Jin, o Mago improvável

1 Capítulo 1 - Chuva Constante


Em um dia de chuva, em uma taverna normal, com pouco movimento. Senta-se em uma mesa no canto, uma hiena-marrom vestindo uma capa de chuva empoeirada, mal-humorado, ele vira a garrafa em sua mão em direção à sua boca e toma um gole do seu aguardente, fazendo uma careta. Uma loba-cinzenta, serviçal da taverna, se aproxima hesitantemente, um pouco intimidada pela aparência do freguês incomum.

–"Senhor...?"

Pergunta ela. A hiena ajeita a postura e limpa a garganta ao olhar para ela.

–"O senhor quer pedir alguma coisa?".

Ele, cético ao notar o tom preocupado da atendente, olha ao redor e percebe alguns pares de olhos o observando de relance pela taverna. Ele suspira e vira para a atendente e responde com um tom calmo.

–"quero o prato da casa, obrigado." A atendente fica sem piscar por um segundo, mas logo ela engole seco e segue seu rumo.

A hiena toma outro gole de sua garrafa quando a porta da taverna se abre e entram dois lobos negros ensopados. O ser de pelo malhado vira pro outro lado, e mostra a língua, pelo cheiro de couro e de pelo de cachorro molhado. Os lobos se sentam junto com outro lobo no outro lado da taverna e os três começam a conversar. O canino de capa empoeirada, desinteressada, logo que recebe a sua refeição, ele a termina e depois se dirige ao balcão da taverna com ausência de qualquer cautela, e acena para o atendente.

–"Ola, meu caro!" O lobo cinzento no balcão se vira para ele com uma expressão imóvel.

–"Quanto fica tudo e mais um quarto?" O atendente olha para baixo sem mover seu rosto, volta a olhar para o balcão e responde em voz baixa.

–"15 moedas".

–"O QUÊ!?!". Quando a hiena o respondeu, ele percebeu que metade da taverna se virou para encará-lo, incluindo um casal de raposas, um grupo de porcos e inclusive, a serviçal que havia parado de andar com uma bandeja em sua mão quase derruba as canecas dela. se vendo sem saída, ele paga as moedas, pega a chave de seu quarto e parte para seu dormitório, murmurando estressado em voz baixa.

–-

No meio da noite, com a taverna já sem serviço. Vendo a sua capa sobre uma mesa, ele fica inquieto na cama alugada, seu estresse e mau-humor não o permite dormir. No escuro, a hiena se senta e olha para a chuva atrás da pequena janela, que faz o chão de madeira perto dela ficar encharcado. Depois de encarar a janela por um momento, ele se levanta, se dirige para a janela e estica o braço para a chuva sem razão alguma, sentindo certo alívio ao sentir seu pelo sendo encharcado e o cheiro de chuva que vinha de fora. Depois de secar seu braço, ele se senta na cama, segurando sua capa. Sentindo sua mente se acalmar um pouco, à medida que ele encara sua capa, apalpando os detalhes de costura debaixo da sujeira dela. Minutos depois, ele a coloca de volta sobre a mesa do quarto e se vira na direção de sua cama. Logo em seguida a hiena escuta um grito abafado vindo de algum lugar no dormitório, atento, ele se vira para a suposta direção do grito, passam mais alguns segundos, e logo ele escuta de novo outro grito. Suspirando, o ser de pelo malhado agarra e veste sua capa e sai de seu quarto resmungando mal-humorado de novo. Ele sai andando pelo corredor dos dormitórios que é iluminada por poucas velas, murmurando em voz alta.

–"quem na porra vai escolher um bar empoeirado para fuder numa hora dessas? Puta que pariu!". Ele para de andar por um momento e escuta de novo o mesmo grito vindo de uma porta mais a sua frente. Dessa vez ele reconhece a voz sendo de um lobo macho. Ele vai até a origem do som que é atrás de uma porta no fim do corredor, ele se dirige até a porta, e levanta o punho para bater nela. E um último momento antes de bater ele se lembrou do que havia acabado de dizer antes, e pensou "...o grito de um macho...", ele recuou o punho um pouco, "...será que eu devo mesmo bater na porta...?", a hiena, ao mesmo tempo que sentiu uma vontade de rir subindo seu pulmão, pensou que seria indelicado até mesmo para qualquer hiena que fosse, se ele decidisse atrapalhar a "expedição" do possível casal dentro do quarto. Então ele decidiu cruzar os braços e esperar o próximo grito para poder intervir. Ele se encosta ao lado da porta com um enorme sorriso mostrando seus dentes, pendendo para uma risada. Ele suspira e tenta manter uma expressão séria no rosto, afinal, ele não queria boatos de uma hiena retardada, espiando o momento dos outros. Ele solta um suspiro e pouco depois, ele escuta de novo outro grito, percebendo dessa vez, que é um grito de medo. A sua vontade de rir cessou e ele imediatamente se vira para a porta, sério. E bate na porta.

–"EI!". De relance ele sentiu ter escutado o som de alguém amordaçado, e dá um chute na porta. E no meio da escuridão do quarto que ele invadiu, ele percebeu dois lobos negros, um deles com um punhal, e outro que estava terminando de amordaçar um terceiro lobo, cinzento, este já estando atado à parede, com uma mancha de sangue descendo de seu ombro e uma expressão de terror no rosto. O ser de capuz, se dando conta da situação, sacode os ombros, e dá um passo à frente para seus dois adversários. O que segurava o punhal aponta para o grande canino de ombros largos e grita.

–"Borrifa ele!!!" Logo, o outro estende o braço para frente e dispara da palma da mão uma lufada de fumaça verde em direção à o enorme ser de capuz, que estende seu braço para frente para se proteger. O lobo amordaçado, alheio ao que estava acontecendo, ficou espantado ao ver a enorme hiena ser engolfado na fumaça verde, que produzia um chiado em tudo que tocava. Os dois lobos negros deixam escapar seus sorrisos maléficos com a fumaça corrosiva ocupando a direção até a porta. O lobo atado começa a recuperar o fôlego e com o passar dos segundos vagarosos, ele começa a se ver novamente em perigo. O que segurava o punhal se vira com um sorriso estampado no rosto para o amordaçado e diz.

–"Ora, quem diria que iria acabar tão rápido..., mas ninguem disse que temos que parar por ai, não é?". E os dois lobos negros se viram de volta para o seu refém, ignorando a fumaça verde escapando para fora do quarto.

Notas finais
Não se acanhem! Tem críticas boas ou riuns? Por favor expressem elas, toda ajuda é bem-vinda!