João e Maria
18 Na próxima vez
'Karina, pelo amor de Deus, era um show do seu namorado! Era o evento de vocês! O que você queria que eu fizesse mais? Só fui nessa droga de viagem pra te ajudar!'
'Me ajudar? A Bianca, me erra! Eu não precisava de ajuda, você só foi pra liberar o seu Gael!'
'Foi mesmo e fez muito bem, viu filha?' Gael piscou para Bianca que sorriu de volta fazendo um sinal de positive.
'Que saco! É sempre assim, vocês dois o supertime. Tudo o que a Bianquinha faz é ótimo, e eu só… Droga!'
'Ka… Não é verdade…'
'Ah, não?! Você pode namorar quando quiser, sair pra onde você quiser, até dormir na casa do Duca você pode!' Gael interferiu.
'Era uma situação especial!'
'Que seja, quem é a prisioneira medieval aqui sou eu! E o mínimo que você podia fazer era me ajudar por um fim de semana! Me deixar ter um tempo com o Pedro por um dia só mas nãão… Porque tem que ser tudo do jeito que a Bianquinha quer.' Karina esticava as mãos em tom de deboche ao pronunciar o nome da irmã.
'Ai, Karina, deixa de ser criança! Para de fazer birra!'
'Birra?! Para você de querer ser minha mãe!'
'Parem as duas! Que saco! Não agüento mais!' Gael saiu em direção a cozinha a fim de preparer algo para comer. Karina, tentando instigar o pai a lutar ao seu lado, seguiu.
'Aposto que você vai adorar saber que a Bianca ficou dando patada no filho da sua namorada o tempo todo!'
'Aquele moleque é insuportável, não conhece limites!'
'Só porque ele é apaixonado por você! Deixa ele, é fofo!'
Gael e Bianca responderam ao mesmo tempo.
'Ele é o que?'
'Fofo porque não é com você!'
'CHEGA! Chega que eu já to sabendo de detalhe demais que eu não quero saber – e eu não aguento mais ouvir vocês brigando!'
'Mas ela--'
'Sem mais, Karina, as duas pro quarto, agora! Ah, e dona Bianca, trate de se dar bem com o Esquisito porque eu não quero saber de ter problema com a Dandara por causa de vocês.'
'Pra começar vocês podiam parar de chamar o João assim, né? Ele não é lá muito normal, mas ele é tranquilo'
'Se ele é tranquilo porque você ficava empurrando ele pra cima de mim e do Duca?'
'Droga! Já mandei parar com esse assunto!'
Gael seguiu para seu quarto e fechou a porta atrás de si, ainda em tempo de ouvir Karina seguir com a discussão.
'Porque eu queria passar o fim de semana com o meu namorado e não com o melhor amigo dele! Você podia ter aberto mão de dois dias por mim, dois dias!'
Dois dias… Ele não podia acreditar que tivera apenas dois dias com Dandara. A paz e a realização que sentiram estenderam a duração daquele período e ele só conseguia pensar na próxima vez que a veria.
**
'Então elas também não te contaram o que exatamente aconteceu?'
'Confesso que ouvi mais do que queria e mandei as duas pro quarto sem mais explicações'
Dandara riu e passou uma mão na perna dele, apoiando seu corpo no dele. Era meio dia e eles estavam almoçando juntos no Perfeitão.
'Amor, daqui a pouco elas não vão mais poder ser trancadas no quarto... Você quer que eu converse com elas?'
'Não acho que você vai querer ouvir o assunto... O João falou alguma coisa?'
'Mais ou menos... Não sei exatamente o que aconteceu, porque você sabe que o João brinca, faz piada... Como se não estivesse magoado... Mas sei que ele tá mexido. Também tem eu e você, né?'
'Como ele tá lidando com isso?'
'Ah, Édipo aparece de vez em quando mas a gente tá resolvendo com risada… Domingo, quando ele percebeu que a gente tinha tomado banho junto, você tinha dormido lá, ficou cheio de dedos dizendo que eu tava com o seu cheiro—'
'Oba... Quero meu cheiro em você sempre' Ela revirou os olhos enquanto ele repousava a mão no joelho dela, acariciando.
'Mas eu não tava, imagina, Gael, a gente tomou banho! Mas enfim, a gente riu, eu agarrei ele…' A feição divertida de Dandara se tornou preocupada. 'Mas eu não sei, sinto que tem mais sabe? Não é só isso.'
'Porque você não fala com a analista dele? Ele parece que escuta o que ela fala. Vai lá, fala que você ta preocupada...'
'Sabia que eu pensei nisso? Mas não sei se eu posso, não sei qual é a etiqueta nessas ocasiões…'
'Eu acho que não existe etiqueta quando o assunto é preocupação com os nossos filhos.'
'Ah, eu sei bem disso!’ Ela riu, implicando. 'E as meninas também!' Gael cede e ri com ela. 'Mas acho que você está certo. Vou dar uma palavrinha com ela... O João tem consulta hoje... Quando eu for buscá-lo eu peço para conversar com ela…'
'Que horas é a consulta? Quer pegar um cineminha antes comigo? Posso te dar carona depois.'
'Acho ótimo!' Ela deu um estalinho demorado nele. 'Você quer assistir alguma coisa especial?'
'Pensei em exercitar meu lado fofo e deixar você escolher.' Ele zombou. Ela deu de ombros e abriu um enorme sorriso que fazia o coração de Gael saltar.
'Eu não vou ver o filme mesmo...'
'É por isso que eu te amo, morena.' Ele passou uma mão no cabelo dela e trouxe-a para perto dele em um beijo. Ele a distraia pois havia deixado escaper seu sentiment da pior forma possível. Ele forçou um riso nervoso, 'quem sabe ela pensaria que era brincadeira?'. Ela percebera, e embora sentisse a vontade de responder, ficou insegura sobre o tom de brincadeira. Quem sabe ela falaria demais? Insegura, decidiu sorrir e seguiram o assunto.
Eles terminaram o almoço e cada um seguiu para dar suas aulas. No horário combinado, após a última aula de Dandara, Gael deixou sua academia com Duca e encontrou a morena no fim da escada da escola de artes.
Como num encontro romantic, eles foram juntos para o cinema. Qual filme eles viram, nenhum dos dois sabia dizer. Como previra Dandara, após passarem dias juntos, eles mal podiam esperar para estarem sozinhos novamente e aproveitaram como podiam. Ainda no carro, em frente ao consultório da analista de João, eles trocavam beijos carinhosos e Dandara sentava apoiada ao peito de Gael.
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'Argh! Precisa jogar na minha cara que se atrasou fazendo sabe-se-lá-o-que com o lutador?'
'Bom dia pra você também, João' disse Gael, ainda segurando a cintura da morena.
'Sei que vocês da luta não tem muita percepção de coisas simples como o tempo, mas já é boa noite'
'João, quer voltar pra dentro da sala da analise ? Eu pago. Quer ou vai parar de gracinha?'
'Vixi, o que aconteceu com você, dona Dandara? Ele não…'
'João, parou!' respondeu Dandara enquanto se encaminhava em direção a secretária na sala de espera.
'Pra seu conhecimento, eu posso satisfazer a sua mãe como ninguém. Isso não é uma questão.'
'Argh, não me traumatiza! Sem detalhes, por favor!'
'A Dra. Olga já vem,' Dandara voltou-se para o filho. 'A secretária disse que ela está terminando o seu relatório... Ela deve ter muito o que escrever, do jeito que vc está inspirado hoje...'
João fez um biquinho de beijo para a mãe e ela baguncou o cabelo dele, divertida.
'Quer que eu leve o João e volte pra te buscar?' Ofereceu Gael.
'Pra depois você fazer um desvio?' João respondeu prontamente. 'Na na ni na não, eu espero aqui!' O menino cruzou os braços e sentou-se na poltrona da sala de espera. Dandara riu-se e sentou no braço da poltrona, abraçando o menino.
'Vou só trocar o carro de lugar e já volto.' Ele acenou para a morena e saiu.
'Mãe, o que você quer com a minha analista? Sinto te informar que me fazer ficar aqui fazendo social com o lutador vão te custar mais algumas sessões...'
'Ai, como gosta de implicar!' Ela beijou a bochecha dele. 'Pode ficar tranquilo que eu só quero tirar umas duvidas... Você é o ultimo horário dela?'
'Acho que sim... Ela já ta saindo' ele apontou e Dandara jogou o corpo pra trás para ver melhor. Saindo da sala com algumas folhas e encaminhando-se para a secretária estava uma mulher de curvas acentuadas, cabelos negros e óculos que exaltavam sua sexualidade.
'Aquela é a Dra. Olga?'
'Uhum'
Dandara deu um leve pescotapa no menino.
'Agora eu sei porque você gosta tanto de vir aqui.'
A medica reparou nos dois na sala de espera e apertou os olhos, curiosa com a presença dele.
'Ué, João,' Ela disse, se aproximando 'Ainda aqui?'
'É... Boa noite, dra. Olga,' Dandara se levantou sem graça 'Eu sou a Dandara, mãe do João, prazer.' e estendeu a mão para a psicanalista, que a cumprimentou, firmemente.
'Muito prazer, Olga.'
'Eu gostaria de dar uma palavrinha com você, sobre o João... Na verdade,' Ela soltou um risonho, nervosa 'não sei se é o procedimento correto, mas eu estou preocupada--' Dandara franziu a testa, reparando que Olga não estava prestando atenção.
'É... Dandara, né? Podemos nos falar sim, claro,--'
'Eu só queria tirar umas dúvidas, converser um pouco…' A doutora ainda não a encarava. Virando-se para acompanhar o olhar da psicanalista, Dandara avistou Gael entrando no consultório e seu coração deu um salto. Uma sensação de perigo tomava conta do corpo da morena. Gael encontrou seu olhar e sorriu. Ao sorrir de volta, Dandara só conseguia pensar na declaração espontanea dele no almoço, e em como ela deveria ter dito 'eu te amo' de volta.
'Dandara, me desculpe. Eu preciso dar uma palavrinha com uma pessoa e já volto para conversarmos, pode ser?'
Sem reagir, Dandara fez que sim com a cabeça, ainda olhando Gael. O olhar dos dois foi interrompido pela psicanalista que chamou a atenção do lutador.
'Gael?' Olhando de Dandara para a doutora, Gael se surpreendeu.
'Olga?!'
'Pensei que nunca mais fosse te encontrar!'
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