Joanna Flores em... Incógnitas
1 Capítilo 1 - Incógnitas
Ela estava num lugar calmo, onde o ar cheirava a grama recém-cortada, pássaros de diversas cores iam e vinham de arvores, o grande lago a sua frente formava pequenas e infinitas ondinhas conforme o vento. Ela vestia um vestido de flores e estava descalça, apertando e soltando as graminhas com seus dedos dos pés. Quando seus olhos piscavam, soava como um movimento planejado, e prestava atenção a qualquer movimento a aquele lugar imóvel.
Estava mergulhada em seus pensamentos que se opunham a sua realidade, estava amando aquele momento a sós consigo mesma, lembrava como era bom estar com suas amigas, lembrava como era bom o gosto das laranjas do pomar de sua avó e lembrava de todas aquelas coisas que a fazia tão bem.
Como poderia ser feliz agora? Depois de tantas decepções em sua vida, depois de tantos tropeços e perdas. Ela queria fazer algo para mudar a sua situação, e não queria ser uma garota deprimida pelo resto de sua vida. Ela apenas queria amar as coisas como amava antigamente, numa realidade em que todos os seus sonhos eram possíveis e que nada era um grande problema.
Ela soube que amar não é tão bom assim como falam, ela soube como é ruim estar em movimento numa cena paralisada onde ninguém a via. Ela sentiu na pele como é atravessar um dia como um simples dia de sua vida. Ela queria muito mais que isso, ela queria viver todos os dias como uma simples garota que nasceu apenas para viver a vida como as flores, que nascem e aproveitam o sol como se ele não fosse nascer amanhã.
Ela queria amar, mas agora... Ela apenas quer ser amada. Amor para ela significava felicidade, e mal ela sabia que a felicidade não depende apenas desse sentimento. Seus sofrimentos interiores não seriam tão profundos se ela soubesse refletir os outros sentimentos e palavras.
Como referir-se ao sentimento que machuca o coração e ao mesmo tempo o fortalece? Quando não sabemos se amamos alguém ou não nos importamos? Na verdade o que é realmente o amor? É um extremo que sentimos que faz bem e faz mal ao mesmo tempo, mas ela nem ao menos sabia se conseguia sentir isso.
Tão jovem e tão nostálgica. Ela se sentia ignorante para com as pessoas e pegou o habito de ver defeito nelas. Antes, via apenas virtudes e isso a fazia feliz. E agora naquele bosque vazio, ela também se sentia vazia e comparava-se a brisa fria que passava por seus cabelos. E concluiu que a vida é uma incógnita, e que as melhores coisas da vida não se nomeiam e sim, apenas se vive.
Fale com o autor