It's In The Blood

10 Sleeping In The Couch


Notas iniciais
Olá, pessoas! Olha quem voltou rápido! Estou me sentindo inspirada essa semsna. Enquanto escrevo isso, já tem mais um capítulo sendo escrito e eu ADORO isso. Escrever é minha vida. Imagino o que vocês estão esperando com esse título hehehe Mais nas notas finais Sem mais delongas, Boa leitura ❤

Pov's Chris

Dan e eu nos deitamos na grama. O parque estava coberto por uma brisa fresca e um sol ameno, o céu de um azul tão calmo... Era um dia bonito demais para ser desperdiçado em lágrimas.

Ele finalmente havia parado de chorar e estava olhando melancolicamente para o céu. É preciso dizer que Daniel era um menino lindo. O cabelo volumoso, preto e liso caía até as orelhas, a pele era tão lisa quanto a de uma criança. O sorriso branco e brilhante cobria quase todo seu rosto. E seus olhos... Eram de um azul tão escuro que pareciam ser o portal para algum lugar misterioso.

Não me leve à mal, eu nunca o vi como algo além que um de meus melhores amigos. Mas ele tinha essa beleza inegável por um motivo: ela refletia em sua alma. Ele era gentil, carinhoso, carismático, abnegado. E seu mundo era Tracy. Ele poderia roubar por ela. Mentir por ela. Abrir mão por ela. Matar por ela.

Morrer por ela.

Eu não estava realmente surpreso pelo o que havia descoberto. Era esperado, depois de tanto feito em prol dela. Mas eu o conhecia, e sabia a reposta do que iria perguntar, mas mesmo assim o fiz. Fiz pensando que era um pecado transfigurar um rosto tão lindo em dor. Um pecado ferir uma alma tão pura.

— Você vai contar à ela?

— Eu não posso... Eu não consigo. Ela precisa do melhor amigo, droga. Ela pode estar sendo babaca agora, mas ela precisa de mim. Ela não precisa do único amigo que sempre teve paciência e calma com ela e pode ajudar nessa fase querendo enfiar a língua na garganta dela.

Como pensei.

Olhei para Dan, e quis muito que ele acabasse se apaixonando por outra logo. Eu amava Tracy, até achava que a ideia dos dois como um casal era adorável, mas tinha uma ponta de verdade no discurso de Daniel: Tracy precisava de tudo, menos um garoto querendo enfiar a língua na garganta dela. E isso incluía Kevin.

[...]

Eu acompanhei Dan até sua casa e fui caminhando lentamente até a minha. No caminho, passei em frente à uma loja de discos, e Kat e Alex saíram de lá totalmente do nada, correndo em minha direção.

— O que aconteceu com aqueles dois? Por que aquele dueto? POR QUE Dan parecia estar chorando quando saiu da sala? – perguntou Kat. Ela parecia uma mãe preocupada com o filho pequeno que caiu do berço.

— Briga feia por causa de Kevin. Eu disse a ela para não esconder de Dan, mas ela não me escuta. E agora acha que está no direito de estar brava com ele por querer satisfações pela mentira. É tudo uma merda. – digo. Mas logo minha mente vagueia, pois não consigo parar de pensar em como Daniel é azarado por estar gostando de Tracy justamente agora.

A esse ponto já estamos caminhando pelas ruas em direção à um café, e Kat parece plenamente satisfeita com minha explicação, e começa a discorrer sobre como provavelmente é só uma discussão besta e logo tudo voltará ao normal. Alex não parece muito convencido de que eu disse tudo o que há para se dizer.

Paramos em um café para Kat comprar um bolinho, eu e Alex esperando do lado de fora. Uma vez que sua irmã está dentro do estabelecimento, ele se vira para mim:

— O que é que você não está me contando, Christian?

Ninguém nunca usava meu nome. Soou um bocado intimidador.

— Nada.

— Eu sei que está escondendo algo. Eu sei que tem a ver com o Daniel. Eu sei que tem uma razão a mais para ele ter se magoado Tracy parecer preferir Kevin a ele, e você sabe o que é. Então, ele conhece o moleque? Tem algum passado ruim com ele ou coisa do tipo? O que está acontecendo aqui, de verdade? – meio minuto de silêncio – Você sabe que eu posso fazer você falar, né?

Apesar de a frase soar ameaçadora, ele a diz sorrindo, e cai na risada depois. Ele sabe que não vai fazer nada comigo, e que eu sei disso, mas isso não impede que minhas pernas fiquem bambas. E não é de medo

— Eu não faço ideia de como você percebe essas coisas – digo, por fim. – Mas eu não vou te dizer nada, Alex. É assunto pessoal dele. Se ele quiser te contar, ok. Mas eu não vou espalhar as histórias dele pelas costas.
Ele meneia a cabeça, perdendo o olhar no horizonte por um instante. Depois, volta olhar para mim, analisando meu rosto.

— Você é um bom amigo, DeBrassio. E isso é uma coisa muito rara ultimamente.
Então Kat sai do café, e nós seguimos a casa deles para jogar vídeo game. Por todo o caminho, Alex mantém o braço ao redor dos meus ombros. Por todo o caminho, eu tenho estrema consciência disso, e é difícil me concentrar em qualquer coisa.

[...]

Depois de horas mandando mensagens para Tracy, ela finalmente me responde, dizendo que estará na casa dos avós em quinze minutos. Me despeço dos gêmeos e sigo para lá.

Seu avô atende a porta. Ele está com um avental sujo de farinha, o que sugere que está ajudando Carole na cozinha.

— Boa noite, senhor Hummel!

— Chris! Entre aí, rapaz. Carole está fazendo biscoitos.

— OU PELO MENOS TENTANDO! – ela responde da cozinha – MAS FICA DIFÍCIL COM O NOSSO FILHO COMENDO TODA A MASSA!

Eu e Burt caímos na risada. Entramos na cozinha, e tio Kurt estava lambendo os dedos sujos de massa crua e fugindo da madrasta, que fingia querer acertá-lo com a colher de pau.

— Oi, senhora Hummel; oi, tio Kurt!

— Hey, pequeno! Que bom ver você aqui. – diz Carole, olhando para mim. Enquanto isso, Kurt aproveita para pegar uma colher e enchê-la de massa. Antes que ela possa fazer algo, ele já desvencilhou dela e me entregou a colher.

— Pra você, querido. — ele diz. – Tracy está no quarto dela, você pode subir.

Agradeço e subo as escadas, enquanto Carole discursa sobre como Kurt já está grandinho demais para agir como se tivesse cinco anos, e ele apenas ri.

Chego ao quarto de Tracy. Quando se mudou para lá, ela fez estão de por na porta uma plaquinha onde se lia “Você construiu um mundo de mágica, porque sua vida real é trágica”. Não era muito inspirador, mas ela parecia mais motivada por aquilo. Minha amiga era bem estranha, admito. Bati na porta e ela abriu imediatamente, com um sorriso.

— Chriiiiiis! VAMOS FAZER UMA MARATONA DE SÉRIES!

— Oi? – digo, e estou totalmente pasmo. Ela acabou de ter uma briga com o melhor amigo. Como pode estar tão contente? Mal tenho tempo de dizer nada, pois em dois segundos já estamos sentados em pufes no chão, de frente para a TV enorme que ela tinha no quarto. Aquela filha da mãe tinha uma TV enorme no quarto em que dormia na casa de cada parente. – Mas que porra é essa?

— Como assim? Estamos esperando a estreia dessa série à meses. – ela diz, e eu percebo que ela está colocando para rodar o primeiro episódio de uma série musical que nós queríamos muito ver. E “nós” refere-se a eu, ela e Daniel.

— Não estou falando da série. Não entendo como pode já estar tão bem.

— Por que não estaria? – ela faz o seu melhor olhar de confusa.

— Não faça a puta sínica para o meu lado, Hummel-Anderson. Você sabe o porque, sua vaca.

— Grosso. – ela revira os olhos, mas pelo menos está com uma expressão mais triste. – Eu sei que devia estar triste. E no fundo eu estou triste. Mas hoje meus pais se juntaram para ver o que tinha acontecido comigo. E quando eu fui dormir, eu pude escutar eles rindo na cozinha. E quando eu acordei, eles estavam dormindo juntos no sofá. Quer dizer, eles não estavam abraçados nem nada, e cada um estava virado para um lado do sofá, mas eles estavam com os pés entrelaçados – ela entrelaça os próprios dedos indicadores, como se simulasse a situação. – Você tem noção de que essa é a primeira vez em meses que meus pais ficam mais de meia hora no mesmo ambiente sem que o clima fique estranho e desconfortável? É difícil pra mim simplesmente não ficar eufórica com isso. Minha família é importante para mim, Chris. Mais que o Daniel.

Por um segundo me sinto culpado por ter destruído o seu primeiro momento totalmente feliz em relação aos seus pais em quase um ano. Mas o instante se dissipa rapidamente, pois lembro que ela merece estar triste agora. Ela havia sido uma babaca e tinha que se sentir mal por isso.

— Não é uma boa desculpa, Tracy. Daniel está arrasado. A-r-r-a-s-a-d-o. Você foi indescritivelmente rude com ele.

— Eu não armei aquele dueto! Você viu, ele mandou a banda tocar aquilo. E por que eu estou tão errada? Ele aparece na minha casa, começa a querer satisfações como se fosse meu pai e...

— Vá se foder, Tracy – eu a interrompo, e ela me olha indignada. – Por que você está errada? Você lembra de ter mentido pra ele? De ter o ignorado por dias? De ter deixado seu melhor amigo de lado por um machinho qualquer? Se lembra disso, querida? Será que realmente não sabe onde está o seu MALDITO ERRO, TRACY?

Eu termino a fala quase aos berros, e Tracy está tremendo. Seus olhos se encheram de água e ela não parecia ser capaz de vocalizar absolutamente nada, com a boca aberta em O e os lábios tremendo. Prossigo um pouco mais suavemente:

— Meu Deus, garota. Você precisa ir pedir desculpas à ele. Você sabe que está errada. Ele não estava nem mais sentindo ciúmes, Tracy. Era só o momento, ele é muito apegado a você. Ele só quer ver você bem. Não havia motivos para esconder dele, muito menos ser rude com ele por se magoar. Faça o que é certo.

Ela me encara alguns segundos. Depois deita o rosto em meu colo aos prantos, e eu sinto que vou explodir se ver outro amigo meu nesse estado. Com a voz entrecortada, ela diz:

— Eu vou pedir desculpas, Chris. E-eu não quero fazer ele se sentir mal, eu só... Ah, eu nem sei exatamente porque fiz isso. Acho que quis bancar a independente ou sei lá o que. Eu não quero ser assim... Não com ele. – ela silencia alguns segundos, depois senta-se novamente – eu não vou mais ser uma vaca orgulhosa com meu melhor amigo – então ela me estende seu dedinho.

Eu entrelaço meu dedo ao dela com um suspiro aliviado, pois sei que essa promessa não será quebrada.

Um ponto positivo sobre Tracy é que ela leva promessas de dedinho muito a sério.

~ H. A ~

Pov's Kurt

Eu acordo com Tracy me cutucando no ombro. Eu remexo no sofá por alguns segundos antes de abrir os olhos.

— Bom dia, dorminhoco – ela diz, e está sorrindo muito.

— Na verdade, já vai anoitecer – digo, olhado pela janela. Ela dá uma risada tão gostosa que me invade a alma. Eu literalmente não me lembrava a última vez que a vira desse jeito. Até eu me dar conta que ela não devia estar tão contente. Ela não havia brigado com Daniel? Então me dei conta do porque da alegria.

Quando tentei sentar, não pude mexer meus pés. Ao olhar para eles, só o que encontrei foi Blaine deitado do outro lado do sofá, nós embaixo da mesma coberta, e senti nossos pés entrelaçados. Eu me lembrava de ter pegado no sono enquanto ele limpava algo na cozinha. Então ele devia ter me coberto, e deitado depois. Eu tive que me segurar muito para não dar um sorriso bobo.

Eu olhei para Tracy. Agora ela estava na cozinha, abrindo o pote de biscoitos, e parecia cantarolar. Pobre menina. Ela acreditava que aquela cena podia significar alguma coisa maior.

Pobre de mim. Eu também queria acreditar.

[...]

Depois de acordar Blaine – e tentar não ficar completamente constrangido com a situação – eu e Tracy nos arrumamos e fomos para a casa de meu pai. Durante o caminho ela parece muito em paz, mas não posso julgá-la. Desde o momento em que saímos do apartamento de Blaine, tudo que puder pensar foi: “Ele disse que também me ama. E ele dormiu comigo no sofá.” Num loop infinito. O sorriso idiota não abandona meu rosto.

Quando chegamos em casa, Tracy sobe direto para seu quarto. A conheço o suficiente para saber que faz isso para não correr o risco de dar a com a língua nos dentes para os meus pais, e agradeço a ela mentalmente.

E pelo resto da noite é difícil disfarçar como estou contente. Faço piadas com papai e Carole. Eu a chamo de “mamãe”, o que só faço quando estou de extremo bom humor. Roubo massa crua de biscoitos. Quando esses ficam prontos, eu os como com leite, rindo feito retardado de alguma comédia besta na TV. É como ser uma criança inocente de oito anos outra vez.
E é claro que papai nota tudo isso. Ele sabe que eu estava na casa de Blaine. Ele sabe que eu deveria estar preocupado com Tracy. Ele só espera a hora certa.

Quando já estou deitado na cama do quarto de hóspedes (Tracy tomou conta do meu antigo quarto), papai entra e se senta no pé da cama, como quando eu era adolescente.

— Como você está, Kiddo? – ele diz, a mão acariciando o meu pé. É tão confortante que quase penso em não voltar para meus afazeres e passar o resto do ano ali.

— Estou bem.

— Eu diria que bem até demais. Como foi na casa de Blaine?

— Normal – eu tento mentir. Mas ele está muito desconfiado, posso perceber pelo seu olhar

— Se um dia normal te deixa eufórico, então acredito em você – ele diz. Preciso me concentrar para não corar e me entregar.

— Estou feliz porque, apesar de estar um pouco pra baixo por ter brigado com o melhor amigo, Tracy está muito mais contente do que quando ainda estava em Nova York. Ela está animada com a escola. É bom finalmente vê-la bem. E não, não aconteceu nada entre mim e Blaine. Nós conversamos com Tracy e ele me deixou dormir no sofá. Apenas isso.

Escolho colocar a mentira misturada a uma parte da verdade para que ele não desconfie de nada, e parece funcionar.

— Bem, se você diz... Só não vá se machucar, Kurt. Boa noite.

— Boa noite, pai.

Quando ele sai do quarto e eu me viro para dormir, penso: é tarde demais para não me machucar.

Eu passo a noite inteira pensando nas coisas que eu perdi quando decidi ir embora.

~ H. A ~

Pov’s Tracy

Não consigo dormir a noite. Mesmo com Chris ficando comigo, e com a música, e todos os exercícios mentais pra pegar no sono que eu tento, mesmo lembrando da cena adorável que vi entre meus pais, é impossível. Daniel não sai de minha cabeça. Se cochilo, tenho pesadelos e acordo suando.

Me sinto péssima. Um ser humano horrível.

Na manhã seguinte, obviamente estou acordada antes de todos. Me levanto, coloco um casaco por cima do pijama, deixo um bilhete preso na geladeira e saio. Meu rosto está inchado e meu cabelo está preso num coque mal feito e bagunçado. Eu não me importo.

Compro um café e me sento em um banco no parque. Minhas mãos tremem enquanto digito.

De: Tracy ❤
Oi. Está acordado?

De: Danny ❤
Não estava até você me mandar mensagem antes da porra das oito da manhã. O que é?

Ai. Ok, doeu. Mas ele estava no seu direito de estar puto comigo, então só respirei fundo e respondi.

De : Tracy ❤
Eu queria falar com você. Estou no parque, no banco embaixo da árvore grande. Pode vir aqui?

De: Danny ❤
Não. Não quero falar nada com você. Tchau.

De: Tracy ❤
Por favor.

De: Danny ❤
Não, obrigado. Já levei patadas o suficiente por um ano.

De: Tracy ❤ Eu estou te implorando. De joelhos. De joelhos e de pijamas e com a cara amassada num parque cheio de idosos fazendo caminhada. Estou te implorando pra vir aqui pra eu poder implorar seu perdão pessoalmente. Por favor.

Ele demorou mais de cinco minutos para responder.

De: Danny ❤
Estarei aí em dez minutos. Chata.

Não pude evitar o sorriso enorme que dominou meu rosto.

[...]

Em menos tempo do que o prometido, Daniel entra no parque, pedalando em pé na bicicleta. Ele me avista e vem até mim, deixando a bicicleta encostada na árvore atrás de nós antes de se sentar ao meu lado.

— Oi – eu digo rapidamente, tentando evitar o silêncio constrangedor.

— Oi. Você está péssima. – ele não parece de forma alguma ter tido uma má noite de sono. Está até bonito pra alguém que simplesmente saiu de casa e chegou ao parque, à quatro quarteirões de distância, em oito minutos. Tenho extrema noção do meu estado caótico.

Apesar de não o querer, o silêncio constrangedor se instala. E Danny fica ali, me olhando. Então percebo que na verdade ele está exausto. E triste. E está esperando que essa conversa vire outra briga, está esperando ser magoado outra vez. É demais para mim. Caio no choro.

Por um momento ele não faz nada, mas logo o escuto respirar fundo, e então ele me puxa para perto e encosta minha cabeça em seu peito.

— M-m-me desculpa, D-danny.

— Tracy...

— Não – digo, me sentando reta novamente, e respirando fundo para parar de chorar – Não, você precisa e-escutar. Eu sinto muito. Eu r-realmente sinto muito pelo o que eu fiz... E-eu fui horrível. Eu estava errada, eu m-menti pra você, e depois fui uma idiota. Eu f-fui uma idiota com você, e você não merece isso... Me perdoe. Por favor, Danny, m-me perdoe. Eu... Eu... Eu não... Não sei o que fazer sem você por perto, eu não posso ficar sem você. Eu não quero s-ser uma idiota... Me perdoe. Por favor. – e então eu estou chorando de novo. Desesperadamente.

Dessa vez sua pode defensiva simplesmente se esvai. Sua expressão vai do desconfiado ao preocupado em fração de segundo, e ele me abraça forte. Eu me afundo em seu peito e me permito chorar ali por longos minutos. Daniel nada diz, até eu estar bem o suficiente para sentar, secar os olhos e ouvir.

— É claro que eu perdôo você – ele sussurra, secando uma última lágrima rebelde em meu rosto. – E desculpe por aquele dueto de ontem. Um tanto exagerado, eu acho.
Eu apenas me jogo em seu pescoço, o abraçando forte, o que o faz rir ao me abraçar de volta.

— Você não tem do que se desculpar – digo, deitando então a cabeça em seu peito.
Fico ali alguns minutos, ninguém diz nada. Então digo, baixinho:

— Eu te amo. Você ainda me ama, né?
Posso sentir sua respiração parar. Ele se move de forma a poder ver o meu rosto, e o analisa com tanta calma e cuidado... É como estar totalmente protegida. Queria, naquele tempo, ter noção do que aquele olhar significava.

— Que pergunta mais besta, Tracy... – sua voz soa um milhão de vezes mais doce do que todas as outras vezes que ele me dirigiu a palavra – É óbvio que eu amo você.

E isso é tudo que preciso ouvir para saber que tudo irá voltar ao normal.

Ou quase.

~ H. A ~
Pov's Daniel

É óbvio que amo você.

Não é preciso muito para saber que eu não estava respondendo a pergunta dela. Era o meu próprio questionamento, minha própria dúvida: eu tinha uma queda por minha melhor amiga... Ou eu a amava de forma... Não fraternal?
Agora eu tinha certeza de que a resposta era a segunda opção.

Ela voltou para casa e eu para a minha, tínhamos de estar na escola em menos de uma hora. Durante todo o período entre ir para a casa e reencontrar Tracy na escola, esse pensamento me atormentou. Eu estava REALMENTE apaixonado pela minha melhor amiga, que além de não poder jamais me enxergar dessa forma, estava a fim de outro cara. Eu não sabia como lidar com nada daquilo. Até que me lembrei de um pequeno detalhe.

Talvez as coisas mudassem de figura se ela soubesse de uma pequeno detalhe
Kevin era filho de Sebastian Smithe.

~ H. A ~

Pov's Blaine

Eu nunca fiquei tão feliz por tão pouco em toda a minha vida.
Naquele final de tarde, após o final do filme, eu me levantei e fui limpar a pouca sujeira que eu e Kurt havíamos feito. Quando voltei, ele estava deitado, os pés para fora do sofá. Dormindo.

Eu coloquei seus pés sobre o sofá, sorrindo para o quão vulnerável ele estava. O cobri com uma manta, e decidi cochilar um pouco também. Deitei com alguma distância entre nós no sofá grande e adormeci.

Acordei horas depois, com a voz de Kurt e sua mão em meu ombro. Leva alguns segundos para me dar conta de onde estou e do que ele está falando.

— Hora de acordar, seu dorminhoco. – o escuto dizer finalmente olho para ele. Ele está com o cabelo bagunçado e sentado meio torto. Está torto por um motivo.
Seus pés estão enroscados nos meus.
Disfarçadamente me ajeito no sofá, quebrando o contado. Mas não consigo evitar de ficar corado.

— Ahn...

— Tudo bem, Blaine. As pessoas se mexem dormindo, é normal. Não vou te denunciar por abuso sexual ou coisa do gênero – ele diz. Também está com vergonha, mas é mais cara de pau do que eu para reverter a situação. Damos risada da situação e levantamos do sofá, como se nada tivesse acontecido.

Quando ele e Tracy vão embora, eu automaticamente entro no modo “criança feliz e cantarolando”. Peço uma pizza pro jantar. Assisto a mais um filme. Limpo minha bagunça. Tudo isso sorriso e/ou cantarolando. Depois de tudo isso, pego um de meus vilões e sento na varanda para cantar.

Kurt Hummel disse que me ama, dormiu comigo no meu sofá e a vida é bela.

[...]

No dia seguinte, enquanto tomo café da manhã, alguém toca a campainha. Assim que atendo a porta, levo um belo susto.

— CAMINHADA!!! – É a primeira coisa que Kurt grita ao me ver. Nada de “Bom dia, Blaine”.

— PORRA, KURT! – grito de volta. – QUER ME MATAR DE SUSTO?
Ele dá risada e entra no apartamento. Finalmente falando como alguém normal, ele se explica:

— Eu vim te chamar pra fazer caminhada. Sabe, ainda temos umas horas até termos de ir para a McKinley, e Rachel não quer vir comigo. Pensei que talvez você quisesse ir.

Só então percebo que ele está usando sua roupa de caminhada, que é um tanto indecentemente apertada. Não se atreva a olhar pras coxas dele, Anderson, me pego pensando, muito menos pra bunda dele.

— Não é má ideia. Espere só um minuto enquanto me troço e nós vamos. – respondi.

Alguns minutos depois já estávamos caminhando pelo parque, conversando amenidades. Quando aumentamos o ritmo para uma corrida leve, ele disse:

— A gente devia fazer um dueto hoje.
Olho para seu rosto. Não parece estar tramando nada, só está sendo amigável.

— Hm... – é tudo que respondo. Verdade seja dita, cantar com Kurt era relembrar um passado lindo que eu queria esquecer.

— Vamos lá, Bee. É só uma música. Você sabe que isso fará bem a Tracy, não sabe? Eu queria fazê-la se sentir bem hoje.
Ele está sendo sincero. E é só uma música, não é?

— Tudo bem. Então a gente faz um dueto.

— Então vamos escolher uma música e ensaiar! – ele diz, pegando minha mão e me levando de volta para meu apartamento.

Sua mão fica um bom tempo na minha, e eu só sei olhar para elas juntas e sorrir.

Notas finais
EU AMEI ESCREVER ESEE CAPÍTULO Sou uma grande fã do drama, mas adoro os capítulos fofos, awn Valorizem os amigos como o Chris, crianças. Os que não tem medo de te xingar quando você precisa abrir os olhos, e te consolam quando você tá na merda A propósito, pretendo levar a expressão "puta sínica" pra minha vida HMMMM PARECE QUE TRACY NÃO SABE TUDO SOBRE KEVIN NÃO É MESMO??? Meus bebês Klaine ❤❤ os amo tanto, tão perfeitos E então, pessoinhas? O capítulo foi de seu agrado? Deixe a tia Tersy saber! Comentem! Por hoje é só, pessoal. Beijos de luz e purpurina e tchaaaaau ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.