Foi quando Gerard tinha tido um problema no joelho por causa de uma queda no palco. Ele e a sua mania de achar que era acrobata durante os shows. Então um dia ele pulou, caiu de mau jeito e pronto: uma semana de repouso.

A priori Gerard ficou absolutamente puto por ter que ficar longe dos palcos e passar o dia todo deitado no sofá ou no seu beliche, mas logo ele se acostumou com a mordomia. Ele até conseguia andar, mas preferia não o fazer e quando fazia, andava como se estivesse ficando paraplégico. Depois de alguns dias um simples mau jeito no joelho tinha virado “quebrei o joelho” quando ele contava a história.

Gerard, sempre o exagerado.

No terceiro dia ele estava como sempre deitado no sofá do ônibus vendo TV. Frank foi até ele.

- Larga de ser folgado, eu quero sentar.

- Eu não.

Então Frank levantou a perna do vocalista, sentou e a colocou no seu colo. Gerard grunhiu.

- O que tem passando? – Frank perguntou.

- Nada. To vendo a MTV, por incrível que pareça.

- Credo. Me dá o controle, eu quero botar no Fuse.

- Eu não, tá passando o clipe da Kelly Clarkson.

Frank o olhou com a testa franzida, e constatou com horror que Gerard estava falando sério.

- Acho que o seu joelho deve ter algum nervo ao seu cérebro que te faz ficar demente.

Gerard o olhou, carente.

- Você sabe que eu não suporto dor bem.

Frank riu levemente e falou:

- Onde dói exatamente?

- Aqui. – Gerard tocou o próprio joelho, apontando uma certa parte. Frank botou a sua mão sobre a dele e os dois se arrepiaram com o toque. Gerard ficou levemente vermelho. – Er... dói quando eu dobro e quando ando.

Frank massageou levemente o joelho dele por um tempo, os dois em silêncio. De vez em quando olhava para o rosto de Frank, e riu levemente. O guitarrista o olhou.

- Que foi?

- Nada. Você fica bonitinho quando tá sério.

Mas Frank não riu. Olhou para o chão, pensativo, como se estivesse indeciso sobre falar algo. Gerard o incitou.

- Qual o problema, Frankie? – e tocou levemente as mãos dele. Frank tirou as suas mãos das dele e falou:

- Aquilo tudo... no palco... Gee... eu preciso saber....

- Eu escorreguei, ok? Você tava lá, você viu.

- Não, não é isso. É que... você e eu, no palco... quando a gente se beija, e abraça e tudo mais... – Frank parecia incrivelmente nervoso. – Aquilo tudo... é fingimento, né?

Gerard o olhou, confuso.

- Frankie, você é o meu melhor amigo. Porque eu fingiria o que eu sinto por você?

- Ah. – Frank falou, enquanto a palavra “amigo” ainda entrava na sua cabeça. – Certo. Ok. Claro, eu fui idiota. Er... – levantou, não olhando para Gerard. – Eu vou te deixar aqui, vendo o 50 Cent. Eu... vou andar. Tenta botar gelo no... seu joelho. – e saiu do ônibus.

Frank se xingava enquanto andava pela terra. A voz de Gerard ainda soava na sua mente. Amigo. Claro que todos os beijos e abraços e piscadas e sorrisos não significavam nada. Era um show. Apenas um show. “Frank idiota. Show idiota. Sentimentos idiotas.”

Ele parou não muito longe do ônibus. Acendeu um cigarro e afundou a cabeça nas mãos, sentado num banco. Não significava nada. Era apenas a sua imaginação hiperativa.

- Frank?

O Way errado estava em pé na sua frente.

- Oi. – falou, o mais normalmente que conseguiu.

- O que houve?

- Nada. – mentiu. Mikey se sentou ao seu lado.

- Gerard?

- Que é que tem ele? – ele falou inocentemente. Mikey suspirou.

- Olha: o Gee é fechado, principalmente com sentimentos e essas coisas. Tem coisas que ele não admite nem pra si mesmo. Só o que ele precisa é parar de ter medo. Ele precisa de alguém em quem possa confiar.

- Legal, Mikey. Mas porque você tá falando isso pra mim? Vai falar pra ele, ué.

- Não. Você precisa falar primeiro, senão ele não vai perceber. – Mikey piscou e se levantou, indo embora. Frank ficou olhando para o ônibus do MCR, mordendo o lábio. Tragou o cigarro mais uma vez antes de jogá-lo fora e foi até o ônibus, determinado. Abriu a porta e encontrou Gerard aonde tinha deixado, deitado no sofá.

- Qual o problema? – o vocalista falou, piscando confuso. Frank hesitou.

- Eu... eu só queria dizer que.... eu gosto.... você pode confiar em mim. Você não precisa ter medo de sentir.

Gerard o olhava abobado. Ficou encarando Frank desse jeito por mais um minuto antes do guitarrista perceber que o conselho de Mikey foi tão inútil quanto uma bicicleta para um paralítico. Saiu do ônibus, sem receber resposta de Gerard.

Não foi muito longe. Encostou num ônibus que era vizinho ao seu e respirou fundo, tentando conter as lágrimas. “Controle-se. Foi só uma simples rejeição. Não é nada demais. Supere.” Fungou e enxugou o rosto, com os olhos fechados. Então ouviu o seu nome sendo gritado.

Abriu os olhos e viu Gerard pulando numa perna só, gritando coisas inteligíveis, até chegar em Frank. Quando parou de ofegar falou:

- Frankie... seu idiota.... – e o guitarrista sentiu seu coração afundar. – Porque você não fala claramente? Você sabe que ultimamente eu estou meio lerdo.

- Eu... – Frank se calou quando Gerard se agarrou nele para não cair. Eles agora estavam num abraço estranho. Se olharam. Gerard sorriu.

- Você realmente é idiota. – e o beijou.

Depois que a surpresa inicial passou, Frank sorriu e aprofundou o beijo, ainda segurando Gerard. Quando se separaram falou:

- Você é mais.

Gerard riu e se apoiou no braço dele. Enquanto caminhavam de volta para o ônibus do MCR falou:

- Pelo menos agora eu vou ter um empregado só meu.

- Vai nessa. – Frank riu. – Espera até eu quebrar alguma coisa que você vai ver o que é inferno.

Gerard também riu e se afastou um pouco do guitarrista, ficando em pé sozinho. Segurou a mão dele e entrelaçou os seus dedos com os dele. Frank o olhou.

- Você não precisa de...

Mas Gerard apenas sorriu, mancando.

- Eu perdi o medo de cair. Estou com você agora.

####

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!