Jogo Real - Você Contra Seus Amigos!
17 No passado...
Notas iniciais
Um ano atrás...
Eu estava apavorado... E faminto! Tinha recebido uma colt para uso governamental. Eu não entendia nada de arma, mas esse o nome que meu amigo Renato falou. Bem, eu me esqueci de me apresentar. Sou Betto, e estudo no 3°C... Pelo menos estudava, antes de cairmos neste jogo infernal, onde temos que matar uns aos outros.
Já estava com 18 horas de jogo, e só restavam dez de nós. Eu e Renato éramos dois deles. Um dos outros era Lucas, um cara que já matou nove pessoas. Os outros eu não sabia direito quem eram.
Enfim, aqui estou eu, tentando não ser morto por nenhum dos meus colegas de turma. Eu sei que não era muito querido. Por ser o único nerd da classe eu sofria bullying e tinha pouquíssimos amigos, mas eu gostava de estudar ali. Não sei como consegui sobreviver até aqui.
Então, eu e Renato escutando barulhos de tiros muito próximos. Estávamos dentro de uma cabana de palha. Olhamos por umas frestas e vemos Lucas matando impiedosamente Camila, uma das minhas amigas e em seguida pegando a sua submetralhadora. 10 pessoas mortas por um cara. Restam nove alunos.
É quando Lucas olha diretamente para meus olhos, como se me visse através das frestas. Imediatamente eu me afasto da parede. Renato não se move. Para minha sorte, eu tropeço em algo e caiu no chão, um segundo antes de Lucas apertar o gatilho e atirar com a submetralhadora. Renato é baleado em várias partes do corpo, e para meu desespero cai morto.
Era a hora de fugir. Rastejei pelo chão até a porta improvisada nos fundos e sai correndo ao passar por ela. Lucas me viu e atirou em minha direção. Felizmente eu corria rápido e consegui fugir sem ser atingido.
Estava desesperado. Agora era apenas eu contra outros sete alunos que provavelmente estavam se caçando.
Mais tarde, após os sons de tiros e explosões de granadas, o general deu mais um de seus recados. 19 horas de jogo e apenas cinco sobreviventes. Eu, Lucas, Yago, Bianca e Samuel. Yago e Bianca eram namorados e provavelmente estavam juntos. Ela sempre foi legal comigo. Ou seja, eles nunca me xingaram, mas também nunca trocaram mais que dez palavras comigo. Samuel era um dos garotos mais populares da escola. Artilheiro do time de futebol e desejado pelas garotas. Eu era alvo fácil.
Tinha que pensar em algo mais útil. Já tinha tentado de todas as formas destruir o colar. Já molhei, já eletrocutei (com isso só consegui passar três horas desmaiado), já tentei abri-lo. Nada dava certo. Então, tive uma ideia. Eu só precisava de algo que fizesse fogo.
Alguns minutos depois eu estava de frente a um espelho com um graveto queimando o colar. Aparentemente estava dando jeito, já que o colar começava a derreter. Fiquei esperançoso. O colar não saiu do meu pescoço, mas seus circuitos internos foram fundidos. Meu localizador apagou. Acho que eles me deram como morto.
Fiquei feliz por ter encontrado aquele posto de saúde. Não havia câmeras ali. E havia comida o suficiente para meses, quem sabe um ano.
***
De volta ao presente...
- Então essa é a minha história... – diz Betto ainda se tremendo no canto da parede – Estou aqui escondido há um ano...
- Caramba! – fala Alisson – Então há um jeito de escapar desse jogo...
- Não há não... – Betto fala, timidamente, porém, agora olhando nos olhos dos jovens – Você acha que eu escapei? Claro que não! Ainda estou nas mãos desses caras! Se eles me descobrirem vão me matar automaticamente!
- Mas pelo menos agora temos uma opção... – diz Kelly – Se fizermos o mesmo com nossos colares poderemos invadir a escola. Não vai ter como eles nos explodirem... Só teremos que desviar das balas...
- Ótimo plano! – concorda Alisson.
***
5 horas e 48 minutos de jogo...
- Acho que temos mais um problema... – diz um dos fiscais ao general.
- Eu não posso acreditar! – se irrita o general – Que tipo de problema desta vez?
- Os alunos de números 20 e 36, Alisson e Kelly, acabaram de perder os sinais. Acreditamos que estão mortos, mas não houve combate. E se houve foi entre os dois. Só que eles estavam no interior do posto de saúde... Onde não há câmeras...
- Poxa vida! – exclama o general – Quanta incompetência numa só edição. Dê um jeito nisso! Nem que para isso você tenha que ir até o posto com uma câmera de mão.
- Sim senhor! – aceita o homem, submisso.
***
Kelly e Alisson já haviam conferido que não estavam mais o jogo. Seus colares estavam totalmente danificados. Felizes eles se abraçam.
- Obrigado Betto! – diz Kelly oferendo um abraço ao garoto.
- Não por isso... – fala Betto, sem se mover.
É quando Alisson vê de relance um movimento e de repente, um homem armado com uma espingarda e usando colete a prova de balas entra no posto. Em seu capacete havia uma câmera. Por um instante todos ficam imóveis. Mas então Betto corre até um balcão, pega uma faca grande e afiada e joga no homem.
Pego de surpresa, o homem é atingido no braço, mas como reação, atira no garoto. Baleado, Betto cai morto. Alisson e Kelly se desesperam e saem correndo. Mas, chegando à porta, Alisson decide abusar da sorte. Ele toma a arma de Kelly e aproveita o segundo de vantagem, atirando na nuca do homem. Este cai no chão, imóvel e sangrando.
- Eu... Matei... Um cara... – diz Alisson.
- É... – Kelly sorri e põe a mão em seu ombro – Você matou um cara...
***
- Seis horas de jogo! – fala o general pelos autofalantes – Tivemos uma pequena grande surpresa crianças... Nosso querido Leandro está vivo e de volta ao jogo. Na última hora recuperamos o ritmo. Foram cinco mortos: Mayara, Leninha, Joel, Alisson e Kelly. Restam apenas 13 alunos. Destes, cinco são meninas e oito são garotos. Temos atualmente duas meninas entre os três favoritos, orgulhoso de vocês Mônica e Taline. Os quadrantes proibidos são A-1 e D-2. Continuem neste ritmo, seus sortudos. Estamos prestes a bater um recorde histórico!
15 alunos vivos... 13 oficialmente no jogo...
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