Jen Storm
8 O Interrogatório
Notas iniciais
Na sala de interrogatório Kate entra sozinha e Jen está em pé claramente aflita.
Jen: — Cadê o Derick? — Ela começa a andar de um lado para o outro com a cabeça baixa.
Beckett: — Você quer dizer o CASTLE?? Ele não está aqui.
Jen: — CASTLE para você, porque, para mim ele sempre será Derick Storm, mas, deixa para lá, você não poderá entender nunca.- e se senta.
Beckett: — Entender o que Srtª RODGERS? — Ela se levanta, bate as mãos sobre a mesa e aumenta o tom de voz — Que você é apaixonada por seu primo??? – Ela aponta para o vidro perdendo a linha totalmente.
Jen fica estática olhado para ela e não entende como poderia saber aquilo. Jen se levanta e se dirige para o espelho atrás de Beckett, quase como um zumbi, ela encosta a cabeça e a mão direita no vidro como se estivesse esperando que alguém estivesse do outro lado.
Beckett: — Eu já estou de saco cheio de você. Ele não está aí porque EU disse pra ele ir embora! – Ela fala com muita raiva.
Jen: — Está sim, eu sei que está.
Castle está com Ryan e Esposito do outro lado do vidro. Eles se olham assustados.
Jen volta para a cadeira vazia do outro lado da mesa e se senta.
Jen: — Sabe Kate, quando eu fiz 19 anos, meu pai tinha ido para Hamptons com a Tia Martha e tinham se esquecido totalmente do meu aniversário, pela primeira vez na vida. Fiquei muito decepcionada com ele e acabei chamando uns amigos e ficando no apartamento do Rick. Bebemos além da conta, — Ela estava com um olhar distante como se estivesse tendo um Déjà vu e Kate ficou só olhando para ela — Eu ia para minha casa de carro, mas, como eu não tinha condição de pegar a chave no bolso de tão bêbada, “Derick”... quero dizer, “Rick”, não me deixou ir embora e acabei vomitando nele e na sala toda. Foi constrangedor. Então, quando ele me levou para o banheiro e me limpou, — Beckett estava quase tendo um colapso e os meninos, atrás do vidro, quase matando Castle — sem que ele esperasse, eu o beijei e disse que sempre o amei.
Beckett estava sem palavras e não conseguia digerir aquilo apenas se encostou melhor na cadeira cruzando os braços esperando o fim da história. Enquanto isso, por trás do vidro, Esposito fica indignado e sai da sala. Ryan fica boquiaberto, mas, não fala nada e Castle olha aquilo tudo sem poder fazer nada.
Jen: — Sabe o que ele me falou, Kate? — Pergunta ela para Beckett que está paralisada e só consegue acenar um breve não com a cabeça. — "Você é, e sempre será, uma irmã para mim." E foi daí que eu vomitei novamente no colo dele e desmaiei, acabei dormindo por lá mesmo. Até hoje ele pensa que não me lembro daquele dia. Mesmo porque, nunca mais falamos nada sobre o que aconteceu.
Castle está parado em pé como uma estátua, só observando aquilo.
Jen: — Mas, daí ele te conheceu e, quando ele começou a me falar de você, eu soube na mesma hora que, nem Kyra, nem Meredith, nem Gina, muito menos EU nem NINGUÉM poderia fazer qualquer coisa para mudar esta situação. Sabe, — ela olha bem nos olhos de Beckett – com você é diferente. Não sei, mas, — ela faz uma pausa e mexe os dedos como se, procurasse em seus pensamentos as palavras certas, então, ela continua — parece que você tem alguma coisa. Uma magia! E isso era uma coisa que, com as outras nunca existiu.
Beckett: — Mas, e com Meredith? – Ela fica curiosa já que Castle tinha um caso relâmpago com Meredith cada vez que ela aparecia pelas redondezas antes deles estarem juntos.
Castle tem um súbito choque e pensa em voz alta: — O QUE??
Jen: — Meredith? Eles se casaram tiveram a Alexis, mas, quando se separaram e ele ficou com a Alexias conseguiu o que ele realmente queria: alguém para dormir sem compromisso. E com isso Alexis podia ter a mãe ao lado quando quisesse, nada mais que isso.
Muito confusa com tudo, Beckett se levanta da cadeira e, passando a mão na testa, olha para a garota e diz: — Voltando ao assassinato de Reynolds, para quem você ligou e por que?
Jen: — Para o Samuel, pedi para ele me encontrar do The Old Hunt para tomarmos uma cerveja.
Beckett: — Você ligou para ele para tomar uma cerveja depois de ver um vídeo que foi claramente adulterado? – Beckett fica intrigada e sem entender.
Jen: — Não foi só para tomar uma cerveja, mas, para conversar com ele e saber onde ele estava no dia que esse protótipo sumiu. – Ela fala com um tom de desconfiança.
Beckett: — Você acha que ele pode estar envolvido?
Jen: — Em minha empresa só existem duas pessoas que podem fazer aquele tipo de alteração na imagem em tempo real, eu e Samuel Peres. – Ela olha bem para Beckett e continua – Porém, para todos os meus produtos, desde o desenho inicial até a primeira maquete, eu faço questão de desenvolver pessoalmente, meus funcionários fazem as produções e finalizações. Meus produtos tem um sistema único de identificação que, APENAS EU e o meu cliente, sabemos onde está ou o que é. Por isso, minhas peças são exclusivas e a minha tecnologia é única. Para este protótipo existem duas bases de armazenamento de dados, o meu servidor interno na Rodgers Inc. e uma Cloud, onde eu chamo de GHOST.
O servidor interno pode ser, e foi, alterado gerando as imagens que vimos e que Peres também consegue mexer por conta de seu conhecimento e do acesso livre. Mas, se tem uma coisa que meu pai sempre me ensinou, é que devemos estar por perto sempre, mesmo estando longe. Foi daí que criei minha base de dados GHOST, onde, apenas eu, tenho acesso de onde eu estiver. Posso acessar remotamente até se estiver do outro lado do mundo todas as minhas dependências na empresa sem precisar de uma permissão física, podendo redirecionar as câmeras, acessar meu banco de dados e os bancos de dados dos meus clientes, enviar e atualizar meus projetos.
Beckett: — Vou precisar destas imagens para a perícia.
Jen: — Estes óculos estavam sendo desenvolvidos para uma unidade de investigação dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.
Beckett: — Acredita que eles podem ter estes vídeos?
Jen: — Não, esse protótipo nem foi enviado para teste ainda. Mas, este protótipo armazena imagens e só minha tecnologia poderá acessá-las.
Beckett: — Vou pedir as imagens dos óculos.
Jen: — Se realmente precisar das imagens dos óculos, apenas você poderá estar comigo na sala.
Beckett: — Por que???
Jen: — Isso é segredo industrial, além de que, terá que assinar um termo de sigilo total das tecnologias que terá acesso. Apenas as informações das imagens poderão ser utilizadas como provas, mas a tecnologia que verá não.
Beckett fica bem pensativa e acaba aceitando as condições. Ela sai vai até a Sala atrás do vidro onde pôde ver que Castle está parado, sozinho, apenas com os braços cruzados e observando Jen do outro lado. Ele nem percebe que Beckett estava ali.
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