Notas iniciais
Olá. Esta é minha primeira fanfic. Espero que gostem ♥

O Vortex, tenho uma vaga lembrança deste lugar. Era estranho e escuro, estávamos só nós duas, Mizuki e eu, lutando para sobreviver. Um ruído inconfundível me alertou de que algo estava se aproximando. Uma espécie de dragão, escamas vermelhas como o fogo, era quatro vezes minha altura. É, ferrou. A boca de Mizuki se abriu em um perfeito “O”, segundos depois, a criatura desferiu um único golpe sobre a mesma, que a levou para sempre.

– MIZUKI!

Ouviu-se um som horrível, acompanhado de um grito que cortou a escuridão. Tarde demais.

Me encolhi e chorei baixinho. Me arrependo imensamente de ter aberto aquela maldita caixa.

Eu carrego até hoje o peso de saber que fui responsável pela morte de Mizuki, fui uma inútil. Poderia ter atacado, eu tinha uma espada, por outro lado, ela só tinha um arco e umas 3 flechas. Em vez disso, eu fiquei lá, parada como uma pedra, usando minha melhor amiga como escudo.

Estava pronta para tomar um banho, depois de um emocionante dia ser fazer absolutamente nada. Atravessei o corredor, indo em direção ao banheiro com uma toalha no ombro. Quando escutei uma voz na qual me recordava:

– S-Sayaka...

Mizuki. Hesitei por um momento, a voz continuou:

– Sayaka, me ajude.

Senti um arrepio. Corri pela casa procurando meu telefone. Na hora não me vinha a ideia de que se eu chamasse a polícia não acreditariam em mim. Impossível. Mizuki está morta, ela morreu dois anos atrás. Ela não pode mais voltar. Escutei a voz novamente, a qual eu tinha muitas saudades:

– Estou aqui, venha.

Do que diabos ela está falando? Sendo esse ser espiritual invisível a Mizuki ou não, deve ser algo perigoso. Super normal você ir tomar banho e do nada começar uma conversa civilizada com um espírito tarado que se esconde em banheiros. De qualquer modo, eu não tinha muita escolha, voltei para o banheiro, e ela estava lá. Dava pra vê-la no reflexo do espelho, como eu a conhecia antes, a Mizuki no qual eu tanto sentia saudades.

– V-Você está viva... – disse quase que num sussurro.

Nesse momento me bateu uma nostalgia alta. Eu tive muita vontade de voltar ao tempo, só para vê-la mais uma vez, vontade de invadir o espelho e abraçá-la.

Ela negou com a cabeça, e apontou para o chuveiro, fazendo sinal para que eu o abrisse.

Liguei o chuveiro. Transformando o banheiro numa espécie de sauna. Olhei o espelho com esperanças de que encontraria ela lá de novo, porém, havia apenas uma frase escrita no espelho embaçado:

“Este será nosso meio de comunicação, te vejo depois.”

Depois disso, fui para o quarto. Para mim aquilo tudo tinha sido um pensamento vago, a saudade me preenchera com um vazio no qual não me deixava voltar no lugar onde deixei-a morrer. Senti um grande peso na consciência, então fui ao banheiro, e escrevi no espelho:

“Perdoe-me.”

Tomei um banho rápido, receosa de que Mizuki voltasse e me visse ali.

– Hora do jantar! – anunciou minha avó, sempre alegre e bem humorada.

Comi curry de morango, não consegui sentir o mesmo prazer ao comê-lo. Eu só pensava em falar com a Mizuki. Nem mesmo uma bebiba de chá gelado me acalmou. Meu coração estava acelerado e eu estava inquieta. Quando estava voltando para o quarto, minha avó me barrou:

– Aconteceu alguma coisa, querida? Você não parece bem.

– Ah, nada, só estou com sono.

Ela não pareceu convencida, mas mesmo assim me deixou ir.

Talvez eu devesse esquecer a Mizuki. Mas, ela era como uma irmã para mim. Não tinha como eu simplesmente esquecê-la, mesmo depois de dois anos de sua morte.

O sol estava se pondo, decidi dar uma última saída de casa antes de dormir.

Enquanto passeava pela rua, pessoas me olhavam com desgosto, como se eu tivesse matado alguém. O que eu realmente fiz. Mas... Acho que a Mizuki ter morrido não foi minha culpa. Eu simplesmente não a salvei...

Mentira. Foi realmente minha culpa. Se eu tivesse feito algo para salvá-la ela estaria aqui.

Voltei para casa, exausta. Tinha medo de Mizuki voltar para me assombrar, por vingança. Eu fiquei deitada na cama, pensando nos pecados nos quais já cometi. Pensando no sentido da vida e me arrependendo por tudo que já tinha feito. Adormeci de repente.

Vi Mizuki. Nós estávamos no mesmo lugar onde se passara a pior cena da minha vida. Olá novamente, Vortex. Mizuki estava ao meu lado, o rosto manchado de sangue de batalhas anteriores. O arco que era hilariamente maior que ela posicionado em modo de ataque, a aljava de flechas no ombro. Minha espada, Meizara, sinto saudades dela. Depois de tudo o que aconteceu, eu realmente não sei onde ela está. Deve ter ficado lá, ou então, minha avó a escondeu, considerando que ela é superprotetora. Era realmente muito estranho estar lá de novo. O mesmo dragão vermelho, a mesma morte trágica.

Dessa vez não foi diferente. Mizuki tinha morrido, e eu não tinha feito nada para salvá-la.

Acordei com dor no estômago. Voltei ao espelho pra ver se ela tinha escrito algo, e lá estava escrito:

“Está tudo bem, não precisa se desculpar.”

Fui para a escola normalmente. Lá encontrei meus amigos. Mas não poderia contar nada do que tinha acontecido, obviamente.

Percebi que algumas pessoas na escola estavam me ignorando. Mas eu não liguei para isso, continuei andando por aí, como sempre fiz de costume.

Me bateu uma grande dor no estômago, dessa vez uma dor maior do que a primeira, então liguei para minha avó para ela me buscar. Eu não tenho pais, meu pai assassinou minha mãe, e depois se suicidou. É uma longa história de infância traumática, melhor não contar. Enfim, minha guarda foi para a minha avó, eu só tenho ela como família.

Cheguei em casa, animada para ver se havia algo escrito. Liguei as torneiras, esperançosa.

“Precisamos conversar.”

Na hora eu fiquei pensando em tudo de ruim que já fiz, como qualquer pessoa quando escuta essa frase. Encarei o espelho, vi vulto passar subitamente atrás de mim. Me assustei. Entretanto, me sentia feliz por Mizuki ainda falar comigo. Imaginei que ela tivesse raiva de mim, ódio. Mas eu sinto saudades dela, eu gosto dela. E suponho que isso é recíproco.

Fui dormir novamente. O mesmo sonho estava de volta. Mas havia algo diferente, eu não era eu, era a Mizuki. Passei a mesma dor dela. E o que seria “eu”, me salvou.

Isso me fez sentir uma inútil. Ela me salvou, e eu deixei ela morrer duas vezes. Meu maior desejo era voltar no tempo e impedi-la de morrer. Imaginei que esse sonho fosse um sinal, de que ela havia me perdoado.

Acordei melancólica. Olhei o espelho, e vi Mizuki. Resolvi ignorar, e fui para a escola.

Me senti mais sozinha do que nunca, ainda mais que todos resolveram me ignorar de repente.

Ninguém ligava para minha existência. Então estudei normalmente.

Adormeci durante uma prova. E o mesmo sonho se passara, um pouco modificado, novamente.

Dessa vez, Mizuki conseguiu derrotar o dragão, usando Meizara, minha espada.

– NOSSASSINHORA COMO CÊ FEZZ ISSO EU QUERO TAMBEM ME EENSINA – gritei em plenos pulmões.

E ela me olhou com ignorância. E abriu um sorriso malicioso e avançou.

– Bons sonhos.

E tudo escureceu.

Quando eu acordei, não havia ninguém na escola. Acho que eu nunca havia me sentido tão só.

Liguei para minha avó vir me buscar, como de costume. Mas ninguém atendia. Então liguei para um táxi. E minha avó não estava em casa.

Eram 13:50, e eu não sabia o que fazer. Corri para o banheiro e olhei o espelho, havia uma mensagem de Mizuki:

“Bons sonhos.”

Estava tudo tão estranho, a minha avó já devia ter chegado há muito tempo. Fui até a cozinha procurar algo para comer. Peguei um pote de biscoitos, o qual deixei cair ao ver o corpo de minha avó estendido no chão. Lágrimas escorreram pelas minhas bochechas, corri sem saber aonde ir. As ruas estavam cheias, eu não sabia o que fazer. Parei subitamente, ao mesmo tempo em que um carro me atingiu.

Senti que estava sendo abraçada, era Mizuki. Estávamos em meu plano espiritual.

– Eu nunca teria raiva de você. – senti suas lágrimas rolarem e caírem sobre meu ombro.

– Então. O que foi tudo isso?

– Meu trabalho. Fiz o maior esforço para te puxar para a depressão. Fazer você se suicidar. Nessa sua vida você sofreu muito. Não via a hora de te ver aqui. – ela nos separou do abraço.

Mesmo morta, devo admitir que Mizuki me livrou de um incrível peso.

– Vamos, temos muito o que fazer.

Notas finais
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