centrado. Daquele que tinha a magoa maior. Fugaku soltou o ar em derrota e levantou-se alisando a lapela do paleto sem tirar os olhos do mais novo.
– Sua mãe me pediu que viesse. — ele se explicou-se Itachi aproveitou para dar um olhar significativo para o mais novo. — Mikoto...
Um rosnado de raiva escapou pela boca de Sasuke. Ate mesmo a expressão imutável de Fugaku sofreu com a surpresa.
– Eu ja mandei não dizer o nome da minha mãe... seu… — Sasuke apertou a boca avançando contra o pai, Itachi entrou na frente, mas sabia que Sasuke não seria agressivo, ele hesitou com o punho fechado tentando se controlar.
– Deixe-o — Fugaku disse em sua voz impassível. — eu vou embora, quando ele tiver mais maturidade…
– Não me fale sobre….. — Sasuke travou a mandíbula tamanha a fúria, algo que não conseguia controlar em frente aquele homem. — Você não é um homem.
“ — Mikoto!
Fugaku saía de cima de uma mulher puxando os lençóis para cima do corpo de forma desesperada. Mikoto se segurou no filho mais novo para não desmaiar, e Sasuke só conseguia encarar incrédulo o seu pai, seu exemplo. Traindo sua mãe na cama deles. Embaixo do próprio teto.
– Sai da minha casa! — o garoto virou homem e deu o ultimato — Sai agora, da minha casa!”
– Não me faça repetir, Fugaku… — as palavras saíam como ácido da boca de Sasuke.
Fugaku acenou para que Itachi não se pronunciasse. Assentiu cansado e ajeitou a botoadora de forma distraída para não olhar para os olhos de seu filho mais novo. Era sempre o mesmo olhar de 11 anos atrás. O mesmo. Nunca fora perdoado.
Fugaku saiu e logo Sasuke foi para seu quarto ignorando Itachi. Toda sua calma havia evaporado junto de sua sanidade, precisa se distrair, fugir daquela realidade medíocre que ele vivia.
Deitou-se sem tirar o blazer e fitou o teto respirando e sentindo seu peito chiar, um ataque de tosse o acometeu e o ar quase faltou.
Sentou-se apertando o peito sentido a dor da tosse, olhou para o lado sentindo os olhos lacrimejarem e um caderno não devolvido lhe chamou atenção.
Pegou o celular e digitou uma mensagem se preparando para sair.
# #
Fechou o livro e apertou as pálpebras, sentia o cansaço apos mais um período de aula se encerrar. Jogou a bolsa sobre os ombros e se dirigiu até um dos restaurantes da universidade.
Sakura sentou-se em uma mesa afastada e se pegou olhando para o celular, mordeu o lábio sentindo toda aquela bomba de ansiedade que ele provocava nela. Fez uma careta ao pensar em como já estava se acostumando com a presença de Sasuke.
Ele, praticamente a buscara a semana toda na faculdade e sempre dava um jeito de deixá-la até mais tarde para poder levá-la. Parecia que o via em todos os cantos do cassino, a observando de longe e isso a intimidava, apesar de gostar saber que ele a notava.
Ela fugia dele naquele ambiente, não queria ter que deixar na cara que algo estava acontecendo, mas não conseguia ficar por muito tempo sem desviar os olhos de sua direção.
Ino sempre perguntava o que estava rolando, mas o que ela responderia?
Sasuke era quieto, discreto em frente ás outras pessoas e ela agradecia por isso, morria de vergonha estando somente com ele, imagine com os outros sabendo? Ele a achava, independente de onde estivesse e esse pensamento a fez sorrir.
“ — O que faz sentada aí? — ele perguntou vendo-a encolhida num canto da cozinha com um livro no colo. Ela havia ido para lá pois sabia que Ino jamais a encontraria para conversar sobre Gaara no intervalo.
– Estava estudando. — responde apontando para o livro. Ele a desconcentrava, mas era algo que ela não reclamaria.
Sasuke a olhou e sem falar nada pegou a bolsa que estava no chão ao lado dela e colocou sobre seus ombros e esticou a mão para ela.
– Vamos — Sasuke falou tranquilamente — Pode estudar na minha sala, não precisa ficar nesse chão gelado.
Ela olhava para o livro, sentindo os olhos dele em sua direção. Ele havia feito-a se sentar em sua poltrona enquanto permanecia de pé encostado na mesa a frente dela com os braços cruzados.
O lugar era todo em paredes pretas, os móveis em madeira davam uma total sensação de conforto, a mesa de Sasuke ficava um pouco a frente do sofá de couro que abaixo de si tinha um tapete que Sakura pensava ser mais fofo que sua antiga cama. Mas a parede de vidro fume era o destaque do escritório, a vista era interna e da lá via todo o cassino, desde o bar ao salão onde ficavam as máquinas e roletas.
Não ousou fazer nenhum comentário sobre o local pois já estava envergonhada o suficiente com Sasuke estudando cada uma de suas reações ali.
As hemácias não faziam mais sentido em sua cabeça, somente aqueles olhos negros que a tiravam de qualquer lugar são que deveria estar. Não o olhava, sabia que se perderia se o fizesse.”
Descobriu que não adiantava teimar com Sasuke, pois no dia seguinte quando foi para o seu cantinho estudar, logo depois lá estava ele pegando sua bolsa e a levando para a sala que pertencia a ele.
E como se a desafiasse sempre antes dela sair pela porta para voltar ao expediente, Sasuke colocava-se a frente da porta e a segurava pela cintura a deixando próxima demais, sentindo o perfume que em pouco mais de duas semanas a deixava confortável e os braços fortes dele por baixo da camiseta social que como de costume era virada até o cotovelo.
“- Onde vai?- Sasuke perguntou com uma sobrancelha levantada.
– Eu preciso ir… — ela respondeu como se fosse um pouco óbvio, mas sem parecer mal educada.
– Assim?- Sasuke apertou sua cintura.
Sakura apertou os lábios e olhou para o lado constrangida, não gostava de fazer aquilo no trabalho. Ergueu os olhos e Sasuke não conseguiu ler o que aqueles verdes queriam dizer. Tão rápido quanto o brilho que passou por eles, ela se ergueu e o beijou rapidamente.”
Ele sempre estava por perto, tanto física quanto em mentalmente. Ela se sentia bem, nas nuvens quando ele estava sorrindo, quando deixava aquele olhar de canto misterioso e aquele meio sorriso… suspirou sem perceber e deixou a cabeça escorada na mão com o olhar vago.
O que Sasuke estava se tornando? Seu coração estava lhe traindo, assim como fora no colegial… Suspirou novamente e esfregou o rosto e viu um grupo de garotas entrar.
– Vocês ficaram sabendo?- uma ruiva falava escandalosamente enquanto sentava-se na mesa a frente de Sakura com o grupo — Hotaru levou um toco daquele cara que ela tava saindo, eu disse que não ia durar muito.
– Ninguém mandou cair no papo do próprio chefe, né? Por favor! — uma delas falou com deboche.
Sakura ergueu a cabeça atenta a conversa e mordeu os lábio pressentindo o que ouviria a seguir.
– Nossa, mas é um tonta mesmo, todo mundo sabia que ele só queria aquilo. — uma loira disse rindo.
– Não é? Mas ela ficou tão cega… até parece que o ricaço ia dar moral pra ela. — Karui disse -Agora ta lá, de secretaria do cara vendo ele pegar a menina do financeiro-
– Ai que horror, como consegue se prestar à isso?
Todas as feições de Sakura murcharam e seu corpo todo sentiu um peso gigantesco. Ele era seu chefe, não deveria… O que ela estava fazendo?
– Ele é meu chefe!- Sakura tapou o rosto com as duas mãos.
Foi inevitável colocar-se no lugar da tal Hotaru, em nenhum momento Sasuke faltou com respeito com ela, era atencioso, era amigo de Ino a um bom tempo e as lembranças do dia do assalto em sua casa bombardeavam sua mente.
Mas será que ela não estava na mesma situação da outra garota? Pensou nessa possibilidade e não tentou esconder a chateação.
Estava pensativa quando o celular vibrou em sua mão.
“Te busco hoje”
Sakura engoliu o bolo que formou na garganta. Aprendera coisas importantes com o pai, uma dessas coisas é nunca ser passada para trás, que uma pessoa poderia perder tudo, menos sua dignidade.
“Hoje não dá, obrigada.”
“Ok...”
Sakura guardou suas coisas na bolsa e saiu rápido da faculdade. Iria para casa e tomaria um banho quente antes de ir trabalhar, porque isso sim era algo que ela precisava se focar.
Suspirou cansada, como é que escaparia dos olhos de Sasuke?
Ino não desconfiou de nada, conseguiu disfarçar as emoções enquanto as duas se arrumavam. Vestiria sua máscara e iria trabalhar, somente isso. Se Sasuke a estivesse usando, isso terminaria hoje.
# #
– Sakura — Itachi a chamou e a garota quase pulou com uma bandeja de copos vazios. O tom de voz era tão parecido.
– Ah, oi Itachi, posso ajudar em algo? — perguntou solicita.
– Então, sabe… eu queria saber se a Pimen… Sakura, você está bem? — perguntou reparando os olhos desviarem para o alto e voltarem para ele num susto.
– Ahn, estou… eu… — ela se enrolou conseguindo recuperar sua máscara.
– Acontecendo alguma coisa? — Itachi tirou as mãos do bolso.
– Não. Então, o que ia perguntar? — ergueu os olhos verdes de forma forte e encarou o homem mostrando-se confiante.
– Hn- Itachi frizou o cenho — Se você diz…
Sakura assentiu e se mexeu desconfortável, queria olhar para trás e ver se ele estava atrás de si. Era incomodo não saber onde ele estava.
– Andou falou com a Pimenta?- Itachi perguntou notando que Sakura estava quase fugindo — Ela não me atende.
– Bem, não vejo ela faz um tempo… — ela respondeu ajeitando a bandeja no braço. — Ela é bem escorregadia.
– Eu que sei — Itachi soltou uma risada e mordeu o lábio inferior — Bem.. Qualquer coisa que precisar é só chamar ta? Priminha.
Sakura riu e se virou para o bar, travou no lugar. Sasuke gesticulava de forma irritada enquanto Naruto assentia com a cabeça escutando.
Estava no bar central, sentado no banco com o copo na mão enquanto conversava com Naruto que sorriu para ela fazendo Sasuke olhar em sua direção.
Ele a viu. Ela virou-se na mesma hora e saiu na outra direção se equilibrando no salto preto. Não estava em estado emocional para olhar para ele, imagine falar?
– Tema! — Sakura chamou pela loira tentando não parecer suspeita
No bar, Naruto olhou para a cara levemente confusa do amigo.
– Eita, o que eu perdi? Tá rolando o que? — ele perguntou olhando novamente para Sakura, que se embrenhava entre as mesas atrás de Temari.
Sasuke continuava com o pescoço virado para as mesas onde a cabeleira rosa sumia, voltou sua atenção ao copo em suas mãos mexendo o gelo dentro do mesmo, sua cabeça estava a mil e sentia-se esgotado depois da visita de Fugaku no apartamento.
Saiu mais cedo de casa para poder relaxar e nesse pacote incluía buscar Sakura na faculdade, estranhou a resposta dela durante a tarde, mas o que ele poderia fazer? Sakura poderia estar atarefada de coisas no momento e por isso a deixou fazer o que estivesse fazendo.
No outro dia quando ela o pediu para que a deixasse metros antes do Sharingan para que ninguém a visse, percebeu o medo que Sakura sentia de pensarem algo errado, e não pode deixar de admirar mais esse ponto da garota, que dentro do cassino nunca o evitava, mas sim era profissional o que o deixava louco com aquele olhar indiferente que ela tinha e como ela praticamente o ignorava quando estava estudando em sua sala.
Mas hoje ela definitivamente estava estranha.
– Hello, meus amores. — Ino cantarolou chamando a atenção dos dois homens — O que tanto olham?
– Sakura.. aconteceu alguma coisa com ela? — Naruto disse na inocência, sem perceber o olhar tenebroso que a loira enviou ao Uchiha.
– Em casa ela estava normal, será que aconteceu algo aqui? — perguntou séria, totalmente direcionado ao Uchiha.
– Talvez devesse perguntar a ela — Sasuke a respondeu.
– Talvez não seja necessário e a resposta esteja na minha frente, tão clara quanto cristal. — alfinetou sem humor algum.
– Talvez se fosse tão clara assim já saberia o que houve — Sasuke levantou uma sobrancelha.
– Do que vocês estão falando? — Naruto perguntou cortando as faíscas que saíam dos olhos da loira.
– Eu amo Sakura o suficiente para matar quem quer que a deixe mal, ouviram bem? Pois bem, vim para convidá-los para um jantar em casa, leve Hinata. — disse sem mudar a feição.
– Você vai cozinhar?- Naruto perguntou aproveitando que a bancada do bar o protegia.
– Te faço engolir esse copo, loiro maldito! — Ino bufou jogando o cabelo para trás — Vou ver como está minha amiga, adeus. — e se virou quase tacando o rabo de cavalo na cara de Sasuke.
# #
– Gaara!- Sakura chamou o ruivo que passou pela porta que dividia a boate do cassino.
– O que foi coisa rosa?- Gaara perguntou divertido.
– Pode convencer a Ino a me esperar hoje? Preciso de carona… — Sakura mordeu o lábio inferior.
– Ué — Gaara levantou uma sobrancelha — E o Uch... — a mão de Sakura em sua boca não o deixou terminar de falar o conhecido sobrenome.
Ela olhou assustada para os lados e fez careta para que ele ficasse quieto.
– Eu não quero ir embora com ele. Me ajuda, ok? — ela perguntou quase sussurrando exasperada — Fico te devendo uma, por favor?
Gaara cruzou os braços mostrando a tatuagem tribal no braço e a encarou desconfiado.
– Sabe que a Ino vai virar num demônio né?- O ruivo suspirou.
– Sei, mas posso lidar com as birrinhas dela. — ela disse deixando o ar escapar de forma cansada.
– Pode começar a lidar agora — Gaara apontou com o queixo para a namorada que vinha até eles.
Ah os dois conheciam aquele olhar, ninguém iria parar Ino aquela noite.
– Licença, amor — passou por Gaara o tirando da frente de Sakura e chegando como uma tempestade — Hoje, a senhorita vai embora comigo, ouviu? Quero saber o que está acontecendo com você! — e do mesmo jeito que surgiu, ela se foi.
Gaara e Sakura se olharam e a risada, por mais que tentaram, não pôde ser contida.
– Acho que não vou dormir lá hoje, não — Gaara fez uma careta e Sakura deu um soquinho no seu ombro — Olha… Eu não sei o que aconteceu mas o Sasuke não para de olhar pra cá.
Sakura virou-se minimamente e foi surpreendida por aqueles olhos intensos. Ele a desafiava e ela se controlava para não jogar contra ele. Sentiu um calor subir por seu corpo, mas não virou o rosto, o olhou do mesmo jeito e, ao longe, ouviu a voz de Gaara dizendo estar voltando para atender um cliente.
Ela não era uma qualquer, tinha ralado demais, passado por coisas demais para ser usada de forma tão boba. Tinha objetivos e não podia cair por causa de um homem.
Talvez estava se precipitando? Sim. Sabia que não podia julgar Sasuke daquela maneira, mas escutar aquelas coisas na faculdade fez um medo tão grande dentro de si que gritava mais alto do que qualquer outra coisa.
Virou-se pegando sua bandeja depois de soltar um sorriso sem graça para ele e sumiu no meio das pessoas que dançavam.
Não sabia o que era e não tinha a menor ideia do que sentia, mas não queria sair machucada daquela situação.
# #
Fechou o livro sobre sistema respiratório com raiva e jogou-se de costas na cama batendo o livro na própria testa, o que se arrependeu depois porque era mais pesado do que imaginava.
Sakura olhou para o teto, o que diabos estava fazendo? Era Sábado e naquele final de semana era feriado em todo o Japão e lá estava ela, trancada no quarto, estudando sobre vias respiratórias esperando as horas passarem como se cada vez tivesse mais perto do inferno.
Virou-se de lado e observou a visão da janela ia até um palmo antes de chegar no final da parede, via o movimento na rua e todas aquelas pessoas aproveitando o final da tarde de sábado ensolarado que fazia enquanto ela puxava seus fones de ouvido e deixava a musica entrar em sua mente.
“ Esperava Ino do lado de fora do cassino, estava ansiosa para ir embora e receosa que o encontrasse. Não queria conversar, não queria deixar que ele pensasse que ela levava à sério e iria ficar mal por aquilo. Mas não ia mais continuar.
– Testa, vem! — Ino chamou sem parar para encará-la, seguindo direto para o estacionamento em passos rápidos. — Você vai me dizer o que aconteceu e agora!
Gaara destravou o carro antes que a loira entrasse e acionasse o alarme de tão rápido que a namorada queria sair de lá. Gaara ergueu os olhos para Sakura, mas ela respondeu com uma entortar de boca.
Sakura entrou no carro e sentiu uma enorme vontade de olhar na direção onde o Mustang ficava e sentiu um nó na garganta que não esperava quando Gaara ligou o carro os levando de lá enquanto Ino virava-se para ela.
–Eu só não estou bem Ino- Sakura se abraçou -Faculdade acabou comigo hoje-
– Ah, me engana que eu gosto!!!! — Ino ergueu o tom de voz já dentro do carro e virando-se para onde Sakura se sentava — Diz a verdade, eu não te conheci ontem! Você até consegue me enrolar, mas nada passa despercebido dos olhos do Sasuke! Diga!
Sakura levantou o rosto surpresa para encarar a amiga, céus algo dentro de si pulou só de se lembrar daquele olhar.
–O… O que o Sasuke te falou?- Sakura perguntou.
– Fala o que tá acontecendo — Ino intimou ignorando a pergunta e se mostrando mais firme. — Você nunca me esconde nada, e eu não escondo do Gaara, então estamos num lugar seguro. — A loira disse dando um sorriso minimo mas encorajador.
Sakura olhou pelo espelho que Gaara lançou-lhe um sorriso a encorajando.
–Eu sou o elo fraco nisso porca… Não quero fazer aquele drama de que ele é rico e isso não pode dar certo, mas Ino ele é meu chefe! Hoje mesmo eu escutei umas garotas falando que a amiga delas foi feita de trouxa pelo chefe e sinceramente? Eu não quero isso, já foi longe demais, daqui a pouco vai começar os comentários e isso vai ser o fim pra mim- Sakura finalmente colocava tudo para fora -Eu sequer sabia quem ele era quando o conheci e quando soube já deveria ter sido um sinal mas eu me deixei levar… Ele… Me encorajou a isso e eu aceitei e nem sei o porque desse homem ter insistido tanto!-
Ino olhou sem acreditar para Gaara, ele deu de ombros não querendo se meter por enquanto
– Me escuta Sakura — Ino disse séria — O Sasuke pode ser tudo, pode ser um chato de galocha quando quer, um carrancudo, não querer me dar férias antes do tempo… mas ele é um cara sério, ele é ético. Jamais deu em cima de alguém no cassino, só conheço uma namorada que ele teve. Sabe, Sakura, você está julgando ele mal. — Ino fechou e cutucou Gaara.
– Nem todos os homens são os cafajestes que vocês pensam que são. — disse baixo mas com convicção.
Sakura suspirou e encostou a cabeça no encosto do banco.
– Eu não sei o que fazer… — Confessou Sakura — Ele deve estar me odiando agora e sinceramente eu não culpo ele, ele me mandou um mensagem avisando que ia me buscar e fui extremamente grossa.
– O que você respondeu, dona Sakura? — Ino virou-se de corpo inteiro para trás.
– Não da, obrigada — Sakura olhou o movimento da rua esperando Ino gritar -Foi logo depois que eu ouvi a conversa na faculdade, que até agora me perturba, veja bem eu não estou falando que ele não me pediu em casamento até porque estamos nos vendo a recém duas semanas, mas da pra tentar me entender?! Como vou falar tudo isso pra ele sem parecer uma surtada? Shannaro!
Ah aquela palavrinha que Sakura tirou de algum lugar e desde a infância usava, talvez nenhum palavrão fosse tão efetivo quanto aquilo.
Ino respirou fundo e colocou o dedo entre os olhos, Gaara e Sakura sabiam o que viriam.
– Sakura Haruno, você é uma verdadeira filha d…”
DING DONG
– ATENDE PRA MIM, TESTA? — Ino gritou da cozinha e Sakura quase caiu da cama.
Ajeitou a blusa e alisou o cabelo com a mão. Respirou fundo e andou até a porta com passos decididos.
Quando Ino a contou, apenas hoje pela manha, sobre o tal jantar Sakura quase enfiou aquelas panquecas do cafe da manha guela a baixo e se Gaara não tivesse a segurado Ino Yakamana era um cadáver naquela hora.
A campainha tocou mais uma vez e ela segurou o ar por instantes. Olhou pelo olho mágico e viu Itachi ajeitando a gola da camisa polo, Sasuke olhava para o lado e logo para o olho mágico fazendo-a se assustar e dar um passo para trás.
Abriu a porta com vagarosidade e ergueu os olhos dos sapatos lustrados até os olhos que a pediam uma resposta.
– Ahn… Oi, entrem… — Sakura abriu mais a porta e deixou espaço para os irmãos passarem — Gaara está na cozinha com a Ino, apanhando para abrir uma garrafa de vinho — a rosada olhou em direção da cozinha que a única divisão da sala era a bancada.
– Oi prima — Itachi cumprimentou com um sorriso pequeno e passou por ela dando um aperto em seu ombro — A Pimenta me deu um bolo, acho que vou ter que acostuma com isso… Hey, seu ruivo safado… — gritou andando para a cozinha.
– Vem, quero conversar com você. — Sasuke disse baixo apontando para fora do apartamento.
Sakura gelou, acompanhava Itachi ir em direção da cozinha quando sentiu os dedos dele a segurarem pelo pulso e deu graças por estar de costas e poder fechar os olhos.
– Sasuke-kun, eu — Sakura virou-se para ele mas todas suas palavras sumiram ao encará-lo — Err… tudo bem, vamos pro meu quarto.
“Você não ajuda Sakura” — a rosada pensou.
Foi em direção ao cômodo sabendo que ele a seguia, respirou fundo antes de abrir a porta do quarto e dar espaço para ele entrar e abracou o próprio corpo como servisse de escudo.
Sasuke sorriu de canto sentindo o cheiro concentrado dela no ambiente, olhou ao rdor vendo o quarto que ainda continha caixas e coisas desmontadas. Tudo estava organizado de forma louca, livros, cadernos, anotações… Ela fechou a porta atrás de si e virou-se para ela a encurralando na porta. A olhou com intensidade, o suficiente para fazê-la estremecer.
– Por que está me ignorando? — perguntou direto bem perto de eu rosto.
“Se livra dessa agora” a mente de Sakura praticamente gritava e a voz era a de Ino.
Sakura abriu a boca algumas vezes mas nada saiu, céus o que ela iria dizer? Parecia que fazia semanas que não conversavam, mesmo tendo se passado só um dia e agora ele estava ali, na sua frente, bem na sua frente e ela simplesmente não tinha coragem de se afastar.
– Me desculpe — Sakura falou apos concentrar-se na parede atras dele, sabia quando não podia vencer um jogo e ali ela não tinha mais chances nenhuma contra Sasuke.
– Me desculpe? Pelo quê? — ele perguntou em tom baixo.
– Você não facilita também — Sakura cochichou e mordeu a língua ao perceber que dessa vez não tinha ficado só em pensamento.
– Você é quem não está facilitando. — ele colocou uma mecha do cabelo rosa entre seus dedos — Se fosse mais clara não estaríamos passando por isso.
Sakura fechou os olhos e deixou o ar sair em um sopro, céus ela estava perdida.
E talvez não quisesse achar o caminho de volta.
– Eu...Ontem...Eu não estava muito bem e acho que não agi correto com você — Sakura olhou para os pés — Desculpe.
– O que aconteceu? — ele perguntou ainda mais perto fazendo-a sentir as costas baterem na porta — Sakura? — o nome saiu num sopro que bateu no rosto dela a deixando entorpecida.
Ah, aquele perfume não ajudava…
– Sasuke você é o meu chefe- Sakura disse em um sopro
– Aqui eu não sou seu chefe. — ele respondeu no mesmo tom olhando bem naqueles verdes. Ela mexia com ele.
– Não é tão simples assim — Sakura fechou os olhos com força.
– Então me explica.
Sakura respirou fundo e sentiu uma ponta de coragem surgir, se ele quisesse ouvir agora ele iria ouvir.
Abriu os olhos e o fitou sem desviar o olhar.
– Ontem, eu estava na faculdade quando ouvi umas garotas falando sobre a amiga que foi enganada pelo chefe, o cara a fez passar por uma idiota porque queria sexo, acha que eu não me coloquei no lugar dela? E logo depois você mandou aquela mensagem e eu estava nervosa cacete! — Sakura ofegou quando parou de falar.
“Não entregue o jogo de vez pro adversário, Sakura” os conselhos do pai passavam por sua mente.
“Dessa vez não deu otou-san”
Sasuke deixou o ar sair e ficou pensativo. Sentia a mecha sedosa em seus dedos e senti o impulso de beijá-la, mas conteve-se.
– Eu não sou assim, jamais faria isso. Acredite. — ele disse sincero a olhando fundo nos olhos — Você me intriga, gosto de te desvendar, mas gosto ainda mais é de ficar com você.
Sakura o encarou, sua mente processava toda a informação recebida e constatou a possibilidade de cair caso não tivesse se encostado na porta.
– Não quero que pense que sou uma louca… Só que eu não sei o que fazer — Sakura sorriu sem graça — Você não facilita mesmo as coisas pra mim.
Sasuke passou a língua pelos lábios e sentiu-se aliviado.
“Você também não facilita…” — pensou deixando um pequeno sorriso escapar.
– Confia em mim? — perguntou ainda mais perto.
– Não sei se conseguiria te ignorar por mais tempo… — Sakura confessou — Eu confio em você.
Não precisava ouvir mais nada. A última sentença dela foi o que o motivou a tomar os lábios dela. Neste instante ele sentiu que sentia falta daquele contato, que sentiu a falta dela. Era uma coisa sem explicação, mas que fazia bem à ele. A cintura foi puxada para que os corpos grudassem e as pequenas mãos foram até a nuca dele num carinho relaxante.
Sasuke puxou os lábios dela entre os dentes antes de tomá-los para si novamente, o perfume de Sakura estava em todo canto e o deixava desejoso, fazendo com que as mãos apertassem a pele dela por cima da roupa não a deixando se afastar um milimetro que fosse.
– Não me ignore mais — O Uchiha falou quando as bocas se separaram para respirar — Você me deixou louco.
Sakura soltou o ar mordendo o lábio dele com delicadeza e puxando-o com um sorriso.
– Não diga isso… — sussurrou e Sasuke viu a leoa da mesa de poker ali.
Era demais para ele. Era demais para ela.
– Amiga — Ino bateu na porta — Desculpa se eu estiver atrapalhando algo, mas tipo, estamos constrangidos lá na sala… bom, se quiser eu deixo vocês a sós e tal…
Sakura arfou e deu um pulo com a batida na porta fazendo Sasuke a segurá-la mantendo os dois colados um no outro.
– Ino.. Eu, a gente… Estamos indo — Sakura respondeu e olhou para Sasuke — Eu esqueci completamente do pessoal, por Kami!
– Se quiser podemos ir pro meu apart… — Sasuke tentou sussurrar no ouvido dela antes de ser interrompido.
– Sasuke! — ela riu nervosa o empurrando de leve — Kami do céu! — ela o fez rir quando olhou para os lados em uma prece por sabedoria.
– Vem , vamos antes que nos deixem aqui. — ele a puxou para poder abrir a porta e aproveitou para segurar bem em sua cintura — Senão, eu não respondo por mim.
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