Jikan Ryoko

2 Capítulo 2: Alpha.


Notas iniciais
Hellou friends o/ Voltei u.u antes de começar, eu venho novamente pedir pra que avaliem o capítulo, comentem se possível, custará apenas 5 minutos da vida de vocês, não sou aquele tipo de autor putinha que diz: ''Ó SÓ POXTUH CY COMENTAREIM'', mas sério, isso desanima muito, não ter muitos comentários :/ eu pretendo continuar e muito nessa história, mas avaliem ^^ Bem, novamente, esse capítulo é gigante XD mas tudo bem, as vezes o que é maior é melhor-q ou não XD bem, boa leitura o/

|CAPÍTULO 2: ALPHA. HONOKA.|

Graças aos deuses de todas as religiões existentes do mundo, eu, Erika e Bob conseguimos chegar à tempo para participar da primeira aula. Eu consegui separá-los daquela briga sem sentido e praticamente os arrastei até a escola. Sério, pareceu que eu estava levando dois pirralhos, e isso foi bem embaraçoso.

Chegamos na sala de aula, e o professor ainda não havia chegado – para a minha alegria – e já haviam vários alunos conversando sobre coisas entediantes, quer dizer, dependia bastante, mas como eu não era um ser sociável, eu não conversava muito.

Eu e Erika sempre sentávamos no fundo. Não pense que é pra conversar – bem... só as vezes. Mas sim porque eu só enxergava bem de longe, e coincidentemente, Erika sentava do meu lado direito, e foi mais ou menos assim que nós nos conhecemos. O único problema que eu tinha com aquele lugar, era que toda hora Erika tentava puxar conversa em meio à aula.

Isso era bastante irritante, e eu sempre tinha que dispensá-la. Porém, mesmo sem prestar muita atenção, Erika tirava notas razoáveis. Eu tirava geralmente notas boas, mas quase nunca chegava à dez. Sem querer me gabar, mas minha menor nota até hoje foi quatro.

Você pode me achar alguém fútil que se gaba por sua inteligência, mas na verdade, eu não gosto tanto que as pessoas digam: “Ai como você é inteligente”, “Honoka tirou nove na prova, você viu?” “Ela está em segundo lugar no ranking de notas da escola, incrível!”. Na verdade, eu detestava ser notada. Talvez por isso eu fosse esquisita e sem muitos amigos, o que fazia com que as pessoas sempre me zoassem.

O problema é que nunca conseguimos ser alguém que não seja notado. Se você tirar nota alta e fazer amigos, você é notado. Se você for anti-social, você também é notado. Não que eu não quisesse fazer nada pelas pessoas, mas não gosto que as pessoas falem de mim.

Eu ainda sentia dores nas minhas costas, e provavelmente minha mãe já estivesse providenciando uma porta nova, afinal, ela odiava que a casa ficasse feia. Ela sempre tinha uma mania de organização detestável.

O professor então chegou. Seu nome era Kidatsu (um nome nada a favor das árvores, já que seu nome significa “Remoção de árvore’’), e era um homem bem severo. Ele nunca suportava quaisquer movimentos que indicassem conversa, e sempre estava alerta. Bom, de qualquer forma, se você falar cinco palavras sem ser consultado pelo professor, você era suspenso. Mas haviam alunos que conversaram escondidos, e com Kidatsu isso era impossível: O olhar dele vigiava cada centímetro da sala, impedindo quaisquer conversas. Ele também odiava perguntas “idiotas”. Ele sempre explicava o assunto muito rápido, então os alunos sempre tinham que prestar o máximo de atenção possível.

Eu sempre tentava prestar atenção, mas nunca entendia direito, e mesmo que perguntasse ao professor, eu achava que entendia, sendo que na verdade, eu não tinha entendido nada. Então, eu geralmente ficava desenhando ou escrevendo no caderno, e deixava para estudar em casa – e acredite, eu achava muito mais fácil estudar sem um professor por perto.

Meus passatempos favoritos de tédio na aula eram desenhar, embora eles não fossem os melhores desenhos do mundo. Na verdade, eram meio toscos. Eu também amava escrever, mas eu tinha uma imaginação estranha. Eu escrevia sobre guerras, cavalaria, a primeira guerra mundial e romance. O estranho, é que eu geralmente tinha muitas ideias pra histórias extremamente fantasiosas.

Eu gostava bastante de animes, filmes, livros e séries de ficção científica. E, como eu não era um ser muito sociável, meio isolada e quieta, eu tinha tempo de sobra para ter essa imaginação fértil feliz – e também para ter sonhos tensos. Mas na moral, o meu último sonho tinha sido muito à base de cocaína. Era um cenário confuso, que mais parecia um labirinto, além de não ser nada realista. Eu devia ter visto muitos animes viajados ultimamente.

Bob sentava na cadeira da frente da segunda fila, já que era o presidente de sala. Os alunos se sentaram assim que o professor chegou, inclusive eu – bom, na verdade, eu já estava sentada. O professor mandou os alunos abrirem seus cadernos. Como eu sabia que naquela aula eu não aprenderia muito, então fiquei pensando na morte da bezerra – não literalmente.

Pensei no meu sonho by: maconha. Antes, ele estava completamente claro em minha mente. Agora, as imagens já estavam se apagando, sendo substituídas por um embaçado branco, ou algo do tipo. Em alguns minutos, eu apenas me lembrava vagamente do lugar e da luta.

Decidi que não iria adiantar muita coisa eu ficar pensando no sonho. Então, como eu estava no tédio, peguei meu caderno enquanto o professor explicava sobre os modelos atômicos pela trocentésima vez. E, como eu já sabia desse assunto, peguei meu lápis e fiz um desenho. Era um desenho meio estranho e torto, no qual eu desenhei alguns prédios destruídos flutuantes, uma ponte e a garota misteriosa – que eu apelidei de UNKNYN, vindo de Unknown — embora esse nome fosse bem tenso. Acabei por achar o desenho tão ridículo e mal feito que quase tive um ataque de riso no meio da aula, mas tapei a boca bruscamente com minha mão, soltando apenas um mini protótipo de risada. Erika, que estava do meu lado, acabou percebendo minha risada – sabe-se DEUS porque, pois tinha sido muito baixa, mas essa desgraça sempre notava tudo – e aproximou sua cabeça com intenção de ver meu desenho que mais parecia um rabisco de batom de frango.

–O que você está fazendo? – ela perguntou baixinho pra mim, me assustando.

–Nada. – eu respondi, fechando rapidamente o caderno antes que ela o visse – Não estou fazendo nada.

Ela simplesmente deu de ombros, e voltou a dar atenção à aula do professor. Eu estranhei, mas dei um ‘’Obrigado Jesus Cristo’’ por Erika não me bater e tomar o caderno. O que não seria impossível de acontecer, na verdade.

***

Quando a aula de Física acabou, eu comemorei em silêncio. Nada contra Kidatsu, mas a presença dele incomodava. Então as outras aulas foram seguindo normalmente, aquela atenção master dos alunos e a minha distração – não me leve a mal, mas eu prefiro estudar em casa do que na escola, embora eu sempre faça as atividades. Na aula de história, Bob foi escolhido para ler um texto gigantesco sobre a era medieval, cavaleiros e suas guerras – já pararam par apensar que a as aulas de história só falam de guerras? Ninguém fala, por exemplo, de uma história de amor, apenas as que acabam em tragédia. Não que eu reclame, eu amo histórias de guerras, cavalaria e tal... mas às vezes cansa um pouco.

A professora de história, Himiko, era uma professora simpática, com um rabo de cavalo. Tinha sempre um interesse em Bob, e não me pergunte se esse interesse era esse, mas era tenso. Ela sempre o elogiava, e o tratava como um deus da turma. Ela era uma sensei¹ bonita, apesar. As alunas gostavam muito dela, e alguns alunos tinham uma certa... paixão por ela – ‘’paixão’’ para não dizer ‘’tesão’’.

Enquanto Bob lia, Erika, vez ou outra, cochichava comigo, fazendo comentários do tipo: “Que voz irritante...”, ou “Ele não sabe ler mais baixo? Sinceramente, essa voz é pior do que a de Satanás.”.

Já eu, no entanto, estava mais distraída do que qualquer um. Eu fiquei olhando a janela, pois mesmo que eu não sentasse na ponta, eu sentava próxima à ela, e vamos combinar que olhar a janela é muito bom... pelo menos pra mim. Eu adorava encarar a janela na aula de história. Não que fosse ruim, mas parecia que, durante toda aula de história, a janela me chamasse graciosa e romanticamente minha atenção, e então começávamos a nos encarar. Havia um muro depois da janela, e depois dele, a rua para o jardim de fora da escola, e então a saída. Era um muro novo, mas não tão próximo da janela. Afinal, dentro dele e fora da sala havia um pequeno pátio. Eu estava completamente entretida com o muro, enquanto Himiko admirava a voz de Bob – na boa, ela parecia uma pedófila! – e Erika xingando Bob baixinho. Eu estava tão distraída, que levei um leve susto quando um gato apareceu andando em cima do muro.

Era um gato preto. Ele caminhava sobre o muro, olhando para todos os lados, como se procurasse algo. Era um gato adulto e um tanto gordo. Tinha olhos intensamente azuis brilhantes e... Espere, azuis brilhantes?

Nenhum dos alunos pareceu notá-lo. Eu notei uma mancha vermelha em sua cabeça, até que depois de eu ficar olhando-o com curiosidade, ele passou a me encarar.

Os nossos olhos ficaram se encarando por uns quinze minutos. Tinha algo estranho naqueles olhos... uma sensação esquisita também passou pelo meu corpo, a mesma que tive quando percebi que Bob participou do meu sonho. Era um olhar profundo... tinha algo estranho naquele olhar, e ele ficou me encarando de uma forma estranha... seria mesmo um comportamento normal para um gato? Seus olhos tinham alguns detalhes brancos, que pareciam ponteiros de relógios.

– ... Arai-san² pode nos responder esta questão? ... Hum? Arai-san?

Infelizmente, era com minha pessoa.

Eu, que ainda estava encarando intensamente o gato, não notei que a professora falava comigo, me fazendo virar o centro das atenções sem que eu percebesse.

–Arai-san, está me ouvindo? Arai-san!!! – eu não prestei atenção. Eu achei que a porta tinha me deixado surda, ou algo do tipo, mas o que eu sabia era que eu estava ferrada.

Erika, a minha melhor amiga super refinada e educada, garota da socialite, percebeu que eu estava mais avoada do que uma borboleta com síndrome de Down, e delicadamente chamou a minha atenção. Ela se aproximou de mim com toda sua graciosidade de uma lady, e simplesmente, e, com a maior fofura do universo, deu um belo de um soco nas minhas costas, bem no meio da costela, com sua mão meiga e delicada que pesava duas mil toneladas. Fora o empurro fofinho que minha porta Lady tinha dado em minhas costas, minhas costas já doloridas receberam um ‘’ACORDA, CRIATURA DE JESUS!” de um modo muito meigo. Eu voltei minha atenção para a sala de aula de um modo muito brusco.

–O quê-- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIINNNNNNNNNN!!! – eu gritei, de uma forma muito mais alta, fina e gay do que eu pretendia. O impacto me fez bater meus ombros na mesa fofa e meiga, de modo brusco, e eu tapei minha boca com minhas mãos, vermelha.

Consequência: minhas costas ficaram super revoltadas.

Os alunos começaram a ter um ataque de riso devido ao meu enorme grito, alguns se assustaram, mas acabaram sendo levados pelo riso. Eu senti meu rosto fervendo. Olhei pra minha querida amiga fofolete, com vontade de estrangular aquela vagabunda, e eu vi que ela também lutava para não rir, aquela piranha. Ela fez um pequeno símbolo de ‘’mais’’ com as mãos de uma forma de desculpas, mas eu queria pegar aquelas mãos e enfiar onde eu não vou dizer nela, mas vocês devem saber – ou não, acho melhor não saber.

–Honoka Arai-san... – a professa super meiga (agora todos são meigos, lindo isso) se encaminhou lentamente até minha mesa, erguendo os óculos com um dedo, dando aquele efeito nos óculos dos filmes, no qual eles ficam escondidos pela luz do sol, dando um ar psicopata sobre a professora, como se a mesma quisesse minha garganta, o que eu não duvidava que fosse verdade- Você estava, ao menos, prestando atenção em minha aula?

– ... A-A-Ah, c-c-claro q-q-que sim, H-H-Himiko s-sensei.... – eu falei, sem saber o que fazer, com minha crise de gaguejo atacando novamente. Eu estava perdida, sem saber o que fazer. Meu mundo desabou.

–Então, Arai-san... – ela chegou mais perto, seus óculos ainda em tom assassino — você pode me responder a questão número nove, em voz alta?

–... A-Ah, sim, c-claro... Etto³... – eu peguei meu livro nervosa, e passei o olhar pela página à procura da maldita questão número nove. Alguns alunos malditos ainda riam. A minha surpresa – uma surpresa nada agradável, por sinal — foi perceber que a página na qual meu livro estava aberto não tinha nenhuma questão número nove. Eu estava na página errada, e nem sabia o número da página certa.

‘’FUDEU!” – foi a única coisa que eu consegui pensar nesse momento.

Desesperada, eu virei a página. Minha sorte não melhorou quando eu vi que nela só haviam duas questões no topo da página, sobre uma coisa super nada a ver.

–Arai-san... Você, pelo menos, sabe o assunto que estamos discutindo? –a professora me encarava de um jeito muito tenso.

–A-A-Ah, c-c-claro que sim... – mas eu não fazia a menor idéia.

–Então, me responda querida... Por que você está no capítulo sobre mitologia nórdica? — o olhar dela se tornava cada vez mais penetrante, e eu só estava aguardando uma detenção para mais tarde, rezando qualquer oração de qualquer religião silenciosamente, que me vinha na cabeça.

Mas minha salvação foi Erika – ou não.

– Ah, Himiko-sensei, me desculpe! Mas... eu que pedi para ela olhar o capítulo de mitologia nórdica e se desviar do capítulo certo!

Himiko pareceu meio perdida, e olhou pra Erika.

–... Como?

–Fui eu que pedi para ela tirar do capítulo certo e abrir no de mitologia nórdica. – ela repetiu, o que era mentira – É que, sabe... eu estava folheando o livro meio à toa quando achei a foto desse careca aqui muito engraçado, e quis mostras para Honoka. – ela apontou para um guerreiro careca com um olhar meio tenso, e alguns caíram na risada, e outros até procuraram a página. A professora, no entanto, não pareceu achar muita graça.

–Pois bem. – ela disse, por fim – Acho que seria uma boa ambas ficarem em detenção, certo? As duas, para fora de sala, aguardem suas detenções.

–... O-O-O-O quê??? – eu estava aterrorizada. Tudo menos detenção... – M-Mas eu... Erika não... – minhas costelas ainda doíam, me impedindo de prosseguir.

Erika deu uma tapa como apoio psicológico em minhas costas para eu me calar, e eu tive certeza de que aquela piranha devia estar em uma terceira guerra mundial contra minhas costas.

***

Logo em seguida, nós duas saímos de sala como ordenado, e tivemos que ficar esperando a aula terminar escoradas na parede do lado de fora. Eu fui com as minhas costas reclamando fortemente, e Erika foi sem ter a infelicidade de ter suas costas doloridas. Ao sairmos da sala, a sensei continuou sua aula normalmente.

O corredor era bem grande, e estava vazio. Os professores continuavam a dar suas aulas nas salas. Eu me encostei na parede com as mãos para trás do corpo, enquanto Erika estava mais agitada. Eu passei as mãos pelas costas doloridas, para tentar acalmar a rebelião interna.

–Fala sério, onde que você estava com a cabeça naquela hora, peach adormecida avoada? – minha querida amiga perguntou – estava olhando pra onde?

–A-Ah, e-eu só estava distraída... n-nada demais... – eu falei, ainda com minhas costas chorando lágrimas não tão felizes – E, pelo amor de todos os deuses das religiões, Erika, q-qual é a droga do seu problema com as minhas costas??? – eu perguntei, irritada. Aquela desgraçada devia uma explicação.

–O quê??? Eu estava chamando a droga da sua atenção!!! Quem mandou você fica vagando por aí, ao invés de prestar atenção à aula??? Se eu não tivesse te dado o soco, você ia ficar divagando eternamente até a professora gritar com você, e eu acho que você não iria querer isso!

E o pior é que aquela puta estava certa.

–M-M-Mas não precisava assassinar minhas costas!!! E-Elas agradeceriam muito! – eu falei, revoltada — Além de que, caso você não lembre, eu levei uma portada hoje também!!!

–Ah, por favor... – ela pareceu não dar a mínima. Eu detestava aquela mania de Erika nunca ligar quando estamos com raiva dela – São detalhes insignificantes! – ela bugou.

Aí eu quase estourei.

–INSIGNIFI--- — mas eu fui interrompida ao ver uma porta abrir e de lá sair uma professora de Jesus revoltada conosco, e pediu para nós fazermos silêncio.

–Façam silêncio, por favor!!! – ela fechou a porta novamente, me deixando um pouco constrangida e Erika irritada.

–Além disso... – Erika continuou, baixo – Eu acabei com minha reputação indo para a detenção junto com você, então se sinta agradecida ter uma companhia de uma lady. – ela jogou os cabelos pra trás, o que eu achei meio tenso.

–... E-E-Eu n-não pedi nada disso... – eu respondi isso porque estava irritada, mas na verdade, eu também estava meio agradecida por ela ter se auto-ferrado junto comigo. Eu sempre me ferrava com ela, era o mínimo que ela podia fazer. – Além disso, Erika-san, sua reputação não é tão boa assim...

Ela abafou um riso.

–Verdade... – ela respondeu.

Um silêncio eterno caiu sobre o lugar. Dava pra ouvir vagamente a voz da professora dando aula por atrás da porta.

–Nossa, que belo dia! – eu suspirei – acordei com uma porta, me atrasei, e ainda uma detenção. Droga, esse dia não vai ser dos melhores... –e era verdade. Eu tinha a sensação de que esse dia seria diferente... Ao começar pelo sonho tenso, e aquele gato... droga, sabe aquele momento que uma coisa tão simples e você complica tanto? Pois é, eu me senti assim.

–Olha, a culpa não é minha! – Erika disse, e eu me lembrei do livro “A culpa é das estrelas”. E, depois de alguns minutos em silêncio, ela retomou: — O que você estava olhando naquela hora?

–...Naquela hora??? – eu perguntei, distraída.

–Ai, meu Deus, naquela hora que você estava encarando a janela, pequena criança amnésica de Jesus! Qual é o seu tipo de Down de esquecimento??? – eu fingi que não tinha escutado o comentário da nojenta.

–Ah, naquela hora....

–É, naquela hora.... – Erika repetiu, esperando que eu falasse. Então eu suspirei e contei.

–....E-Eu estava olhando... u-um gato... um gatinho preto. – eu percebi o quão tosco soou essa frase, e Erika riu ironicamente, o que me fez me irritar novamente – E-E-Ei, n-não ria!!!

Ela olhou de um jeito tenso pra mim.

–Você está me dizendo, Peach Ruiva Adormecida Avoada... – a sigla desse nome seria tensa. Mas eu me assustei com o modo como Erika falou. Essa nojenta sabe dar medo, mas o medo não era, bem, exatamente dela, e sim de suas mãos super sexys — que você levou uma detenção por causa de um gato? – aí a nojenta começou a rir novamente, o que fez meu rosto ferver um pouco. – Só podia ser você, Honoka!

–...E-Ei, d-deixa de ser cruel!!! – falei. Como assim, ‘’só podia ser você?” – Mas, n-não era um g-gato comum!!! Eu... eu vi os olhos dele brilhando de uma forma.... esquisita... – eu era péssimaem descrever as coisas sem soar de um jeito retardado. Mas era a verdade. Aquele gatinho tinha alguma coisa estranha.... Talvez, quase tão estranha quanto meu sonho. Ou não. Mas enfim.

–Ah, claro, Honoka. Era um gato nigeriano psicopata das trevas. Meus olhos também brilham vermelho em lua cheia, e eu saio matando as pessoas, arrancando suas cabeças. – ela falou com um sorriso do tipo ‘’deixa de ser uma anta.’’, mas eu realmente não duvidaria tanto que ela fosse fazer isso um dia – Sério, você sonha demais.

–... É, talvez eu sonhe demais mesmo... – não aguentei mais. Decidi contar meu sonho meigo pra ela. Nós não tínhamos nada pra fazer naquele corredor tenso, então o que mais podia acontecer? Ela podia ser uma assassina maníaca pervertida, mas eu gostava dela. – Sabe, Erika , esta noite, eu sonhei qu-----

Mas eu não pude terminar a frase.

Não pude falar mais nada, quando eu o vi.

Eu o vi.

Quando meu olhar parou no chão, mais ou menos à minha direita, eu vi ele. Aquele gato. Ele estava do meu lado. E não me pergunte o que um gato estava fazendo no corredor da escola que estava vazio além de nós duas, mas era o mesmo gato do muro, me encarando no corredor. Seus olhos azuis me encaravam de uma forma muito tensa. Ele estava mais ou menos no meio do corredor, me encarando, que eu me arrepiei da mesma forma que hoje duas vezes. Eu não consegui mais falar. Fiquei paralisada. Sim, eu tenho medo de gatos pretos que brotam do além.

Havia um gato bizarro me encarando do nada, e isso era tenso.

Erika, no entanto, não pareceu notar o gato, mas esperou que eu terminasse de falar, e quanto eu parei, ela estranhou. Ela percebeu que eu olhava alguma coisa.

– Honoka? – ela tentou olhar pra onde eu encarava – o que voc--- — ela finalmente pareceu localizar o gato.

Mas foi aí que as coisas ficaram muito mais tensas ainda.

Talvez eu tivesse fumado uma, não sei...

Quando pisquei, o gato não estava mais lá. No entanto, no mesmo local, me vi olhando dois pés, com sapatos pretos novíssimos, que até brilhavam. Meu olhar foi subindo, e vi um garoto de terno.

Ele era bonito, não posso negar. Tinha cabelos pretos, olhos azuis, e usava um terno bem arrumado. Eu devo ter feito uma cara de surpresa muito grande. Erika olhou para ele e se espantou. Não pelo fato dele brotar do Além, e sim pelo fato dele ser bonito. Aquela safada.

Mas o garoto continuou andando, e nos ignorou. Pareceu que esteve andando o corredor inteiro, com a finalidade de chegar do outro lado – ah , imagina, por que eu atravessaria um corredor senão com essa finalidade? — , e continuou andando pelo corredor, como um aluno qualquer. Até que ele finalmente desapareceu no final do corredor – não de forma sobrenatural, ele apenas saiu do nosso campo de vista. Bom, eu acho. Espero que sim.

Ele simplesmente atravessou o corredor, e nos deixou com cara de retardadas.

–... Tá, né? – eu falei, olhando pra onde ele havia sumido.

Erika deu uma cotovelada monstro no meu braço – não foi nas minhas costas, o que já era um grande alívio – o que me fez xingá-la em pensamentos.

–Honoka, você viu aquilo???

–Hã, eu acho que não estou cega, não...

–Meu Deus do céu, universo, terra e comandante dessa porra toda, que gatinho! Ah, agora sei porque você parou de falar de repente...

–... O-O-O-O QUÊ??? A-A-Ah, n-não, n-não foi i-i-isso!!! – eu exclamei, e já estava vermelha, pra variar – A-A-A-A-Acontece q-que... acontece que..

–Sim, sim, eu sei, é automático! – ela pões a mão em cima do meu ombro, quase arrancando meu braço do torço – Eu sei. Somos duas eriçadas.

–... M-M-MAS QUE DIABOS, E-ERIKA-SAN!!! — meu rosto já fervia muito, e Erika caiu no riso, aquela safada. A professor saiu novamente da sala para nos mandar calar a boca – Não me englobe nas suas t-taradices, E-Erika-san! – eu disse, baixinho.

–Mas, afinal, quem era aquele de terno??? Será que é alguém do clube de teatro??? Gente, eu preciso conhecê-lo!!! – enquanto Erika suspirava pelo garoto, eu pensava no gatinho. O felino, antes que você pense qualquer coisa.

–M-M-Mas eu juro... –e-eu juro que tinha visto um gato no lugar dele... – eu estava bem confusa. Teria sido minha imaginação? Mas eu juravater visto um gatinho.

–Meu bem, ele é um gato! – ela riu, e eu suspirei com a putaria dela. Já estava enchendo a paciência.

–É sério, Erika-chan!!! Eu estou falando a verdade! E-Eu juro que eu... Ah, dane-se!! Deixa pra lá. – eu voltei a olhar para o vazio, e não conversamos mais, e aguardamos a aula terminar.

Eu não vi mais aquele garoto , pelo menos, naquele corredor.

***

Para minha surpresa, não recebemos uma grave detenção. O único castigo que recebemos foram 15 páginas à mais como tarefa de história – eu finalmente descobri o assunto, gente! – Bom, pra mim não foi tão ruim assim, já Erika só faltou estrangular a professora.

Quando chegou meio dia e meio, eu, Erika e Bob saímos para o intervalo. Fomos almoçar na cobertura da escola, onde havia um pequeno espaço para comer. Não sei, eu amo comer naquele lugar. Algumas pessoas as vezes vão pra lá. Eu acho aquele lugar isolado, o que o torna perfeito para alguém anti social como eu. Já outros preferem almoçar na lanchonete. Eu gostava daquele lugar pelo fato dele ser quieto.

Nós três estávamos sentados em um banco marrom, um do lado do outro. Eu comia dois sushis² que minha mãe tinha preparado para mim, Erika comia dois sanduíches ao mesmo tempo – não me pergunte como, mas ela sempre fazia isso – e Bob se contentava com um sashimi³. Éramos uma anti-social, uma violenta e o presidente de classe. Era um trio bem estranho, eu confesso.

–Ah, sinceramente, como Himiko-sensei nos passa mais quinze malditas páginas??? QUINZE. MALDITAS. PÁGINAS! E ainda tem a DROGA da atividade que eu não fiz!!! – Erika reclamava, para a infelicidade da minha audição e da audição de Bob. Ela bufou de um jeito bem tenso, pois tinhas dois sanduíches entalados na boca.

–Bom, se você fosse mais responsável, não estaria nessa situação... – Bob comentou, comendo seu Sashimi.

–Ah, cale a droga da boca!!! – ela descontou sua raiva no sanduíche, já que não podia brigar na escola. Embora ela mesmo tenha se metido em várias no intervalo. Mas enfim.

–M-Mas Bob tem razão, Erika!!! – eu o defendi – Você deveria fazer mais as atividades!

Ela ficou em silêncio. Ela sabia que era verdade. Ela ficou com um olhar meio pensativo, e era assim que ela ficava sempre que estava errada. Era muito difícil convencê-la.

–Mudando um pouco de assunto... – Bob começou – Honoka, era verdade que você foi pra detenção porque estava observando um gato??? — ele perguntou, e Erika engasgou quando começou a rir. As malditas fofocas. Elas correm mais rápido que carro de fórmula 1.

–E-E-Eu só achei o gatinho estranho.. AH, PAREM DE RIR E CALEM A BOCA!!! – Erika e Bob seguravam os risos, aqueles malditos. Afinal, qual era a droga do problema de observar um gatinho preto?

–A propósito, eu não consegui achar nada a respeito daquele gatinho... – Erika falou, suspirando desapontada, enquanto eu e Bob olhamos pra ela com um olhar confuso – O ‘’gatinho’’ que eu me refiro é aquele garoto de terno. Acredita que eu não achei, tipo, nada sobre ele??? Ninguém o viu naquele corredor, ninguém o viu em lugar nenhum com aquela definição, e até no grupo de Teatro eu já procurei... – Erika era rápida quando se tratava de um garoto. E ela sempre descobria algo sobre aquela pessoa, mesmo que nenhum outro soubesse. E, se nem ela mesmo descobriu, então quem diabos era ele?

–Espere, de quem diabos você está falando? – Bob perguntou, curioso.

–Um garoto de terno, cabelos pretos e olhos azuis. – Erika respondeu – Bob, você viu alguém com essas características hoje? Alguém super bonitão? — de fato, Erika estava desesperada por informações dele.

–Olha, eu não acho nenhum homem bonito, obrigado. E eu não conheço ninguém que...

Mas eu parei de prestar atenção.

Pois foi quando eu vi uma cena estranha.

–Hã, Erika-chan... – eu falei. Precisava mostrar aquilo.

–Espere, Honoka! – ela virou pra mim irritada, e novamente pra Bob – Tipo, ninguém mesmo? Nenhuma pessoa desse tipo? Tipo, altão...

–Não, pelo menos, não que eu me lembre. E... Honoka, o que foi? – Bob perguntou, percebendo que eu olhava outra coisa, e Erika se virou para mim também.

–Hã... Eu... acho que encontrei aquele ‘’gatinho’’. Não é aquele ali? — eu apontei para um lugar no pátio do andar de baixo. Só podia ser ele... eu tinha certeza. Aquela aura estranha...

–Espere...ONDE??? – Erika, delicada como sempre, empurrou minha cabeça pro lado para ver, e Bob também procurou ver.

–Não é aquele ali? – eu apontei.

Lá embaixo, eu vi o garoto, com seu terno arrumado, cabelos negros, e olhos azuis, sentado em um banco em um lugar que quase ninguém via, apenas nós, os privilegiados que estávamos no alto. Ele falava com uma garota mais ou menos da minha idade, com cabelos castanhos claríssimo que se assemelhava a um loiro, que também tinha amarrado o cabelo dividido em dois. Ela falava com ele sobre algum assunto, e ela usava um relógio. Mas não era um relógio comum. Era um relógio novo, brilhante e tinha uma borda amarela. Eles conversavam atentamente.

Mas o pior não era isso.

Eu havia visto aquele relógio no meu sonho. E eu me lembrava bem disso.

Aquela garota, que lutava ferozmente contra alguma coisa, usava um desses. A diferença era a cor da borda, que era roxa.

Mas seria isto normal? Será que eu tinha visto esse relógio em algum comercial da TV? Muito provável.

–..Gente, é ele mesmo!!! – Erika olhava pra ele boquiaberta – M-Mas... e-ele tem namorada??? O quê??? Olha o modo com eles conversam...

–Espere! – Bob olhava atentamente a garota. Até Bob? Vish, então a coisa tá seria – Aquela ali... Aquela ali é a minha irmã, Megumi!

–Espere, você tem uma irmã? — Erika perguntou, confusa. – Gente, desde quando? De que planeta ela veio??? – Erika, acidentalmente, deixou o pedaço de um dos sanduíches cair no chão, mas ela não pareceu perceber.

–É a meio-irmã de Bob – eu expliquei — Eles não têm a mesma mãe, mas sim o mesmo pai.

–Espere... para onde o cara foi? – Bob perguntou, procurando por ele. Minha curiosidade me levou a olhar, e novamente o meu correio recebeu uma caixa de surpresas.

Pra a minha surpresa – e a surpresa de Erika – o garoto havia sumido. Megumi continuou a comer sua refeição naturalmente, e, do banco, basicamente de onde o garoto estava, havia um gatinho – o mesmo gato do muro, o mesmo do corredor. Ele estava descendo o banco, e Megumi agia como se isso fosse absurdamente normal. Como a parte que eles estavam era meio isolada das outras pessoas, ninguém além de nós notaram isso. Mas isso já estava paranoico. De novo aquela sensação dos infernos passou pelo meu corpo, e eu não aguentei.

Tinha que agir.

–A...A-Aquele gato!!! Ah , não, agora eu vou tirar isso a limpo! – eu exclamei, revoltada. Deixei minha comida no banco e sai correndo para a escada que levava ao andar de baixo, deixando Bob e Erika confusos.

–EI, HONOKA-CHAN!! – Erika exclamou , confusa – ESPERE, AONDE VOCÊ VAI???

–HONOKA, ESPERE!!! – Bob exclamou também.

Eu desci a escada rapidamente. Eu iria descobrir que porra de gato era aquele, e que garoto era aquele. Ouvi Erika correr atrás de mim, mas eu desci a escada ignorando completamente aqueles dois.

Chegando ao andar de baixo, confesso que fiquei meio perdida. Olhei para os lados, as pessoas comiam suas refeições. Onde diabos o gato estava?

Eu saí andando entre as pessoas, esbarrando em algumas, pedindo desculpas, e acelerando o passo. Olhava para os lados, mas o gato não estava lá. Afinal, por que gatos tinham que ser tão macumbeiros?

Foi quando eu o encontrei. Ele andava meio afastado, perto do muro onde eu o vi pela primeira vez. As pessoas não davam muita atenção à ele, e as que viam exclamavam: “”Kawaii! [4]”. O gato andava meio rápido, então eu acelerei.

O gato percebeu que eu estava atrás dele, então o maldito correu também. Eu corri atrás dele, e pisei no pé de algumas pessoas, e pedi desculpas. Logo em seguida, bati a cara com força na parede – afinal, por que quando estamos com pressa tudo esbarra na gente? Eu era meio atrapalhada, então saí massageando a testa. Avistei o gato correndo por outro corredor, e eu o segui. As pessoas olhavam pra mim como se eu fosse uma louca desesperada. Bem... não era tão mentira.

–EI, ESPERE! – eu gritei pro gato, pois eu sou uma anta que pensou que ele fosse me entender. Cheguei ao corredor, e vi ele correndo, e ninguém o notou. Ele olhava para trás, e seus olhos brilhavam, como se dissessem: “Venha por aqui.”... espere, olhos falam? Bom, isso eu não sei. O que eu sei é que algo me chamava para lá. E eu, como uma besta retardada, fui atrás dele. Ele se dirigiu ao pátio meio escondido, enquanto eu o perseguia.

Ω

Notas finais
Bom, por enquanto é só isso! o/ A cada 2 capítulos um personagem principal narra, ou seja, no próximo, a narradora é Erika , e daqui a dois Bob, e assim vai o/ XD Avaliem, comentem se possível, vocês leitores são a alma da história o/ Até mais. Espero que tenham curtido! o/