Sempre que acordo ainda me pergunto o que continuo fazendo aqui nessa casa e cidade, a única coisa que me prende é minha mãe.

Após a morte de meu pai, mamãe ficou praticamente louca, não comia, falava coisas incoerentes, não cuidava de si mesma e nem da casa e eu acabava sofrendo junto a ela, porém alguém dentro da casa teria que ser forte.

Eu queria sair dali, respirar um pouco, me sentir eu novamente, mesmo que o meu eu nem sempre agradasse ao outros.

Afinal todos querem como companhia alguém, alegre, faladora, sorridente, algo que nunca fui. Sempre fui reservada, falando quando necessário, muitas vezes ignorando a tudo e todos, sem me preocupar com o que comentam sobre mim, e raramente expressava o que pensava ou sentia.

Mas ao mesmo tempo que queria sair dali, não podia deixar minha, porém não sabia mais o que fazer. Tia Renée também parecia pensar o mesmo ela passou a nos visitar cada vez mais após a morte de papai e estava extremamente preocupada com sua irmã.

As coisas pareciam piorar a cada dia, mamãe passou a questionar sobre papai o tempo todo e eu tinha que falar sobre a morte dele, o que a fazia ficar aos prantos e se trancar em seu quarto, depois de um tempo passei a inventar coisas para ver se ajudava, mas não adiantou, ela ainda chorava, dessa vez pensando que ele estava vivo e estava triste por ele não estar em casa.

Tia Renée resolveu visitar hoje, o que não era normal já que ela só aparecia de três em três dias.

_Como estão as coisas? — Perguntou ela.

_Como sempre, piorando a cada dia.

_Eu estava pensando... — Começou ela e eu a encarei esperando que juntasse as palavras certas para falar comigo. — Eu quero procurar ajuda médica para sua mãe, porém as férias de Phill estão acabando e temos que voltar a viajar, e não posso deixar você se preocupando com tudo, você ainda é muito novo para ter tanto fardo assim, estava pensando em você ir morar com Charlie e Bella, enquanto internamos sua mãe para ela receber a ajuda e atenção que precisa. — Disse ela.

Parei e pensei um pouco, minha mãe não ficaria desprotegida sem ninguém a olhando e cuidando e eu iria sair dessa casa e de todas as lembranças.

_Claro, tudo bem é o melhor a se fazer.

Ela me deu um sorriso feliz por eu ter aceitado sua oferta.

_Deixa que eu cuido da passagem, e prometo que antes de você poderá ver o local em Helena ficará. — Prometeu ela e eu assenti.