Jim Kirk é melhor que Obi-Wan
1 Star Trek para corações partidos
Notas iniciais
Então cá estou.
Progenitora: Shun.
Eu: Oi.
Progenitora: Quer um relacionamento saudável?
Eu: Hm... Quero? Seria bom, acho.
Progenitora: Então namore uma alface! ahahah
Eu: Mãe!!!!! HAHAHAHAH ADOREI VOU ATÉ ANOTAR AQUI
Progenitora: hahah ok, piadas à parte, preciso que vc vá ao mercado e traga sua namorada saudável (hahaha), ovos e cenoura.
Eu: Ok.
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Izuki Shun, 17, está sentado no fundo do vagão no metrô e casualmente lê um livro de piadinhas matemáticas. Ele adora Matemática, principalmente o jeito que aquelas equações estranhas de um número e quinze letras conseguem dar um resultado tipo x=14. Era como se fosse... Matemágica! ("hahahaha — hmmm essa foi boa. Melhor anotar. Vou mostrar pra mamãe depois hehe").
O trem para na estação. Algumas pessoas entram, outras saem. Izuki ri sozinho da piadinha ("Professor de matemática não mija, faz π π") e anota mentalmente para contar essa para Suzume, uma das suas irmãs mais novas. Ela odeia Matemática, mas vai gostar dessa.
O aviso das portas soam e elas se fecham. O trem dá um tranco para frente e os ovos quase voam da sacola diretamente pro chão, mas Izuki é mais rápido. Largando o livro no banco vazio do lado, ele equilibra a sacola nos joelhos e empurra os ovos pra dentro. Ele ergue o olhar pra ver se ninguém tinha visto o quase-mico.
Todo mundo parece bem distraído com suas próprias coisas. Algumas pessoas ouvem música, uma desenha, outra lê um romance, tem um casal se abraçando. O olhar dele para nas duas pessoas sentadas no banco a sua frente. Um velhinho lendo jornal, um garoto olhando pela janela.
Espera.
O garoto vira a cabeça quase na mesma hora e encontra o olhar com o de Izuki. Os dois se encaram por sólidos 5 segundos.
—Eu te conheço. — Shun diz e franze o cenho. O outro garoto tomba a cabeça e semicerra os olhos — Ah, você é da Kaijou. Verdade. A gente jogou contra vocês semana passada.
—Ahhhh — o outro garoto ergue as sobrancelhas e sorri — Você é o garoto bonit-... D-Digo, o armador de Seirin. Izuki. — ele sorri de novo e aponta para si mesmo — Moriyama.
—Isso. Moriyama. Desculpe, esqueci seu nome — Izuki sorri e dá de ombros, pegando seu livro no banco do lado.
—Sem problemas. Tá lendo o quê?
—Piadinhas matemáticas.
—Jura? Conta uma.
Izuki folheia o livro rapidamente e para na página 32, décima linha.
—Você sabia que meu livro de Matemática cometeu suicídio? — Izuki ergue o olhar rapidamente e vê que Moriyama faz um bico enquanto pensa — Ele tinha muitos problemas.
Moriyama fecha os olhos lentamente e coloca a mão na testa, rindo baixinho de tão péssima que era a piada. Izuki ri alto e quase deixa cair a sacola de novo.
—Tá, essa não foi das piores. Vou ver se conto pro Kasamatsu... Hm, melhor não.
—Por quê?
—Ele não tem muita paciência com piadinhas.
—Ah, relaxa, ele não é o único. — Izuki lembra das várias vezes que Hyuga arremessara alguma coisa em sua direção por causa dos trocadilhos. Ele não tem senso de humor!
—Mas o que você está fazendo aqui? — Moriyama pergunta — Digo, se você estuda em Seirin, você tá meio longe da sua escola.
—Minha mãe pediu pra eu comprar umas coisas, mas ela gosta dessa loja específica que fica meio longe. Ela diz que as cenouras são melhores, sei lá.
—Entendi.
—E você? Você tá bem mais longe de casa do que eu.
—Eu vim visitar a Universidade de Tokyo e tal. — Moriyama abre o zíper de sua bolsa e puxa uns folhetos — Eu ainda estou decidindo onde vou tentar entrar.
—Qual curso? — Izuki dá uma olhada neles. A universidade parece bem grande.
—Economia.
—Legal. Eu queria Economia, mas acho que vou prestar Ciências ou Ciências Farmacêuticas, ainda não tenho certeza.
—Ahh, não se estressa agora. — Moriyama sorri e guarda os folhetos — Você ainda tá no segundo ano. Pensa nisso só ano que vem.
—Valeu pelo conselho. Ah, — Izuki olha no painel em cima da porta rapidamente — minha estação é a próxima. — o trem começa a diminuir a velocidade, chacoalhando a sacola de Izuki mais um pouco. Pela terceira vez os ovos quase caem no chão, mas Moriyama os segura no lugar.
—Claramente os ovos não querem ficar na sua sacola. Talvez eles estejam tentando suicídio, que nem seu livro de Matemática.
Moriyama sorri e Izuki fica besta. Calma aí. Ele tinha mesmo feito um trocadilho?! IS THIS REAL LIFE?
A porta abre, mas Izuki ainda está meio em choque. Com um meio sorriso no rosto, ele agarra tudo o que é seu rapidamente.
—Ahn, é, isso aí. Hahaha, essa foi boa. Então, tenho que ir. Legal te encontrar, vamos marcar de jogar de novo.
—Claramente o Kasamatsu quer vingança — Moriyama ri de novo. Izuki não consegue acreditar muito bem no que está escutando.
O aviso da porta fechando começa a soar. Izuki despede-se de novo e pula para fora no último segundo. Ele ri sozinho e acena para o garoto no trem. Izuki fica sozinho na plataforma e encara os ovos na sacola.
—Eu vou ter que anotar essa. Minha mãe vai amar.
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—Moriyama, se controle por favor.
—Mas...! Olha, eu tô falando com o Kise, ok?
—Kise, não responde.
—Kasamatsu, eu vou te dar um soco.
—Kasamatsu-senpai, deixa o Moriyama-senpai em paz.
Kise suspira. Kasamatsu vira a cabeça na direção dele com um olhar não muito agradável. Moriyama sorri consigo mesmo e Kobori não parece surpreso.
—O quê você falou, moleque?!
—N-Nada... Só queria dizer que não tem problema. Vou perguntar pro Kurokocchi, tá bom?
—Valeu, Kise. Te devo uma.
Kasamatsu semicerra os olhos para o loiro, que finge que não vê enquanto manda uma mensagem no celular. Moriyama dá soquinhos de vitória no braço do capitão.
—OQUEVOCÊQUERQUEOKISEPERGUNTEMORIYAMA-SAN?? — Hayakawa pula para perto do grupo entusiasmadamente.
—Eu encontrei com o Izuki de Seirin no metrô outro dia e ele esqueceu o livro dele lá. Eu peguei pra devolver.
—Esse Izuki não é o que você disse que é o "bonitinho" do time? — Kobori pergunta, apoiando o queixo na mão.
—É ele mesmo — Kasamatsu interrompe — Você não estava saindo com aquela menina? Pensei que você gostasse dela.
—E-Eu gosto! — Moriyama recua — Eu só quero devolver o livro dele.
—ÉLIVRODOQUÊ?!
—De piadinhas matemáticas. Eu dei uma olhada e tem umas bem legais até. — Moriyama tira o livrinho do bolso, e Kasamatsu pega para ver. Ele folheia algumas páginas e faz uma careta.
—Deus, isso é horrível. Joga fora. — Kasamatsu passa o livro para Kobori e ele e Hayakawa dão uma olhada. — Esse é o tipo de livro que ele lê? O que você quer com esse garoto, Moriyama?
—"Gata, você é boa em Matemática? Então calcula nós dois juntos". -Kobori sorri e Hayakawa abaixa a cabeça — Olha aí, Moriyama. Uma cantada pra você usar.
—Ê, Deus. Eu tô falando que não quero nada com ele. Só quero devolver o livro, ok? — Moriyama fecha a cara e faz um biquinho, olhando para o outro lado — Mas fala a verdade, ele é mesmo bonitinho.
—Acho que de Seirin ele é o mais. — Kobori tomba a cabeça enquanto pensa — Se bem que aquele alto de cabelo preto e sobrancelha grossa não é tão ruim também.
—Deus. — Kasamatsu suspira e balança a cabeça — Kobori, você também tem tendências bissexuais? O que tá acontecendo nesse time?
—Só porque eu disse qu-
—Pronto! — Kise fala alto e segura o celular com entusiasmo — Moriyama-senpai, o Kurokocchi me passou o número do Izuki-san. Quer que eu te mande?
—Por favor, Kise.
O celular de Moriyama treme no bolso. Legal. Ele mandaria uma mensagem para Izuki de noite.
—MORIYAMA-SANASUANAMORADATÁNAPORTATECHAMANDO
—Shhhh — Moriyama pula em Hayakawa e tapa sua boca — Não grita, idiota. — Moriyama levanta, arruma a camisa, passa a mão no cabelo e sorri — Ela não é minha namorada. Ainda.
Ele caminha na direção da porta enquanto Kasamatsu se pergunta o que tinha feito para merecer isso.
—Não vai se atrasar pro treino, idiota!
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Izuki Shun foi adicionado a lista de contatos.
Número desconhecido: Oi, esse é o número do Izuki?
Izuki: É sim. Quem é?
Número desconhecido: É o Moriyama Yoshitaka. Kaijou. A gente se encontrou no metrô.
Moriyama Yoshitaka foi adicionado a lista de contatos.
Izuki: Ah, sim! Claro. Oi.
Moriyama: Oi. Vc deixou seu livro no metrô e eu guardei pra vc.
Izuki: Ahhh achei que tinha perdido!! Vlw.
Moriyama: Tá sabendo dessa feira de livro q vai ter em Chiba no sábado?
Izuki: Claro q sei, eu tava querendo ir mas ngm quer ir cmg.
Moriyama: Vamos? A gnt se encontra lá e eu te devolvo seu livro.
Izuki: Sério?? Eu topo! A gnt se encontra na estação às 11:30.
Moriyama: Bele. Te vejo lá.
Izuki: A gnt se vê.
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—Esse é o livro do Gordon Ramsay?
—É. Minha irmã pediu pra eu comprar pra ela. Ela ama cozinhar.
—Legal. Qual o nome dela? — Moriyama pega um quadrinho do Batman e dá uma olhadinha.
—Suzume. Mas tem a Kobato também. Elas são gêmeas. — Izuki sorri e devolve o mangá do Naruto. — Você tem irmãos?
—Irmã mais velha só.
O dia está bonito; não há uma nuvem no céu e o sol não está tão quente. A temperatura é agradável. A feira a céu aberto acontece num grande parque — centenas de pessoas passeiam com sorvetes e sacolas de livros, as promoções estão incríveis (Izuki comprou 30 mangás de Bleach por 2500 yens, ou uns 90 reais), o cheiro de cachorro quente preenche o ar e, segundo Moriyama, "as meninas estão lindas de saias e vestidos, bem que podia bater um ventinho...".
Moriyama tinha comprado uns mangás também e outros livros que ele achou legal — uns mistérios, ficções científicas, terrores, e um de controle de temperamento para provocar Kasamatsu hehe — e agora acompanhava Izuki na busca por uma edição limitada de um livro de Star Trek. Izuki tinha dito que amava o Kirk e que ele era um dos melhores personagens inventados no mundo. Moriyama discordou e disse que preferia Obi-wan Kenobi, e eles engajaram numa discussão amigável, porém um pouco acalorada.
—Ok, nós chegamos à conclusão que Obi-wan ganha do Kirk de dez a zero. Vamos pegar um cachorro quente agora que tô morrendo de fome.
—O QUÊ? Eu não concordei com isso, mas concordo que devemos pegar comida. Tô com fome também.
Eles pagam seus lanches e sentam encostados numa árvore. A brisa é gostosa, mas o cachorro quente é mais ainda. Os dois comem três cada um ainda falando de Jim Kirk.
—Ok, eu admito que ele é um personagem muito bem escrito e avançado pra época que foi criado, mas-
—Não. Não tem 'mas'. É isso, Moriyama-san. — Izuki dá mais uma mordida e fala de boca cheia — James T. Kirk é foda.
—Ele é foda. Ok, quer saber? Você ganhou. — Moriyama balança a cabeça enquanto ri e toma um gole do seu refrigerante. — James T. Kirk é bem daora.
—Te empresto meus DVDs da série se você quiser ver tudo. Eu super recomendo.
—É claro que você recomenda. É sua série favorita!
Izuki ri. Moriyama sorri também, observando um grupo de meninas que passa logo a frente. Elas são bonitas e uma delas até olha na direção dele, mas desvia o olhar em seguida. Moriyama sente o celular vibrando no bolso.
Gigi: Moriyama
Moriyama: Oi~
O garoto sorri pra tela.
Gigi: Tá ocupado?
Moriyama: Pra vc nunca
Gigi demora pra responder. Moriyama ergue o olhar. Tem bastante gente sentada na grama tomando sol, os bancos estão todos ocupados e as sombras são disputadas. Há uma fonte jorrando água ali na frente. Tem uma garota muito bonita lá.
Ela é linda; o cabelo castanho dela desce por uma trança até os ombros, e ela tem olhos grandes e adoráveis. Ela tem várias pintinhas nas bochechas e sardas no nariz. Moriyama sorri quando põe os olhos nela. Gigi não tinha dito que viria à feira dos livros.
Gigi segura o celular, mas do lado dela senta um cara, e Moriyama tem quase certeza de que ele está segurando na cintura dela.
Gigi: Eu n sei se quero continuar saindo cntg.
Quê? O cara se inclina e dá um beijo na bochecha dela, e ela ri pra ele. Moriyama explode em confusão. Izuki está lendo mangá ao seu lado e nem percebe o que está acontecendo.
Moriyama: Pq?
Gigi: Sei lá, n sei se a gnt daria certo. Vc é legal, mas somos mt diferentes, acho.
Moriyama: Sério?
Gigi e o cara estão agora se beijando perto da fonte e isso não é legal. Moriyama se sente um bosta. O bosta mais bosta de todos. E ainda está olhando com seus próprios olhos. Ah, que vontade de se jogar na cama e ficar lá até amanhã.
Nojo. Nojo. Vergonha. Decepção. Mágoa. Foda-se.
Gigi: Sério, desculpa.
Gigi: N é nada contra vc.
Gigi: Gosto de ti.
Tem certeza de que deseja excluir o contato "Gigi"?
>Sim
Contato excluído. Bloquear?
>Sim
Contato bloqueado.
—Izuki-kun, vamos pegar um sorvete. Tô com calor.
—Vamos.
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Moriyama parece extremamente deprimido enquanto cutuca seu sorvete com a colherzinha. Ele e Izuki estão na sorveteria na frente do parque bem debaixo do ar-condicionado.
Izuki aperta os lábios. Moriyama parece bem mal. Deveria perguntar? Será que foi algo que disse? Ele poderia ter cagado o passeio e nem sabia, meu Deus.
—Hm, tá tudo bem?
Moriyama espeta seu sorvete mais algumas vezes, empurra-o para frente e diz:
—Bom, eu... — ele solta um riso — Eu meio que presenciei a garota que eu estava saindo ficando com outro cara na minha frente enquanto me dizia por mensagem que não queria mais me ver. Então tô meio puto.
—Putz. Que bosta. — Izuki enfia o sorvete na boca — Sinto muito por isso.
—Ela nem era tão legal assim. — ele dá de ombros, mas ainda parece triste — Quero dizer, você é bem mais legal que ela.
—Ahn... Valeu. Acho.
Moriyama suspira e afunda a cabeça nos braços. Izuki encara o próprio sorvete que derrete rápido nesse calor.
—Sabe o que é bom pra curar corações partidos?
—O quê?
—Star Trek.
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Izuki Shun não estava totalmente errado. Depois de ver 10 temporadas em 20 dias, Moriyama Yoshitaka estava se sentindo um pouco melhor, mas muito mais confuso.
Os dois tinham ido ao cinema ver o novo filme do Star Trek que tinha acabado de sair — "Hyuga disse que é coisa de nerd, e que espaçonaves e aliens não estão com nada. Ele é um puto. Vamos eu e você, Moriyama-san"; "O Kasamatsu e o Kobori odeiam esse tipo de filme e eu me recuso a ir no cinema com o Hayakawa porque ele não cala a boca. O Kise nunca tem tempo livre, então vamos nós, Izuki-kun." -, o que tinha sido uma experiência bem legal. Izuki era legal. Bem legal. Muito legal.
"Não é como se eu estivesse com uma crush no Izuki-kun. Claro que não. Óbvio que não. Pelo amor de Deus, não. A gente é só amigo."
"O Moriyama-san é bem legal e eu definitivamente não me importaria de passar mais tempo com ele."
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Droga. Merda. Bosta. Moriyama Yoshitaka sente-se nervoso, mas não é como se ele tivesse motivo. Ele tinha marcado de encontrar Izuki na barraquinha das bebidas e fazia dez minutos que estava esperando. Os dois combinaram de ir no festival do camarão — "aparentemente todos os meus amigos são alérgicos a camarão, então quer ir comigo, Moriyama-san?"; "não sei porquê mas todo mundo odeia camarão, mas eu adoro, então vou contigo, Izuki-kun" -, mas a verdade é que Moriyama nem gosta de camarão tanto assim. Ele se perguntava por que tinha topado, mas ele sabia a resposta. Droga. Merda. Bosta.
—Oi! Desculpa o atraso, eu meio que me perdi na multidão. — Izuki chega sorrindo e o nervosismo de Moriyama cresce mais ou menos 200%. Tudo bem, ele consegue disfarçar. — Te deixei esperando?
—Não, nem um pouco.
—Ótimo, porque esperar é realmente uma perda de tempo— ele ri baixinho e Moriyama tem vontade de se jogar do pier.
Não é uma crush. Não é uma crush.
Ok, é uma crush pequeninha. Nada demais. Vai passar daqui a pouco.
OH MEU DEUS ELE É TÃO FOFO POR QUE ELE É TÃO FOFO??
O camarão estava gostoso, afinal. Eles comeram e sentaram no pier e viram o pôr-do-sol. Moriyama engajou numa discussão mental consigo mesmo durante todo o passeio.
Você está sendo irracional. Você está sensível e magoado por causa da Gigi e desenvolveu essa crush na pessoa que te dá atenção e se importa contigo.
O que há de errado nisso? O Izuki-kun é legal, ele é meu amigo. Ele me dá atenção. O que tem de errado em querer um pouco de atenção?
Nada, não tem nada de errado. Só acho que você não deveria usá-lo pra preencher o vazio que outra pessoa deixou.
Não estou usando o Izuki-kun. Eu gosto de sair com ele, eu gosto da companhia dele, eu gosto de estar com ele mais do que eu gostava de estar com a Gigi. Isso é errado? Gostar de alguém que te deixa feliz é errado? Ele não é tapa-buraco. O Izuki-kun não é a Gigi e eu sei disso.
Claro que não. Óbvio que não. Só aceita que isso é sim um jeito de não se sentir mais sozinho e de se sentir validado e importante. Você quer alguém prestando atenção em você porque em toda sua vida as garotas não estavam nem aí pra você, e quando uma resolveu se envolver contigo, te deu um puta pé na bunda três semanas depois.
Eu quero me sentir validado e importante. Eu não quero me sentir mais sozinho. E tudo bem se for o Izuki e não a Gigi. Eu gosto dele.
Eu gosto dele.
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Tinha sido quando o parque de diversão chegou na cidade. Izuki se viu mentindo — "Hyuuga tem medo de altura, Kiyoshi passa mal em brinquedos que giram, Riko está trabalhando, Mitobe e Koga foram para a praia, o pessoal do primeiro ano está estudando para as provas" — para ir com Moriyama no parque. E tinha sido na barraquinha do algodão doce que Izuki sentiu seu estômago ficar estranho.
Não tinha sido a comida, óbvio. Mas incomodava e era angustiante. Por que suava tanto? Nem está tão calor assim, qual é. Eles sentaram no carrinho da montanha-russa e Moriyama se segurou em Izuki a descida inteira, e Izuki saiu de lá meio tonto e idiota, e teve certeza de que aquele incômodo no seu estômago eram as borboletas mais irritantes que ele já tinha sentido na vida.
Izuki, não. Não. Ele é um amigo e só. Se controla. Não é só porque ele começou a amar Star Trek, gosta das suas piadinhas, vai contigo pra todos os lugares, passa quase todos os fins de semana contigo, manda mensagem pra você no meio da aula e etc. que você tem que ficar besta assim perto dele.
Izuki, acorda pra realidade.
Ah meu deus ele segurou na minha mão na montanha-russa eu vou vomitar
IZUKI SE CONTROLA
O HYUGA VAI TE MATAR SE ELE SOUBER DESSA SUA CRUSH RIDÍCULA NO CARA DO TIME ADVERSÁRIO
ESTÔMAGO EU VOU TE DAR UM SOCO SE VOCÊ NÃO SOSSEGAR
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Naquele sábado, Esquadrão Classe A completava quatro semanas em cartaz. Izuki tinha ido ver o filme com suas irmãs dois dias depois da estreia, e Kobori tinha acompanhado Moriyama na semana passada. Mesmo assim, tanto Izuki quanto Moriyama mentiram um para o outro e marcaram de ver o tal filme.
Eles se encontraram na frente da loja de sapatos do shopping três horas antes da sessão começar.
—Vamos matar tempo no fliperama do último andar. — Izuki sugeriu.
—Vamos.
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—Você tem munição?
—Tenho.
—Me manda um pouco.
O barulho dos zumbis estava ficando mais alto. A porta de madeira não aguentaria muito mais tempo. Os personagens de Izuki e Moriyama estavam escondidos atrás de sacos de areia naquela sala escura. Os dois garotos seguravam as metralhadoras de plástico simulando as reais. A tensão era grande entre eles.
—Eles vão entrar.
—Eu sei. Fica esperto. Lança uma granada logo que a porta abrir.
—Belê.
A porta explode e uma dúzia de zumbis entram. A granada de Izuki explode metade deles, mas mais chegam rapidamente. As armas de plástico tremem nas mãos dos garotos enquanto eles atiram nos mortos-vivos da telinha.
O personagem de Moriyama abaixa atrás dos sacos e começa a recarregar a arma. Moriyama tira os olhos da tela e espia Izuki rapidinho. Ele está concentrado e com a língua pra fora da boca. Seus olhos prateados refletem a tela e os zumbis que chegam perto de seus personagens.
Moriyama segura a arma com uma mão e a nuca de Izuki com a outra, e aperta a boca na dele por alguns segundos.
—Desculpa por isso.
— ...Tudo bem.
—É só que eu achei que você estava bem fofo.
—Ah. A gente perdeu.
Eles sobem para o cinema. As luzes se apagam. Izuki sobe o braço da cadeira. Os dois se beijam o filme inteiro.
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Moriyama pagou os cafés e eles foram para a pracinha em cima da colina. Sentaram no chão e observaram a cidade lá de cima. O céu estava alaranjado e meio roxo, as primeiras estrelas começavam a aparecer. As luzes nas janelas se acendiam e pareciam pequenos vagalumes ao longe.
—Izuki-kun, você é meu amigo.
—Você também é meu amigo.
—M-Mas eu não quero ser só amigo.
—Eu também não.
—Ok.
—Ok.
Eles terminam o café e pegam os ônibus para suas respectivas casas.
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Izuki não contara oficialmente para ninguém, mas todo mundo tinha noção de que alguma coisa estava acontecendo. As borboletas apareciam nos horários mais inoportunos — na aula de Literatura, no almoço, durante o treino, de noite na hora de dormir. Izuki se sentia angustiado.
Moriyama: Hj o dia foi um saco. Falei pro Kasamatsu algumas das piadinhas q vc me falou e ele ficou puto e me mandou dar mais 10 voltas na quadra.
Izuki: Queria que vc estivesse aqui p falar de Star Trek cmg. Ninguém aguenta mais ouvir sobre Jim Kirk.
Moriyama: Te encontro no fds e a gente fala mais das teorias da destruição de Vulcano. Ah, o Hayakawa foi fdp e deu descarga enquanto eu tava no chuveiro e queimei minhas costas. Que raiva dele.
De repente o pensamento de Moriyama no chuveiro pareceu bem interessante. Izuki quase vomitou suas borboletas.
Izuki: Quero te ver.
Moriyama: Quero te ver tb.
Izuki não consegue se livrar das borboletas. Elas são tantas que lhe sufocam. Moriyama no chuveiro. Moriyama tomando banho. Moriyama pelado, hmm...
Izuki abaixa a cueca e bate uma sozinho no seu quarto pensando nos agarros no cinema e na montanha-russa e quando eles se beijaram por mais de uma hora sem parar no último vagão do trem e acabaram parando em uma cidade no fim do mundo.
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O coração de Moriyama Yoshitaka dá um salto em seu peito quando Izuki entra pela porta da sorveteria e sorri em sua direção. Ele se senta na cadeira da frente e eles pedem sorvete de chocolate.
—Quer fazer o que hoje? — Moriyama pergunta entusiasmadamente.
—Não sei.
Os sorvetes chegam. Izuki está estranhamente quieto e isso perturba Moriyama. Ele achava que iam falar de Star Trek e do Spock e de Vulcano.
—Que foi? — Moriyama pergunta e coloca seu sorvete na mesa, olhando o rosto de Izuki.
—Eu tava pensando só.
—No quê?
—Moriyama-san, eu não sei se eu quero continuar com isso. — a voz de Izuki treme e falha um pouco. O outro garoto franze as sobrancelhas.
—O quê? Por quê?
—E-Eu... Ahn, eu tô confuso sobre tudo isso e preciso de um tempo. Eu tenho que me concentrar em outras coisas agora. O basquete ocupa todo meu tempo livre.
Moriyama está tão em choque que nem sabe o que falar, mas dói.
—Moriyama-san, por favor não me leve a mal. Eu gosto de você. Eu só preciso descobrir o que eu quero. As coisas estão confusas.
—Ok, Izuki-kun. Desculpe.
—Não, a culpa não é sua. É minha. Eu que peço desculpas.
Os olhos de Izuki estão tristes. Ele pensara tantas vezes no que dizer, mas acabou sendo mais difícil do que ele planejou. Moriyama estava com a mesma cara de quando Gigi lhe deu um pé na bunda, se não pior. Izuki se sentia péssimo.
—A gente tem que se preocupar com outras coisas. Você, por exemplo, tem que estudar mais pra passar na faculdade e treinar com seu time. Eu preciso do meu tempo também. Vai ficar tudo bem, Moriyama-san.
—Eu sei que vai. Eu só... Sei lá. Eu gosto de ti, Izuki-kun.
—Eu gosto de você também, Moriyama-san. Mas a gente tem que seguir caminhos diferentes agora.
Izuki paga por seu sorvete e vai embora.
Droga. Merda. Bosta. Vergonha. Decepção. Mágoa. Dor. Moriyama tem vontade de deitar na cama e não sair mais de lá. Uma ou duas lágrimas de raiva caem em seu sorvete. Ele paga e vai para casa.
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O aquecedor no canto faz um barulho que antes Izuki achava agradável, mas que agora o deixa irritado. Debaixo das cobertas, ele encara sua estante de livros. Mangás, livros de piada, seus próprios livros de trocadilhos, o livro do Gordon Ramsay que Suzume tinha pedido, mas já tinha aquela edição.
O unicórnio de pelúcia que tinha ganhado naquele dia no parque de diversão encarava-o como se dissesse "isso aí, Izuki, você se fodeu."
"Você se fodeu tão bonito e eu vou rir da sua cara."
Izuki joga a pantufa no unicórnio e ele cai de cara no chão. Izuki vira e encara a parede branca. Suas pernas ainda doem do jogo de ontem; Yosen realmente é um time desafiador cheio de caras assustadoramente altos e um mais ou menos normal, o tal do Himuro. Ele é legal, mas meio duvidoso. Izuki gosta do jeito que ele joga. É um personagem interessante.
E quando o jogo deles terminou, Izuki e o resto de Seirin ficaram para assistir Kaijou x Fukuda Sōgō. Izuki não sabia direito como se sentir. Se Kaijou ganhasse, jogaria com eles nas semi-finais. E Izuki não tinha certeza se estava pronto para encarar Moriyama Yoshitaka depois de mais de cinco meses sem se ver nem se falar.
Kaijou ganhou, afinal. Kise não deixaria Haizaki passar barato e ganharam por três pontos. Amanhã seria Seirin x Kaijou. Izuki Shun está com o cu na mão.
Você saiu correndo assustado no primeiro sinal de comprometimento. Você estava com medo, seu idiota. Moriyama-san estava vindo com tudo pra cima de você e você se assustou como um gatinho e fugiu. Covarde.
Eu fugi dele. Não sei, era muita coisa pra absorver, eu precisava treinar e estudar e...
Quanta desculpa boba. Você ficou com medo dos seus sentimentos e correu.
Moriyama-san é uma pessoa muito intensa e eu não sei se estava preparado. Não era a hora. Não sei se um dia vai ser... E eu vou ter que olhar na cara dele depois de tê-lo dispensado daquele jeito. Ugh.
Izuki se vê escrevendo uma mensagem para Riko — "torci o tornozelo correndo hoje pelo parque. Não sei se vou conseguir jogar amanhã." -, mas a apaga logo depois. Não podia fazer isso. Correr dos problemas com certeza é o caminho mais fácil, mas ele teria que encarar esse de frente. Moriyama não estava bravo com ele. As borboletas já tinham ido embora.
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—Izuki-kun, você está bem?
—Tô. Claro. Por quê?
—Você parece distraído. — Riko coloca uma mão em seu ombro e o força a olhar para ela — Tem certeza?
—Tenho, técnica. Deixa comigo.
Izuki sentia o olhar de Moriyama perfurando sua nuca enquanto eles se aqueciam na quadra, mas ele não pode se dar ao luxo de se distrair enquanto todo mundo está tão focado. Hoje Moriyama é só um jogador do time adversário, não um ex-peguete. Só um jogador. Só um jogador.
—Hora do cumprimento. Vamos lá. — Hyuga dá um tapa de encorajamento em suas costas — Vamos ganhar, sim?
—Claro... — Izuki respira fundo — Vamos ganhar.
Moriyama grudou os olhos em Izuki enquanto eles se dirigiam pro centro da quadra e não desviou o olhar quando Izuki o encarou de volta. Eles se fitam com intensidade. A aura da quadra está pesada de antecipação — Kaijou queria revanche, Seirin queria a vitória. Era o primeiro jogo oficial e a tensão deixava os espectadores nervosos.
—A partida entre o colégio Kaijou e o colégio Seirin vai começar — anuncia o juiz. Izuki sente um arrepio descendo seu corpo. Moriyama parece extremamente feroz e não desgruda o olhar dele. Mas tudo bem. Izuki não se sente nem um pouco intimidado. Sente-se animado, por sinal, e bem ansioso — Cumprimentem-se!
—Vamos ter um bom jogo!
A tensão no ginásio se eleva. Kiyoshi e Kobori vão para o centro da quadra disputar a bola. O juiz apita e lança a bola no ar. Hyuga consegue agarrá-la. O jogo começa.
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Dor. Dói tanto. Os músculos das pernas de Moriyama estão rígidos e é difícil andar. Eles perderam e isso dói mais que suas pernas. Ele não jogaria mais basquete pelo time. Moriyama não sabe o que é mais triste: não ter outro ano para competir com Kaijou, a derrota por um único ponto, seus amigos chorando nas duchas do vestiário, ter visto Izuki de novo depois de cinco meses sem falar com ele.
O que deixa Moriyama puto — muito, muito puto, mais puto do que quando Gigi dera um pé em sua bunda e Izuki fugira dele — é que o mesmo garoto que tinha deixado-o sozinho na sorveteria não parara de olhar para ele. E ele tinha olhado de volta. Que raiva. Não era justo. Izuki não podia fazer isso desse jeito.
Moriyama é o primeiro a sair do chuveiro e já está pronto quando o resto do time chega.
—Preciso ir. — ele anuncia e termina de amarrar os sapatos.
—O quê? — Kasamatsu coloca a cueca e franze as sobrancelhas — Não precisa não. O técnico disse que queria falar com a gent-
—Kasamatsu.
O capitão do time até para o que está fazendo. Nunca tinha visto Moriyama tão sério na vida; seu olhar era duro e determinado, e ele não parecia estar disposto a aceitar "não" como resposta. Kasamatsu encara o amigo por vários segundos.
—Eu tenho que ir.
—Vai. Mas quando eu chamar, você vem e fim de papo. Não quero saber.
Moriyama sorri de leve e bate a porta quando sai.
Os espectadores já foram todos para casa, deixando o ginásio vazio e silencioso. Poucas luzes ainda estão acesas. O coração de Moriyama dispara no peito conforme ele anda nos corredores vazios. O som de seus sapatos ecoa nas paredes.
Ele faz a curva e vê Izuki Shun parado ao lado da máquina de refrigerantes. Ele encara a outra ponta do corredor com as mãos no bolso e bate o pé no chão ritmicamente. Moriyama aperta o passo até lá, quase correndo.
Tum. Tum. Tum. A pulsação em seus ouvidos é mais alto que qualquer outra coisa. Izuki segura em sua nuca com força. Moriyama aperta o garoto contra a parede. Tum, tum, tum. A respiração acelerada de Izuki bate em sua bochecha, Moriyama perde o fôlego. Mãos apalpam suas costas e agarram sua camisa. O torso de Izuki está quente e úmido. A pele dele é macia.
Tum tum tum. Izuki suspira baixinho e beija a boca de Moriyama com voracidade. Todos os pelos de seus corpos estão arrepiados. Os dois pegam fogo naquele corredorzinho estreito e escuro.
—Moriyama! Vamos embora!
A voz de Kasamatsu bate nas paredes. Izuki se sobressalta, mas é segurado no lugar. Moriyama não queria ir. Foda-se tudo.
—Izuki, estamos indo!
A voz de Hyuga vem pela outra ponta do corredor. Izuki agarra o cabelo de Moriyama com as duas mãos e esfrega a língua na dele.
—Moriyama!
—Izuki!
Moriyama afasta o corpo, mas Izuki ainda segura seu rosto. É difícil ir. Eles sabem que precisam, mas não querem. Eles se beijam desesperadamente.
—Moriyama!
—Izuki, a gente vai te deixar aqui!
Moriyama tira as mãos de Izuki de seu rosto e as aperta nas suas, afastando-se rapidamente. Ele vira e, sem olhar para trás, corre para a esquerda. Izuki é deixado sozinho lá. Suas mãos tremem e ele mal se aguenta em pé. O papel espremido em sua palma é amassado quando ele corre para a direita e encontra o resto do pessoal esperando por ele.
Jogando sua bolsa no ombro, ele abre o papelzinho que Moriyama tinha enfiado em sua mão no último segundo:
Jim Kirk > Obi-Wan
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—Eu me decidi.
O cheiro de café é intenso e gostoso. Kasamatsu ergue os olhos por trás da xícara e Kobori desiste de rabiscar o guardanapo.
—Eu vou pra Tokyo.
—Por quê? — Kobori pergunta, mas ele com certeza já sabe a resposta.
—Eu quero ficar com ele.
—Meu Deus, Moriyama. Você passou nas três principais faculdades do país. Escolhe direito. — Kasamatsu larga a xícara vazia no pires e cruza os braços — Não tome suas decisões baseado na pessoa que você gosta.
—Você acha que eu não sei que você prestou pra universidade lá de Kanagawa só pra ficar perto do Kise? — Moriyama sorri para si mesmo e mexe seu chocolate quente com a colherzinha — Você não me engana.
—O qu- O QUÊ VOCÊ FALOU? O KISE? O QUE O KISE TEM A VER CO-
—Ok, Kasamatsu. Boa tentativa. — Kobori sorri.
—Eu literalmente não sei do que vocês estão falando.
—Olha isso, Kobori. — Moriyama balança a cabeça, rindo — A negação dele é tão intensa que nem ele próprio consegue admitir.
—Kasamatsu, fala sério. Você é o único que não sabe que tá mega a fim do Kise. Por isso você não tem moral pra falar do Moriyama, belê?
—E-E-Eu vou pra Tokyo. Já me decidi. — Kasamatsu está incrivelmente vermelho e nem ousa encarar os amigos nos olhos — Vou com vocês.
—Que coisa mais linda — Moriyama aperta as mãos juntas — Nós três morando em Tokyo. Que puta experiência, hein?
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—Pensei... Que você estivesse namorando aquela guria? — Koganei ergue as sobrancelhas, fazendo Izuki suspirar. Riko e Hyuga se olham por um instante.
—Eu estava. Estou, na verdade. Quero dizer, eu não quero mais ficar com ela.
—Vai terminar com ela? — Riko pergunta.
—Vou.
—Por quê? Pensei que você gostasse dela. Quero dizer, — Hyuga dá de ombros — ela acha suas piadinhas legais, ela merece algum crédito.
—Eu... — Izuki esfrega as mãos suadas na calça e sorri para si mesmo — Eu quero ficar com ele.
—Ok, gente. Izuki Shun está largando a única pessoa na face da Terra que acha as piadas dele legais.
—Ei, que mentira. O Moriyama-san gosta das minhas piadas.
Hyuga leva a mão à testa e bufa.
—Talvez vocês se mereçam mesmo.
—Bom, Izuki-kun — Riko pula da mesa em que está sentada e chega perto de Izuki, colocando uma mão em seu ombro — Se você já tomou sua decisão, não há nada que a gente possa fazer. Só podemos esperar que dê tudo certo.
Izuki sorri de volta, mas desfaz o sorriso quando encara a tela preta do seu celular.
—Só estou pensando em como vou dar as más notícias pra Yui. Ela é legal, sabe? Gosto dela. — ele suspira — Mas... Mas eu quero ficar é com ele.
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Yui: vc tá terminando cmg?
Izuki: sim
Yui: pqp
Izuki: desculpa, vc é tão legal, Yui, sério, mas é q eu já gosto de outra pessoa
Yui: ela é da escola?
Izuki: não, ele mora em kanagawa...
Yui: ELE?????
Yui: VC N ME DISSE QUE ERA GAY?????
Izuki: eu n sou gay......
Yui: mds eu fui trocada por um cara
Izuki: desculpe Yui. de verdade.
Tem certeza de que deseja excluir o contato "Izuki"?
>Sim
Contato excluído. Bloquear?
>Sim
Contato bloqueado.
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Sentado na beirada de sua cama, Moriyama encara a tela do seu celular por vários minutos. As malas ainda estão abertas no chão, e as roupas se acumulam em cima da cama esperando para serem guardadas nos armários vazios. Algumas caixas se empilham no canto. Moriyama honestamente não tem vontade de arrumar suas coisas agora.
—DEUS! MORIYAMA, MANDA LOGO ESSA MALDITA MENSAGEM E AJUDA AQUI!!!
Kasamatsu está gritando da cozinha. Ele e Kobori ficaram de ajeitar os pratos, copos e talheres novos, mas aparentemente não conseguiam equilibrar as caixas. Moriyama suspira.
Moriyama: Me encontra na sorveteria em uma hora?
Izuki: Meia hora.
Moriyama: Ok.
Ele salta da cama e corre para ajudar seus melhores amigos a terminarem de arrumar a casa nova.
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Moriyama considerou recuar quando viu a aflição estampada no rosto de Izuki, que estava numa mesinha no fundo batendo o pé impacientemente no chão.
Fazia três meses da partida e eles não tinham se falado ou visto nenhuma vez durante esse tempo, então é óbvio que tanto Izuki quanto Moriyama estavam se cagando de ansiedade.
As borboletas de Izuki quase voaram pela boca quando Moriyama chegou, de cara séria e parecendo bem determinado, e sentou na cadeira a sua frente. Moriyama abre a boca antes que Izuki fale alguma coisa.
—Não quero suas desculpas. Está tudo bem.
Izuki não esconde uma expressão triste quando Moriyama sorri até as orelhas, genuinamente feliz de estar ali. Izuki abaixa o olhar para seu sorvete de morango meio derretido.
—Eu... Fugi.
Moriyama suspira e deixa o sorriso evaporar. Ele sabia que não conseguiria convencer Izuki se ele não falasse tudo o que tinha para falar primeiro.
—Eu fiquei com medo e fugi. Era muita coisa, eu confesso. A gente estava indo rápido demais e eu me assustei. — Izuki esfrega as mãos juntas — Você é uma pessoa muito intensa, Moriyama-san, e eu tive que recuar. Desculpa. Eu gosto tanto de você e não sabia como lidar com tanto sentimento, então...
—Eu quero ficar contigo, Izuki-kun.
Izuki sente o estômago explodindo e as borboletas voando para todos os lados, mas ele responde baixinho:
—Eu quero ficar contigo também.
Moriyama sorri, aliviado.
—Eu, o Kobori e o Kasamatsu estamos morando aqui.
—Quê?
—A gente decidiu ir pra Universidade de Tokyo. Estamos morando juntos num apartamento um pouco longe, mas...
—Quê?
—Izuki-kun, eu disse que queria ficar contigo. — Moriyama estica uma mão e pega na de Izuki — Eu disse e eu vou. Não quero mais ficar longe de você...
Mais borboletas jorram do estômago de Izuki e tomam conta dele. Ele se ergue apoiando-se na mesa e puxa o outro garoto pela gola da camisa, apertando seu rosto contra o dele. Todo mundo olhou. Moriyama só beijou de volta.
—Ei, vocês dois! Aqui não é lugar pra essas coisas!
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