It's The End Of The World
2 O Começo de Tudo
Notas iniciais
POV Percy Jackson
Como tudo virou um caos em tão pouco tempo? Como tudo que eu tinha e conhecia se desfez em ruinas e desgraça? Essas eram perguntas que eu não saberia responder e também não tinha tempo para pensar ou tentar encontrar respostas para elas. Mas eu me lembro muito bem do dia em que tudo isso começou e quando tudo o que eu tinha foi arrancado de mim da forma mais cruel possível.
*Flashback ON*
1 de abril de 2014
Eu andei pensando muito sobre tudo que está acontecendo. Isso porque já fazia uma semana que esse “surto” começou. Tudo o que eu conhecia, todos com quem eu me importava, tudo isso pode acabar de uma hora pra outra. E para piorar o meu desespero, o número de mortos aumenta cada dia mais. Nossa então cidade de Nova Iorque sofreu drásticas mudanças. Todos nós passamos a ter um toque de recolher. Os horários, a alimentação, a energia elétrica? Tudo controlado.
Muitas pessoas estavam sendo transferidas para essas cidades “seguras”, mas para isso acontecer, era preciso enfrentar uma fila de espera gigante. E sempre tinha aqueles caras que conseguiam de alguma forma passar na sua frente. Era uma espera interminável e angustiante. Então eu tive que tomar alguma providência, resolvi me voluntariar. Queria proteger quem havia sobrado de minha família e de meus amigos. E acima de tudo, queria proteger Annabeth Chase, minha melhor amiga e também a garota por quem eu estou perdidamente apaixonado.
E aqui estou eu, pondo o uniforme do Human Volunteer Staff* (HVS) já que me informaram do ”embarque imediato” assim que fiz minha ficha para o recrutamento. É claro que eles me aceitaram na mesma hora. Pessoas como eu, um ex-militar da marinha dos Estados Unidos com experiência em combate, não se voluntariavam todos os dias. Então como eu ficaria um tempo sem vê-los, me encontrei para me despedir e explicar a situação para meus pais e minha irmã Thalia Grace.
Agora, depois de enfrentar minha família, eu estou indo passar minhas últimas horas livres com Annabeth Chase. E essa seria uma das missões mais difíceis que já enfrentei. Sempre que eu estava com ela, era como se existisse apenas nós dois no mundo, só o sorriso dela conseguia me desarmar por inteiro. Ela fazia eu me esquecer de todos os meus problemas, só com sua presença. Ela simplesmente é tudo pra mim. Então marquei de me encontrar com a Annie num parque que ficava próximo ao seu alojamento. Eu iria lhe contar tudo, desde o alistamento e até, talvez, meus sentimentos por ela.
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E cá estou eu, sentado num banco do parque a esperando. E por incrível que pareça, isso é um tanto quanto irônico, sabe? A minha vida inteira eu fiquei esperando... por ela, por um pouco de coragem para me declarar, e aí que está a ironia. Até hoje eu não consegui fazer nada a respeito. Eu simplesmente não sei o que eu vou fazer quando ela chegar. Mas eu preciso fazer alguma coisa porque, e se esse acabar sendo o último dia?
E foi assim, mergulhado em meus pensamentos que eu a vi. E ela estava linda, perfeita se me permite dizer. Quanto mais perto ela chegava, mais rápido eu sentia meu coração bater e me perdia cada vez mais naqueles olhos tempestuosos. E quando ela sorriu pra mim, foi como se o mundo estivesse caindo ao meu redor e eu não via. Só conseguia prestar atenção no sorriso dela… ah, e que sorriso.
Provavelmente eu devia estar com um sorriso bobo e uma cara bem estúpida porque eu fui trazido de volta à realidade por uma Annabeth risonha, acenando em frente ao meu rosto, provavelmente tentando chamar a minha atenção. Mal ela sabia que a razão de toda a minha distração era ela.
– Percy?! Percy, você está bem?
– Ahn?...Ah, oi Annie, ahn, eu estou bem sim e você?
– Muito bem, cabeça-de-alga. Só que você não parece estar muito legal – ela disse rindo – parecia que você estava em outro mundo, ficou olhando pro nada e tava até babando.
– Eu não tava babando... –resmunguei baixinho. Mas logo, lhe abri um sorriso.
– Então, Percy, o que era tão importante que você queria me contar? – ela falou se sentando ao meu lado. Foi aí que eu comecei a ficar nervoso, comecei a suar frio, balançar a perna... Eu havia esquecido completamente o motivo de tê-la chamado ali. Pra você ver, esse é o efeito que ela causa em mim. E imagino que ela tenha percebido o meu nervosismo, já que ela abriu aquele sorriso, o meu sorriso, como se tentasse me incentivar a falar.
– Ahn, então né Annie, eu te chamei aqui porque tinha essas duas coisas pra te contar... Eu nem sei por onde começar, na verdade... Bom, você sabe que a situação aqui em Nova Iorque tá ficando complicada né? O número de walkers tá aumentando cada dia mais, estamos com pouca proteção em volta da cidade e os suprimentos estão acabando...
– Percy, o que você quer dizer com isso? – me interrompeu, Annabeth.
– Annie, lembra quando eu comentei com você sobre a HVS? – ela assentiu com a cabeça – então, eu resolvi me alistar. Eu fui lá, ontem à tarde, me recrutaram imediatamente e falaram que tenho que partir ainda hoje. Parece que vou fazer parte de um grupo de reconhecimento e busca por suprimentos nas áreas próximas daqui...
Eu vi passar pela face de Annabeth um misto de emoções, desde surpresa, tristeza, raiva, medo... Então ela se descontrolou, começou a gritar comigo no meio do parque atraindo toda a atenção para nós.
– Você está louco Percy?! Só pode ser, né?! Você sabe o quanto isso é perigoso?! Nããão, é claro que não sabe, senão não teria feito uma idiotice que nem essa! Deixa que outros idiotas vão pra essa merda de reconhecimento e sei lá mais o que! Você já parou pra pensar nos seus pais Percy? Nos seus amigos? Ou até mesmo em mim? – Ela fez essa última pergunta quase que num sussurro. Eu podia perceber o quanto ela estava apavorada, de um jeito que nunca tinha visto. Seus olhos estavam lacrimejando, e eu não conseguia suportar aquilo, ver a Annie chorando me partia em mil pedaços.
– Annie, eu fiz isso por eles! Pelos meus pais, nossos amigos, e principalmente por você... – ela me olhava chocada – Eu queria ter alguma forma de proteger vocês, e-e esse foi o único meio que eu encontrei. Eu fiz isso, principalmente, quando eu fiquei sabendo que as famílias dos voluntários estavam sendo transferidas para outro lugar, uma região realmente segura, aparentemente sem a infecção! Eu queria dar essa chance a vocês! Eu só fiz o que foi necessário! Eu não ia ficar esperando numa lista de espera até o dia que vocês fossem devorados por aquelas coisas! – Quando terminei de falar, Annie já chorava desesperadamente. – Hey, vai dar tudo certo. Eu vou ficar bem, O.K.?! Quando é que não fiquei? Você me conhece, eu posso ser lerdo pra caramba, mas você sabe que eu sei me cuidar. Você e minha família vão para esse novo alojamento ainda hoje, e quando você menos esperar eu vou estar com você novamente.
Tentei acalmar Annabeth de todos os modos. Ficamos um bom tempo abraçados, com ela chorando em meu ombro enquanto eu afagava suas costas. E só parei quando ela falou comigo quase que num tom de súplica.
– Só me promete uma coisa Percy, por favor.
– Sempre Annie.
– Toma cuidado, O.K.? Se você vir que pode dar alguma coisa errada, foge. Não tenta bancar o herói. Não seja o herói. Pelo menos não dessa vez.
– Eu prometo Annabeth. — dei um meio sorriso — E te prometo também que vou voltar pra você, ok? Fica tranquila que eu vou voltar. Você não vai perder seu melhor amigo gostosão aqui, não. – Falei dando meu melhor sorriso sedutor. Com isso, consegui fazer com que ela risse, e só aquilo já fez com que tudo o que eu estava fazendo valer a pena.
– Tudo bem Percy. – Ela bufou, voltando com sua cara mais séria. – Agora me diz o que era a outra coisa que você queria me contar...
– Ah, sobre isso Annie, eu queria te contar já faz um bom tempo, sabe? Só não consegui encontrar coragem pra te dizer... – Eu estava literalmente quase morrendo. E Annabeth me olhava com uma cara engraçada, até parecia que ela já sabia o que eu iria falar, como se esperasse por aquilo há muito tempo e estava se divertindo muito as custas de meu sofrimento. – Annabeth, eu...
Foi aí que o caos começou. Do nada começamos a ouvir gritos vindos de todos os cantos. E ao longe, vi algo que me apavorou... Os walkers conseguiram adentrar a cidade, estavam atacando as pessoas... Acho que fiquei estático por um bom tempo, só voltei à realidade, se é que aquela era a realidade, com Annabeth gritando comigo e tentando me arrastar para o mais longe dali.
– Vamos Percy! Temos que sair logo daqui. Acorda Perseu! Isso não é hora você me deixar na mão! Vai logo, levanta daí porra!
Quando consegui recuperar todos os meus sentidos, agarrei o pulso da Annabeth e sai correndo em direção ao ônibus que estava sendo preparado para levar os familiares para a nova cidade. Estávamos chegando perto quando ele deu a partida. Por sorte ele vinha em nossa direção, então rapidamente acenei para o motorista que logo parou. Quando nos aproximamos, consegui identificá-lo como Luke Castellan, meu melhor amigo e namorado da Thalia.
Logo, coloquei Annabeth dentro do ônibus enquanto procurava pelos seus e os meus pais. Sally Jackson √, Frederick Chase √, Poseidon Jackson ×, Atena Chase ×. Que droga, que droga, que droga! Meu pai e a mãe de Annabeth meio que tinham a sede da empresa deles no mesmo prédio e resolveram ir juntos recolher as coisas, mas tinha que ser justo hoje?!
– Percy! Minha mãe Percy! – Annabeth estava gritando desesperada. Enquanto isso, pude perceber minha mãe tentando ligar para o celular do meu pai.
– Percy, ta caindo direto na caixa postal! Seu pai deve estar sem sinal. O que é que a gente vai fazer agora?! – E ela começou a chorar junto de Annabeth.
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