Jogo de Sobrevivência: Battle Royale

2 O Pior Jogo de Todos os Tempos


As câmeras começaram a ser posicionadas nos devidos lugares, os monitores atrás das mesmas observavam tudo com total atenção, vendo os mínimos detalhes daquela velha cabana de madeira. As paredes eram de carvalho envelhecido, o chão parecia enfeitado com um tapete de poeira, as lacunas cobertas de teias de aranha, demonstrando o quão abandonado aquilo estava, uma única janela clareava o sombrio cômodo, deixando a pouca claridade do fim de tarde adentrar. Uma pequena chama ajudou a iluminar o ambiente por exatos três segundos, usada apenas para ascender mais um charuto cubano. Os pulmões se preencheram com a fumaça tóxica que logo foi assoprada para o ar, fazendo com que o cheiro amargo se instalasse.

Renata virou o corpo, encontrando na lente da enorme câmera o próprio reflexo, levantou a mão, ajeitando os cabelos e também arrumando as sobrancelhas.

— Renata, poderia parar de se admirar e começar com esse programa logo? — Lila exaltou-se, lançando uma mirada impaciente para a apresentadora que nem limitou a levantar os olhos para enxergá-la.

— Afinal, Rê, onde estão as participantes? — desta vez foi Willy M que se pronunciou, também demonstrando a raiva e a ansiedade com o início do programa.

E novamente a alta mulher manteve o silêncio, pegando entre o indicador e o dedão o charuto, batucando-o, jogando algumas cinzas no chão. Deu alguns passos para trás, ficando no centro daquele cômodo envelhecido, encarando diretamente a câmera principal.

— Gravando! — ordenou para os funcionários, que logo posicionaram em seus respectivos lugares, iniciando a gravação.

O diretor ficou parado atrás do cinegrafista, os dedos indicavam a contagem regressiva e quando a mão se fechou, todas as câmeras foram ligadas e Renata pigarreou antes de começar.

— Boa noite a todos! — o tom sarcástico chegou aos ouvidos de todas as ministras que assistiam através dos monitores, e sorrisos de divertimento bailavam nas faces. — Estamos começando a primeira edição de "Battle Royale"! O grande jogo onde o objetivo é muito simples: matar antes de ser morto. — a voz começou falsamente alegre, até que nas últimas palavras o sorriso foi escárnio e zombeteiro. — Foram escolhidos a dedo vinte e cinco participantes por grandes amigas minhas e de vocês também.... — fez um gesto teatral, lançando um olhar profundo para as três mulheres através dos monitores — para que elas ganhassem o título de Ultimate Paper Drag Star. Sem mais delongas, eu acredito que vocês assim e tal como eu estão ansiosos para ver quem foram as selecionadas. — os dedos estralaram, e a única porta foi aberta num estrondo, e diversos militares adentraram carregando corpos adormecidos, jogando-os sem nenhum cuidado num canto aleatório, muitos despertavam no exato momento em que suas costas encontraram o chão empoeirado.

Grunhidos altos preencheram os ouvidos de todos, sons de indignação saíram das bocas e olhares assustados eram trocados.

— Finalmente acordaram! — Renata começou a rodar os participantes, que lhe lançaram miradas confusas.

— Onde... Onde estamos? — uma voz sonolenta e assustada foi ouvida, os olhos amarelos de Renata encontraram o de Estrelina, que se encolheu ao receber aquela encarada superior.

— Ei! Mas que porra é essa? — uma outra voz se fez presente menos amena e mais agressiva, Fae se posicionava de pé olhando ao redor, levantando a sobrancelha ao reconhecer alguns rostos e principalmente o de Lila num dos monitores atrás de Renata. — Onde estamos?

— Vocês estão no "Battle Royale". — respondeu calma, como se fosse tão óbvio quanto dois mais dois é quatro. — O programa...

— Programa? — outra voz questionou, fazendo com que todos olhassem diretamente para ela. Os olhos demonstravam a confusão. — Eu não fui avisada sobre nenhum "Battle Royale", eu só lembro de estar a caminho do All Stars do The Bosh quando eu adormeci — o tom esnobe fixava em cada palavra — Eu não quero participar de algo que não me cumpri a fazer.

— Laquanda... — Renata se aproximou, levantando o braço e encostando os dedos na bochecha da participante, mas esta foi mais rápida, afastando daquele toque. — Você aceitou participar sim. Eu se fosse você na próxima vez que quisesse entra num "all stars" — falou com sarcasmo — leria todas as letrinhas miúdas do meu contrato — os dedos grossos agarraram o braço com força, Laquanda tentou soltar-se, mas parecia impossível, seu corpo ainda estava fraco, talvez pela estranha droga que a fizera dormir antes.

Num gesto óbvio de maldade Renata retirou o charuto da boca, jogando-o no chão e caindo sobre o corpo de Dobby que soltou um grito agudo ao sentir a brasa quente queimar-lhe a perna.

Alguém tentou se aproximar, correndo até a Renata para atacá-la, mas nunca chegou ao seu objetivo, foi parada por um som alto, ensurdecedor, tão repentino e assustador que todos cobriram as orelhas e o resto pareceu finalmente despertar. Levou alguns segundos para que compreendessem do que se tratava.

Um tiro.

O militar do lado esquerdo empunhava um rifle de assalto. E do cano saia uma fumaça cinza, demonstrando que fora recém-usada. Os olhos de Luxy estavam vidrados no ombro direito, de onde espirrava o líquido vermelho, o cheiro de ferro cobriu o ambiente e um novo grito foi ouvido, um grito de agonia, dor. Um grito desesperado.

Que logo fora acompanhado por outros gritos, assustados. As pessoas pareciam se fundir com as paredes, prensando o corpo com toda a força. Já Luxy dobrou os joelhos, caindo no chão, ainda berrando, em vão, a mão direita tentava estancar o sangramento, o que parecia impossível.

— Oh, me desculpe! Esqueci de pedir para que vocês não façam nenhum movimento brusco. — o apresentador fingiu pena, andando novamente até o centro daquele cômodo. — Por favor, se acalmem. Quanto mais vocês gritarem mais difícil poderei prosseguir com a explicação. — tentou, mas ninguém parecia prestar atenção, limitando-se a chorarem e continuarem gritando.

Renata não pensou duas vezes antes de retirar de seu bolso uma pistola mediana, uma UK USP, apontando-a para Luxy que permanecia ajoelhada, não pensando duas vezes antes de disparar dois tiros na cabeça, fazendo com que respingos de sangue e pedaços dos miolos espalhassem pela parede, alcançando alguns rostos e corpos.

— Parecia ser alguém que não duraria nem duas horas, não foi uma perda útil. — comentou baixo com o staff mas alto o bastante para que todos os participantes lhe ouvissem. — Posso continuar agora? — deu dois passos para frente, recebendo o silêncio como resposta. — Bom, quem cala consente. — riu.

— Mas que merda é essa? — Renata virou o rosto encontrando uma pessoa encarando-a com fúria, os olhos revelavam a raiva, a indignação, e acima de tudo, revela o medo.

— Essa "merda", Benny, é a nova realidade de vocês. — aproximou o rosto, lançando aquela mirada fria. — Alguém aqui sabe o que é "Battle Royale"? — começou a andar em círculos, mexendo na arma, observando a sem nenhuma atenção especial. E outra vez não teve resposta.

Levantou os olhos, vendo as expressões amedrontadas, apontou a arma para uma mulher loira.

— Você sabe?

— Ah... — murmurou, jogando os cabelos para trás. — "Battle Royale" é um termo usado nas lutas de vale-tudo, em disputas em que os lutadores brigam na mesma arena, todos contra todos. — explicou nervosa, revezando o volume da voz do alto para o baixo. A arma que permanecia apontada para os enormes seios foi abaixada, e um sorriso bailou no rosto da apresentadora.

— Isso mesmo, Amai. — parabenizou, continuando a andar em círculos. — E é exatamente isso que nosso programa se trata, vocês batalharam uns contra os outros, até que apenas um vença...

— Mas a gente não deve lutar! Todos nós viemos aqui apenas porque queríamos mostrar nossas habilidades como paper queens. — Lovy se pronunciou, os fios de seu cabelo caíam sobre o rosto. — Nós não devemos lutar.... Nós não sabemos.... — o semblante assustado denunciava que ela perdeu coragem a cada palavra até que achou melhor se calar.

— Mas vocês devem. — Renata pegou um novo charuto, passando-o pelas narinas, aspirando o cheiro como se fosse uma especiaria única. — Vocês vão matar uns aos outros, este é um jogo de sobrevivência.

Buchichos foram ouvidos. Todos comentavam entre as conhecidas ou para si mesmos frases como "estamos perdidos", "vamos morrer", "Deus tenha piedade de nós". Pequenos gritos abafados, soluços, lágrimas escorriam. E em nenhum momento nem Renata, nem Lila, Willy e Sillum que ainda observavam através dos monitores pareceh estar tocado ou emocionado com as reações. Pelo contrário.

Renata ergueu a arma para o alto, dando exatos três tiros, fazendo com que todos se calassem outra vez.

— Por favor... — a voz imperou no meio do silêncio — Por favor, não comecem uma rebelião, aposto que vocês não desejam ter o mesmo fim da nossa querida "vencedora" Luxy.

Todos encararam o corpo inerte da vencedora do Gag! All Stars no chão, o crânio aberto, revelando os pedaços do cérebro, a enorme poça de sangue que o banhava.

— Bom, espero que eu não seja mais interrompida. — pigarreou, retirando uma caixa de fósforos do bolso dianteiro, acedendo o charuto em segundos. — Onde eu parei mesmo...? Ah! Este é um jogo de sobrevivência. Talvez não tenham reparado, mas vocês estão usando colares. — com estas palavras, todas tocaram em seus próprios pescoços, sentindo o frio do objeto de metal. — Oh, não tentem puxá-los, exceto se não quiserem serem mortos logos no primeiro dia.

— Primeiro dia do quê? É melhor você começar a explicar logo! — uma voz arrogante soou alta, os olhos encontraram a dona daquelas palavras, num rosto belo a expressão era zangada.

— Alice. Eu falei que não quero ser mais interrompida! — um tiro ecoou após essas palavras serem ditas.

A garota fechou os olhos, as mãos estavam prensadas na roupa, aguardando o disparo que nunca chegou. Tomando coragem, as orbes foram abertas, girando o rosto em cento e oitenta graus, vendo a bala agarrada na parede atrás de si.

— Eu não errei de propósito. Já perdemos uma competidora, seria um desperdício perdemos outra. — riu brincando com a arma, girando-a entre os dedos. — Continuando... Hoje é o primeiro dia do jogo, do "Battle Royale". Vocês contra vocês, todos contra todos, vinte e... quatro jogadores, e apenas uma vencedora. — pegou o charuto da boca, soltando a fumaça tóxica no ar. — Voltando... Os colares que estão em seus pescoços transmitem seus sinais vitais, saberemos quando vocês morrerem e onde vocês estarão. Mas se caso vocês tentem arrancar esse colar, um mecanismo será ativado, e eles explodiram em seus pescoços. Tecnologia de primeira, não acham? — terminou a frase batendo palmas, um sorriso escárnio apossando-se do rosto.

Muitos quiseram retrucar, gritar, ou se permitir qualquer comentário contra as ideias apresentadas, mas o corpo de Luxy Stars, acabou se tornando a maior prova de que qualquer coisa dita, que não agrade a apresentadora, era um caminho direto para a morte.

— Agora que estamos chegando à um acordo. — estralou os dedos, o som ecoou no cômodo, sendo mais alto do que as respirações descompassadas. Três militares adentraram a sala carregando algo coberto por um pano. Em gestos delicados e calmos, o pano foi puxado, revelando uma grande lousa branca, onde havia desenhado algo parecido como um tabuleiro de batalha naval, coberto por linhas verticais e diagonais, na esquerda, letras que iam do A à J, e no topo, números que iam de 01 à 10. — Estamos numa ilha abandonada, perdidos talvez na Europa, ou até mesmo nunca saímos do Brasil, bom, vocês podem chegar a uma conclusão sozinhas, isso não importa no final das contas, não é? Do que adianta saber o local onde será seu túmulo? — a gargalhava divertida cobriu o silêncio. Muitos estavam segurando-se ao máximo para não retrucar, chegavam até tremer violentamente de fúria. — Bom, como podem ver aqui é o local onde nós estamos, e aqui... — uma caneta vermelha foi entregue a Howard, que desenhou um X no quadrante G9. — É onde fica localizada esta cabana. Aqui se tornará um quadrante proibido quando o último sair, afinal de contas, eu preciso ficar um pouco sozinha para analisar o desempenho de vocês. E também, sei que sou tão amável que vocês fariam de tudo para me ver de novo, mas isso só acontecerá com o vencedor. — sorriu.

— O que acontecerá se um continuar no quadrante mesmo que ele esteja proibido? — alguém levantou a mão enquanto indagava, Renata virou seu rosto encontrando quem fez a pergunta.

— Buffy... — coçou o queixo analisando-o. — É uma ótima pergunta, bom, caso um de vocês ainda insista em ficar no quadrante, o colar em seus pescoços explodirá e pronto, fim de jogo. — falou debochado, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Dekka, que estava agarrada ao braço de Buffy engoliu em seco, sentindo um certo desconforto graças ao metal prensado em seu pescoço. — Falando em quadrantes, a cada seis horas um novo quadrante será interditado, mas fiquem tranquilas, vocês receberam um mapa onde irão poder analisar o local e fugir antes que explodam.

— E se nos recusarmos a matar uns aos outros? — desta vez foi Gina que indagou, o cenho estava franzido.

— Outra boa pergunta, mas a senhorita não levantou a mão. — ergueu a arma, apontando diretamente para a garota. Gina preparou o corpo para aquele tiro, mas ele nunca veio, nem mesmo chegou a ser disparado, e quando finalmente criou coragem para abrir os olhos, viu um corpo parado diante de si.

— Dobby — riu Renata vendo o corpo da portuguesa ficar de frente a Gina, como se estivesse disposta a sacrificar a própria vida para defendê-la. — Um belo ato de cavalheirismo. Bom, respondendo a pergunta, se vocês recusarem a lutar contra os outros... Nós temos um tempo limite máximo de vinte e quatro horas, se nesse tempo não tivermos nenhuma morte... Todos serão executados. — outra vez o silêncio imperou, os gritos estavam guardados na garganta, implorando para saírem, mas talvez este não fosse o momento certo, eles poderiam gritar o quanto quiserem fora dali. — Agora que já compreendemos as regras, vamos ao kit. — estralou os dedos outra vez, e um novo carrinho apareceu, onde vinte e cinco grandes bolsas estavam perfeitamente posicionadas. — Este é o "kit de sobrevivência". Cada um deles tem água, comida, uma bússola, o mapa e o mais importante, uma arma. As armas são totalmente aleatórias, variando entre metralhadoras até um garfo. Claro que nesse caso, o fator sorte vai imperar mais que os outros, mas não adianta ganharem uma arma e não saber usá-la, não é mesmo? — o charuto finalmente chegou ao seu fim, ganhando o chão e uma pisada. — Iremos chamar o nome de vocês um por um, quando fizermos isso, vocês terão um minuto para saírem dos arredores até que eu chame o próximo e assim sucessivamente. Entendidos?

Não houve resposta.

— Alice Hitobashira.

A asiática andou vagarosamente pegando uma das bolsas do carrinho, ignorando aquela que lhe era estendida.

Um minuto inteiro se passou, e pareceu uma eternidade para o próximo jogador.

— Amai Maffin.

A loira foi mais devagar, mantendo uma calma tão falsa que foi possível notar quando as mãos tremeram ao pegar o kit.

— Aron.

Aron praticamente correu, recebendo o kit ainda no ar, retirando-se o mais rápido possível.

— Benny Bury.

Benny praticamente rosnou ao receber a bolsa já abrindo o zíper assim que saiu pela porta, não demorou muito para se ouvir um "porra" ainda no corredor.

— Buffy.

Dekka soltou-se do braço de Buffy, vendo-a andar até o carrinho pegando no ar a bolsa que lhe foi jogada.

— Dekka Pitada.

Tremeu violentamente. Havia cochichado para que Buffy a esperasse do lado de fora e da forma com que saiu correndo pareceu que não confiara muito na resposta que fora um baixo "sim".

— Dobby Na'Chi.

Dobby olhou para Gina e Lovy antes de pegar a bolsa, sussurrou algo que nenhuma das duas pareceu ouvir mas saiu com a cabeça erguida.

— Cleo.

Cleo pegou a bolsa muito temerosa e saiu não conseguindo esconder mais os soluços.

— Creolle.

Creolle saltou do chão, limpou rapidamente a poeira de suas roupas e saiu em disparado.

— Ebonique.

A baixa garota também pegou sua mochila no ar e no susto quase caiu no chão, mas se equilibrou antes e se pôs a correr.

— Estrelina Brilhina.

Estrelina tinha um rosto horrível, não parava de chorar desde que virá Luxy morrer, com muito receio ela pegou a bolsa que lhe era estendida e tentou correr mas não se sentia com forças para tanto.

— Fae Von Stocker.

Todos olharam para a figura de Fae, depois do momento em que acordo passará o tempo todo parada, com as costas na parede, e Renata percebeu que durante todo esse tempo ela só a analisava, por mais que ele não tivesse falado nada, deu para perceber que ele absorveu toda a informação que fora passada. E somente agora, que seu nome fora dito que ele esboçou algo além da indiferença, os seus olhos mostraram raiva. Andou vagarosamente até um dos militares, puxando a bolsa, ajeitando-a nas costas e desaparecendo pela porta.

— Gallatea Belini.

Gallatea respirou fundo e soltou a mão de Metalica lhe fazendo um aceno com a cabeça.

— Gina Régia.

Gina sorriu tristemente para Inm Sônia, assim como a Alice, ela tomou coragem de pegar uma bolsa do carrinho e não a que lhe foi estendida.

— Grimhilde.

Grimhilde sem muito receio pegou a bolsa que deveria pertencer a Gina e foi-se sem olhar para trás.

— Inm Sônia.

Ao ouvir seu nome Inm começou a correr mas tropeçou no nada, fazendo com que sua cara batesse no chão empoeirado, risos foram ouvidos atrás dela, com muita vergonha pegou a bolsa e saiu sem olhar para trás.

— Laquanda Bittencourt.

A garota cuspiu no chão, próximo aos pés de Renata, que se limitou a encará-la, pegou o kit e saiu em disparada.

— Lovy.

Lovy correu, pegando o kit das mãos de um dos militares, talvez pelo peso, ou pelo medo, a bolsa caiu em seus pés, ela abraçou aquilo como se fosse uma preciosidade e saiu em disparada.

Renata riu e riscou o nome de Luxy da lista.

— Ma Courpse.

Ma riu sem muito ânimo, de acordo com seus cálculos aquela deveria ser a bolsa de Luxy, torceu para que a sorte sorrisse para ela e que naquela bolsa tivesse uma arma útil.

— Marcelo ED.

O corpo dourado e andrógino de Marcelo saiu dos fundos, correu até o militar pegando sua bolsa e assim como Benny, abrindo-a no corredor.

— Marria St. Helena.

Marria tremeu, olhava com raiva e desapontamento para Renata, que continuava com aquele sorriso escárnio, estava prestes a pegar a bolsa no ar, mas deu um passo para trás, fazendo com que a mesma caísse no chão, imitando tanto Alice como Gina pegou uma das bolsas do carrinho e foi-se.

Apenas três pessoas restaram.

— Metalica.

Metalica não pensou muito, pegou a bolsa e se pôs a correr, chegaram a ouvir o barulho da bolsa caindo e Renata soltou um suspiro.

— Sabemos pelo menos que ela não pegou nenhuma bomba nem granada. — sorriu olhando para as duas que restavam.

— Shannon Sequoia.

Shanon olhou sem emoção para a bolsa estendida, queria fazer que nem suas colegas mas teve receio de pegar qualquer uma das outras duas bolsas e tirar um item péssimo. Ouvirá Benny praguejar algo, se a amiga já não tinha uma arma boa ela deveria torcer para conseguir uma que fosse ao menos útil.

— Yugoslavia.

O último nome foi chamado, Yugoslavia andou calmamente, tentando manter a expressão fria no rosto, mas assim que pegou a bolsa e estava prestes a sair ouviu o sussurro de Renata a suas costas:

— Sua bolsa é a melhor.

Não houve resposta.

Renata fez um sinal com a mão, e com isso, todas as câmeras foram desligadas. Os sapatos ecoavam no chão de madeira enquanto ela se dirigia para os monitores, onde os Lila praguejava, Willy ria e Sillum comentava calmamente sobre como suas escolhas eram de longe as melhores. Estava prestes a iniciar seu monólogo, mas foi impedido pela voz de Veron.

— Senhorita, recebemos a confirmação de que um dos participantes já foi eliminado.

Não só ela, mas todos arregalaram os olhos, coçou o queixo, sorrindo triunfante.

— Parece que o nosso jogo já começou.