Jamais engane um duque
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Londres, 1833, há uma semana do casamento.
"Será uma pequena reunião, apenas parentes e amigos muito próximos, Claire desejou uma cerimônia simples para que firmássemos nossas reais intenções diante de quem importa." Foi isso que Lilian ouviu ao ser convidada para o casamento campestre, foi o que ela ouviu quando Claire implorou que ela a ajudasse, ouviu até mesmo de Daniel que não teria com o que se preocupar, apenas alguns lordes e ladies, nada que você não tenha visto.
Lorde Beker tão gentilmente se oferecera para ir com ela, e estar a sós com Daniel era tudo o que ela precisava para entender aquela insanidade.
— Em que você estava pensando? – ela lhe deu um soco no braço.
— Primeiramente, ai! Segundo, do que você está falando?
— Eu imaginei que existia uma regra entre os canalhas, não comprometeras um jovem inocente, muito menos uma jovem noiva inocente!
— Não lhe incomoda esse jogo de palavras? Jovem, noiva, inocente, nenhuma mulher deveria ser noiva jovem demais, e nenhuma jovem deveria ser inocente demais.
— É uma boa tática tentar me distrair com assuntos que você sabe que renderiam mais que uma ópera, mas me pegou em um momento muito obstinada.
— Que desafortunado fui ao sugerir que viesse em minha carruagem.
— Daniel!
— Certo, certo! O que eu posso dizer?
— Não a essa loucura?
— Ficou louca se acha que eu deixarei outro homem criar meu filho.
— Não deveria haver um filho para início de conversa! Como diabos isso aconteceu?
— Bom, existe a história da cegonha é obvio, mas você não me parece o tipo de mulher que acreditaria nisso, então, vamos ficar com a fantasia da semente sim? Quando um homem e uma mulher...
— Pare! Não há necessidade de me explicar o que acontece entre um homem e uma mulher, não há nada que eu não saiba.
— Mas há o que não tenha feito.
— Diferentemente de minha não mais inocente prima Claire, graças a você imagino.
— Como é insistente! Certo. A verdade é que eu me encantei por Lady Claire no dia do noivado dela com o duque.
— Isso já faz um ano.
— Sim, faz.
— Vocês mantiveram um caso?!
— Não, por Deus não! Eu não sabia quem ela era quando de fato percebi que a desejava. E eu evitei por muito tempo cruzar o caminho respeitável de sua prima, mas ela acidentalmente veio até mim, e então já era tarde demais. Lilian eu fiquei desesperado! Não conseguia esquecer, tudo me lembrava Claire, e quando não era isso eu arranjava motivos para lembrar dela. Quando eu estava quase esquecendo a cor dos olhos ou o cheiro dela, eu dava um jeito de saber onde ela estaria, e passava por ela no parque apenas para dar bom dia, apenas para poder imaginar a voz dela nos meus sonhos. Foi inevitável, eu precisava de mais, queria ouvir a risada dela. Eu de fato, como já ficou muito claro, me apaixonei por ela, inevitável e fatidicamente, pela única mulher que não deveria.
— E você decidiu que deveria comprometer a mulher que amava? Deixá-la cair em desgraça?
— Eu jamais faria isso. Para ser sincero eu tive medo de tocar dessa maneira nela, mas ela veio até mim para se despedir porque é obvio que ela não decepcionaria os pais ou o duque, e tudo foi muito rápido...
— Está me dizendo que uma virgem inocente o seduziu? – Lilian estreitou os olhos e ergueu uma sobrancelha incrédula.
— Estou lhe dizendo que o amor de fato cega, mas não achei que haveria consequências, eu tentei evitar a concepção.
— Bem pelo visto sua arma deixou um rastro.
— Um milagre de fato.
— Ou uma desgraça de fato.
— Não fale assim do meu filho!
— Não estou, a criança não tem culpa da irresponsabilidade de vocês.
— Nem você.
— Muito menos eu.
— Já lhe agradeci pelo que está fazendo por nós hoje?
— Apenas umas dez vezes.
— Permita-me agradecer mais uma vez. Obrigada por permitir que eu fique com a mulher que eu amo.
Lilian bufou, e limpou uma lágrima teimosa que escorreu no canto do seu olho esquerdo.
— Esqueci que não acredita em arroubos de amor.
— Eu acredito que vocês se amem, verdadeiramente, e espero que nossa jornada seja bem sucedida.
— Já pensou se algo sai errado e você se torna duquesa?
— A sociedade londrina ficaria extasiada de ter sobre quem comentar novamente, e minha mãe me condenaria por me enfiar nesse ninho de cobras.
— Sem dúvida. Eu desejaria que você sentisse o que eu sinto por Claire. Ou melhor que um homem te ame tanto quanto eu amo Claire.
— Cristo, não! Por que me deseja tamanha agonia?
— Porque é a melhor agonia da vida, amar e ser amado de volta.
Lilian pensou em responder que não em sua experiência, amar significava ser enganada, era uma maldição, e que Deus a livrasse de tamanha incoerência. Não conseguia pensar em um só homem que a fizesse suspirar, alguém que pudesse desejar... Bem, havia um que a deixou tentada, mas esse ela não poderia nem mesmo cogitar.
*****
Lilian imaginou, que Kinlet House, a residência dos Kahn, fosse enorme e imponente, mas que a deixasse sem palavras? Isso já era um exagero. Pensou já ter visto de tudo, belíssimas propriedades, castelos, por Deus ela já vira Versalhes, e não tinha ficado tão impressionada, a casa dos Kahn era mais que um monte de cimento, areia e blocos que tinham dado certo, aquela casa exalava afeição.
— Acho que a senhorita gosta do que vê, não? – Lilian balançou a cabeça negativamente em uma meia resposta sem ao menos virar-se.
— Ora, não gosta do que fiz com a minha casa?
— Oh céus! – Ela virou-se e fez uma leve reverência desconcertada. – Peço que me perdoe por isso, vossa graça, eu estava muito entretida com tudo.
— Entretida com o que não gostou?
— Não, não me entenda mal, eu gosto do que vejo, mas gosto mais do que eu não vejo.
— Devo estar um tanto velha para entender a sua colocação minha jovem.
— A senhora encontra-se em ótimo estado, seja lá que idade tenha.
— Boa saída. Agora diga-me o que a senhorita não viu, que eu não possa ter visto nos últimos 30 anos.
— Afeto.
— Como?
— Se me permite ser levemente impertinente, vossa graça, sua casa exala afeto, eu me sinto de fato confortável e não intimidada. É como se, tudo tivesse um motivo para estar, algo que supera a austeridade e a elegância.
— Vindo de alguém que morou em um país que valoriza a arquitetura, sinto-me de fato lisonjeada.
Lilian não havia se apresentado, nem mesmo fazia ideia de que a duquesa soubesse quem ela era, um fato estranho, mas não impossível, Lady Vitória poderia lembrar-se de sua mãe, e deduzir rapidamente quem ela era.
— A construção é só um detalhe.
— É certo que sim. Devo dizer que a senhorita supera a maioria dos que já vieram até aqui.
— Apenas uma perspectiva diferente.
— Imagino que seja algo na genética. Como vai sua mãe?
— A condessa vai muito bem, obrigada por perguntar.
— Sabe, sempre achei lamentável o que houve com ela...
— Bem, não posso dizer que lamento tanto assim, caso contrário eu não estaria aqui.
— Ora estaria, claro que sim, seu pai certamente encontraria um jeito de chegar até ela. Era magnifico vê-los dançar, uma clássica história de amor.
— Vejo que a senhora é da parte dos admiradores.
— Sim, mas já andei pelas rodas dos que jogavam pedra, é preciso estar próxima dos seus amigos, mas é com os inimigos que aprende se mais.
— Duquesa... – Lilian sentiu que em algum ponto aquela frase se tornara pessoal, ela conhecia a duquesa como uma Lady perfeita, jamais sua conduta fora manchada, jamais sofrera um abalo em sua reputação.
— Aproveite sua estadia Lady Lilian. Se possível após terminar de se instalar com Lady Claire, sugiro que visite a ala leste, e tente não se perder.
Lady Vitória Clarke, a duquesa viúva era de fato tudo o que diziam, ela era amável, adorável, agradável, uma dama classe A. Lilian abafou uma risada pensando o que ela diria se a nova Lady Kahn fosse ela, dada as circunstâncias, duvidou que ganharia um A, afinal o alfabeto continha muitas letras, certamente ganharia as últimas. Estranhamente sentiu-se confortável com a mãe de Gabriel, como se ela entendesse mais sobre seu desconforto do que ninguém.
*****
Sentada sobre o batente – que mais parecia um banco – de uma janela na ala leste, com as pernas esticadas até a outra ponta, sentindo o calor do sol através do vitral, uma postura nada elegante para uma dama, mas não havia ninguém olhando. De repente Lilian necessitou de ar puro, seus pulmões imploravam. Assim, obedecendo ordens que ela julgava mais importantes que a da rainha, ela ajoelhou-se e esticou um braço para tentar abrir a janela. Trinco abaixado, ela empurrou a janela, ou ao menos tentou, e tentou, e tentou, ofegando e com dois fios de cabelo fora do lugar depois, Lilian decidiu que teria mais força nas pernas. Girou e acomodou-se com as pernas voltadas para a janela, firmou as mãos no banco-batente e empurrou com força, quem quer que passasse por ali, acharia que ela estava em um estranho trabalho de parto. Três gemidos angustiados depois e ela estava exausta, deu-se como crédito uma última tentativa, joelhos dobrados, barriga firme, puxou todo ar e... Foi a glória sentir o vento, por esse motivo uma mulher deve insistir em seus objetivos, pela gloria da vitória. Que nesse dia, não durou muito, em um instante saboreava a vitória, no outro sentia que estava perto da morte, suas mãos escorregaram do apoio e ela se lembrou que o banco-batente tinha metade de sua altura, bateria a cabeça e morreria, simples assim. Pobre Claire ficaria seu sua ajuda...
Um instante depois, Lilian tinha um grito sufocado na garganta, olhos apertados e uma careta, mas nada de um cabeça partida, ou de seu cérebro espalhado pelo chão, manchando a tapeçaria da ala leste. Deu-se conta, porém, que poderia ter outra coisa manchada, alguém a segurou.
— Estranho encontrar uma dama e ver que a reputação de fato a precede.
Um homem, muito bonito, com lindos olhos verdes a encarava.
— Estranho encontrar um homem que saiba da minha reputação e eu de fato nunca tenha ouvido falar.
Ele a ajudou a sentar-se mas Lilian negou ajuda para descer da janela.
— Lorde Nicolas Gratham.
— Marquês de Hastings.
— Vejo que apesar do tempo fora ainda se recorda dos títulos.
— Se lhe interessa saber sua reputação o precede.
— Vai realmente falar sobre minha reputação?
— O senhor trouxe o assunto à tona.
— Então deixe-me retirá-lo de cena. Tenho questão mais interessante em minha mente agora. O que diabos estava fazendo aqui? Eu ouvi sons muito estranho, imaginei encontrar uma carnificina ou uma orgia.
— Lorde Nicolas! Não deveria tratar desses assuntos diante de uma dama.
— Perdoe-me o engano, achei que a senhorita era do tipo divertido.
— Bom, devo dizer que acho carnificinas um tanto nojento, jamais participaria de uma sendo aquela que mata, mas também não gostaria de morrer tão jovem.
— Então sobram orgias.
— Receio não ter conhecimento sobre o assunto, mas parece melhor que um bando de corpos e sangue espalhado.
— Ainda existem corpos espalhados, mas não é tão divertido quanto parece.
— Bem, a despeito do que pense sobre mim, não pretendo adquirir conhecimento suficiente para dominar esse assunto.
— Não penso nada sobre a senhorita.
— Uau, acertou um pouco meu ego milorde.
— Não que a senhorita não seja bonita, inteligente, ou divertida como pôde provar. A maioria das damas teriam desmaiado, saído correndo, ou rezado que alguém nos pegasse nesse momento.
— Que grande escândalo uma conversa entre um homem e uma mulher, não? Mas duvido que o senhor falaria sobre assuntos tão elaborados com qualquer outra dama presente.
— Certamente não.
— Então sua opinião a meu respeito não difere da opinião dos outros.
— Minha opinião, é que Lady Felicity causa histeria e desconforto, hoje ou quatro anos.
— Estava no baile?
— Sim, e sinto muito que tudo tenha recaído sobre a senhorita.
— Não crê que eu seduzi um homem comprometido? Que sou uma ladra de noivos?
— Creio que William Cavendish não era nenhum santo, e que é mais fácil arruinar uma dama do que assumir suas responsabilidades. A sociedade londrina ama exaltar a honra, moral e decência, mas julga e condena com a facilidade de um piscar de olhos.
— O que sabe sobre julgamentos e condenações milorde?
— Algumas coisas.
— Admito que fiquei curiosa.
— Eu que estou curioso para saber o motivo da sua quase queda fatal.
— Teria sido, não teria? Céus! Eu sabia que tinha previsto minha morte.
— E tudo isso porque...
— Porque eu desejava sentir a brisa no meu rosto.
— Uma mulher de grande determinação devo dizer, essas janelas estão fechadas desde que essa casa existe.
— Que pecado!
— O único jeito de mudar isso é tornar-se duquesa e ordenar que abram as janelas todos os dias.
— Ou, posso contratar um arquiteto, e iniciar uma reforma na propriedade da minha família, e ter minhas próprias janelas com bancos para tomar uma brisa, o sol da manhã e grandes taças de vinho.
— Por favor, correndo o risco de ser mal educado, peço que me convide quando estiver pronto.
— Será o primeiro a ver.
— Seu marido permitiria tal liberdade?
— Depende, o meu marido seria o primeiro a ver.
O marquês engasgou, ficou vermelho e tossiu freneticamente. Lilian por sua vez começou a rir e pôs-se a andar.
— Ora Lorde Hastings, não se preocupe, estava brincando, não pretendo me casar.
— Não seria uma ideia tão ruim casar-me com a senhorita.
Lilian fez um som de surpresa e abanou os olhos teatralmente, como se evitasse chorar.
— Por Deus, estou emocionada! Um pedido de casamento tão cedo, terá sido amor à primeira vista? Foi minha beleza estonteante ou minha língua afiada que o conquistou?
— Certamente um pouco dos dois.
Cruzavam a ala sul, onde ficavam as obras de arte, quando Lilian exigiu.
— Ora, então proponha corretamente milorde. – Ela parou e o encarou desafiante.
— O que quer dizer com isso?
— De joelhos. Rendido e devotado, demonstrando todo o seu amor por mim, e que sou uma perfeita Lady.
Para a completa surpresa de Lilian ele o fez, ela deixara o marquês de Hastings de joelhos. Ele era de fato um homem muito divertido por estar brincando com algo tão respeitável. Ele segurou a mão de Lilian.
— Prometo que teremos uma casa onde as janelas sempre estarão abertas, e que se for do seu desejo terá acesso a enciclopédia das orgias e carnificinas.
Lilian gargalhou.
— Hastings e Lady Lilian! Não esperava encontrá-los por aqui, muito menos em... Você não deveria ter um anel para isso?
Gabriel aparecera no perfeito momento para acabar com a diversão e dar vez as preocupações de Lilian.
— Fui pego de surpresa.
— Não sabia que estava cortejando Lady Lilian.
— Ora, vossa graça, creio que deva saber que eu não sou exatamente o tipo de mulher a que fazem a corte, estou um pouco velha para isso, fiz vinte e dois semana passada.
— Ora, eu iria me casar com uma velha caduca? Está tudo terminado entre nós Lady Lilian.
— Certo, o que está acontecendo aqui?
— Nada de impróprio se é a sua preocupação milorde. Lorde Nicolas e eu estávamos apenas brincando.
— Insultando a sagrada instituição do casamento?
— Ora, vamos Gabriel! Pare de ser um velho de 100 anos.
— Diferente de você Nicholas, eu levo minhas obrigações a sério, respeito e desejo me casar.
— E quem disse que eu não respeito?
— Uma proposta deve ser algo verdadeiro, não pode iludir uma moça e...
— Oh não, não. Lorde Nicholas não me iludiu em nenhum momento, pelo contrário ele me divertiu e salvou-me de um trágico fim, é de fato o meu herói.
Gabriel tinha uma expressão difícil no rosto, ela não saberia dizer se era dor, choque, ou apenas desgosto, o que sabia era que não tinha gostado da maneira que ele os tratou.
— Lorde Nicholas deveria saber que por mais que a senhorita não ligue para o que podem dizer, alguma outra pessoa poderia ter visto a encenação de vocês e interpretado de outra maneira, e desmentir um pedido de casamento poderia estremecer uma reputação já abalada como...
— Como a minha milorde? Era o que ia dizer? Pois saiba que eu não ficaria muito pior do que agora aos olhos da honorável sociedade.
— Não era o que eu ia dizer.
— Parece que ofendeu a senhorita, vossa graça, é assim que passa seus minutos ducais? Pensando em como ofender Ladies e amigos?
— Não tive a intenção, eu apenas fiquei preocupado com seus sentimentos Lady Lilian.
— Oh, não se preocupe duque, meus sentimentos estão em perfeita ordem, minhas decisões e pensamentos também. Não desejo me casar, e não desejo a aprovação de um banco de pessoas que eu não ligo a mínima.
— Vê, eu e Lady Lilian temos muito em comum, mas já que perturbamos tanto os seus nervos Gabriel, farei uma promessa, Lady Lilian, caso daqui a quatro anos estejamos solteiros e disponíveis, me daria a honra de ser minha esposa? Sua companhia é mais que tolerável, e é dona de uma beleza surpreendente.
— Teríamos lindos filhos com perfeitos olhos verdes.
— Sim teríamos.
— Ora, não pode estar falando sério Nicholas! – Gabriel berrou com os braços cruzados.
— É tão absurdo que eu possa ser uma marquesa em quatro anos, senhor? Não me considera adequada? Escandalosa demais?
Gabriel não respondeu, e Lilian segurou um desapontamento. Afinal o duque pensava dela o mesmo que todos. Sabe-se lá de onde veio uma vontade de atazanar a perfeita construção moral do duque, mas Lilian quis deixá-lo chocado.
— Pois bem Lorde Nicholas, sua companhia é de fato tolerável e o senhor é o homem mais belo em que já pus os olhos, bem o segundo mais belo. Em quatro anos, se eu não estiver ostentando um outro título que Lorde Gabriel também duvide, nos casaremos!
*****
E para o completo horror de Gabriel, Lilian atirou-se nos braços de Nicholas e o abraçou e seu amigo a girou segurando sua cintura como um casal de apaixonados. Jamais saberia de onde tinha vindo aquilo, mas ele teve vontade de socar o amigo, de afastá-lo dela, Gabriel quis trancar Lilian em um lugar onde ela jamais voltasse a ver Nicholas. Estava furioso, e com razão, um homem não deveria brincar com o coração de uma dama! Saiu pisando duro para chamar atenção e separar o casal.
— Encontre sua noiva para acalmar lhe os nervos Gabriel!
Nicholas berrou no corredor e Gabriel ouviu risada de Lady Lilian. Inferno! O que deu nele? Agindo como se fosse protetor de uma mulher que pelo visto sabia proteger-se muito bem. Preferiu acreditar que estava defendendo os interesses de sua futura esposa, imagine se um escândalo respinga na família de Claire.
E ele a havia ofendido, sabia que sim, mas não tivera a intenção, queria simplesmente dissuadi-la de qualquer fantasia que pudesse vir a ter com Nicholas. Não que ser uma marquesa não fosse uma glória considerável, mas ser a marquesa do melhor amigo do duque o deixava desconfortável, já era o bastante que Lady Lilian fosse uma prima distante, não poderia ser tentado após casado com tamanha proximidade... Casado! Era isso, sim, era sim, Gabriel deveria concentrar-se no seu casamento.
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