Jogo dos Deuses

10 Capítulo X ♖ A maldição de Odin.


Notas iniciais
Olá, meus amores! Bom dia! Tudo bem com vocês? Bom, sinceramente, eu espero que sim. É, eu sei que demorei muito para postar dessa vez, mas eu estava sem inspiração, totalmente viciada na série Dark, completamente obcecada em subir de elo no lol e, não menos importante, pensando no que escrever nos capítulos seguintes das outras fics minhas que estão paradas por um tempinho já. Contudo, como tomei bastante café pela primeira vez na vida, tirando o fato dos energéticos que tomo para ficar acordada, eu estou totalmente elétrica, totalmente sem sono, possibilitando a minha mente de criar esse capítulo bombástico para vocês. Tirando algumas dúvidas, aqui Odin não é o mesmo da Marvel, já que estou levando as coisas mais para o lado mitológico mesmo, demonstrando as verdadeiras faces dos Deuses Nórdicos, algo que achei fascinante explorar nessa história. Pois é, eu sei que vão querer odiar Odin nesse capítulo, mas vocês vão entender tudo mais para frente, quando os peões do jogo dos Deuses começarem a se mover no tabuleiro chamado vida. Escrevi e revisei esse capítulo com muito amor e carinho, amores, espero que esteja tudo certinho, que gostem do rumo que essa história está tomando. Boa Leitura!

♖♖♖ A s g a r d — P a l á c i o R e a l ♖♖♖

Thor, primeiro filho de Odin, herdeiro principal do trono de Asgard, correia com seu irmão mais novo, Loki, o Deus da mentira e da trapaça, totalmente desacordado em seus braços, visivelmente assustado e temente pela vida do menor.

− O que vamos fazer caso os guardas nos impeçam de chegar até a ala hospitalar do palácio real? – Singrid, correndo com toda a velocidade que tinha para alcançar o Deus do trovão, questionou, preocupada com a possibilidade de uma briga interna se iniciar por causa de Loki e Sigyn.

− Se não me deixarem passar, uma guerra se iniciara, despertando os mil raios dos céus Asgardiano. – A voz do loiro saíra séria, sombria, como se as leis já não mais importassem. – A vida de Loki, meu irmão tolo, é prioridade para mim. – Suspirou, virando um dos corredores próximos da ala dos curandeiros. – Caso meu pai não aceite que a vida dele é mais importante que um castigo tolo para fazê-lo refletir sobre seus atos contra sua irmã, eu declararei guerra contra os Deuses, contra meu pai, contra quem quer que seja que tente me impedir de salvá-lo da morte.

Ao ouvir o que o herdeiro mais velho havia dito, a jovem para de caminhar instantaneamente, chamando a atenção do maior. – Você não pode fazer isso! – Seu tom saíra mais alto do que ela gostaria, fazendo os belos olhos do príncipe principal se estreitarem em desagrado.

− Como assim não posso? – A indagou, descontente, mudando seu tom drasticamente. – É claro que posso! – Afirmou, convicto de que poderia derrotar todos aqueles que que se pusessem em seu caminho, atrapalhando assim seus planos de salvar seu irmão. −Eu posso e vou! – Declarou, apertando o corpo do irmão que estava em seus braços com força, como se aquele pequeno ato pudesse protegê-lo de qualquer coisa que pudesse ameaçá-lo.

Compreendendo o forte desejo de proteção para com o irmão, Singrid apenas suspira, negando com a cabeça, tentando não transformar seu único aliado naquele lugar hostil em inimigo. – Conversamos sobre isso assim que eles estiverem fora de perigo, pode ser? – Perguntou a menina, o fitando com ingenuidade.

Por alguns segundos, o Deus do trovão se perdeu na imensidão dos olhos esmeraldinos da jovem à sua frente, fazendo-o perder completamente a noção do tempo, perdendo longos minutos em seus próprios pensamentos.

Apesar de se sentir da mesma forma que Thor, querer proteger a irmã de tudo que pudesse feri-la novamente em sua sofrida vida, ela não desejava uma guerra interna, desmoronando assim a estabilidade de seu próprio reino. Na verdade, mesmo que Odin nunca tenha tido olhos para seu povo, os esquecidos pelos Deuses, a jovem não desejava a decadência daqueles que cumpriam as leis e os deveres impostos pelo seu governante. Tudo o que ela mais queria era que tudo acabace logo, que nem Loki e Sigyn sofressem por conta de um dos taivaallisten liekkien esi-isät.

Era mais do que óbvio para a pequena selvagem as intenções daqueles que trabalhavam nas chamas das sombras. Todavia, mesmo que ela desejasse contar o que realmente estava acontecendo, a pequena não podia pelo maldito fato deles saberem de tudo, mesmo ambos estando inconscientes, mesmo que ela se afastasse para conversar com Thor, mesmo que a jovem pedisse ajuda aos mesmos Deuses que viraram as costas para ela e o resto dos seus companheiros.

Aqueles que vivem nas sombras sempre saberão seus paços, mesmo que você tente esconder suas intenções. Os varjojen lapsia sempre estarão dez paços à frente daqueles que tentam burlar suas leis. Eles sempre sabem tudo o que você fará antes mesmo de você pensar em fazer algo.

− Eles são o declínio dos Deuses... – Murmurou a pequena selvagem Asgardiana, esquecendo-se completamente de que Thor estava à sua frente, a encarando, confuso com as palavras proferidas por ela.

− Disse alguma coisa? – Perguntou o mais velho, visivelmente desconfiado, tentando tirar alguma informação que pudesse ser útil dela.

Repreendendo-se mentalmente, Singrid esboça um sorriso forçado, tentando sustentar a mesma postura serena de sempre, mas fora em vão, pois Thor já havia entendido que uma ameaça maior que o próprio Ragnarok estava para acontecer.

Os lábios ressecados e rachados da loira crisparam-se, receosos, tementes com as consequências que as informações dadas por ela pudessem acarretar, já que ela conhecia muito bem o destino imposto aos que revelavam o que devia se manter desconhecido. Ela sabia o fim que teria caso fosse contra as leis de seus malditos ancestrais, contra as leis decretadas por eles, contra o voto profano que fora obrigada a fazer um ano antes da morte de seu pai, o único que fora corajoso o bastante para enfrentar seu próprio líder, sair do ciclo das sombras e viver uma vida pacifica e normal em Asgard, lugar onde escolheu viver até o fim de seus dias.

Duas semanas após o sacrifício de Virtalähde para salvar a vida de Loki, seu primeiro e único pupilo das sombras que o queriam como um dos seus, ela havia achado o diário de seu pai muito velho e surrado por conta do tempo, mas que ainda podia ser lido com perfeição. Naquelas pequenas folhas gastas e amareladas, a jovem descobriu tudo o que não sabia sobre aquele homem que ela vira morrer diante de seus olhos, tentando fazer o certo pela primeira vez em sua vida, já que sua existência era preenchida por erros e mais erros, algo que machucou o coração de seu progenitor profundamente, pois ele pensava que estava fazendo o bem para todos, mas fora enganado por muitos anos pela mesma negatividade que havia tomado Loki, o príncipe mais novo, como seu receptáculo.

Com os olhos marejados, Singird abre a boca, fechando-a novamente, incerta, totalmente confusa em relação ao que deveria fazer em com as informações que somente ela tinha conhecimento por conta do diário de seu pai.

− Algo a preocupa. – Afirmou a voz estrondosa de Thor, assustando-a. – Posso ver isso em seu olhar aflito. – Suspirou. – Vou levá-los até a ala hospitalar. – Avisou, virando-se se costas para ela, pondo-se a caminhar pelos corredores frios feitos de mármore. −Mas quando eu voltar, pequena Asgardiana, vou querer saber o que será o declínio dos Deuses. – Murmurou, desaparecendo do campo de seu campo de visão.

Thor abriu as enormes e pesadas portas de madeira maciça da enfermaria com um chute, assustando os curandeiros e os enfermos que estavam por ali. Com rapidez, sem nem ao menos prestar atenção no que um dos responsáveis pela enfermaria falava atrás de si, Thor caminha em passos largos até dois leitos vagos, longe das vistas dos outros enfermos, depositando o corpo de Loki e Sigyn em cada um, fitando-os com uma imensa e verídica preocupação.

− Não pode deixá-los aqui, meu príncipe. – Protestou um dos iniciantes daquela ala, tentando sair daquele problema que o príncipe mais velho havia jogado sobre todos eles, temendo que a ira de Odin recaísse sobre ele e sua família, deixando Thor mais irritado do que já estava, pegando o pobre auxiliar pela gola de suas vestes, o empurrando com força contra parede, fitando-o com uma autoridade que não parecia ser algo dele, da sua natureza calma e amigável de sempre, mas sim de um tirano.

− Eu quero que cuidem de ambos. – Seu tom era sério, frio, raivoso. – Caso não cumpra com minhas ordens, novato, a ira dos trovões recairá sobre aqueles que você mais ama, entendeu? – Um sorriso sombrio se formou entre seus lábios, apavorando o jovem ajudante.

Temendo as palavras de seu príncipe, o novato acena positivamente com a cabeça, recebendo fortes tampas em sua face por parte de Thor, que havia gostado do que ele havia respondido com apenas um pequeno acenar.

− Bom garoto. – Murmurou, deixando a ala hospitalar rapidamente, sem se importar com os olhares assustados e de reprovação que muitos ali lançavam para ele.

♖♖♖ A s g a r d — S a l ã o R e a l ♖♖♖

− O que faremos, meu rei? – Perguntou Frigga, preocupada com seus dois amados filhos, temendo uma punição por parte de Odin para com os seus meninos. – Loki...

− Loki é um problema! – A voz do governante de Asgard saíra como um trovão em meio à tempestade, assustando sua companheira de longa data. – Ele tem sido um problema desde que começou a se interessar por magia. – Continuou, apertando com força o seu cetro, tentando conter sua ira. – Eu deveria saber que ele seria a ruína de Asgard. – Murmurou o ancião, colocando seus sentimentos paternais de lado, vendo apenas o que lhe convinha. – Acho que tê-lo trago para cá quando ainda era um bebê foi um erro. – Suspirou, lamurioso, sabendo que suas palavras eram cruéis, mas verdadeiras.

Frigga, com seus olhos marejados, fita o marido com horror, totalmente incrédula com as palavras duras e afiadas como uma adaga de aço valiriano proferidas contra seu menino trapaceiro.

Sempre deixado de lado, sendo sempre a sombra do irmão mais velho, Loki sentia-se inseguro, sem valor algum para seu próprio pai, indigno de sua atenção, algo que a rainha tomou conhecimento quando ele ainda era um pequeno menino cheio de sonhos e inocência, imaculado de qualquer sentimento negativo.

Ela sabia muito bem que o desvio de Loki não foi por conta dele mesmo, mas sim pela desigualdade que havia entre ele e Thor. Ela sabia que o coração do mago trapaceiro havia se quebrado em mil fragmentos por seu próprio pai, aquele que ele sempre admirou e honrou com toda a sua alma, sem desejar nada em troca, sem cogitar tomar o lugar de seu pai no trono de Asgard, já que Odin para Loki era a definição perfeita de justiça, humildade e benevolência.

Mas assim como a inocência de uma criança é perdida conforme o tempo passa, a admiração e respeito que o mago sentia por seu pai se acabou, restando apenas ressentimentos e feridas incapazes de serem cicatrizadas. Loki não tinha nada além de um coração quebrado e uma alma vazia.

Frigga tinha uma grande preferência pelo mais novo, mesmo ele não sendo seu filho biológico, algo que incomodou muito Odin, já que para ele, o pai de todos, era inaceitável e vergonhoso para o menino viver agarrado na saia da mãe. Ela até tentou convencer o marido a deixá-la mais perto do pequeno gigante de gelo, mas ele a proibiu, rompendo assim o lanço entre mãe e filho. A dor de ter que se afastar de seu pequeno mago foi algo que a marcou por toda a vida, fazendo-a sentir-se culpada por todos os erros cometido por seu filho de coração.

− Então por qual razão o trouxe? – A mulher questionou o pai de todos os Deuses após longos minutos de puro silêncio, fazendo Odin a encarar com repreensão. – Por que o criou como filho se não o ama? – Sua voz era séria, totalmente destemida.

O Mais velho suspirou, cansado, sentando-se em seu trono, tendo seus corvos dispensados com um acenar de mão. – Eu queria uma futura aliança entre Asgard e Jotunheim. – Revelou, farto de guardar aquele fardo somente para si. – Eu pensei que nossos reinos pudessem viver em harmonia quando Loki descobrisse a verdade, tomando assim seu trono no reino ao que pertence, indo embora de Asgard com um tratado de paz firmado entre nossos povos. – Sua voz saíra fraca, falha, coberta por uma palpável angústia. – Mas só o que fiz foi trazer a desgraça e a degradação para meu lar. – Seus olhos fitavam um ponto qualquer no grande salão real. – Loki é a própria desgraça encarnada. – Afirmou o Deus mais antigo de todos. – Lamento pelos gigantes de gelo por ter um líder descontrolado e egoísta. Eu só...

Já não aguentando mais as palavras que o marido usava para referir-se ao seu pequeno garotinho, Frigga, sem pensar em nada além da dor que o mago tem carregado por anos, se impõe pela primeira vez durante todos os seus anos de casada com Odin, defendendo seu filho que não foi nada além de um instrumento, uma vítima nas mãos impiedosas do pai de todos.

− Chegga, Odin! – Grita, derramando lágrimas sofridas por Loki. – Não percebe que o único culpado do sofrimento dele sempre foi você? – Seu semblante borrado lhe passava uma imagem frágil, totalmente impotente, mas ela não era nada do que seu físico demonstrava. – Loki sempre tentou agradar você, apenas você! – Seu tom se elevava cada vez que as imagens do mais novo chorando em seu quarto, sozinho, sem ninguém que se importava com sua dor, com sua incompreensão e frustração sobre as preferências de seu pai por seu irmão mais velho. – Ele está profundamente ferido por dentro, totalmente desconfiado de tudo e todos, pensando que farão com ele o que você fez. – Tentando se acalmar, manter a compostura diante de seu rei, a bela mulher solta o ar pela boca, tomando um pouco de fôlego para continuar a dizer tudo o que estava preso em sua garganta desde muitos anos atrás. – Enquanto ele te dava apenas o mais profundo e sincero amor que um filho pode dar para um pai, você deu rejeição, impôs distância, privou ele de ter o amor e o afeto de uma mãe. – A sua voz era indignada, totalmente preenchida pela dor da culpa. – Eu nunca deveria ter feito a sua vontade. Eu nunca deveria ter me afastado dele, fazendo-o procurar por um ancestral das sombras, resultando nele se tornando em um receptáculo de algo que nem mesmo os Deuses podem impedir. – Fechou os olhos, ponderando por muitos minutos, criando um clima pesado no ambiente, voltando a falar logo em seguida. – Se o meu filho morrer por sua causa, Odin, prepare-se para uma guerra interna.

− Como ousa ameaçar-me, mulher tola! – O pai dos Deuses gritou, levantando-se de seu trono rapidamente, fitando a esposa com autoridade. – Como ousa colocar aquele garoto imaturo acima de mim, seu marido, de Thor, seu verdadeiro filho e de seu reino? – Ele a questionou em um tom alto, bravo, ameaçador. – Aquela criança tola que só se mete em encrencas não é nada sua! – Declarou o ancião, batendo seu cetro no chão com força, fazendo o solo de Asgard tremular.

− Como você mesmo pôde ver através de seus corvos, Thor também se rebelará contra todos os Deuses pela vida do irmão, assim como a jovem selvagem roubou a dor dele para ela. – Explicou, pondo as cartas na mesa, deixando tudo claro para o marido que a fitava com descrença. – Você pode até não amar Loki, mas há pessoas que conseguem enxergar o bem no caos dentro dele que você criou. – Acusou, o fitando friamente. – Loki é mais amado do que pensa. – Afirmou, dando um leve sorriso de satisfação, feliz por saber que tinha pessoas que fariam de tudo por seu pequeno mago. – O amor que você negou para ele, meu marido, agora é multiplicado pelas pessoas que o cercam.

Com raiva, sentindo-se totalmente contrariado por todos por causa daquela criança de gelo que deveria ter atirado do alto de um precipício de Jotunheim, Odin levanta seu cetro, proferindo o destino de Loki logo em seguida, selando assim um ciclo vicioso de dor e mais dor para o Deus da trapaça. − Por colocar todos os meus entes mais valiosos contra mim, podendo se tornar o fim de tudo, eu, Odin, Pai de todos, declaro que Loki Laufeyson, Filho de Laufey, herdeiro do trono do reino dos gigantes de gelo, carregará para todo o sempre a maldição de trazer a morte para todos que ele amar, não importando se for esposa, filho ou neto. De agora em diante, o Deus da trapaça será o sinônimo da morte. – Ao declarar a maldição, uma luz branca erradia de seu cetro, indo em disparada de encontro com o amaldiçoado, prendendo assim Loki em um ciclo de dores, ressentimentos, tristezas e mortes desnecessárias na vida de um jovem Deus que não queria nada além de amor por parte de seu pai.

Notas finais
E então, meus amores, gostaram? Bom, espero que sim. Torço para que eu esteja agradando vocês, meus fantasminhas adorados. Até o capítulo XI. Beijinhos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.