Jeremy Sanderland
1 Era uma vez
Notas iniciais
O telefone toca no criado-mudo ao lado da cama. O quarto está completamente escuro. Jeremy acorda e se senta na cama, de tanto sono mau consegue abrir os olhos, tateia pelo criado-mudo até encontrá-lo, retira-o do gancho e leva a altura do ouvido.
__ Quem perturba? — Jeremy fala com a voz bastante sonolenta.
__ Oi, Jay! — Andres grita do outro lado da linha, sem contar nos ruídos de bateria, guitarras e baixo; Jeremy até afasta o ouvido do telefone. Cara, eu encontrei A BANDA. Escuta só isso. — Jeremy acende a luz do abajur, revelando o seu rosto; cabelos curto e negros, olhos azuis claros e uma cicatriz na sobrancelha direita, marca de um passado nem tão distante.
__ Andres. Andres? — Andres aponta o celular para a direção do palco, por tanto não tem como ouvi-lo. Andres(...)
__ Fala. — Andres encosta o celular no ouvido.
__ Eu não ouvi porra nenhuma, mas eu confio em você; se você diz que é A BANDA, eu assino embaixo e de olhos fechados. Agora deixa eu dormir o meu sono de beleza em paz. Ok?
__ Ok, até mais. Qualquer coisa, eu te ligo. — Jeremy coloca o telefone no gancho e se deita, sem ouvir sequer a última frase.
Então Andres, um cara acerca dos trinta anos, cabelos castanhos claro e de cumprimento médio e vestido sem a menor vaidade, torna a assistir a apresentação da molecada, que agita com solos de guitarras de enlouquecer qualquer um, com a espontaneidade na interpretação escrachada e debochada ou até romântica se preciso for. Enfim, eles fazem um show de gente grande, apesar dos 20 e poucos anos de idade. Esses caras têm futuro. Quando terminam e descem do palco, Andres passa desbravando a multidão, mas estava próximo da porta de entrada e, quando consegue chegar na frente, eles já desapareceram de suas vistas. Merda! Eu não acredito que eu perdi eles! Andres corre até o camarim; nada e nem ninguém, então corre até o estacionamento; e lá estão eles, entrando em um velho furgão, enferrujado nos para-choques .
__ EI! EI, ESPERA AÍ! — Andres corre como um velocista até alcançá-los. Meu nome(...) Eu me chamo(...) — Andres está fadigado demais para falar. Calma aí, deixa eu respirar(...) — Mattew, um rapaz de beleza delicada apesar de ser cabeludo e barbudo, desce do furgão e se aproxima. Eu não tenho mais idade pra isso. — murmura. Bom, eu me chamo Andres Smiths, sou empresário, produtor também, trabalho para o Jeremy Sanderland, inclusive. — os rapazes dentro do furgão olham um para o outro totalmente surpresos. Achei o trabalho de vocês muito foda. O que vocês me dizem de começar uma carreira profissional?
__ Não brinca, cara. — Mattew sorri e penteia os longos cabelos para trás. É sério mesmo?
__ É verdade, acredite. É uma chance única, alias. Posso agendar uma reunião com o Sanderland?
__ Claro, claro! — os rapazes da banda comemoram fazendo a maior algazarra dentro do furgão, enquanto isso Andres disca os números no celular e leva o celular na altura do ouvido.
__ Jay. — do outro lado da linha, Jeremy revira os olhos, bastante irritado.
__ Andres, estou caindo de sono. Para de encher o meu saco, porra! — Jeremy fala num tom não muito delicado.
__ Não, calma(...) — Andres sorri sem graça. (...)Escuta, posso agendar uma reunião com os rapazes da banda na próxima quarta-feira, às três horas da tarde? Segundo a sua agenda, você estará livre nesse dia.
__ Marcado. Boa noite, e não me ligue mais. — Jeremy finaliza a ligação antes que Andres falasse qualquer coisa.
__ Bom, rapazes. Vocês ouviram, né? Próxima quarta-feita, às três horas da tarde. Vou marcar para ser nesse mesmo pub. Tragam os seus instrumentos.
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