It's my life

1 Capítulo 1 - O começo


Notas iniciais
Eu sou Violet Evergarden, se você chegou aqui é porque deseja saber da minha história e como me envolvi em uma cidade tão louca como South Park. Sente e relaxe, eu vou te contar tudo, mas lembre-se isso é um segredo! Pronto(a)? Então vamos começar...

Capitulo 1 – O começo

Família Evergarden, donos da maior fabricante de perfumes com matriz na Flórida, isso antes daquele trágico acidente em 8 de julho, onde tudo mudou. Um ano após os três irmãos estavam sendo cotados para serem enviados a cuidadores desconhecidos, órfãos de pai e mãe cada um deles reagiu de uma forma diferente. Jhonny se fechou, todos os eventos, seus estudos, tudo deixado de lado. Ele virou um delinquente e um bullier, expulso de 3 escolas diferentes, gastava a herança dos Evergarden como se fosse nada.

Katy por sua vez só chorava, perdeu os poucos amigos que tinha e suas notas despencaram. Ela sofria bullying em casa pelo irmão e na escola pelos colegas riquinhos. Sempre teve uma vida de aristocracia e nobreza, então seu convívio social era limitado aqueles maurícinhos e patricinhas que só ligavam para aparência. Não que isso fosse um problema para Katy ou Jhonny. O mais velho, filho de um casamento anterior, tinha cabelos castanhos claros, olhos verdes e um porte atlético, jogador de basquete, cantor e compositor. Todas as meninas se apaixonavam por seu estilo Bad Boy e suas ousadias, tudo parte do seu charme, seus contras eram ser um pervertido de carteirinha, um pegador incurável e cruel com qualquer infeliz que por desventura do destino cruzasse seu caminho.

A mais nova, nascida com os traços do pai, olhos azuis e cabelo preto escuro como a noite sempre em uma trança enrolada em uma fita formando um laço no final, tinha as feições da mãe, gentil, delicada, mas esperta e decidida. Ela sempre fora muito sentimental, romântica e sempre era o elo de formação entre mim e Jhonny, principalmente porque o mais velho e eu nunca nos dermos bem, Jhonny era filho do primeiro casamento do nosso pai, um casamento sem amor, por dinheiro, negócios, o que o tornava nosso meio irmão.

Eu sou Violet, a irmã do meio. Nossa mãe dizia que eu fui o fruto do amor entre eles, pois quando ela se casou com meu pai foi por amor, o que para famílias ricas não é nada comum. Fui aquela que puxou a aparência única dela, o que me trouxe problemas. Meu cabelo é um tom de vinho, não era ruivo, nem preto. Um tom de vinho tinto daqueles bem doce quase como um suco de uva, eu diria. Todos diziam que era tintura e isso me deixava irritada, minha paciência não era das melhores admito, o que sempre me fazia entrar em confusões. Meus olhos também possuíam uma cor única, rara demais, púrpura. Ela dizia que era a mistura dos olhos negros como a noite dela com os olhos azuis do meu pai, eles se amavam muito.

Sempre fui mais reservada, mas meu senso de justiça sempre foi apurado. Sempre me coloquei em situações difíceis para proteger meus amigos ou até pessoas desconhecidas que eu desejava proteger e cuidar. Com isso tomei uma identidade de "super heroína", Ladynoir. Inspirada em um desenho que eu amava quando mais jovem, fiz a fantasia e usei tecnologia da empresa dos meus pais (escondido óbvio) para forjar uma arma sutil que eu pudesse utilizar em todas as situações. Era perigoso, mas era a minha liberdade. Minha escapatória das responsabilidades das quais, com a morte dos nossos pais só aumentou. Além de tudo, ainda cantava e dançava, era uma idol em ascensão, algo que na verdade teria começado apenas como uma brincadeira, feito com hologramas para apresentações, comecei a ganhar dinheiro com isso desde os 8, primeiro para propaganda de perfume e depois com musicas autorais minhas e do meu irmão.

A indústria musical foi o que nos ajudou a não perder tudo, sem a gerencia dos nossos pais, conseguimos manter a empresa com nossos ganhos, contudo tivemos que diminuir e muito nossos luxos. Me esforcei para garantir a qualidade de vida de Katy, minha irmãzinha era tudo para mim. Por isso estamos nos mudando para uma cidade no Colorado, South Park. Os Stotch irão cuidar de nós. Eu me lembro vagamente deles serem algo como primos do meu pai ou algo do tipo, essas relações de família são difíceis, mas eles toparam serem nossos cuidadores, afinal quem não gostaria de cuidar de 3 herdeiros, não é mesmo? Não falando mal, eles eram legais, eu acho. Minhas memórias são nubladas sobre isso, mas lembro vagamente deles terem um filho da minha idade.

Enfim, estamos nos mudando para uma casa que mandamos construir depois dos trilhos de trem, um pouco mais distante do núcleo da cidade pois o terreno era mais barato. Sim, eu que cuidei de tudo. Desde que Jhonny se isolou eu tomei a dianteira e resolvia todos os problemas de nossa família, claro, ele me ajudava muito, Jhonny já tinha quase 17 e, portanto, já podia até dirigir, então ele assumia algumas responsabilidades da empresa. Mas, no final do dia nós sempre discordávamos de algo. Resolvemos que seria melhor ele lidar com assuntos da empresa e eu iria gerir nossas carreiras e família, era muito para uma garota de apenas 15 anos, mas a vida cobra e a gente tem que crescer, pelo menos na frente da Katy eu precisava ser a figura que ela se espelharia.

Eu tinha me esquecido como era viajar de avião, mas a pior parte era a viagem de carro. Jhonny alugou um carro quando chegamos em Denver, não quis dar trabalho aos nossos “tios” se é que podemos chamá-los assim, e Jhonny queria ir logo para casa. Estávamos atrasados, tínhamos que ter nos mudado há 2 semanas, já tinha inscrito todos na escola e já era quase metade do semestre, final do janeiro. Jhonny precisava recuperar o ano perdido na escola e Katy precisava melhorar nas notas. Com fones de ouvido naquele carro alugado minha cabeça não parava, tentando arrumar as grades das nossas atividades, principalmente as da mais nova, eu perdi a minha adolescência e infância tentando ser perfeita e cuidar dos dois. Não queria isso para ela, mesmo sem nossa mãe eu faria tudo para que ela tivesse uma adolescência normal, no auge dos seus 10 anos ela precisava curtir, brincar e de amigos e isso tirava o meu sono.

Finalmente paramos na garagem de casa, que lugar gelado. Eu sabia que era frio, mas era neve para todo o lado, mesmo que não nevasse era frio. Puxei meu capuz e cobri o meu rosto. Fiz o mesmo com a mais nova antes de sair do carro, tudo o que eu menos queria era que a pequena pegasse uma gripe. Começamos a descarregar o carro aos poucos e eu pude perceber olhares curiosos de algumas pessoas que passavam por nossa casa. Admito era estranho, era quase uma mansão em um monte de nada em volta, mas vão julgar a gente por querer paz e privacidade?

Jhonny estava ficando irritado com as pessoas olhando para nossa casa e comecei a acelerar a descarregamento das malas. Guinevere e James nossos mais fiéis empregados nos ajudaram a desfazer as malas com agilidade, não trouxemos muitas roupas, vivíamos na Flórida, um lugar quente e nos mudamos para o lugar mais frio que eu já tinha visto, então nossas roupas eram descartáveis. Doamos tudo antes de vir, o que reduziu a 3 malas para cada em média, teria que cuidar disso mais tarde.

Deixei Katy e Jhonny escolherem seus quartos, como sempre Jhonny quis ficar o mais longe possível de nós duas, se isolando em um quarto de frente para a floresta dos fundos. Katy escolheu o quarto do meio, acesso rápido a qualquer um dos dois quartos quando ela precisasse e de frente para a escada que dava na sala. Fiquei com o quarto de frente para a rua, era até melhor, poderia fugir a noite tranquilamente com a janela aberta para a rua para agir como Ladynoir como eu quisesse. Por favor, não me entendam mal, eu amava minha família, mas era muita coisa para uma garota de 15 anos era meu refugio me esconder sob uma mascara e fingir ser alguém que, como Violet, eu jamais poderia ser.

Após se alocarem, comunico por telefone nossos tios que chegamos e eles nos convidam para jantar, isso era bom. Pelo menos não precisaríamos nos preocupar com comida agora de noite, estava cansada só queria deitar e relaxar, mas não era possível. Dei os comandos a Guinevere para fazer as compras necessárias no mercado e manter a dispensa cheia. Indiquei ao James que iriamos para casa dos Stotchs com o carro alugado e amanhã devolveria, pois Jhonny iria comprar um carro para usarmos e um para ele próprio. Isso tinha sido o motivo da nossa última briga, ele queria bancar o rico, mas estávamos no limite dos nossos gastos, e por isso ele tinha parado de falar comigo.

As 18 horas, arrumei Katy e pedi para ela falar com Jhonny para ele se arrumar, Jhonny ouvia a Katy, mas se eu falasse o resultado poderia ser uma briga, um xingamento, era imprevisível. As 19 horas estávamos prontos, fiz questão de agasalhar bem a Katy com o único casaco que ela tinha quente o suficiente para aguentar aquele frio, já tinha feito as compras online de roupas e de casacos de frio para nós, mas só chegariam na semana, por hora tínhamos que nos virar com o que tinha. Com uma meia calça térmica e um vestido de frio e casaco também já estava pronta. Jhonny estava mais simples, mas pelo menos estava agasalhado.

James nos levou até a casa do Sr. e Sra. Stotch, era uma casa comum na rua principal de South Park, descemos do carro e eu toquei a campainha, uma mulher loira, que presumi ser Linda Stotch, atendeu a porta com um sorriso no rosto.

Linda: Oh! Vocês chegaram, sejam bem vindos, entrem por favor! – Com um olhar receptivo nos convidou para entrar, dei passagem a Katy e a Jhonny, os dois entraram e tiraram os casacos. Ajudei Linda a coloca-los no cabideiro e a cumprimentei.

Violet: Linda Stotch certo? Prazer, somos Violet, Jhonny e Katy Evergarden. – Sorrio amigavelmente apresentando eu e meu irmão e irmã respectivamente. Eles sorriem levemente e cumprimentam, Jhonny até beija a mão da mulher, ele gostava de cair nas graças de todos ao seu redor, poucos sabiam o quanto explosivo ele poderia ser.

Linda: Ah o prazer é todo meu, por favor deixe-me mostrar a nossa casa. É humilde mas é nosso pequeno lar. – Ela estava sendo humilde, sei que para uma casa aquela era de porte médio.

Ela apresenta a sala, a cozinha, os quartos, tudo parecia impecável, é claro eles receberiam herdeiros de uma família rica, o mínimo era estar tudo impecável. Na sala de jantar um senhor de meia idade que assumi ser o Stephen Stotch, nosso tio, ajudava a colocar o jantar a mesa. Em uma cadeira sentado de forma comportada e tensa um garoto com madeixas loiras e um olhar baixo nos observava, Katy se apresenta ao garoto gentil, o garoto corresponde ao sorriso da garota se apresentando. Butters Stotch, de repente um flash de imagens antigas passam na minha cabeça, o nome me é familiar, um menininho loiro e eu brincando juntos em um balanço nessa cidade fria. Memórias de um passado caloroso onde meus pais me trouxeram para conhecer os Stotch, foi uma viagem rápida só de passagem, ficamos um dia ou dois só eu acho, mas me lembro de me divertir muito com ele, Léo é como eu o chamava, sem perceber as palavras saíram da minha boca.

Violet: Léo? – Pergunto sem pensar, duvidava que o garoto se lembra-se de mim, tantos anos haviam se passado.

Butters: Violet! Você se lembra de mim? – Ele perguntava feliz, eu me aproximo encarando com curiosidade o garoto. Ele se lembrava daquele dia?

Violet: Sim, me lembro sim, como está? – Eu não costumo falar com pessoas da minha idade, pelo menos não mais. Sempre agindo como adulta passei a não reagir mais como uma garota da minha idade faria. Trejeitos, elegância, educação, fala. Tudo parecia sério, formal e frio. Esse era o mundo dos adultos, ou quase, ao qual me fiz presente pela Katy, pela nossa família.

Butters: Oh, bem sim. Obrigado por perguntar. Ah! Você se lembra? Você veio aqui uma vez, há muitos anos! Na verdade, estava ansioso para rever você. – Ele parecia tímido, uma criança inocente. Linda e Stephen educaram o garoto como um ser inocente, com poucas palavras dava para perceber que sua fala condizia com alguém de 12 anos talvez, não de 15. Não julgo, quero que Katy tenha a sua inocência intacta o quanto eu puder preserva-la.

Violet: Sim, lembro. Ótimos tempos, adoraria repeti-los novamente – Sorrio inocente, não é como se fosse possível, tinha muito o que fazer, pessoas para cuidar e o mais importante, proporcionar uma vida digna e completa para nossa família, deveres e obrigações que já não correspondiam mais a inocência que o garoto passava. – Este é o Jhonny, você não conheceu ele antes. E essa é a Katy, como ela já deve ter se apresentado – Dou uma leve risada. Tento ser gentil mesmo que minha mente esteja atarefada e que minha expressão seja fechada na maior parte do tempo, eu sabia bem a importância de um sorriso no circulo pessoal e profissional de uma pessoa.

Butters: É um prazer conhecer vocês todos. – Ele sorria, seu pai o interrompe.

Stephen: É ótimo ver vocês, eu sinto muito pela perda. Mas não se preocupem, eu e a Linda seremos seus guardiões de agora em diante. A senhora Guinevere nos contou que vocês são bem independentes né?

Jhonny: Sim, já temos uma casa após os trilhos para morar, não queremos incomoda-los – Ele tenta ser gentil, seu jeito bad boy desapareceu desde que entramos na casa dos Stotch, ele era um bom ator, deveria tentar entrar para algum elenco de filme ou série.

Linda: Ah isso é incrível, vocês tem o que? 16? – Ela pergunta admirada, olhando para nós.

Katy: Eu tenho 10, Vi tem 15 e Jhonny tem 17. – Ela responde sorridente. Katy era tão fofa e gentil, era ótimo vê-la conversando com pessoas que não fossem apenas nós. Ela era muito comunicativa antes da morte dos nossos pais, ver ela se abrindo novamente como uma linda flor na primavera enchia meu coração de alegria.

Stephen: Nossa, são novos... – Ele olha para Linda com pena. Sinto a tensão de Jhonny crescer, ele aperta os próprios punhos com força. Se tinha uma coisa que o mais velho odiava era que sentissem pena de nós. Tento reverter a situação com agilidade.

Violet: Oh! Mas que cheiro maravilhoso é esse? – Mudo de assunto fingindo estar interessada no jantar. Jhonny desvia o olhar se recompondo e Katy pede licença para sentar-se a mesa. Aos poucos o clima vai melhorando.

Linda: É porco defumado! Por favor, sentem-se vou ajudar a servir. – Agradecemos em uníssono.

Sento-me do lado de Butters, sempre que o olhava revivia as memórias divertidas que tinha com ele, seria este um fragmento perdido da minha infância? Aparentemente olhei tempo demais, pois o garoto estava me encarando com timidez.

Butters: Violet? O que foi? – Ele me olhava com preocupação, percebo que me descuidei.

Violet: Ah nada, só estava lembrando, você... ainda gosta de Hello Kitty? – Faço a pergunta com a coisa mais aleatória que eu consegui me lembrar sobre o garoto. Era meio estranho um garoto gostar de Hello Kitty, pelo menos é o que diriam os adultos, para mim era um tanto faz.

Butters: Ah! É... um pouco ... – Ele responde tímido com a mão na nuca. – Quando puder, vamos ao meu quarto posso te mostrar meus desenhos! Tenho melhorado meu estilo e... – Stephen interrompe a fala animada do garoto.

Stephen: Hora do jantar Butters, deixe isso para depois. – Ele repreende o menino. Eu não me lembrava o quão invasivo meu tio era. Pobre Butters só assentiu com a cabeça e começou a se alimentar tristemente.

Meu sangue ferveu, minha vez de fechar o punho com força buscando controle. Meu senso de justiça tinha se indignado com esse corte tão grosseiro que meu tio tinha dado no próprio filho. Mas essa não era a nossa casa, éramos visitantes, ainda que fossemos família. Não queria estragar o jantar juntos que há muito não tínhamos. Me recompus e comi, apenas respondendo algumas perguntas sobre nós, Jhonny também respondia e as vezes Katy. Conversas vazias, talvez com intuito de nos conhecer mesmo que superficialmente. Eles não precisavam de muitas informações, seriam nossos guardiões só no papel, nossa vida correria normalmente sem as intromissões dos Stotchs. Butters ficou quieto o resto do jantar, isso me incomodava, estava cabisbaixo.

Violet: Hey Leo, porque não vamos ver seus desenhos? Fiquei curiosa – Digo tentando anima-lo – Claro, se a Sra. e o Sr. Stephen nos permitirem. – Olho para eles com um sorriso, esperando uma resposta positiva.

Stephen: Claro! Fiquem a vontade, Ah! E a partir de agora é tio e tia, não há necessidade de tanta formalidade! – Ele sorri desconcertado, é claro, era de se esperar que cedessem a vontade das visitas. Ainda mais visitas ricas, estava acostumada a esse tipo de tratamento “diferente” vindo de outras pessoas.

Butters se levantou feliz e Katy seguiu logo atrás empolgada, Jhonny ficou na mesa conversando com os Stotchs, bullies se dão bem com outros bullies? Segui Butters e Katy para o quarto, azul, com uma cama ao lado da janela, alguns poucos moveis com livros, o que poderia indicava que o garoto era estudioso. Alguns desenhos sobre a escrivaninha, um computador básico. Era um ambiente aconchegante mas simples. Katy foi logo ver os desenhos.

Katy: Olha! É a Hello Kitty! E, esses quem são? – Ela pega alguns desenhos, um da personagem, um que eu supunha ser o próprio Butters com uma fantasia e um desenho com 4 meninos, uma bola com toca azul e pompom amarelo, blusa vermelha e luvas amarelas. Outro com um chapéu verde, luvas de mesma cor e blusa laranja. O terceiro de touca azul marinho, pompom vermelho e casaco marrom e o último todo de laranja com 2 pontos pretos que deveria ser os olhos.

Butters: Esses são meus amigos Eric, Kyle, Stan e Kenny. São da escola, vocês logo vão conhece-los! – Ele fala animado apontando na direção de cada um respectivamente.

Violet: Parecem legais – Digo sorrindo gentil, não iria conhece-los tão já precisava botar ordem nas coisas, mas Katy e Jhonny talvez os vissem. Sim eu precisava atrasar mais meus estudos para focar na nossa família, não era um problema de fato. Eu possuía facilidade em aprender as coisas, assimilar e sempre tive notas perfeitas.

Katy: Queria ter muitos amigos... – Katy estava cabisbaixa, senti meu coração doer. Ausência de amizades na idade dela poderia causar isolamento.

Violet: Você vai ter sim! Você é linda, esperta e amorosa. Mas não precisa de muitos amigos querida, só aqueles com quem puder contar. – Sorrio gentil para a pequena garota que me olha determinada. – Então Leo, vai fazer algo amanhã? Eu e a Katy gostaríamos de nos divertir um pouco, soube que tem um parque de diversões aqui perto. Acha que podemos ir? – Pergunto para ele sorrindo, a mais nova se anima, fazia tempo que não nos divertíamos em família.

Butters: Claro! É domingo dia perfeito! Vamos sim, o Jhonny também? – Ele pergunta animado.

Violet: O Jhonny é... mais reservado. Ele tem suas próprias coisas.. – Eu digo mas ao ver o olhar triste de Katy tento consertar – Mas podemos chama-lo é claro. – Sorrio e a carinha da menor se ilumina um pouco, era difícil não éramos a família mais unida, mas faria de tudo para ver ela sorrir todo o dia.

Butters: Perfeito! Ah... mas estou de castigo, lembrei agora. – Ele fica triste e emburrado. Eu sabia como resolver isso, sinceramente seria fácil.

Violet: Eu resolvo, precisamos de um guia e você parece querer se divertir. Deixa comigo. – Saio do quarto deixando-os curiosos. Vou até os Stotch e convenço-os de deixarem o Butters fora do castigo. Assunto de adulto, resolvido em minutos. Comigo sempre foi assim, ainda que eu fosse apenas uma adolescente sempre pareci mais madura na frente dos adultos, era tudo fingimento? Ou talvez apenas uma forma de ganhar a confiança deles, não sei. Admito ter me perdido nesse personagem, porém funcionava muito bem.

Seguimos conversando e aparentemente Butters e eu nos tornamos bons amigos, como éramos no passado. Eu estava feliz, ter um amigo não seria ruim. Ele via o mundo de uma forma diferente, sem preocupações, sem malicia. Eu achava perigoso para ele, o via como um alvo fácil e isso me deixou preocupada, algo em mim, um desejo de protege-lo crescia a cada palavra trocada. Um carinho especial cresceu no meu peito pelo garoto, eu sabia que isso era perigoso, significava que minha obsessão por proteger os fracos seria refletido nele. Droga.

Já estava ficando tarde quando saímos da casa dos Stotchs, chegamos em casa, coloquei Katy na cama já de pijama, ela dormiu um pouco no carro, estava cansada da viagem. Todos estevávamos, porém eu tinha algo melhor que um descanso em mente.

Sigo para o meu quarto, já era por volta das 21:30h quando vesti minha fantasia, orelhas e cauda de gato, botas com saltos afiados o suficiente para matar alguém e minha famigerada capa preta, tão escura quando uma noite sem estrelas. Coloco o capuz, pego o bastão e saio pela janela, corro pelas sombras para não ser vista. Subo pelos prédios, pelos telhados, tentando conhecer a cidade. Não ficaria vagando por um lugar que não conheço, preciso conhecer cada caminho e beco dessa cidade essa noite e quem sabe me divertir um pouco.

Essa era o verdadeiro eu, Ladynoir, heroína? Não sou tão altruísta assim. Não que eu seja uma pessoa ruim, mas o que eu queria proteger eram pessoas específicas, pois para mim, como um todo, pessoas eram ruins. O cara bêbado que dirigiu o carro que bateu no carro dos meus pais não era o tipo de pessoa que eu desejo proteger. Butters e Katy, até Jhonny, Guinevere e o James, essas são pessoas que eu viso proteger, aqueles que eu amo, que me importo. Me pergunto se sou egoísta por pensar assim...

Uma chuva fina começa, era o tipo de tempo que eu gostava, frio, chuva era melhor do que o tempo quente da Flórida, melhor para correr, melhor para lutar. O calor corporal era refrescado por esse tempo mais gelado, permito-me sentir as gotas de chuva caírem no meu rosto por um momento, até ver uma senhora ser assaltada.

Eu disse que eu não era uma heroína, mas também disse que tinha senso de justiça. Sem hesitar me jogo do prédio em cima do bandido, derrubo-o e a queda o deixa inconsciente. Recupero os bens da senhora. Por um momento sinto um olhar sobre mim e portanto, decido sumir logo em seguida, não quero ficar com meu nome marcado nessa cidade. Quero apenas aproveitar, o encargo de ser um símbolo era grande e eu não queria mais essa responsabilidade.

Já passava da meia noite quando voltei para casa, mapiei a cidade em minha mente e na rota do meu celular, os pontos mais perigosos e os caminhos mais seguros pela cidade. Mandaria as melhores rotas para o celular da Katy na segunda, precisava aprender a voltar sozinha da escola, o corte de gastos tinha cortado esse luxo também. Eu fecho a janela com a cortina, a escuridão sempre me fez bem, tomo um banho quente e me deito, quase as uma da manhã. Adormeço pensando no dia caloroso amanhã com meus dois protegidos.

Notas finais
Nosso primeiro dia foi agitado, pelo menos minha cabeça estava a milhão! Mal vejo a hora de te contar o que vem depois! Até a próxima!