Notas iniciais
Obrigado pelos reviews!!!!!! Sério, vocês me deixaram muito gay aqui *-*
Conheçam um pouquinho do lado do Uruha agora.
Sema mais delongas, divirtam-se.

Saí da sala da PSC suspirando. Todos os dias eram praticamente a mesma coisa: ensaio, brincadeiras e provocações por parte de Aoi. De verdade? Não sei como ele não se cansa. Isso é tão patético, tão infantil! Nem parece que ele é o mais velho da banda. E ainda tem a cara — de — pau de dizer que o irresponsável sou eu.


Entrei no meu carro e repousei a cabeça no volante. Eu não estava cansado apenas fisicamente, mas emocionalmente também. Aquela rotina maçante estava me matando, além dos chiliques de Aoi, é claro.


Eu ainda não entendia qual era a graça de ficar me provocando o tempo todo. Há três anos atrás, quando nós brigamos e ele fez questão de me chamar de doente, anormal e irresponsável, eu entendi claramente que não era pra nos falarmos nunca mais. Então por quê ele não cumpre a própria exigência? Por que tanta insistência pra cima de mim? Isso já está ficando chato, e eu já estou quase mandando minha paciência às favas! O que ele quer? Que eu perca o controle? Pois devo dizer que falta muito pouco pra isso acontecer.


Por sorte meu apartamento não era longe, e como quase não havia trânsito logo eu estava largado no meu sofá, com um balde de pipoca em mãos e uma calça de moletom velha, tudo que eu mais queria depois de um dia tão complicado.


A melodia de Cassis preencheu o ambiente e eu nem ao menos olhei no visor pra atender.


–Oi Taka.


–Já está em casa?


–Sim.


–Estaremos aí em dez minutos. Tem sakê?


–Claro.


–Ótimo! Até daqui a pouco — e desligou.


Não pude evitar sorrir. Por isso eu gosto tanto desse pequeno, ele é sempre direto.


Quando os dois resolveram se assumir foi algo até... cômico. Ruki convocou a banda para uma reunião e disse: " Eu e Reita estamos namorando. Decidimos contar pra vocês porque a GazettE é nossa segunda família, mas quem estiver incomodado que se mude."


Simples, prático, rápido e indolor. Isso foi há uns quatro anos atrás, e desde então eles estão juntos.


A campainha soou e eu me levantei pra atender. Segundos depois Ruki e Reita entravam em meu apartamento, carregados de sacolas.


–Oh! Será que hoje eu terei comida decente no jantar? — brinquei.


–Hai. Eu vou cozinhar — disse Taka já indo pra cozinha.


Ergui uma sobrancelha.


–É alguma data especial e eu simplesmente esqueci?


Eu sabia muito bem que Ruki só cozinhava em duas ocasiões: ou em datas especiais, ou quando ele estava irritado.


–Não. Ele está estressado — sussurrou Reita.


Bingo!


–Com o quê?


–A questão não é o "quê", é "quem".


–E quem é a pobre alma? — perguntei em voz alta pra que o pequeno ouvisse.


–Yuu! — ele rosnou.


Me aproximei dele e o segurei pelos ombros.


–Ei, o que foi que ele te fez?


Um suspiro irritado escapou de seus lábios.


–A questão é o que ele te fez, Pon. O que ele disse hoje de manhã foi horrível! Eu só não me intrometi porque o Reita não deixou. E por que você não revidou seu tapado?!


Busquei os olhos de Akira, pedindo apoio, mas ele apenas rolou os olhos.


–Ru-chan, eu e o Yuu somos homens adultos e vacinados, não vejo sentido nenhum pra tanta preocupação.


Seus olhos faíscaram de raiva.


–Uruha, você não revida nada do que ele diz! Parece que gosta de ser pisado. Mande ele se fuder, arranjar alguém pra comer e te deixar em paz! Juro, se da próxima vez você não fizer isso, quem vai fazer sou eu.


–Chibi, você está fazendo tempestade em copo d'água. A resposta do Uru foi muito boa, e ele não é nenhuma criançinha indefesa — Reita finalmente se pronunciou.


Ruki cruzou os braços e fez bico, o que lhe deu um ar muito adorável.


Segurei seu rosto firmemente entre as mãos.


–Taka, você sabe que eu odeio me expor, não sabe?


Ele fez um gesto afirmativo.


–Então pronto! Se eu tiver que discutir com o Yuu será em particular, longe dos olhos e ouvidos curiosos, e de preferência em um tom de voz baixo. Eu não sou impulsivo como você, Ruki. Prefiro esperar o momento certo pra fazer as coisas, odeio me precipitar.


–Kou, vocês já estão nesse lenga-lenga há mais de três anos!!!!! Por Kami! Você é um ser humano, não um monge!


–A não ser que você sinta algo por ele...


Me virei para Reita e fiquei encarando-o durante algum tempo, tentando decifrar seu olhar.


Sorri.


–Olha, o Aoi é bonito, não nego. Ele tem lábios tentadores, um corpo legal e um rebolado maravilhoso, mas... Sentimento? Eu não nutro nenhum.


–Sério? Nem raiva? — questionou Ruki.


–Nem raiva, nem ódio, nem desprezo, nem amor... Nada.


–Só atração, não é?


Foi a minha vez de rolar os olhos.


–Sim, Reita. Só atração.


–Mas não é sentimento do mesmo jeito? — Ruki parecia confuso.


–Não, chibi. Atração é só físico. Toques, beijos, sexo... Coisa de pele, sabe? — expliquei.


–Acho que sim... Isso quer dizer que você transaria com ele? — seus olhos estavam arregalados.


–Claro! Ele parece ser muito bom de cama.


Silêncio.


Segundos depois todos estávamos gargalhando.


Nosso jantar foi tranquilo. Comemos um delicioso yakisoba, tomamos uma garrafa inteira de sakê e colocamos as conversas em dia, tudo que eu precisava.


Quando eles foram embora já passava da uma da manhã. Eu estava acabado! Só queria tomar um banho e cair na cama, afinal, o dia seria longo.



U&A



Acordei demasiado cedo por conta de uma dor de cabeça maldita, até abrir os olhos estava difícil. Oh meu Kami! Por que eu inventei de beber ontem?


Tomei uma ducha rápida pra relaxar e em seguida engoli um analgésico, minha cabeça estava explodindo!


Quase uma hora depois simplesmente desisti de ficar em casa. Peguei a chave do carro, tranquei a porta e saí.


Cheguei à PSC vinte minutos depois, e como eu esperava, fui o primeiro.

Aproveitei pra ficar tocando minha guitarra, sem nenhuma melodia específica, só por prazer.


A porta se abriu e por ela entrou Aoi.


–Ah, você está sozinho. Ótimo.


Puta que pariu! Ele vai começar logo cedo hoje.


–Algum problema, Aoi?


–Todos, Takashima! Me diz, o que você tem na cabeça?


Ok. Lá vamos nós de novo.


Suspirei.


–Belos cabelos loiros. Por quê?


Seu rosto tomou uma coloração avermelhada.


–Você se acha demais, Uruha!


–Jura que você quer brigar a essa hora da manhã? Que tal nós irmos direto ao ponto?


–Certo — ele jogou o pendrive sobre meu colo. -Não me pergunte a merda que você fez, mas eu não consigo achar nada que combine com isso.


Ergui uma sobrancelha e cruzei as pernas.


–O incompetente é você e a culpa é minha? Ah! Me poupe, Shiroyama.


–Cala a boca! Você é um...


–Um o quê? Doente? Anormal? Irresponsável? Sério, esse papo já cansou. Vira o disco ok?


Ele meneou a cabeça.


–Você é tão... Prepotente — a palavra foi pronunciada com desprezo.


Dei de ombros.


–Pense o que quiser! Agora, por favor, seja homem e assuma que você simplesmente não consegue dar continuidade à música, não ouse me culpar.


Antes que ele pudesse responder a porta se abriu mais uma vez e nossos amigos entraram.


–Ohayo! — exclamou Ruki, animado.


–Só se for pra você — resmungou Aoi.


–Como vocês estão indo com a música? — perguntou Kai.


Perigo! Kai sem dar bom dia? Sem sorrisos animadores? Só uma palavra: fodeu.


Entreguei o pendrive em suas mãos.


–Veja você mesmo.


Ele saiu da sala sem dizer nada.


–Se preparem para levar uma bronca daquelas — avisou Reita.


Ficamos todos em silêncio depois disso, não havia nada a ser dito.


Kai voltou quinze minutos depois, com uma expressão séria.


–Akira, Takanori, vocês podem nos dar licença?


Os primeiros nomes? Putz, é sério.


O chibi abriu a boca para protestar, mas Reita o impediu.


–Claro.


Logo só restávamos nós três.


–Sentem-se. A conversa é séria.


E pelo seu tom de voz eu percebi: nós estávamos encrencados.









Notas finais
Aew!!!!! Prazo cumprido à risca.
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*