Jogo dos Deuses

9 Capítulo IX ♕ Julgamento e Sacrifício.


Notas iniciais
Olá, meus amados leitores! Boa noite! Tudo bem com vocês? Bom, espero que sim. Eu sei que flash's do passado dos personagens são chatos, mas é necessário para compreenderem a ligação da Daenerys com Sigyn. Acho que já está terminando os flash's, ainda não sei. Eu preciso pensar o que é importante abordar e o que não é. Mas acho que eles acabarão no capítulo XV. Bom, tentei ao máximo não forçar certas situações para o andamento harmonioso da história, espero ter conseguido. Capítulo devidamente betado. Espero que gostem.

♕♕♕ A s g a r d — M a s m o r r a s ♕♕♕

A escuridão das masmorras impedia os prisioneiros de saberem se era dia ou noite, fazendo-os perder a noção de quanto tempo estavam presos, enlouquecendo-os lentamente. Loki, para não ter que ouvir as duas meninas trancadas na cela à sua frente conversando sobre banalidades, optava por dormir, esquecer-se daquela situação tão humilhante e desonrosa que ele se encontrava.

Seu sono, apesar de ser profundo, era conturbado. Seus sonhos eram todos enigmáticos, como se fossem uma espécie de quebra-cabeça. Odin e Frigga tiveram conhecimento desse fato alarmante através dos dois corvos do governante de Asgard, mas como o trapaceiro estava cumprindo sua pena, o rei decidiu dar o assunto por encerrado, retomando ao mesmo quando o seu filho mais novo fosse solto.

O barulho das enormes portas de ferro ecoou pelos corredores, fazendo todos os prisioneiros focarem-se na direção do som estridente que se perdia na escuridão. Muitos ali gritavam de satisfação, já que finalmente iriam saciar a fome que os assolavam durante dias, isso na cabeça deles.

Carrinhos com pratos de refeições passavam pelos corredores, fazendo um barulho agulho e insuportável aos ouvidos do trapaceiro que, ainda tentando compreender o que havia acontecido para que ele fosse condenado impiedosamente por seu pai, socou o vidro, desesperado, tentando não mais ouvir aquele som enlouquecedor.

− Calma, por favor. – Pediu Sigyn, também atordoada. – Logo eles irão embora. – Suspirou, pousando as mãos em suas orelhas, tentando bloquear a passagem daquele rangido insuportável.

Irritado, Loki grita, chamando atenção dos carcereiros que distribuíam os pratos de comida para os prisioneiros. – Como você quer que eu me acalme? Esse barulho é como adagas sendo enfiadas em meu cérebro, sua idiota!

Vendo que ambos iriam brigar novamente por um motivo fútil, Singrid tenta intervir, ser complacente com ambos. – Os dois, por favor, fiquem quietos! – Sua voz era alta, mas não brava. − Lembrem-se do tratado de paz que fizeram.

Com a dor torturante lhe corroendo a mente, sem ter uma noção básica de quanto tempo mais teria que ser submetido ao som daquele maldito carrinho, Loki manda tudo para o inferno. – Eu sou um Deus, um dos príncipes de Asgard, sua tola! Como ousa cogitar na hipótese de eu cumprir o que falo? – Seu grito era um estrondo em meio à escuridão sem fim daquele lugar nojento. – Eu minto e trapaceio para obter o que quero. – Afirmou em um tom sarcástico. – Eu mato e manipulo... Eu faço qualquer coisa para sobreviver. – Seu voz estava fraca e cansada.

Conforme o mago se esforçava para falar, para agir agressivamente perante as duas meninas diante de si, mais sua energia vital era sugada por algo que ninguém podia ver ou tocar, enfraquecendo-o, matando-o aos poucos, como se o que manipulava o Deus da trapaça quisesse se libertar do corpo que hospedava.

Apesar de estar protegida pelos vidros das celas que os separavam, Sigyn sentia muito medo, mas não dele em si, porém sim de seus berros e agressividades, podendo colocá-lo em uma situação ainda pior do que ele já estava.

− Por favor... Não faça isso... – A jovem praticamente implorou ao mais velho, deixando seu orgulho implacável de lado por ele. – Os guardas podem castigá-lo por isso... – Tentou alertá-lo, fazê-lo aquietar-se, mas fora em vão. Loki estava totalmente dominado.

− Cale-se, sua selvagem maldita! – Seu berro saíra como um trovão, igualando-se à Thor. – Eu não estaria nessa maldita cela se não fosse por você, uma qualquer de lugar nenhum, incapaz de ficar em seu lugar medíocre de origem. – As veias da face bela do trapaceiro estavam visíveis por conta do esforço que fazia, deixando-o ainda mais esgotado. – Isso tudo é culpa sua! – Seus olhos esmeraldinos a fitavam com ódio. – Você me colocou aqui.

Apesar de entender perfeitamente os sentimentos do homem à sua frente, a jovem selvagem não iria ouvir os desaforos daquele bruto quieta, submissa aos seus maltratos. Não. Ela iria revidar à altura, sem se importar com o fato dele ser um príncipe, como ela faria com qualquer um que a pisoteasse.

− Abaixa o tom, Odinson, pois não sou surda! – A face da loira estava séria, coberta de raiva e selvageria. Entretanto, sua raiva não era pelo mago enganador, mas sim sua arrogância e presunção. – Eu não sou uma de suas empregadas que, por temerem morrer por suas mãos, aceitam ser humilhadas e pisoteadas por você, manchando assim o orgulho de mulher delas.

Quanto mais a jovem do povo esquecido se mostrava firme diante das palavras cruéis que saiam dos belos lábios do Deus da mentira, mais ele ficava irritado, transtornado com a voz dela e o rangido dos malditos carrinhos que se aproximavam das celas deles.

− Cala a boca! – Ordenou, sendo envolvido pela mesma energia obscura que o fizera atacar Thor, rachando o vidro resistente que o prendia.

Apesar daquele lugar ser um anulador de magia, o que dominada Loki era tão forte, tão agressivo, tão arrasador que, mesmo sendo impossível magia alguma ser conjurada de dentro daquele cubículo, o mentiroso o rachou com facilidade, como se fosse apenas uma taça, fazendo com que o alarme de fuga ecoasse por todo o lugar.

− Ah! – O grito do trapaceiro era desesperador, algo que fez a jovem arqueira entrar em pânico sem saber o porquê. − A-alguém faça isso parar! – Caindo de joelhos, sem força alguma para nada, o enganador se rende à desistência, sabendo que aquilo que o dominava era muito mais forte que ele.

Loki estava sendo consumido pela dor, derrotado pela energia maligna que o controlava. Loki estava morrendo sem ao menos perceber.

“Quer que essa aflição suma, Semi-Deus?”

Uma voz dentro da cabeça do mentiroso ecoou para ele, fazendo-o olhar para os lados, assustados, temendo estar ficando louco por causa da dor.

− Quem é? – Seu tom, embora fraco, saíra imponente.

“Pobre criança maculada pela inveja e escuridão, como é ser sempre a sombra de seu bárbaro e impulsivo irmão? Como é ser sempre o excluído de tudo? Como é ser considerado um problema por seus próprios pais? – A voz parou por um tempo, avaliando as feições do príncipe orgulhoso, divertindo-se com a reação do príncipe mais novo que, mesmo tendo sua cabeça massacrada pela dor, ainda tinha forças para proferir arrogância e mais arrogância.”

− Quem é você, maldito? – Loki, atordoado pela tormenta que se espalhava por toda sua cabeça, o questiona, arrogante, mantendo sua postura nobre.

Sim, ele estava sentido uma dor da qual jamais imaginou poder sentir, mas não era por esse fato que o mentiroso de Asgard deixaria de ser quem é, muito colocasse sua arrogância, vaidade e presunção de lado, já que o jovem herdeiro era o que era e nada no universo o faria mudar seu jeito de ser, nem mesmo aquela aflição mental que o fazia desejar estar morto.

“Eu tenho muitos nomes... – A voz soltou uma rizada em um tom alto e estridente, fazendo com que o Asgardiano se encolhesse de dor com o ecoar de seus risos. – Eu sou alguém que está acima de você e dos Deuses existentes no mundo. – A revelação não o surpreendeu, já que somente alguém mais poderoso que ele poderia lhe torturar daquela forma tão dolorosa.

Irritado, sem paciência para explicações demoradas, entredentes o herdeiro mais novo o indaga, não percebendo que Sigyn o olhava como se ele estivesse ficado louco.

“Eu quero que me deixe dominá-lo. – Direto, a voz sussurra na mente do Deus trapaceiro. – Quero um corpo que eu possa manipular para restaurar a ordem natural do mundo.”

Confuso com as palavras da voz que ele ouvia dentro de sua cabeça, o rei dos mentirosos fica em silêncio por algum tempo, avaliando a situação em que se encontrava. Ele estava totalmente sem saída, ele sabia disso, mas seu orgulho era mais forte que tudo.

Loki poderia morrer, poderia até mesmo ter a cabeça destruída por aquele ser que o dominava quando sua fúria era despertada, mas o herdeiro mais novo não se renderia, não se submeteria ao desejo daquela coisa que o torturava.

− Eu jamais aceitaria ser uma marionete descartável. – Seu tom era sério, mas havia uma pitada de arrogância mesclada à seriedade.

“É uma pena... – Suspirou, fazendo sua energia opressora atingir a mente do mago, podendo assim ouvir os gritos de dor e agonia saírem de sua boa. – Eu pensei que você fosse inteligente...”

Ao ver a dor de príncipe encarcerado, ainda não entendendo com quem ele falava, Sigyn, desesperada para chegar até o homem caído na cela à sua frente, soca o resistente vidro com intenções de quebrá-lo, machucando suas delicadas mais.

− Loki! – Seu chamado pelo mesmo era desesperado e angustiado. – Aguente, por favor! – Com os punhos cobertos por seu próprio sangue, a face inundada por lágrimas e uma forte determinação queimando dentro de si, a jovem grita, mas não por qualquer um, mas sim por Thor, o irmão mais velho do mago. – Com um simples bater de sua mjölnir, ele dizima seus inimigos. Quando um trovão ecoa pelos céus, seus adoradores mundanos o veneram, navegando pelos mares inexplorados de Midgard, convictos de que cada estrondo ouvido era sinal de que estavam sendo protegidos pelo Deus do trovão. Quando o Ragnarok chegar e Asgard se afundar, é a sua luz que tudo recriará. E quando seus...

Antes mesmo de terminar a cantiga para chamar o filho do trovão, um estrondo preenche o lugar, fazendo-a olhar para o lado de onde o barulho estava vindo, tendo visão de uma musculosa silhueta em meio à escuridão.

− Quem cantou a antiga Barbarien kotelo? – Thor perguntou em um tom sério, como se não gostasse muito daquela cantiga criada por seus adoradores mundanos.

Engolindo em seco, Sigyn levanta uma de suas mãos, chamando a atenção do homem enorme de feições nada amigáveis do lado de fora da cela. – Ajude, por favor. – Suplicou em um fio de voz, não por medo, mas por sentir seu coração pesar ao pousar seus olhos no mago. – Salve Loki do que quer que o esteja controlando. – Lágrimas escorreram de seus olhos, manchando sua pele pálida.

− Então você também percebeu? – Surpreso, Thor pergunta. – Mas como você viu através da agressividade de meu irmão algo que nem mesmo Odin, meu pai, pôde enxergar?

Negando com a cabeça, a jovem solta um suspiro, totalmente convicta das palavras que sairiam de sua boca. – O rei já havia visto sim o que estava acontecendo com príncipe Loki. – Afirmou, cerrando os punhos no pino pano de seu vestido, tentando manter o tom de voz calmo e gentil como sempre. – Mas, sinceramente, por considerar as ações de seu filho mais novo uma ameaça para o reino, ele simplesmente fechou os olhos para o que acontecia com o... – Sua voz tremulou, como se estivesse prestes a falar a maior das ofensas dos nove reinos. – Loki.

− Eu sei. – Afirmou o Deus do trovão, rapidamente socando o vidro rachado da cela de seu irmão mais novo. – Meu pai abandonou Loki, mas eu não farei isso. – Deu diversos socos, mas de nada adiantava, todavia ele não iria desistir. – Eu não abandono minha própria família para manter o bem de Asgard! – Seu grito saíra como um estrondo, fragilizando a parede que o separava do rei das mentiras. – Loki é trapaceiro, um verdadeiro gênio da manipulação... Ele mente para o seu próprio ganho... Ele faz de tudo para sempre estar dez paços à frente de seus inimigos... Mas não importa quantas vezes ele me traia, eu sempre vou amá-lo pelo simples fato dele ser meu irmão. – Um último soco potencializado por suas palavras fora dado, quebrando assim o vidro que prendia o mais novo em sua cela.

Entrando naquele cubículo asqueroso, Thor o pega nos braços, carregando-o para fora daquele lugar. – Eu sabia que tinha algo de errado com você, meu irmão. – Os gritos eram ensurdecedores, cheios agonia, algo que fez o loiro se amargurasse por dentro.

Sabendo muito bem o que estava torturando o príncipe mais novo, Sigyn, mesmo com as mãos doendo e ensanguentadas, volta a bater no vidro com toda sua força, desesperada para ajudá-lo.

− O que está fazendo? – Thor a indaga, sabendo que seu pai não relevaria aquele ato de rebeldia por parte da selvagem. – Você pode ser executada por isso, sabia?

Seu tom saíra lamurioso, maculado pelo medo. – Para Helheim as punições que seu pai pode me dar! – Gritou, cansada, soando com a repetição exaustiva de socos que dava no vidro, tentando chegar até Loki. – Um rei que pune alguém por amar um de seus filhos, não pode ser considerado um rei, muito menos ser adorado como Deus! – Seu grito fora alto, carregado com a revolta que sentia por Odin. – Se a morte do filho mais novo não o afeta pela preferência que ele tem por ti, senhor dos trovões, afetará a mim. – Já sem forças, sem esperança alguma de quebrar aquela barreira entre eles, a jovem dá um último murro, sendo surpreendida com o despedaçar do vidro.

Dando um paço para fora de sua cela, suas pernas fraquejam, mas ela se recusa cair, caminhando lentamente até Thor.

− Eu... – Sua voz era um sussurro na escuridão, perdendo-se entre os diversos corredores. – Eu vou livrá-lo dessa dor...

Assim que chegou perto do mago traiçoeiro, ela toca a testa dele com sutileza, sugando para si o que o torturava, fazendo-a gritar de dor. Seu corpo parecia queimar de dentro para fora, sua mente antes leve, limpa e repleta de paz, agora estava pesada, cheia de pensamentos negativos que não lhe pertenciam, totalmente coberta pelo caos da pequena escuridão existente em seu coração: a morte de seu pai.

− Eu sinto que não vou aguentar tanta negatividade! – Abrandou, urgente, podendo sentir os resquícios de energia negra envolver seu corpo. – Tira ele daqui antes que Valon Arkkienkeli o domine novamente! – Seu pedido não era arrogante, muito menos uma ordem, mas sim uma súplica para salvar Loki daquele ser.

Compreendendo os sentimentos que a selvagem nutria pelo irmão, Thor sorri fraco, feliz por existir alguém que amava o irmão mais que ele. – Eu vou, mas você virá comigo. – Segurou o corpo da jovem, impedindo que ela caísse no chão úmido e frio daquele lugar, fazendo um sinal para Singrid o seguir. – Alguém capaz de dar a própria vida por um dos filhos do governante que expulsou o povo sem leis de suas terras, sem nenhuma dúvida, é digna e merecedora de perdão.

Ao dizer isso, Thor corre para fora das masmorras, determinado a enfrentar seu pai caso necessário, desejando que nenhum dos dois morresse no percurso até a ala hospitalar do palácio real.

− Espero que não veja isso como uma traição, meu pai, mas sim como um ato de amor por meu irmão. – Murmurou para si mesmo, preocupado, temendo que aquilo fosse o início do Ragnarok.

Notas finais
Gostaram? Bom, espero que sim, amores! Isso é tudo por hoje. Até o capítulo X. Beijinhos.