It's You
53 Home
Notas iniciais
— Entre, um... Sinta-se em casa, eu só vou ao meu quarto e já volto — Cassie disse enquanto me abria espaço para que eu entrasse.
Apenas concordei com a cabeça e me sentei no sofá, esperei paciente por sua volta, mas no fundo o que eu mais queria era pular da janela da sala e sair correndo. Quando ela voltou tentei permanecer o mais calma e natural o possível, como uma detetive treinada, foi um trabalho bem sucedido, mais ou menos.
— Quer alguma coisa? Um copo de água? Cerveja? Café?
— Não, obrigada... Cassie, sente por favor.
Eu podia ver em seus olhos que ela já sabia o que estava por vir, e podia ver que ela estava tentando atrasar o máximo que podia esse momento.
Ela respirou profundamente tentando se acalmar, e sentou-se ao meu lado. Ela esfregava as mãos sem parar, era notável o nervosismo, seu rosto estava levemente vermelho e com algumas gotas escorrendo da sua têmpora, mas não era suor, provavelmente quando ela saiu para o quarto, foi ao banheiro e lavou o rosto em ordem de se manter em controle.
— Cassie... — a chamo mas ela parece não escutar. Seguro suas mãos que ainda se movimentaram — Cassie.
— Desculpe eu... Eu só me distraí por um segundo. — eu pude ver as lágrimas surgindo em seu rosto, mas Cassie às prendia e não as deixaria livres tão cedo.
— Eu não sei como começar, nem como falar.
— Você quer começar?
— Eu preciso — acariciei seu rosto tentando tranquiliza-la, mesmo sabendo que ela está certa em estar nervosa — Eu adoro você Cas, realmente adoro, você foi uma grande amiga e uma perfeita namorada nesses últimos seis meses, mas...
— Você não me quer mais — ela disse me interrompendo, passou as mãos no rosto e continuou — Eu entendo, quer dizer, eu não entendo, mas compreendo. Isso tudo é porque... Maura... está de volta não é?
Ela dizia o nome de Maura como se tivesse levado uma facada no peito, eu não queria que fosse desse jeito.
— Cas, eu não quero que fique pensando que estou te trocando. Porque eu jamais trocaria você, você é perfeita, mas Maura... Ela sempre me teve. Eu quero que entenda que te magoar era a última coisa inexistente na minha lista, eu não planejei isso. Você foi tão boa e tão carinhosa comigo, você é a namorada dos sonhos de qualquer pessoa, você merece alguém que corresponda todos os sentimentos que você tem pra dar.
— Você não correspondia? — ela levantou sua cabeça finalmente me olhando nos olhos.
— Correspondia, mas é claro, porém só até certo ponto. Eu não podia te dar sentimentos que não eram reais, eu te adoro, mas eu não te amo. Me dói dizer isso, mas é a verdade. Eu não podia te iludir, te enganar, eu tinha que ser honesta e é isso que estou fazendo.
— Eu agradeço. E acredite quando digo que você foi uma ótima namorada, menos agora, agora você é uma péssima namorada — ela riu brincando, me deixei rir junto — E agora uma ótima amiga, espero. Eu sei que Maura tem seu coração, que vocês duas são destinadas à ficarem juntas. Mas eu preciso perguntar se... No tempo em que ela chegou até hoje, vocês...?
— Não. Eu não podia fazer isso com você Cassie, eu posso ser uma péssima namorada, mas jamais trairia.
— Você não é uma péssima namorada — ela encostou sua cabeça em meu ombro, a envolvi com um braço e beijei o topo de sua cabeça.
— Eu sei...
— E agora? O que eu faço?
— O que você quer fazer?
— Beber até eu desmaiar.
— Que tal você ficar com a sua bunda nesse sofá? Ou eu faço questão de tirar toda a bebida dessa casa.
— Agora você é uma ótima amiga — ela se ajeitou no sofá, ainda deitada em meu ombro. Depois de uns minutos de silêncio ela disse: — Sabe do que eu vou sentir mais falta?
— Hm?
— Do sexo. Era incrível.
— Ai meu deus, eu não estou ouvindo isso.
— É sério, a gente arrasava nesse assunto.
— Será que se eu bater minha cabeça o suficiente nessa mesa eu morro? — perguntei retoricamente quando ela não parava de falar do assunto.
Depois de algumas risadas, voltamos ao silêncio um pouco constrangedor.
— Obrigada por ser honesta comigo.
— Obrigada você, por tudo o que passou comigo. Sei que deve ter sido difícil lidar comigo no começo.
— Foi okay.
Fiquei sentada ali com ela por alguns minutos, ficamos conversando sobre algumas coisas que passamos, mas em um momento ela parou de falar, presumi que ela tinha acabado de entender o que acabou de acontecer, então fiquei em silêncio acariciando seus cabelos. Ela tinha reagido bastante bem, no começo pensei que ela ficaria com raiva, depois que ela choraria aos prantos, mas não esperei compreensão, por algum motivo, na minha cabeça, eu não merecia compreensão, pra mim eu fui a pior pessoa que eu podia ser com ela. Alguns instantes e eu estranhei o completo silêncio e sua calma respiração, olho para ela e a encontro dormindo, tento acorda-la a chamando, mas ela estava em um profundo sono. Me levanto lentamente me desfazendo do meio abraço, e pego um cobertor no seu quarto, logo depois a cubro e me preparo para sair.
— Falando sério agora... — ela disse em sua voz sonolenta — O que eu vou sentir mais falta é você.
— Não precisa. Ainda seremos amigas.
— Mesmo?
— Mas é claro.
— Promete?
— Prometo. Promete não ficar triste ou chorar por causa do término?
— Não posso prometer isso.
— Pode ao menos tentar não ficar?
— Posso fazer esse esforço – abro a porta, mas ela me chama novamente – Obrigada por ter me respeitado... Sabe? Por esperar falar comigo antes de ficar com ela.
— O mínimo que eu podia fazer por você. Vá dormir, está tarde. Boa noite Cas.
— Boa noite Rizzoli.
Enfim saio do apartamento me sentindo aliviada por não ter acontecido uma briga ou algo assim, mas eu sabia como funcionava com a Cassie, ela não chora em frente à pessoas, ela disfarça com o humor, e isso pode ter facilitado as coisas. Dirijo direto para casa, e então quando parei em um semáforo a ficha finalmente caiu. Eu tinha terminado com a Cassie, eu terminei com a Cassie e agora posso ficar com Maura, um sorriso involuntário cresce em meu rosto e me pergunto para onde ir agora? Meu apartamento ou para a Maura? Depois de pensar por alguns segundos decido ir para casa, e então mudo minha rota para a casa de Maura. Minha casa.
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