Notas iniciais
Yoo, pessoal. Peço desculpas pela demora (se é que alguém ainda acompanha - desculpo-me novamente). Viagem, joguinhos, estudos... Entendem? uhehae. De qualquer forma, continuo escrevendo e desejo uma ótima leitura a todos, (:

– Meia hora e estaremos livres – Ed encarou o relógio branco no pulso e suspirou.

– Quase isso.

Dust observava atentamente seu monitor enquanto rabiscava na mesa digitalizadora, pensando que apenas o rapaz ficaria realmente livre até domingo.

– Mas diz como se nosso trabalho fosse ruim.

– Gosto dele, só quero que o final de semana comece logo... Tem muita coisa para organizar ainda? – abaixou-se até o frigobar ao lado da mesa e coletou uma caixinha de suco de laranja.

– Preciso terminar de guardar as roupas e decidir se levo meu Xbox.

– Então é rápido – levantou-se de volta e largou a bebida na mesa da amiga, pegando outra de sabor pêssego, já posta pela garota em cima da tábua. – Vamos jogar, já que tem quatro dias restantes – sorriu.

– Irá aguentar trabalhar sem minha companhia por seis meses? – desviou o olhar para a embalagem recentemente posta perto de si, pegando-a.

– Diz como se fosse algo ruim – rebateu, com um sorriso florescendo nos lábios, utilizando frase similar a da garota.

Dust o encarou brevemente com uma expressão neutra enquanto consumia o suco através do canudo.

– Não precisa terminar nada? – tentou se livrar da companhia do amigo.

– Já fechei o banner da Conmedics e a minha ideia para o Cathe também — sorriu orgulhosamente.

– Ah, sim, esqueço que as coisas mais fáceis ficam para os menos eficientes – olhou de relance para o lado e sorriu rapidamente ao enxergar o garoto.

– Devolve – jogou o olhar para o suco na mão de Dust. – E fique com os de pêssego. Eles são tão úteis quanto você – retrucou, mas logo sorriu.

(...)

– Essas flores precisam ser trocadas – enquanto descia a escada para o térreo, observava os pequenos vasos em cada degrau.

– Elas estão murchas por causa da sua presença aqui – Ed a seguia ao lado.

Chegando ao andar da entrada, dirigiu-se a mesma, passando pela recepção. Alguns estagiários conseguiram a vaga há um semestre, já tendo bom relacionamento com os dois amigos. Tentar entrar em um estágio para atender telefones, subir todas as escadas para indagar os chefes antes de responder e-mails e dar “bom dia” a todos que passam ali parecia custoso.

– Ei, Moon! Ed.

Um garoto, da idade da Rainha, cumprimentou-os assim que pararam em frente ao balcão, perto da saída.

– Como vai, senhor Josh? – Dust modificou a voz para parecer uma duquesa, brincando com o rapaz.

– Feliz em ter você aqui, senhorita. Ou melhor... Majestade – arqueou as sobrancelhas.

Dust riu e se despediu, saindo do edifício junto de Ed. Acertada por uma massa de ar quente, reclamou mentalmente por ter abandonado o interior da empresa resfriado por aparelhos de ar-condicionado. Os dias de junho, encharcados pelo verão, eram deprimentes e, mesmo naquele horário, que passava das cinco da tarde, a alta temperatura insistia em continuar aborrecendo-a.

– Esse cara é bem chato.

– É... – respondeu incerta para o amigo em relação ao estagiário de antes. – Digamos que ele seja um pouco...desagradável.

Josh fazia parte da fração da população que Dust considerava um tanto pegajosa e cansativa, sempre fazendo piadas sem graça. Não gostava de criticar os outros, mesmo que fossem componentes desse grupo chato ou de outros que não lhe cativavam – condenava pessoas apenas durante jogos multiplayer, que a surpreendiam com seus jogadores “toscos e incapazes de pegar três kills consecutivas”. Por isso, embora Edward fosse seu melhor amigo, não concordaria diretamente com a afirmação do mesmo.

– Queria saber se você é minha amiga só por educação também – Ed olhou brevemente para a garota, que o guiava para atravessar a rua.

– Ser amigo por educação não existe. Você até poderia dizer “ser colega”, ou, mais certo que isso, “conhecido”.

Retornou o olhar rápido e, chegando na calçada, continuou:

– Amizade é algo forte. Ao contrário de você, não considero qualquer um como amigo.

– Mas dá na mesma falar...

A resposta do garoto foi interrompida por um chamado, quase um berro aos ouvidos de Dust, vindo de trás. “Alguém te chamou”, Ed avisou inutilmente. A voz, feminina e emanando alegria, continuava tamborilando nos ouvidos dos dois, cada vez mais forte chamando pela aluna de publicidade.

– Dust... – Ed parou de andar e a encarou.

– Tudo bem... – suspirou e girou cento e oitenta graus.

Ao virar-se de costas, deparou-se com uma ruiva mais alta que si e de lábios vermelhos vindo em sua direção apressadamente. Seus cabelos lisos passavam poucos centímetros dos ombros, enquanto sua pele era ligeiramente branca e apresentava as sardas de costume dessa estética; o que mais chamava atenção era a cor de seus olhos, preenchidos por verde-esmeralda. Carregando uma pequena bolsa amarela suspensa no alto do braço, sorriu para os estáticos jovens quando os alcançou.

– Você é a Moondust, né? A rainha? – questionou com expectativa.

– Sim – retribuiu o sorriso levemente.

– Isso é demais! Reconheci você pelo cabelo enorme – relanceou para as mechas castanhas de Dust. – Só tinha te visto por fotos até agora. Quer dizer... chutei que fosse você. Ainda bem que é, eu pagaria um mico se não fosse! Bem, vim aqui conhecer a Doness antes do Ivzor começar.

– Ah, sério? Acabamos de sair de lá – contou com a voz macia, apesar de começar a se assustar com o brilho de entusiasmo nos olhos da desconhecida.

– Já estão fechando? Queria conhecer lá... – suspirou, porém logo se recompôs e voltou a distribuir sorrisos. – Pelo menos conheci minha Rainha e seu amigo.

– Poderá voltar na segunda, se quiser – encarou a garota atenciosamente. – Então você é uma das participantes?

– Sim, sim. Tudo bem que ainda não sei meu time – gesticulou em sinal de irrelevância. — Mas creio, e espero eu, que seja do seu. Por acaso... – olhou com interesse para a Rainha. – Não sabe quem fará parte da equipe Vor?

– Infelizmente ainda não – balançou a cabeça e lançou um sorriso fechado.

– Entendi. Que droga – expressou sua decepção através de uma careta.

– Ah, esse é o Edward – apontou com o dedo indicador para o menino. – Trabalha comigo na Doness.

– É um prazer conhecer vocês. É verdade! Sou a Phenice – olhou, por um instante, para Ed, que observava estranhamente a via movimentada.

– Prazer, Phenice – Dust respondeu educadamente. – Tenho que ir agora, não gosto de chegar em casa quando está escuro. Vejo você em breve?

– Claro, espero que sim, né? – sorriu. – Valeu, até breve então!

Percebendo que a conversa terminara, Ed despertou de algo que parecia um sonho e acenou para a ruiva, acompanhando a amiga em seguida.

Após conseguir boa distância da empresa, Dust o observou enquanto chegavam perto do condomínio em que morava.

– Você não é tímido assim.

Ed entendeu o que ela estava insinuando.

– Hm, ela era bem bonita.

– Você não fica assim quando falamos com a atendente da Doness ou com qualquer outra garota bonita.

– Essa era ruiva, e realmente bonita...

A garota o mirou em silêncio por um tempo. “Homens são realmente bobões”, finalmente pensou e riu sozinha. Lembrou-se do olhar que Phenice desviara em direção ao amigo. Talvez ele tivesse uma chance. Imaginar aquele casal, de qualquer forma, causava caretas de tédio e inúmeros questionamentos quanto à função de um namoro.

A figura de Phenice permaneceu em sua mente. Que poder ela teria e em qual time foi disposta? Toda aquela espontaneidade era parte de sua personalidade natural ou de outra inventada para evitar ser revelada? Se a resposta fosse a primeira opção, ficaria feliz em ter alguém com modo contrário ao seu na equipe.

Tentando retirar os pensamentos em Ivzor, passou pelo porteiro do condomínio Foshire e apressou Ed.

– Vamos logo aproveitar essa sexta. Jogaremos até amanhecer.

– Com o armazém de Pocky de morango e Coca-Cola chinesa? – pareceu retornar ao seu jeito de costume e seguiu Dust.

– Aquilo não é refrigerante, e sim pasta de dente com desinfetante.

– Eles só querem te livrar de microrganismos maus – deu um sorriso.

Dust sorriu com o amigo. Sua companhia, mesmo que ainda liberada durante o projeto da Torkness, seria insuficiente em sua visão. Tinha certeza que não conheceria alguém durante Rainha que pudesse ser chamado de amigo. Ela, no entanto, poderia estar bem equivocada.