Jikan Ryoko

7 Capítulo 7: Dzeta.


Notas iniciais
Iaeeeeeeeeew povo o/ Xegay u.u XD Um pouco mais atrasado do que devia, porque tipo: esse capítulo eu tive muitos problemas pra escrever G.G que incluiam Falta de inspiração, falta de ideias, e argh... eçazcoiza u.u Mas eu cheguei o/ E quanto a Asas Acorrentadas, eu não me esqueci não u.u Mas também falta de inspiração, enfim... não vou escrever algo que não gosto só pra postar rápido. Enfim. Ah, e mais uma coisa, comentem o capítulo, se puderem :/ Só tem duas pessoas acompanhando e comentando, algumas até olham, leem, mas não comentam G.G Não vai custar mais que cinco minutos da vida de vocês. Não, eu não posto apenas por comentários e nem vou parar por causa disso, mas desanima bastante. :/ Se não estão gostando, comentem as críticas, pois eu as amo (as construtivas, pois são de God, as exaltadas não são de God e ele castiga. u.u) XD Mas sério, avaliem se possível. -- OBS Meio tensa: Esse capítulo, além de longo, eu não gostei tanto... Sei lá, não acho ruim, mas se vocês acharem meio abaixo do ''padrão'' dos outros, comentem... acho que é porque foi o menos drogado, mas ok XD Acho que é neura minha mesmo... Não sei nem porquê estou falando isso .-. deve ser efeito da madrugada... enfim XD Boa leitura o/ ~~

|Capítulo 7: Dzeta| Honoka|

Eu já havia esquecido de várias coisas estranhas na minha vida. Esqueci alguns materiais escolares, de escovar o cabelo, escovar os dentes, e quase ia esquecendo a minha saia de manhã...

Mas esquecer completamente da existência da minha irmã era uma coisa nova.

No meu relógio, eram 6h e 25m. O céu não estava tão escuro, mas já estava tarde mesmo assim. E, como minha mãe havia saído para a loja dela, eu havia deixado minha irmã sozinha. E, lógico, eu saí correndo pela casa de Bob igual a uma iguana psicopata desesperada.

Assim que consegui sair do labirinto que era a casa de Bob – que não foi nada fácil ,quando a casa dele era extremamente gigante -, me virei apressadamente para trás, e disse um rápido ‘’ Com sua licença’’, para a mãe de Bob, que não estava entendendo nada, e saí correndo para o portão. Quando cheguei na entrada, vi Erika indo pra sua casa, mas ela já estava meio distante.

Senti uma leve vontade de ir até ela, mas uma parte de mim – a parte racional – me lembrou que Sakura Arai tinha quase dois anos de idade, o que me fez desistir. Peguei outro caminho que levava mais rapidamente até a minha casa.

Enquanto eu saí andando rapidamente no bairro, percebi alguns pais com seus filhinhos passeando. O bairro onde eu morava não era tão grande, se levar em conta que estávamos em Tokyo, a cede da tecnologia e urbanização do Japão, era um local bem espaçoso, e considerando também que não tinha prédios no meu bairro. Havia apenas duas mansões, incluindo a de Bob. Como era um local tranquilo, vários pais passeavam tranquilamente co seus filhos ao anoitecer.

Em uma rápida olhada para a criancinha que aparentava ter no máximo uns seis anos de idade, me fez lembrar de quando eu tinha a mesma idade que ele. Naquela época, meu pai tinha mais tempo livre no trabalho, e a minha mãe ainda não tinha a loja dela. Naquela época éramos uma família mais... digamos, unida. Porém, as coisas haviam mudado bastante. Quase nem tínhamos mais tempo para nos falarmos direito, e não que isso me incomodasse, mas ao ver aquela família conversas alegremente ao passeio, me fez sentir uma ponta de saudade.

‘’A sua irmã, Honoka Arai.” O meu eu que tinha cérebro falava, ‘’A sua irmã pode estar sendo sequestrada por um bandido para destinos clandestinos’’.

***

Assim que cheguei em casa, logo abri a porta desesperada com minha chave – mas antes, é claro, eu errei a chave. Eu sempre errava a chave certa -, e praticamente me joguei para dentro da sala, sem nem fechar a porta, e fui para o quarto de Sakura, desesperada. E sim, eu me desespero com coisas não tão graves assim.

–SAKURA! – eu cheguei ao quarto da minha irmã, e para a infelicidade do meu coração, que deu alguns pulinhos, era que a minha irmã não estava no quarto. Ela simplesmente tinha sumido – Ai, meu Deus, SAKURA, ONDE VOCÊ ESTÁ, PELO AMOR DE DEUS??? – Como se uma bebê de um ano e sete meses fosse responder você, Honoka, lógico.

Antes, lembrei que a porta estava aberta, então logicamente a fechei. Acendi a luz, tirei minhas sandálias e comecei minha busca pela minha casa. Primeiro, olhei no quarto dos meus pais, e ela não estava lá. Olhei no banheiro, na cozinha, e ela não estava lá.

–Meu Deus, onde ela fo-.... – mas, nesse momento, eu reparei que havia xixi na escada. E não apenas em um degrau, mas em dois, e ambos estavam ligados. E a porta do meu quarto já não existia graças à Erika, o que não impedia que um bebê entrasse lá

Aquelas duas coisas não deviam significar alguma coisa boa.

Apressadamente subi as escadas – tomando sempre cuidado com o degrau número treze, como sempre, já que eu sempre fui extremamente besta com supertições – em direção ao meu quarto, e notei que havia um brinquedo infantil entrada, e logo deduzi onde e o quê aquela menininha estava fazendo.

Mas o fato curioso era que havia uma porta na entrada do meu quarto, bela, nova, recém colocada. Eu fiquei surpresa, pois minha mãe quase nunca ligava para minhas coisas, e em menos de um dia já tinha outra porta recolocada. Eu a achava mais feia que a anterior, porém era melhor uma que nenhuma. Entrei no meu quarto chutando o brinquedo pro lado.

Aviso para vocês de imediato: Nesse momento, vocês vão conhecer um lado obscuro e nunca demonstrado antes sobre a nenê Sakura Arai.

Assim que entrei, logo vi Sakura. Ela estava na minha cama, sentada, mexendo em alguns livros. A estante de livros estava quase toda vazia, e meu livros estavam caídos no chão.Meu quarto estava quase todo desarrumado, e quando minha irmã me viu, ela deu um sorriso maquiavélico de demoníaco para mim, do tipo: ‘’Eu estava esperando você, minha querida irmã.’’

Este foi o lado maquiavélico de Sakura Arai. Vocês acharam que ela era uma bebê inocente e boazinha? Iludidos! É isso que acontece quando se esquece a irmã dentro de casa sozinha.

–AH, SUA BEBÊ FEITA DE BOSTA! – Eu explodi. Simplesmente não podia aceitar aquilo que estava vendo... meus livros... todos amassados... ela ficou olhando pra mim, e eu tinha certeza de que começaria a gritar, e passei andando pelo meu quarto, pegando as coisas, furiosa, enquanto continuava a reclamar:– Ah, sua maldita dos infernos, eu achei que você estava sendo estuprada e você está assassinando meus livros! E AINDA ESTÁ TODA MIJADA! – Eu bufei. Talvez você me ache egoísta por isso, mas eu realmente não tinha muita paciência com bebês. Mas eu não podia fazer nada, certo?

Eu achei que ela fosse se assustar com meu jeito, mas ela pareceu nem notar minha raiva. Simplesmente voltou o olhar para o livro que eu estava lendo, escrito em formato de peça teatral, em suas mãozinhas pequenas e gordinhas. Acabou que a minha raiva passou e eu não tentei buscá-la novamente.

***

Quando eu finalmente consegui ajeitar minha irmã – limpá-la, trocar a fralda, pô-la no berço que ela sempre escapava, depois limpar toda a escada, e finalmente arrumar meu quarto e pôr meus livros no lugar, o que demorou quase meia hora, chegou a hora em que meu estômago começou a roncar – o que interrompeu meus planos de descanso imediato. Fui até a cozinha e pus um Yakisoba pra cozinhar na panela, e neste momento ouvi uma chave abrindo a porta de entrada. Por um momento, achei que fosse minha mãe, mas tive uma surpresa ao ver que era meu pai.

–Estou de volta... – ele falou, e ao olhar para mim, sorriu – Ah, boa-noite, Honoka.

–Boa-noite, pai, e bem vindo de volta. – dei um leve sorriso – Mas você não deveria estar no trabalho? – Quase queimei minha mãe enquanto mexia a panela. É por isso que nunca se deve deixar uma desastrada cuidar da casa.

–Ah, me liberaram mais cedo. – ele suspirou, e retirou os sapatos na entrada, como o sempre – Não entendi muito bem o motivo, mas talvez tenha sido porquê fiquei até madrugada ontem no trabalho, ou alguma coisa do tipo. Não que eu achei ruim, afinal. – ele sorriu. Particularmente, eu gostava daquele sorriso. Eu não tinha muita afinidade com ele, mas seu sorriso era sempre o mesmo desde que eu era pequena.

–...N-Não procure ficar se esforçando tanto, pai.. – eu falei. Ele pareceu não me dar atenção, e invadiu a cozinha à procura dos biscoitos da mamãe. Eu esperei algum tempo sua resposta, mas ela não chegou, e eu suspirei. Como sempre, ele não ligava pra minha opinião.

–Ah, o que é isso que você está cozinhando, filha? – ele olhou de relance por cima do meu ombro, para tentar ver o que causava o cheiro bom.

–Yakisoba. – eu respondi, indiferente – Quer que eu faça um para o senhor?

–Ah, sim, eu gostaria bastante. Obrigado. Se possível, poderia por um Sashimi para mim? O meu chefe não me deixa levar Sashimis pro trabalho. – ele suspirou. Eu não poderia recusar, então apenas assenti. Porém, ele ficou me observando por um tempo em silêncio, quando ele falou: — O que é essa tatuagem no pulso, você que fez? Ficou legal.

Eu nem me lembrava da existência daquela tatuagem, e assim que ele disse isso, tratei de ocultá-la, e respondi com a pior atuação possível:

–A-Ah, foi de um adesivo... – Graças a Deus que Bob existia, pois se não fosse por causa do adesivo que ele sugeriu eu jamais arrumaria uma desculpa. Obrigado Bob, você brilhou. Ou não.

Em pouco tempo, haviam dois Yakisobas cozinhando.

Yakisobas juntos para duas pessoas distantes.

***

E lá estava eu, no meu quarto, deitada em minha cama, sem fazer nada de muito interessante.

Eu fechara a minha nova porta para impedir um ataque surpresa da minha irmã psicopata das trevas, e eu estava com um livro nas mãos. Estava de camisola rosa – que , na boa, eu parecia uma menininha imbecil com aquilo – e meus cabelos estavam soltos. Minha mãe provavelmente já tinha chegado, mas eu não tinha como saber. Meu quarto ainda estava uma bagunça, mas eu deixei assim mesmo.

Não soube qual momento exato, mas houve uma hora em que eu parei de prestar atenção nas palavras escritas naquelas páginas do livro. Viraram apenas tintas em formas estranhas, alinhadas uma ao lado da outra, um inglês que eu já não prestava mais atenção.

Aquele garoto – que, eu confesso, era realmente bonito – queria nos propor um tipo de contrato, mas eu não sabia o que isso significava. Ele havia comentado sobre uns obstáculos chamados ‘’Illusiones’’, e sobre uma linha atemporal... algo como podermos voltar no tempo.

Lógico que poderia ser coisa da minha cabeça, afinal, eu sempre fui muito avoada e desastrada, e poderia ter roubado maconha pensando ser espinafre. Poderia ser loucura do garoto nos propor aquilo, ou talvez tudo aquilo fosse um sonho, assim como o da noite anterior. E, por falar no sonho, eu sentia que alguma coisa se encaixava nele. Era como duas partes de um quebra cabeça que precisassem de uma terceira para que elas pudessem se juntar.

Ouvi um grito desesperado da minha mãe da cozinha, e confesso que tive um sobressalto. Mas era apenas ela gritando pra minha irmã não engolir a faca. (Espere, engolir a faca?) Eu era afastada dos sons da casa por estar no andar de cima, e eles geralmente ficarem na sala de entrada. O quarto da minha irmã era lá embaixo, e o de meus pais também era no de cima, mas isso não impedia que nos mantivéssemos longe um do outro.

“Façam parte de minha peça”.

Como assim, parte de sua peça?

Fiquei pensando nisso. Aquelas falas dele pareciam algo meio familiar, como se eu já as tivesse escutado anteriormente.

Pensando estar maluca por causa da pancada que a porta revoltada deu em minhas costas inocentes – que ainda doía, diga-se de passagem -, dei uma tapa em meu rosto, e resolvi deixar tudo isso para lá. Ao invés de ficar pensando na cama, eu me levantei e resolvi, finalmente, fazer a lição de casa. E, graças à detenção, eu tinha que fazer mais páginas, o que eu não achava tão ruim. Sentei-me na mesa de frente à janela, e peguei a minha mochila que estava debaixo da cama, suspirando.

–--

Em cerca de uma hora, eu havia terminado todas as lições e estava lendo um texto no meu livro sobre histórias da segunda guerra mundial. Eu havia prendido meus cabelos e estava de óculos, mas ainda de camisola. A televisão lá de baixo já devia estar desligada, e meus pais deviam ter ido dormir. Geralmente, eu não vou lá em baixo a não ser para jantar ou pegar uma água, e como havia uma jarra cheia do meu lado com um copo de vidro, eu não teria essa necessidade.

Eu tinha desligado a lâmpada do meu quarto e contava apenas com a do abajur. Usava pantufas amarelas escrotas, e meu celular estava do meu lado. Minha atenção estava completamente no texto. Enquanto eu lia histórias de soldados mortos nas guerras, sobre suas histórias de amor e fracassos na vida pessoal, pude perceber que chovia do lado de fora. Já devia ser cerca de onze horas e meia, mas eu não iria dormir sem terminar as últimas cem páginas do livro. A janela à minha frente mostrava várias estrelas dançando no céu escuro e sombrio.

Ouvi batidas na minha porta, e olhei para trás em um sobressalto. A voz da minha mãe falou pelo lado de fora:

–Honoka, você está acordada?

Eu suspirei e levantei, quase tropeçando. Liguei a luz e abri a porta, e vi minha mãe com uma roupa que parecia ser quente e aconchegante, com seus cabelos curtos ainda belos. Assim que seus olhos se encontraram com os meus, ela assumiu uma expressão séria.

–Honoka, se você for sair esta noite, lembre-se de olhar sua irmã, certo? Eu vou dormir agora – ela falou, e me observou por um tempo, e enquanto isso eu respondi:

–Hã, certo... – eu respondi, embora eu realmente duvidasse de que fosse sair naquela noite.

–E, sem querer ser dura, se for sair, não volte muito tarde. – ela me olhou nos olhos – Você tem aula amanhã, lembre-se.

–É, eu sei, mãe... – Ela se virou se já estava descendo a escada, quando me toquei que ainda não havia falado com ela desde que havia chegado da escola – Ah, boa-noite.

– Boa-noite. – ela respondeu meio seca, e eu tornei a fechar a porta. Ia me encaminhando novamente para minha mesa, quando uma coisa estranha chamou a minha atenção.

Quando me aproximei,jurei ter visto um tipo de sombra passando pela janela rapidamente. Confesso que, quando vi isso, tive um sobressalto, e olhei atentamente a janela. A chuva caia com força do lado de fora, e a sombra havia sumido.

Mas, como eu era uma anta supersticiosa, eu fiquei levemente assustada, afinal, quando você está no andar de cima e vê um vulto passando pela janela?

Abri a janela, colocando minha cabeça para fora, e levando alguns pingos de chuva que caíram bem nos meus óculos. Era incrível como a chuva amava atacar os óculos invés de outra parte do corpo, e meus óculos tinham um amor eterno com a água da chuva. Olhei pros lados, e não vi nenhuma sombra.

Observei as casas próximas. Ao longe, dava para ver a casa de Erika. Era uma casa bonita, um pouco pequena, porém bem arrumada na parte de fora. A casa de Bob não dava para ser vista daquele lado, e eu fiquei parada que nem uma abobada observando as casas que eu via várias vezes ao dia.

Os postes acesos tinham alguns mosquitos que rodopiavam a lâmpada em parar. O jardim da minha casa estava bem arrumado – graças a mim, já que minha mãe nem sequer ajeitava as plantas.

Quando eu me afastei da janela e já estava prestes a fechá-la, com a finalidade de voltar a meu mundo da segunda guerra e suas histórias antigas, como uma antissocial qualquer, quando aconteceu uma coisa estranha.

Sim, outra coisa estranha... mas dessa vez foi meio pervertida.

Muito pervertida.

Quando eu estava prestes a fechar a janela, uma sombra do quinto dos infernos entrou apareceu na minha frente, e como eu era uma pessoa retardada, tropecei quando levei um sobressalto, e a sombra demoníaca das trevas saltou fofa e lindamente bizarra pra mim.

Para variar, eu tive que esbarrar minhas costas em um livro que estava no chão, e ele era de capa dura. Não soube se ficava com pena das minhas costas ou do livro, mas quando levei o impacto, a porcaria do demônio invocado se escondeu dentro do meu sutiã.

Nessa hora, eu estava apavorada, e quando percebi o volume peludo encostado aos meus seios, eu gritei:

–...MAS QUE PORRA É-... AI, SENHOR, TIRA ESSE DEMÔNIO DOS MEUS SEIOS!!! – Que nem uma anta possuída por uma borboleta, eu enfiei a minha mão no sutiã desesperada, sem me importar se meus pais, irmã ou vizinhos pudessem acordar. Senti um negócio peludo, e presumi que não era coisa boa. Puxei a primeira coisa que encontrei daquele demônio encaixado nos meus seios, e quando levantei a mão, no escuro, vislumbrei um gato negro com olhos que brilhavam no escuro.

Um detalhe tenso: Eu o puxei pelo rabo.

–MIAAAAAAAAAU!!! – O gato fez uma dança bizarra tentando se soltar da minha mão, e acabou arranhando a minha cara, e meu óculos caiu no chão. Detalhe: aquela peste já havia me arranhado logo cedo.

Eu cai no chão,dessa vez batendo a bunda no livro, tonta e ainda sem entender muita coisa, presumi que eu seria estuprada por aquele gato em menos de um minuto, foi quando a voz da minha mãe gritou do nada:

–Honoka, você está bem? – ouvi os passos dela se aproximando.

‘’...FUDEU!’’ – foi a única coisa que eu pensei naquele momento.

Agora veja a situação: Uma filha grita, toda ferida, com o rosto arranhado, e um gato demoníaco pervertido psicopata das trevas que já havia aparecido uma mil vezes naquele mesmo dia estava, no mínimo, fazendo macumba no meu quarto, e sua mãe decide ver o que está acontecendo.

Obrigado, gatinho tarado.

***

–Honoka, que gritou foi esse que você deu do nada? – minha mãe perguntou, olhando em volta do quarto que agora estava com a luz acesa, sem reparar nenhuma bagunça ou algo do tipo. Eu estava com os cabelos amassados, sem óculos, com o cabelo na frente para tentar esconder os machucados.

–...A-Ah, mãe,não foi nada, não... e-eu apenas tive um pesadelo... – eu falei, mas a verdade é que eu era péssima em mentir. Em meus peitos, novamente, estava aquele trambolho de pelos, mas dessa vez eu que o escondi ali. Era deprimente e vergonhoso, eu sei, mas foi a única coisa que eu pensei no momento. Eu sorria um pouco sem graça, enquanto pensava em milhões de maneiras de deformar aquele capeta pervertido, e minha mãe me olhou meio preocupada.

–Ouvi você gritar desesperada, sobre algum demônio e... – antes que ela pudesse completar a frase, eu rapidamente a interrompi:

–A-A-Ah, eu apenas estava tendo um pesadelo... e-eu acabei adormecendo enquanto lia, e sonhei que estava sendo perseguida por um demônio.. he he... – eu dei uma risadinha escrota que provavelmente não enganaria nem uma mosca sequer, mas minha mãe apenas deu uma olhada no quarto, e novamente me encarou:

–Ora, Honoka, não me assuste assim! Você acordou a sua irmã! – minha irmã estava meio inquieta em seus braços, mas parecia já estar recuperando o sono. Porém, o olhar da minha mãe parou em meu sutiã, e ela franziu a testa – ...Hã, filha, seu sutiã não está um pouco...cheio de mais?

Senti meu rosto ferver. Tentei pensar rapidamente em uma desculpa, mas como eu sempre fui uma imbecil em inventar mentiras, a única porcaria que saiu naquele momento foi:

–...C-Como assim? – eu dei uma olhada rápida para tentar disfarçar, e minha mãe me encarou por algum tempo, até que finalmente falou:

–Bom, procure não gritar nos seus pesadelos. Vou por Sakura para dormir de novo, e tente não sonhar com essas besteiras, por favor. Boa-noite. – ela deu as costas e ia saindo, e eu acenei com um sorrisinho amarelo, fechando a porta, enquanto ela ia para seu quarto.

Assim que eu fechei a porta, invocada, puxei a porcaria do gato do meu sutiã e o joguei na minha cama, ele soltou um miada assustado, e pousou tremendo na cama. Pouco me importando com o que ele fosse ou o fato dele falar ou não, esbravejei:

–Por que diabos você tem que se esconder na porra dos meus seios??? – eu sussurrei, irritada, pouco me importando com o resto – Qual a porcaria da sua alucinação por seios, afinal, nesse caralho? Vai pra puta que te pariu, porra! – Sim, eu era alguém super revoltada com um gato que entrou nos meus seios, pouco me importando pro que ele fosse. Eu geralmente era calma, mas quando o assunto eram minhas intimidades,eu virava um demônio em pessoa.

Eu não espera que o gato respondesse à minha irritação. Eu achava que ele apenas correria com medo, mas ele respondeu, de modo que me fez recuar dois passos assustada:

–Arai-san,você tem ideia de como a chuva está forte lá fora? Eu precisava me abrigar logo!

Até porque é super comum um gato conversar com você. Acontece todos os dias.

Ainda meio assustada, quando eu pisquei, percebi que novamente o gato desaparecera. Porém, sentado em minha cama, estava um garoto de terno, em uma pose meio gay, me encarando com aqueles olhos azuis. Suas roupas estavam um pouco molhadas, e eu estava prestes a gritar pela minha mãe – o que não adiantaria muito, mas pelo menos ela tinha uma vassoura -. Seus olhos levemente japoneses me encaravam.

Ele deu um sorriso meio torto, com o cabelo molhado, e se ajeitou. Vou confessar: ele era bonitinho. Se não fosse o fato de que... ele era um gato. Literalmente falando. Além do fato dele ter aparecido do nada, e talvez fosse uma loucura minha, ou um demônio vindo cobrar minha alma. Eu o já havia encontrado na casa de Bob, e não sabia o que ele estaria fazendo em meu quarto – em um risco enorme da minha mãe entrar no quarto e vê-lo.

–Boa-Noite. Desculpe entrar assim, veja bem... – ele abriu os braços, e seu terno estava um pouco ensopado na parte de baixo, mas ainda mantinha uma aparência bonita. Eu ainda estava assustada, e ele continuou: — Eu queria entrar de uma maneira um tanto mais calma, porém...

–...Hã... n-não, imagina... Claro, normal... – eu falei, olhando pra ele com certo receio e ainda assustada, e o encarei – O que importa é... O que diabos você está fazendo aqui???

–Ah sim, eu devo algumas explicações. Mas, antes, sem querer incomodar, você poderia me trazer uma toalha? – Ele me olhou como se fosse a coisa mais natural possível. Eu o olhei por alguns segundos, sem que a informação fosse realmente processada, ainda em choque, mas falei:

–Desculpe? – eu olhei pra ele com certa ironia – Você quer que eu pegue uma toalha pra um desconhecido? Minha mãe vai estranhar alguma coisa. E, se ela quiser matá-lo, eu a ajudo! – eu recuei mais um passo, encostando-me na porta. Ele me encarava com uma certa serenidade – que com certeza viraria satânica a qualquer momento, certeza! -, mas novamente pediu:

–Por favor, Arai-san. Eu estou molhado, não quer explicações de um ser molhado, molhando seu quarto, certo? Faça-me este favor, eu lhe peço... – Eu estava disposta a não fazê-lo, mas seu rosto fez um olhar pidão irresistível. Mesmo eu não resisti. Dei uma olhada furtiva pra trás, e falei:

–Espere aqui, eu vou tentar arranjar alguma coisa. Não se atreva a sair daqui! – Eu me virei pra porta e já ia abrindo-a, e olhei para trás para ver se ele realmente não sairia, e ele de fato recuou alguns passos para o lado. Eu fechei a porta o mais silenciosamente possível, e me vi encarando uma área quase totalmente escura.

Quando dei meu primeiro passo em direção ao banheiro, que não ficava distante do meu quarto, eu parei. Encarei o escuro silencioso por alguns segundos. A porta do quarto de minha mãe já estava fechada, e eu achei que provavelmente ela já dormia. Foi quando eu sussurrei o mais baixo que pude para mim mesma:

–Por que eu estou fazendo isso? Quem é ele?

Alguns segundos no escuro não adiantaria nada. De qualquer forma, embora ele fosse um gato e provavelmente o satanás, aquele olhar pidão... eu não resisti. Comecei a caminhar pro banheiro em busca de uma toalha, foi quando ouvi minha mãe cantando baixinho para Sakura dormir, no quarto. Parei uns instantes, ouvindo uma canção que me trazia certa nostalgia. Porém, em alguns minutos, retornei coma toalha pro garoto.

***

–Ah, obrigado. – ele terminou de secar o cabelo, e ele ficou bagunçado. Eu estava sentada em minha cama esperando ele se secar com uma toalha antiga minha, e meu medo já estava diminuindo. O fato de eu estar com um garoto à sós, apenas de camisola no meu quarto, era algo extremamente pervertido, mas caso ele tentasse algo, eu faria qualquer coisa. Pelo menos, eu estava de calcinha e sutiã – Eu realmente precisei disso, valeu.

–...Foi a única que eu achei no banheiro que serviria, digamos assim... – Eu disse. Os sapatos dele estavam no canto do quarto, juntamente com suas meias. Quando ele terminou, me jogou a toalha, e eu a dobrei e a coloquei ao meu lado, e ele então prosseguiu:

–Eu sei que você quer uma explicação. – ele me encarou, e eu ainda estava com certo receio, e seu encarado era meio bizarro, e eu não sabia o que fazer naquela hora – A sua tatuagem, a minha aparição duas vezes seguidas no mesmo dia, e o contrato que não pude esclarecer muita coisa da última vez. Ah, e claro, a minha forma de gato. – Ele deu uma risada estranha, mas não me irritou. Por algum motivo muito estranho, por mais que eu estivesse com medo e receio de um garoto que invadiu minha casa do nada, retomou seus assuntos estranhos sobre contratos, e estivesse meio folgado e agindo naturalmente, eu me sentia um tanto calma. Não que meu receio passasse, mas eu duvidava que ele fizesse alguma coisa comigo – pelo menos de imediato.

–...Seria bom. – Eu falei, e ele puxou a cadeira da minha mesa e se sentou diretamente de frente para mim. Eu achei que ele estava passando dos limites, mas não me atrevi a falar nada. Eu duvidaria que minha mãe aparecesse no quarto com uma função inútil. Pelo menos, ela respeitava minha privacidade.

Encarei Mephisto. Os tons de seus olhos pareciam dançar em suas órbitas. Era como se seus olhos disputassem para ser escuros ou claros, o que fazia um efeito estranho. Ele tinha uma leve barba debaixo do nariz,e seus olhos eram levemente asiáticos. Não era nada comum ver um asiático de olhos azuis.

–Pra quê você está aqui? – eu falei, sem paciência nenhuma, que se estourou em alguns minutos em silêncio – Eu... d-digo, você não podia esperar até... digo... Ah, você entendeu! – Eu senti meu rosto ferver, e ele soltou uma risada muda. Ele logo falou:

–Desculpe por invadir sua residência, Arai-san, principalmente à essa hora, e desta forma, sinto muito mesmo. Peço que me perdoe. – ele fechou os olhos por alguns segundos e abaixou a cabeça levemente, o que me fez me sentir encabulada, e um tanto culpada. Mas eu lembrei: aquele homem não era normal. Ele logo se ajeitou e prosseguiu: — Mas, como você já sabe, não prossegui com meu assunto, na reunião que tivemos na casa de Yatsuka-san.

–...Não era bem uma reunião. – eu retruquei – Você nos levou para...

–Sim, de fato. Mas o que importa, é que eu infelizmente não pude terminar meu determinado assunto, por assuntos pessoais seu e de Otsuka-san. – a forma educada e formal na qual ele falava era bem estranha, vindo dele. Na casa de Bob, quando ele fingira uma intimidade, ele falava normal, super agitado e animado, divertido e brincalhão. Já agora,estava quieto e...refinado, posso descrever dessa forma. O que quer que fossem seus planos ,não podiam ser coisa boa, mas eu engoli um seco e esperei pelo que viria em seguida: — Pensei melhor, e achei que me aproximar de você primeiro seria mais fácil, já que percebo que tens a mente mais aberta para coisas... digamos... – Ele parou para pensar um pouco no que diria. Eu não sabia se era um elogio ou não, mas completei:

–Sobrenaturais? – Eu disse, o encarando. Já não escutava mais a canção de ninar de minha mãe. Provavelmente já teria dormido, e eu não me atreveria a levantar a voz com um desconhecido em meu quarto jamais.

–...É, podemos classificar assim. – ele deu uma risada, e me olhou com aqueles olhos brilhantes, enquanto sorria.Ok, eu confesso: o sorriso dele era fofo –Não nego que eu mesmo seja um ser sobrenatural, na verdade. Nem humano eu sou.

Senti um arrepio na espinha. Engoli um seco, e senti minha respiração ficar ofegante. Ele ainda sorria para mim, enquanto eu mesma não estava no clima para sorrir. Eu senti meus pelos se arrepiarem, e falei, gaguejando igual a uma hipopótamo fêmea retardada, como sempre:

–Então... M-Me diga... V-V-Você é um... – engoli novamente um seco, e suspirei — ...espírito?

Percebi que, quando eu disse isso, ele quase caiu em uma risada, mas a abafou. Após alguns segundos em um silêncio misterioso, ele falou:

–Não, longe disso. Não sou uma alma, espírito, do bem ou do mal, nem Jesus nem Satanás. Na verdade, nenhum deles existe, para ser sincero. – ele balançou novamente os cabelos para cair alguns pingos que haviam permanecido – Sou um ser transcendente de dimensões e linhas atemporais. Sou um ser criado do vácuo, Mephisto. – Ele falou isso como se fosse a coisa mais normal do mundo, e me encarou, aguardando minha resposta. Eu, no entanto, tive uma ideia um pouco melhor, e, após olhar para os lados, com certo receio, gaguejei:

–...Olhe, Mephisto, ou seja lá quem você for. – Eu engoli um seco – É melhor nós sairmos. Conversaremos na cafeteria aqui perto de casa, mas no meu quarto não dá. Não com meus pais e minha irmã aqui.

Eu me levantei, e ele assentiu, levantando também. Eu espiei a janela, e olhei para ele, seriamente:

–Seja lá o que você for ou quem for, não vou deixar de ouvi-lo, mas não aqui em casa. Aguarde aqui, eu vou me trocar.

E lá fui eu pegar a roupa de baixo da minha cama, rezando para que o que quer que eu estivesse fazendo, fosse a coisa certa.

Ω

Notas finais
É, por enquanto, é isso mesmo XD tá meio monótono esse capítulo, realmente, e o final ficou estranho porquê eu não sabia como terminar G.G Maldito bloqueio criativo... mas o próximo capítulo provavelmente será um pouco mais agitado, pois a treta vai começar, então... aguardem, hihihi u.u XD Mas enfim, espero que tenham curtido o capítulo, e tudo mais... Tschuss o/