Notas iniciais
Heey povo! Pois é, pois é... Demorei pra caralho né?! kkkk Desculpa gente, de verdade. Eu estava na época de provas na escola, nos fins de semana eu tinha enem e vestibular, então acabei ficando sem tempo pra escrever... Agora eu tô de férias e pode ter certeza que vou tentar postar muito muito rápido... Entããão, aproveitem o capítulo, que ficou beeem grande, e nos vemos lá embaixo!! Ah, eu vou agradecer a ajuda do povinho que me ajudou lendo e revendo a história e me dando umas ideia bem legais... Laura e Lindsay seus troços

POV Annabeth Chase

30 de junho de 2014

Eu estou novamente dentro do ônibus que me tirou de Nova Iorque. Mais uma vez, estou vivendo o momento mais cruel da minha vida. O momento que eu mais luto para esquecer, mas que eu revivo quase todas as noites. E hoje, não foi diferente.

Mais uma vez estou sentada naquele banco do ônibus, chorando e abraçando minha mãe. Ela havia chegado com Poseidon, que nos disse que Percy e Luke ficaram para conter uma orda de zumbis. Até agora eles não voltaram e minha preocupação só aumenta.

Luke Castellan foi meu amigo desde quando éramos crianças. Ele é como um irmão mais velho pra mim. Um irmão mais velho todo bonitão e brincalhão, que sabe ser muito chato às vezes, e que ainda pega minha melhor amiga, mas ainda assim um irmão.

E Percy Jackson... Quando nos conhecemos brigamos muito mesmo, mas não sei como, com o passar do tempo nos tornamos melhores amigos. Eu me lembro de que ele costumava achar que tinham duas tempestades dentro dos meus olhos e como eu passava horas explicando pra ele que não era verdade. Não sei se foi a lerdeza daquele garoto ou talvez seus lindos olhos verdes, mas eu me vi completamente encantada por ele. Não de uma forma romântica. Não mesmo. Mas como um amigo, meu melhor amigo.

Talvez foi depois que tudo isso aconteceu, ou talvez já estivesse dentro de mim, só que escondido. E muito bem escondido por sinal. Mas eu realmente não sei, só que esse sentimento estranho, e um tanto perturbador e confuso, surgiu dentro de mim. É como se a minha vida tivesse perdido a cor e eu me sinto completamente perdida sem o Percy. O cara que todos acreditam estar morto, mas que eu me recuso aceitar, porque ele me prometeu. Ele prometeu que voltaria, prometeu que ficaríamos juntos e nunca mais nos separaríamos.

Bom, voltando ao meu pesadelo diário, eu estava agarrada a minha mãe quando Luke chegou correndo e chorando, e naquele instante eu já soube. O idiota irresponsável do Perseu Jackson resolveu ser o herói, de novo. Então comecei a chorar e gritar de desespero. Eu não conseguia acreditar que era verdade, simplesmente não podia ser. Foi quando eu me levantei, com um misto de emoções que eu nunca tinha sentido, agora me confundindo, e comecei a bater no Luke.

– Luke, seu filho da puta! Como você pôde deixar ele pra trás?! Você é um idiota! Ele era seu melhor amigo! Era o meu melhor amigo! — eu gritei em meio a lágrimas enquanto tentava bater em Luke e todos tentavam me segurar. Eu já enxergava embaçado por causa das lágrimas, mas consegui ouvir a mãe de Percy começar a chorar também.

Uma gritaria havia começado, e então o ônibus deu a partida, rumando para fora de Nova Iorque. Não sei quando, mas em algum momento, eu perdi a consciência. Talvez fosse depois de tanto chorar, ou talvez pelo estresse e cansaço, mas quando me dei por mim, já estávamos longe. Eu não conseguia me situar, estava com uma enorme dor de cabeça. E a todo instante, tudo voltava numa enxurrada. Eu tinha perdido o controle sobre o meu corpo. Num momento estava chorando pelo Percy, em outro já queria matar Luke. E eu continuei assim por um bom tempo. Até chegarmos ao acampamento, pelo menos. O lugar que Percy tanto lutou para nos levar.

E então eu acordei chorando. Era sempre assim. Eu revivia aquele maldito dia, desde o momento em que Percy saiu da minha vida até chegarmos àquele lugar.

Eu me lembro de que depois daquele dia, as coisas não foram mais as mesmas. Luke e eu já não conversávamos mais. Eu me lembro dele tentar falar comigo inúmeras vezes, mas eu não conseguia ouvi-lo, ou olhá-lo sem culpá-lo por tudo que aconteceu. Talvez não fosse culpa dele, mas para mim, ainda estava muito cedo pra pensar em qualquer outra coisa.

Além da minha relação com Luke, também havia Sally. No começo, foi muito difícil, ela estava vivendo como num estado vegetativo. Já nesse último mês, ela finalmente conseguiu reagir. Ela começou a se encher de afazeres, tentava ajudar todo mundo, virou uma segunda mãe para todos nós. Esse foi o meio que ela achou para tentar esquecer. Assim como Thalia e Poseidon, que ficaram abalados no começo, mas viviam na ação, saindo para buscar suprimentos, inspecionar os lugares... Cada um encontrou um meio diferente para tentar esquecer, todos estavam tentando seguir em frente.

Talvez eu fosse a única que não. Eu aparentava estar “bem” para os outros. Fazia meus deveres aqui no acampamento. Conversava com os outros... Mas eu não podia esquecer, eu não conseguia seguir em frente. Eu me agarro à esperança que Percy esteja vivo. Ainda existe uma chance de ele estar em algum lugar por aí, talvez tentando nos achar, talvez tentando sobreviver...

Bom, mas todos nós tínhamos um desses dias difíceis. Esses dias que cismam em nós aterrorizar e nos trazer nossas piores lembranças a todo instante. E esse era um desses dias, pelo menos para mim.

Hoje seria meu dia de sair em expedição. Eu e mais dois caras, Michael Yew e Bryce Lawrence. Michael é um amor de pessoa. Sempre prestativo, sempre tentando ajudar a todos. Ele tem 18 anos e o encontramos vagando pelas matas. Ele tinha acabado de perder o irmão para aquelas pragas... Já Bryce é meu ex-namorado e um completo idiota. Com seus 26 anos e sua pose de machão, fica incansavelmente dando em cima de todas as garotas, inclusive eu. Parece que ele simplesmente não desiste, não vê que não deu certo e nunca vai dar. Apesar disso, ele é muito forte, o que contribui em algumas tarefas aqui no acampamento, o que não diminui o fato de ele ser um imbecil.

Nesse momento estamos nos preparando para partir em direção a Van Wert, uma cidade no condado de Van Wert, Ohio. Seria uma viagem de quatro dias, ida e volta. Essa é uma das nossas mais importantes expedições já que em Van Wert, se encontra um dos últimos quartéis do exército que parou de funcionar. Por isso, estamos realmente esperando por boas notícias, talvez encontrando alguns sobreviventes ou até mesmo armamento e munição.

Quando cheguei a uma das três saídas do acampamento, percebi que Michael e Bryce já estavam a um bom tempo, dentro da caminhonete, esperando por mim. Rapidamente, vou até Thalia e meus pais, para me despedir.

– Hey Annie, fique bem, ouviu?! — disse-me Thalia com um sorriso preocupado no rosto — Eu não aguentaria perder outra pessoa tão importante assim na minha vida.

– Pode ficar tranquila punk, vou voltar inteirinha pra você — dei meu melhor sorriso e lhe lancei uma piscadela como se estivesse paquerando-a. Thalia e eu sempre fomos melhores amigas, mas nesses últimos meses, estamos ainda mais próximas. Vivemos fazendo essas brincadeiras bobas, talvez como um modo de nos distrairmos e tentarmos esquecer essa maldita realidade.

Então dou um último abraço em cada um e vou em direção ao carro. Entro, e enquanto ele entra na estrada dando início a nossa jornada, aceno uma última vez para meus pais, enquanto o acampamento se torna apenas um borrão.

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Estamos há horas na estrada, e ainda não estamos nem perto de nosso destino. Aparentemente, iria levar mais tempo do que esperávamos. Durante a viagem toda, Bryce ficou me mandando olhares nada discretos, enquanto Michael cantarolava um música, baixinho. E eu apenas olhava a paisagem passar pelas janelas. Eu estava tentando relaxar, algo que eu simplesmente não conseguia desde que essa pandemia se iniciou. Eu estava tão distraída, que tomei um susto quando Michael falou:

– Hey gente, vamos ter que parar para abastecer. A gasolina já está quase no zero.

– Tudo bem Michael... Onde a gente está? — perguntei.

– Bom, nesse momento, estamos no meio do nada. Mas daqui a pouco, chegaremos a Ohio City e aí podemos parar um pouco.

– Ohio City? — Bryce questionou — O que é isso?

– É meio que um vilarejo. É um lugar muito bonito e ótimo pra sair um pouco daquela rotina de cidade grande. Bom, pelo menos costumava ser... — expliquei enquanto lembranças do último verão invadiam minha mente. Fazia tão poucos meses, mas tanto havia mudado...

– Você já veio aqui Annie?

– Já sim Michael. Eu e Percy costumávamos vir aqui pelo menos uma vez por mês, sabe? Queríamos sair daquela correria e simplesmente aproveitar as férias. — escutei Bryce bufando enquanto dava mais um gole em uma cerveja que ele havia trazido.

Depois disso, o carro fica em um silêncio agradável e assim eu fico viajando em minhas lembranças até que o solavanco do carro freando, me trás de volta.

Acabamos de chegar a Ohio City. Michael estacionou o carro próximo de um posto de gasolina que fica no centro da cidade. Então nós três descemos do carro. Bryce vai verificar o perímetro para ver se está seguro. Michael começa a reparar algumas coisas no motor do carro. E eu reabasteço a caminhonete. Assim que termino, vejo que Lawrence está entretido destroçando um walker enquanto Michael continua no mesmo lugar.

– Michael, acho que vou dar uma olhada por aí, ver se acho algo de útil pra gente. Talvez alguma comida.

– Você tem certeza Annabeth? Não quero que o grupo se separe, muito menos que você vá sozinha explorar esses prédios que nem sabemos em que condições estão. Vai que você fica encurralada e acaba morrendo?!

– Para de ser dramático Mike. Eu conheço essa cidade como a palma da minha mão. E você sabe como eu sou rápida, não tem como eu acabar presa.

– Me faz um favor então. Leva o Bryce com você. Pelo menos eu me sinto mais confortável com essa ideia.

– Aí será você que estará sozinho Mike! Para de bobeira!

– Eu pelo menos tenho o carro Annabeth, qualquer coisa eu entro correndo nele, e me mando daqui atrás de vocês. Você sabe que eu estou certo, então não vamos ficar discutindo bobeiras... — Bufo e saio pisando forte até onde o incompetente do Lawrence está.

– Hey Lawrence. Vai comigo dar uma olhada nesses prédios. Talvez tenha algo que nos seja útil. — ele me da um sorriso malicioso, que me enche, ainda mais, de nojo daquele ser asqueroso. — E nem pense em tentar alguma coisa.

– Pode deixar gatinha.

Respiro fundo tentando me acalmar e começo a ir em direção aos prédios onde eu me lembrava de ter algumas lojas de conveniência e lanchonetes.

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Já estamos a algumas horas recolhendo suprimentos. Passamos por algumas lanchonetes em que eu e Percy costumávamos ir quando vínhamos para cá. É, hoje realmente não está sendo um bom dia. A cada momento, penso cada vez mais nele. Na minha antiga vida, com ele. Eu não sei o que está acontecendo comigo...

– Lawrence, vamos só mais naquele prédio e depois voltamos para a caminhonete. — Falei enquanto andava até o final da rua onde tinha um antigo prédio comercial.

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Prédios comerciais. Eu costumava odiá-los. Sempre perdia a disputa pela minha mãe para eles já que ela era uma viciada em trabalho. E hoje, eles possivelmente salvaram a minha vida num futuro muito próximo. Pistolas e munição dos mais variados tipo. Isso que um bando de empresários ricos com medo da morte nos rendeu.

Bryce e eu acabamos de vasculhar o prédio e agora estamos no hall de entrada do lugar, arrumando tudo nas mochilas que trouxemos conosco. Aqui deve ter sido lindo antigamente. O lugar é um amplo salão com paredes de um mármore cinza que bem no meio, possui um extenso corredor formado por algumas pilastras ao seu redor, que davam um ar ainda mais medieval. Para completar, o salão costumava ser iluminado por diversos candelabros com lâmpadas que imitavam velas. E agora, o hall de entrada parece mais um lugar mal assombrado...

– Hey Bryce, eu já terminei aqui... Vamos voltar? — Nessas últimas horas em que passamos andando pela cidade, Lawrence estava muito quieto. Algo muito difícil de acontecer. Sem brincadeiras, sem cantadas escrotas, sem tentar me agarrar a cada minuto... Então ele começou a me olhar de um jeito um tanto estranho, perverso, poderia se dizer, e se aproximar de mim.

– Annabeth, Annabeth...

– O que foi Lawrence?

– Você não deveria ter terminado comigo, Annabeth! Eu e você, juntos, somos perfeitos! Mas não, você teve que acabar com tudo, sempre por causa daquele seu amigo morto. Percy Jackson...

– Percy não está morto! E mais, ele nunca teve nada a ver com a gente. Você que foi o idiota, você que me traiu com uma qualquer, você que fez a merda! Não adianta tentar colocar a culpa nele!

– Claro. Por que eu nunca percebi isso antes?! Você é tão apaixonada por aquele imbecil, quanto ele era por você! – Bryce começou a rir.

– O quê? – eu perguntei pasma – Percy e eu nunca tivemos nada! Nós somos apenas amigos, nada mais do que isso!

– É claro... Você ainda não percebeu... – ele deu um sorriso irônico.

– Percebi o quê?

– Nada. – Bryce riu – Vamos esquecer isso. Mas pode deixar que eu vou fazer você esquecer ele. De uma vez por todas...

– O que você vai fazer Lawrence?! – meus olhos exalavam raiva por aquele ser deplorável, mas escondiam meu súbito pânico enquanto ele soltava um sorriso macabro, que transbordava intenções sombrias, confirmando que eu tinha todos os motivos para ter receio do mesmo.

– Você vai ser minha, Annabeth. Por bem ou por mal. – Então eu me assustei, de verdade. Eu dava passos para trás enquanto ele ia se aproximando com aquele olhar psicótico, quando senti o gélido pilar de concreto em minhas costas. Eu estava encurralada.

– Bryce, vamos conversar? Eu acho que nós podemos resolver isso, você não acha? – eu tentava ganhar tempo para sair daquela enrascada. Eu pensava e pensava, mas nenhuma ideia vinha a minha cabeça.

Ele apenas negou com a cabeça, chegou bem próximo de mim e colocou os braços ao meu redor me deixando sem saída. E então me prensou na parede, beijando-me. Eu estava sem opções. Eu tentava me soltar, me debatia, o empurrava, mas Bryce era muito mais forte que eu. Então eu mordi sua língua e imediatamente senti o gosto de sangue na minha boca.

– Sua vadia! – Bryce gritou com a mão na boca e me deu um tapa muito forte em meu rosto, fazendo com que eu caísse no chão. Soltei um grito de dor e desespero. Eu ia me arrastando de costas no chão empoeirado tentando me distanciar ao máximo daquele ser enquanto pensava em como um dia, eu pude namorá-lo.

Bryce cuspiu o sangue que estava em sua boca e voltou a se aproximar de mim, ainda mais furioso. Não tinha mais nada que eu poderia fazer, ele era muito mais forte do que eu. Foi quando eu ouvi passos ecoando pelos corredores vazios.

– Socorro! – gritei com toda a minha força, em desespero, por alguma ajuda, agarrando-me a chance de não ser uma alucinação. Bryce não aceitou isso e me deu outro tapa.

Eu sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto junto ao seu gosto salgado quando chegavam a meus lábios. Meu corpo tremia, minhas mãos suavam e meus olhos ardiam, vermelhos e inchados. O meu estado era deplorável. Eu já estava sem esperanças...

POV Percy Jackson

Rachel e eu corríamos para o prédio onde ouvimos os gritos. Logo, logo, os walkers apareceriam por causa do barulho, e isso não seria nada bom para nós.

– Rach, fica aqui fora dando cobertura! Eu já volto! – falei enquanto entrava em disparada pelos fundos do prédio. Eu andava sorrateiramente pelos corredores escuros e embolorados com aquele cheiro de podridão, virava cada quina dos corredores com o maior cuidado, cada vez mais, me aproximando da garota que gritava. Não sei se eram walkers, talvez algum estuprador, mas ela corria grande perigo. Então cheguei ao hall de entrada, abaixei-me atrás de uma pilastra, e tentei enxergar o que acontecia. E o que vi, com certeza não me agradou, nem um pouco.

Um cara que eu conhecia, Bryce Lawrence, ex-namorado de Annabeth, estava agredindo e tentando, provavelmente, violentar uma garota que lutava incessantemente. Então agi, por impulso, pelo calor do momento.

– Hey Bryce! Solta a garota! – gritei apontando minha arma para ele. Bryce se virou, e sorriu cinicamente.

– Eu não acredito... – ele riu – Você de novo não! Você não vai me atrapalhar de novo, ah, não vai mesmo... Deixa isso quieto e vai embora. Você sai vivo e eu economizo balas, o que acha?

– Bryce, eu não vou repetir. Solta a garota! – engatilhei a minha arma. Bryce riu e se afastou dela. Nesse, ponto, ela já estava sentada no chão frio com o rosto entre os joelhos. Seu corpo tremia e sacudia devido ao choro. – Encosta na parede e coloca as mãos atrás da cabeça. Nem pense em tentar alguma coisa, ou eu juro que atiro.

Bryce fez exatamente o que eu pedi e enquanto isso, eu ia me aproximando da garota no chão, mas com a arma apontada para ele. Agachei-me do seu lado e pus uma mão sobre seus ombros.

– Hey moça, tá tudo bem? Esse idiota não vai mais machucar você.

Foi quando eu a vi, ela se virou pra mim e eu enxerguei aqueles lindos olhos cinza. Então caiu a ficha. A garota por quem eu estive procurando todos esses meses estava bem na minha frente. E eu havia acabado de salvá-la.

– Annabeth? Annabeth! É você mesma? – algumas lágrimas caiam de meus olhos. Eu coloquei minhas mãos em seu rosto e a puxei para um abraço.

– Percy! – ela chorava em meus braços. Eu me separei dela para olhar em seus olhos e então tudo aconteceu muito rápido.

Eu ouvi o barulho tiros e no segundo seguinte, eu estava caído no chão com uma dor excruciante em meu ombro esquerdo enquanto sentia o sangue quente e pastoso saindo de mim e encharcando minha camiseta. Logo em seguida peguei a arma com a minha mão direita e dei três tiros em Bryce Lawrence. Ele estava morto.

Naquele ponto eu já não estava enxergando direito, minha visão estava embaçada e escurecendo. O silêncio reinava até que Annabeth começou a gritar desesperadamente.

– Percy! Ah não Percy! Você não pode me deixar, não de novo. Você não vai morrer! Eu não vou permitir! Fica comigo tá bom?! – Annabeth chorava e tentava estancar o sangue do meu ombro.

– Annabeth. Rachel, Rachel está lá fora. Chame-a, ela irá ajudar.

– Percy, não...

– Vá Annabeth, eu vou ficar bem. Só... só tente não demorar ok? – falei dando meu melhor sorriso numa situação dessas.

– Eu já volto. – ela saiu em disparada, ainda relutante. Então rasguei um pedaço de minha camiseta e pressionei sobre meu ombro. A dor era insuportável. Apoiei-me em meus cotovelos e me arrastei até o balcão, onde encostei minhas costas.

O tempo parecia se arrastar, talvez Annie realmente tenha demorado, ou foi só resultado de minha dor, mas depois de uma eternidade, ouvi os passos das garotas. Rachel chegou desesperada, falando coisas incompreensíveis para mim. Eu já estava meio tonto.

– Rachel! – Annabeth gritou fazendo-a se calar – A gente precisa sair daqui. O barulho dos tiros, a gritaria... Os walkers vão chegar a qualquer momento.

– Ok, ok. O que a gente faz?

– Você vai até o posto de gasolina onde meu amigo, Michael, está me esperando. Fale pra ele o que aconteceu. Ele vai te levar até o nosso acampamento. Enquanto isso eu vou na frente com o Percy. Ele pode não ter muito tempo.

– Tudo bem. Percy aguente firme, ok? Nós vamos tirar você daqui.

Depois, tudo o que aconteceu passou como flashes. Eu um momento eu sentia alguém me ajudando a levantar e acho também que andei por um bom trecho e depois quando retornei a minha sanidade eu já estava em meu carro com Annabeth dirigindo. Eu a ouvia falando várias coisas, mas eu não conseguia me concentrar no que ela dizia, não conseguia entender o que ela falava.

Mas uma coisa eu entendi. Ela estava me levando para o acampamento que tanto procurei, onde minha família estava. Onde ela vivia. E eu me agarrei àquela esperança quando eu senti a escuridão me envolvendo e eu desmaiei.

Notas finais
Então gente!! Espero que tenham gostado, e posso adiantar uma coisa. As coisas vão começar a se acertar daqui para a frente... O próximo não demora, prometo! Beijos povão!!