Notas iniciais
Queria pedir desculpas pela demora! Essa semana foi corrida mas queria agradecer também a vocês que acompanham, leem, comentam e me fazem querer escrever mais e mais rápido! Descobri que tem mais gente acompanhando a fic do que eu imaginava!!! Fiquei tão feliz! Saber que vocês estão lendo e estão gostando é a melhor parte, muito muito obrigada! E se tiverem sugestões, só falar!! :)))

'Olga...'

Surpreso, Gael repetia o nome da psicanalista e olhava-a de cima a baixo, sem acreditar no que via. Olga notou o olhar do lutador.

'Mudei, né?' Ela sorriu, simpática, colocando o cabelo atrás da orelha 'Desisti do Muay Thai e fui pra yoga...' Ela mostrou o braço, fazendo graça. Gael riu-se de leve, enquanto passava uma mão no pescoço.

'Eu sou suspeito para falar de Muay Thai mas... A yoga te fez bem.'

Eles trocavam sorrisos enquanto de longe, Dandara observava acompanhada por João.

'O que é aquilo?' João apontou os dois e Dandara abaixou o dedo do menino desviando o olhar.

'Eu não sei, meu filho.'

Ela sentia como se algo estivesse pressionando em seu peito.

'Eles se conhecem?' João questionou.

'Parece que sim, né?' Ela reparava que Olga tocava o antebraço do lutador.

'Ah, eu não vou ficar aqui esperando. To indo lá ver!' Possuído por um instinto protetor, João pulou da cadeira mas Dandara segurou-o pela camisa.

'Você não vai a lugar nenhum...' Ela também se levantou. 'Quem vai sou eu.'

Empurrando o ombro do menino, fazendo-o sentar-se novamente e respirando fundo, seguiu em direção a Olga e Gael. O lutador reparou a professora se aproximando e voltou a dirigir-se a Olga, sem saber o que dizer.

'É... Olga....'

'Você pode repetir mais uma vez e vai continuar sendo meu nome.' Ela sorriu para ele, abaixando os óculos. 'Gael Duarte... Há quanto tempo eu não pensava em você...'

'Faz tempo mesmo, né? Você... Você trabalha aqui?'

'É, na verdade esse é só um dos consultórios onde eu atendo... Você não veio para uma consulta, né? Eu adoraria conversar com você,' ele reparou que ela enfatizou o verbo 'mas de preferência fora do escritório... Aqui acho que seria um pouco antiético, né?' Olga tomou um passo a frente na direção de Gael, esticando a mão para tocá-lo e esbarrou em Dandara, que se aproximava passando um braço pela cintura dele. Instintivamente, Gael segurou-a também e Olga reparou na troca.

'Tudo bem, meu amor?' Perguntou Dandara.

'Tudo sim,' o lutador assentiu. 'Vocês se conhecem? Essa é a Olga, ela... Ela é uma amiga antiga.'

O sorriso de Olga falhou.

'Nos conhecemos sim, você é a mãe do João, certo?'

'Dandara.' Completou a professora de canto sem estender a mão. 'Nos apresentamos ainda há pouco.'

Ignorando Dandara, a psicanalista se dirigiu a Gael.

'Eu achei que você tivesse parado nas meninas!'

Gael deixou escapar um riso nervoso.

'Parei! O esquisito não--'

'Lógico, que cabeça a minha! O pai do João é ator! Nessa história o lutador é...' Ela parecia desapontada. 'O lutador é o namorado da mãe. Gael assentiu e Olga deu um muxoxo. O queixo de Dandara caiu de leve mas a psicanalista não percebeu. 'Me desculpe, Dandara, eu sei que você queria falar comigo mas eu não via o Gael há muito tempo, não podia deixa-lo ir novamente.'

Dandara franziu a testa se perguntando se entendeu corretamente.

'Você queria falar comigo, certo?'

Já não quero mais. Pensou Dandara, mas concordou, a fim de tirar a psicanalista dali.

'Queria sim, podemos dar uma palavrinha?' e indicou a sala.

'Lógico, vamos lá na minha sala.' Virando-se para Gael, 'Você já está indo?'

'Não.' Ele respondeu ao mesmo tempo que Dandara. 'Ele vai me esperar, não é, meu amor?'

'Sempre.'

Sacudindo a cabeça, Gael se sentou ao lado de João enquanto Dandara e Olga entravam no consultório.

'A sua psicanalista é a Olga? Esse mundo é muito pequeno mesmo.'

'Mas é Cruel mesmo, hein? Você que é sempre tão direto quer brincar de enigmas agora. Fala aê, o que é que foi isso entre você e a minha analista?'

'Não foi nada, esquisito. A gente se conhecia há dez anos atrás, eu ainda lutava e ela nem sonhava com o infeliz destino de te analisar.'

'E vocês eram amigos? Sei... Olha só, eu liberei a mãe mas a minha analista tá fora de cogitação, tá ouvindo?'

'Ai, meu saco!'

'Tu já fez minha mãe sofrer uma vez, não vai ter outra.'

'Esquisito, eu amo a sua mãe. Não quero saber de mulher nenhuma. Não import o que aconteceu no passado, o meu futuro é só dela.'

'Acho bom. Eu tenho amor à vida e minha analista é grande parte disso. Ele abaixou a cabeça. Isso vai dar merda. Gael franziu a testa para João e o menino retribuiu com um olhar de desprezo. 'Quer que eu fale o que? Vai dar bosta?'

Gael levou uma mão a cabeça e eles esperaram sem falar mais nada por cerca de cinco minutos antes da porta da sala se abrir. Agradecendo a doutora Olga, Dandara, segurou o braço de João e avisou Gael que iam esperar no carro. Gael assentiu e virou-se para se despedir de Olga.

'Gael, posso falar com você um minutinho?' Ela interrompeu. 'Eu realmente não esperava te encontrar, faz tanto tempo... Você está diferente...'

'Diferente?'

'É, mas não precisa se preocupar, é um diferente ótimo.'

Ele ficou sem graça e Olga mudou de assunto.

'Como estão as meninas?'

'As meninas?'

'Elas eram bebês da última vez que eu as vi... Bianca, não é?'

'E Karina.'

'Isso! Elas já estão na faculdade?'

'A Bianca passou pra administração no segundo semestre, mas está me enrolando porque quer ser atriz, igual a mãe.'

'Jura?' Olga demonstrava sincero interesse. 'E ela é boa?'

'Infelizmente sim. A melhor. Já a Karina... Puxou a mim, né? Quer ser lutadora profissional! Eu fico em dúvida do que é pior...'

Olga ri, jogando o cabelo para o lado e Gael retribui o olhar nostálgico da psicanalista.

'A Bianca está na Ribalta?' Gael assente. 'Eu gostaria de vê-la atuando! Tenho curiosidade de ver a filha da Ana seguindo pelo mesmo caminho... Você deve ter feito um ótimo trabalho, Gael...' Olga tocou novamente o antebraço do lutador e ele reparou que ela o olhava de forma sugestiva. Retirou o braço, disfarçando e lançou um olhar ao local onde estacionara o carro. Deveria voltar para Dandara.

'Estou vendo que você precisa ir, claro, mas não quer tomar um café comigo? Colocar a conversa em dia?' Ela pegou um cartão e entregou a ele. 'Me liga.'

Eles se despediam enquanto de dentro do carro, Dandara se concentrava em escolher uma rádio e não olhar a conversa do lutador.

'Olga atira e o lutador recua. Traaaaave.' João seguia narrando o que acontecia como uma partida de futebol. Dandara respondeu aumentando o volume e o menino olhou-a com preocupação.

'Ele já tá vindo.'

Dandara deu de ombros e João pulou para o banco de trás enquanto Gael abria a porta do motorista. Durante todo o caminho até a casa de Dandara, a morena permaneceu dando respostas curtas às perguntas de Gael. João questionou-o sobre seu relacionamento com Olga e assegurou-o de que não tinha nada com a psicanalista. Gael tentou falar sobre o filme, mas Dandara não estava para papo.

'João, posso falar a sós com a sua mãe por favor?' Gael estacionara em frente ao prédio da morena.

'Dona Dandara, a senhora quer conversar com o lutador?' Dandara olhou pra baixo e riu, de leve.

'Filho, sobe rapidinho, pode ser? Eu já vou.' Ela olhou pra ele e o menino assentiu. Descendo do carro, ele aproveitou para fazer o sinal de 'to de olho' para Gael.

'Morena...' Ele tirou o cinto e se aproximou de Dandara. 'Porque você está assim, aconteceu alguma coisa?'

'Aconteceu alguma coisa? Não sei, Gael.'

Ele respirou fundo.

'Eu não devia ter ido com você.'

'Amor, imagina! Não tem nada a ver com isso... É só muita coisa pra assimilar, você e a analista do meu filho...'

'O que eu falei pro esquisito é verdade, eu nunca tive nada com a Olga. E isso já faz tempo! Ela era estudante de psicologia, estagiou na liga mais ou menos na época que eu deixei de lutar e resolveu me seguir mais de perto, ela fez um estudo sobre minhas motivações.'

'Ela tinha as dela para te seguir de perto, né?'

Gael seguiu.

'Ela e a Ana ficaram amigas,' Dandara encarou-o, a testa franzida 'Nada aconteceu, meu amor. Depois que a Ana morreu eu tinha um bebê recém nascido e a Bianca ainda pequena pra criar... Eu precisei de toda a ajuda que eu podia ter... Ela ficou por perto por um tempo até... Enfim, a gente perdeu contato.'

'Ela me pareceu muito feliz em reatar o contato com você'

'Ela está curiosa, é normal, interessada nas meninas... Em como elas estão agora.'

'Ou no pai delas, né?' Dandara se virou para o lutador, gentil. 'Você é um cara difícil de esquecer, Gael... Eu que o diga.' Ela deu um suspiro. 'Não sei o que está havendo porque eu não costumo ser uma mulher ciumenta mas... Ela é analista do João! Eu não sei se isso vai funcionar mais e ela ajudou tanto ele...'

'Se você tirar o João da análise por minha causa, ele nunca vai me perdoar e eu perco todas as minhas chances com você.'

Dandara ri, concordando.

'Eu posso conversar com ela.' Ele ofereceu.

'Não! Ela fala num impulso. 'Quer dizer, não precisa...'

'O que não precisa é você se preocupar... Eu só tenho olhos pra uma morena... Posso te pedir uma coisa? Dorme lá em casa hoje...'

'Hoje não dá, amor, eu falei com a Olga, tenho muito pra conversar com o João. E ainda tenho que preparar a aula de amanhã!'

'Então sonha comigo.'

'Não precisa nem pedir...'

Tocando a nuca do lutador, Dandara o beijou suavemente e ele ainda sentia a textura dos lábios dela quando estacionava o carro em frente de casa. Pensando no reencontro com Olga e na preocupação de Dandara com João, ele retirou o cartão da psicanalista do bolso e encarou-o por um tempo. Será? Ele havia dito à Dandara que não faria nada, mas se o fato de eles conhecer Olga atrapalhasse a análise de João, sua relação com a mãe do menino também seria estremecida.

Ainda considerando, Gael pegou o celular e discou o número indicado no cartão. Ela atendeu no terceiro toque.

'Alô, Olga?'

'Gael? Que bom que você ligou!'

'Ainda podemos tomar um café?'