Eu não queria ter acordado naquele dia. Não que eu me arrependa. Mas talvez se eu não tivesse ignorado as inúmeras tentativas do meu cérebro de me manter dormindo, tudo teria um final diferente.

Aquela noite não deveria ser lembrada como a melhor noite de todas. Na verdade eu devo ter acordado umas 5 vezes tentando, sem sucesso, descobrir o porquê de eu ter acordado.

O relógio marcava 7 horas em ponto. Não que eu soubesse se era da noite ou de dia – os dígitos de AM e PM estavam apagados faziam meses. Mas também não é como se fizesse diferença. Eu estava naquela rotina de acordar, levantar, comer cereais, dar uma volta, voltar e dormir. Na verdade era bem divertido já que todo mundo trabalhava e estava bem estressado com uma coisa ou outra.

No entanto, aquele dia. Aquele dia nublado de novembro, deveria ter me convencido de ficar deitado. Mas eu não o fiz. Levantei, arrumei minhas coisas e fui para o parque do lado da minha casa ver se conseguia alguma inspiração.

“Arthur, você tem seis meses” ela disse, “Eu não posso segurar seu contrato mais do que isso”. Aquela velha loira não parava de falar na minha cabeça. Nos primeiros dois meses, ela me ligava o tempo todo pra saber se eu tinha feito algum progresso e quando eu respondia ela gritava tão alto que até o gato que miava no fundo da ligação ficava assustado e quieto durante todos os 10 segundos finais. Isso porque ela não se despedia, sempre desligava na minha cara. Mal-educada.

Eu era um escritor beirando a meia-idade que vivia em uma cidade do interior chamada Lexington. Lexington não fez muita coisa na vida, ele era mais vagabundo que eu, mas salvou uma índia na época da expansão dos EUA. Eu sei um pouco sobre essa história mas ninguém por aqui gosta de contar porque não justifica o nome da cidade ser esse. A propósito, isso nem aconteceu aqui, mas parece que Lexington soa bem melhor do que Arthur como nome de cidade. Apenas mais um estereótipo.

Esse cara, tinha uma estátua no parque onde seu nome estava escrito bem errado. Lia-se “Lexinogton” na placa descritiva. Isso era bem cômico, me espanta não terem tornado aquilo um ponto túristico ou cobrarem pra tirar fotos. Eu gostava daquilo ser só mais um easter egg da cidade, já que era ali que eu sentava para tentar escrever alguma coisa. Lexinogton sempre me animava quando eu apagava todos os péssimos 3 ou 4 parágrafos que eu escrevia.

Em novembro, já haviam passados 4 meses sem nenhum progresso. Eu estava cansado de se frustrar. Eu precisava de inspiração, eu precisava de uma história. Foi quando, naquele mesmo dia de novembro eu iria conhecer o meu melhor amigo e inspiração pra um livro inteiro: Joey Lexington.

Notas finais
easter eggs: informações escondidas; referências ocultas
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.