It's In The Blood

5 It's time to movin' on


Notas iniciais
Olá, pessoas !! Eu sei que demorei, mas me deu um bloqueio :( Esse capítulo é mais uma introdução para a próxima fase da fic, vai ficar melhor mais pra frente Sem mais enrolação, boa leitura ♥

Pov's Blaine

Eu estava jogado no sofá, assistindo à um filme qualquer. Minha barba já estava enorme pelas longas duas semanas sem fazê-la, e minha roupa se resumia a uma bermuda velha e uma regata que fora branca um dia. Eu não parecia um cantor famoso. Eu parecia um mendigo.

Quando ouvi a campainha, mal tive forças para o revirar os olhos, achando que poderia ser Matthew, meu empresário, com a triste e horrenda notícia de que os tablóides já especulavam sobre meu divórcio, já que eu não atendia suas ligações nem respondia mensagens ou emails. Mas para minha agradável surpresa, não era ele.

— Você está um horror, Devon. Se suas fãs te vissem assim, nunca mais teriam fantasias com você. — Disse Jeff, me examinando de cima a baixo.

— Já vi mendigos mais bem arrumados por aí. — completou Nick.

Os recebi com abraços e risadas e os encaminhei até a sala. Trouxe cervejas e os servi. Muitos anos antes (pouco depois de casar com Kurt e voltar para NY, mais especificamente) eu, Nick e Jeff tivemos um feliz reencontro.

* Flashback on *

Blaine entrou no aconchegante café e parou na fila. Aquele em especial lhe lembrava vagamente o Lima Bean, o que lhe trazia inúmeras lembranças felizes de seu marido. Marido. Blaine amava referir-se a ele com essa palavra.

Após alguns minutos na fila, ele escutou vozes atrás de si. E achou que seus ouvidos só podiam estar o enganando.

— Querido, entenda que eu não sou um pervertido. Eu sou um noivo presente. É totalmente diferente. E você diz isso como se não lhe agradasse, o que ambos sabemos que não é verdade. — Blaine reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

— Eu acho que um café não é exatamente o melhor lugar para essa conversa, Jefferson. Só acho — disse Blaine, virando-se para trás com um sorriso.

— Ah, meu Deus! BLAINE ! É você mesmo !? — Perguntou Nick, já se esquecendo da vergonha sentida pelo comentário nada discreto de seu noivo em plena fila do café.

Os três pegaram seus pedidos e sentaram numa mesa afastada. Conversaram por muito tempo sobre tudo o que acontecera desde que Blaine se afastara, ao ir para o McKinley. Nick e Jeff estavam na cidade a um ano, cursando Teatro em NYU, uma enorme coincidência, já que Blaine estava estudando Música lá há alguns meses. A menos de dois meses, Jeff pedira Nick em casamento e agora estavam noivos, e ambos ficaram mais do que contentes ao saber que o moreno estava casado com Kurt. Futuramente, Blaine e Kurt seriam convidados para serem seus padrinhos, e aceitariam com muito carinho. Continuaram juntos seu caminho para a faculdade, e quando tiveram que se separar para suas aulas, Blaine os convidou para um jantar com ele e Kurt em seu apartamento.

E desde esse feliz reencontro, nunca mais os amigos se afastaram.

* Flashback off *

— Olha, é o seguinte, Blaine: não viemos antes porque eu estava gravando na Califórnia. — Nick e Jeff tornaram-se atores renomados após a faculdade — Mas estamos aqui agora pelo seguinte motivo: você tem que começar a reagir. Você tem uma carreira invejável. E uma filhinha linda. E tem que sair desse sofá para poder cuidar dos dois. Falando em filha, onde está minha afilhada ?

— Tracy está na escola, Jeff. E eu não quero reagir a nada. Só passaram duas semanas... e é a terceira vez que eu sou chutado {pelo mesmo cara}. Tente entender que eu estou na porra do fundo do poço — resmunguei, com a cara enfiada numa almofada.

— Cara, deixe de ser dramático. A Broadway mexeu com seus neurônios. — reclamou Nick, mal humorado — Nós chamamos o Sam, ele chega amanhã. E você vai sair com a gente. Isso não é um convite, é uma convocação.

— Eu. Não. Quero. Sair. — falei, olhando feio para eles. — E se vocês estão pensando em me levar numa balada para eu pegar alguém, esqueçam. Eu não sou esse tipo de cara, eu tenho uma filha e tenho paparazis no meu pé 24 horas por dia.

— Olha, Blaine, sendo totalmente sincero, acho que tudo isso aí é falta de dar. Mas eu conheço bem meu amigo bobo romântico, até por que eu sou igual. Mas não é isso que queremos, de qualquer forma. Só queremos que passe um tempo com os amigos. Queremos ajudar você, porque você sabe que sua vida não pode parar. Não é justo dar a ele esse gostinho. — disse Jeff.

Fiquei em silêncio algum tempo. Depois levantei do sofá e disse, em pé em frente à eles:

— Ok, ok. Tudo bem. Muito obrigado por isso. Não sei o que seria de mim sem meus amigos. Mesmo que Sam só chege amanhã, acho que nós poderíamos ir à algum lugar hoje. Eu realmente não posso ficar aqui no sofá para sempre. Me dêem uma hora para eu dar um jeito na minha situação mendiga — eles ficaram rindo enquanto eu subia as escadas. Na metade do caminho, gritei:

— À propósito, Jeff, eu prefiro ser o ativo.

— INFORMAÇÃO DESNECESSÁRIA, DEVON ! — Gritou Nick. Eu apenas ri.

[...]

Passamos o dia apenas passeando por New York e jogando conversa fora. Quando deu o horário de Tracy sair do colégio, liguei para Hannah, que normalmente ia buscá-la, e disse que eu mesmo iria. Isso lhe causou certo espanto, já que a razão de ser ela e não eu ou Kurt à buscar nossa filha na escola era simples: a imprensa descobrira onde ela estudava e ficava a espreita nos horários de entrada e saída, só esperando para abordar um de nós. Mas eu não estava ligando nesse dia.

— Ok, vocês ficam no carro. Eles já causarão um tumulto por eu vir aqui e com certeza vão fazer perguntas sobre mim e Kurt, então não precisamos de mais dois atores de sucesso para atiçá-los. Volto o mais rápido possível com Tracy.

Eles concordaram e eu saí do carro. Estava com um boné na cabeça e óculos escuros, com uma roupa um pouco mais simples do que o usual, tentando apenas sumir em meio aos outros pais em frente ao colégio. Logo, vi Tracy saindo do colégio com sua mochila nas costas. Ela estava com o cabelo preso para trás com uma tiara e usava lentes amendoadas nos olhos, e um dos vestidos desenhados por seu pai. Assim que me viu, sorriu de leve e veio calmamente em minha direção. Ela não era boba, sabia que qualquer movimento brusco causaria um ataque de mídia nada agradável. Ela me abraçou e aproximou a boca do meu ouvido.

— Pegue minha mão e ande rápido até o carro. A nossa esquerda, um pouco mais lá atrás, tem um grupo de fotógrafos e eles já sabem quem é você.

— Merda. Vamos, vamos logo.

Peguei a sua mão e andei — quase corri, na verdade — até o carro, e ainda consegui ouvir às minhas costas:

— Aquele ali é Blaine Anderson !?

Mas eu já estava no carro. Um dia eu responderia todas as perguntas sobre mim e meu ex marido. Mas não seria naquele dia.

— Tio Jeff e Tio Nick !! Que saudades! — gritou Tracy, já dentro do carro e abraçando seus padrinhos. Sorri com aquela cena.

— Hey, Devon, acho que nós podemos sair com essa princesa para jantar essa noite. Vocês precisam sair daquela casa. — disse Jeff. Nick assentiu em concordância.

— Eu concordo. O que acha, pequena ?

— Acho que vou comer muito essa noite.

Demos risada e seguimos para minha casa para que ela pudesse se arrumar. A noite passou tranquila e muito divertida. Na volta, como estava tarde, Nick e Jeff dormiram — ou não, quem sabe — no quarto de hóspedes. Naquela noite, não derramei uma única lágrima.

[...]

No dia seguinte, Sam chegou à NY. Foi difícil para ele arrumar uma folga na escola, mas ele deu um jeitinho. Ele era, sem dúvida, um ótimo melhor amigo. Foi muito bom vê-lo, não nos encontrávamos pessoalmente a quase 10 meses. Nesse dia, iríamos os quatro para um pequeno bar do qual eu gostava bater um bom papo. Era sábado e Tracy iria ficar com Kurt, que havia voltado a pouco tempo de Ohio. Era contagem regressiva até que os papéis do divórcio chegassem em minhas mãos.

Aquela noite foi ótima. Sam fez graça o tempo todo, melhorando muito meu humor. Jeff fazia Nick ficar envergonhado a cada dez minutos, o que era hilário. Cantamos no karaoke e rimos das reações de Sam sempre que tínhamos que despistar da imprensa, até mesmo tendo que convocar meus seguranças. Aquele foi o primeiro passo para que eu começasse a reagir ao meu sofrimento. Aquele primeiro ano foi muito difícil e eu me encontrava triste muitas vezes. Mas ter meus amigos ao meu lado foi de imensa ajuda

~ H.A ~

Pov's Kurt

Aquela semana na casa de meu pai foi realmente revigorante. O carinho dele somado a comida maravilhosa de Carole foram um santo remédio para toda aquela dor em mim. Conversamos, rimos e nos divertimos. Mas também ouvi bons conselhos — e um puxão de orelha de papai pela forma como saí de casa. Mas, obviamente, meu orgulho me impediu de ouvir.

Voltei para New York, e comprei um pequeno apartamento para mim. Fugi da imprensa como pude. E estar sozinho foi o suficiente para que eu me tornasse uma bagunça novamente. Ficava em casa, chorando. Passou-se uma longa semana antes que algo viesse me tirar daquela situação.

Ouvi a campainha naquela manhã de sábado e quase não fui atender. Mas tirei forças de não sei onde e fui abrir a porta.

— SURPRESA !!! — Rachel, Mercedes, Santana, Brittany e Quinn estavam lá, com sorrisos nos lábios.

— Ah, meu Deus !! O que estão fazendo aqui ? — falei, abraçando-as com um sorriso no rosto. — Vocês têm vidas tão cheias, como arrumaram tempo de vir aqui ?

— Sempre se arruma tempo para ajudar os amigos que precisam, Kurt — disse Mercedes.

— Eu vou até esquecer que eu quero capar você e tentar ajudar. Mas quero deixar claro que você é um idiota — disse Santana, com um meio sorriso maldoso no rosto.

— Acho que você já me deu todo o sermão que podia, Satanás...

Santana tinha ido atrás de mim em Ohio e quase me crucificou, literalmente. Mas ela o fez de forma figurativa, e foi ainda mais maldosa do foi naquela vez em que eu critiquei seu noivado com Brittany. O ruim foi saber que ela estava totalmente certa. Brigamos naquele dia e e ela foi embora completamente revoltada. Era bom saber que mesmo assim ela estava ali para me apoiar.

Quando abracei Britt, tive que me controlar muito para não perguntar como Blaine estava. Eu sabia que, enquanto Sant estava brigando comigo em Ohio, ela estava consolando Blaine. Mas eu não perguntei nada.

— Viemos te chamar para um dia de garotas. — disse Rach.

— Agradeço a oferta, mas não estou no clima. Prefiro ficar aqui e ver uns filmes.

— Kurt, você não pode ficar aqui à míngua para sempre. Você tem uma carreira e uma filha para cuidar, e você não pode fazer isso aí, largado no sofá. — disse Mercedes, bufando.

— Não tem escolha, Kurtie. Nós vamos te levar nem que seja amarrado — completou Brittany.

Eu ainda tentei resistir por um tempo, até o telefone de Rach tocar.

— Você já está aí embaixo ? Ok, vou aí pegar você.

— É ela ? — perguntou Quinn. Rachel assentiu sem olhá-la. Ainda tinha uma leve rixa entre elas. -Ótimo, eu vou lá buscar ela. Não a vejo há tempos.

— Quem chegou ? — perguntei curioso.

— Alguém que vai te convencer a sair. — Santana tinha um sorriso enorme ao falar isso. Tive até um pouco de medo.

Em poucos minutos Quinn voltou, acompanhada de Tracy. Rapidamente a abracei, tirando ela do chão.

— PRINCESA !! Eu estava com tanta saudade de você...

— Também senti sua falta, papai. — ela saiu do meu abraço e começou a perambular pelo apartamento — Apartamento legal. Onde vai ficar meu quarto ?

— Última porta a direita. Quero sua ajuda para decorar.

— Ótimo! Nesse caso, temos que sair e comprar as coisas que precisaremos para decorá-lo, não é ? — Ela tinha um sorriso brincalhão e uma expressão de "Xeque-mate, baby. Você não tem escolha agora."

— Quando é que você ficou tão espertinha ? — todos nós rimos. — Ok, me dê 10 minutos para eu me arrumar.

— Papai, é contrário às leis do universo que um Hummel se arrume em menos de 30 minutos. Seja sincero.

Rimos mais ainda, e eu realmente demorei 40 minutos para me arrumar. Saímos para fazer compras no shopping, e se eu não fosse famoso e consequentemente rico, Tracy teria estourado o meu cartão de crédito. E quase fez o mesmo com o de sua mãe e suas madrinhas. Elas estavam claramente mimando a menina porque ela sofria com aquele divórcio, mais do que demonstrava.

Passamos o dia andando pelo shopping, rindo e nos divertindo. Discretamente, Tracy fez perguntas sobre como ficaria a questão da guarda dela após o divórcio. A tranquilizei, pois já tinha decidido que, no que dependesse de mim, eu e Blaine manteríamos sua guarda compartilhada e nenhum de nós se tornaria ausente em sua vida. Isso a tranquilizou.

Voltando para meu apartamento, vimos filmes até tarde. Quinn teria que ir para o hotel onde estava hospedada por ter um compromisso pela manhã, e Santana e Brittany tinham que voltar para Daniel. Rachel e Mercedes ficaram lá, além de Tracy, e acabamos dormindo largados no sofá.

Voltei ao trabalho no dia seguinte. Tudo aquilo ainda doía, e doeu por muito tempo. Mas meu orgulho maldito me mantinha de cabeça erguida em frente aos outros. Quem me visse, diria que eu havia seguido em frente. E com o passar do tempo, eu passei achar que realmente o tinha feit

~ H.A ~

Pov's Tracy

Passados uns 3 meses, as vidas deles seguiam o mais normalmente possível. Com a quantia certa de dinheiro você arruma o advogado certo para já estar divorciado em três meses. Minha guarda já estava praticamente decidida e eles foram muito educados um com o outro durante as reuniões com as assistentes sociais e com o juiz. Guarda compartilhada, e eles pareciam não ter problema para manter uma relação amigável pelo resto de suas vidas. Obviamente, o clima entre eles nesses primeiros meses era um pouco tenso, mas nunca hostil. Aparentemente, só eu não tinha superado. Foi mais ou menos nesse período que recebi uma das melhores notícias de minha vida.

Eu estava na casa da mamãe, logo após as aulas de sexta, esperando que meu pai Blaine viesse me buscar para passarmos o fim de semanas juntos, quando a campainha tocou.

— Atende para mim, querida ? Estou ocupada aqui na cozinha ! — gritou mamãe do cômodo ao lado. Levantei do sofá onde assistia à um filme e atendi a porta.

— Danny !! — gritei, abraçando-o. Tínhamos nos visto com mais frequência nesses meses, mas no último mês quase não tivemos oportunidades. Mas agora estávamos perto das férias, então achei que, como era época de provas, não nos veríamos até junho.

— Ok, já entendi. Também senti sua falta, Hobbit. Agora me solte. — Ele ria enquanto falava, o que tirava a veracidade do seu incomodo com meu drama.

O levei para dentro, indo em direção a cozinha. Mamãe estava assando cookies.

— Olá, tia Rachel !

— Dan ! Como vai, mocinho ? — Ela falou sorridente, colocando os cookies sobre a pia.

— Estou bem. Onde estão Barbra e tio Jessie ?

— Foram ao Central Park à pedido de Barbra. Devem aparecer a qualquer segundo.

Nesse momento, a porta se abriu e eles chegaram. Jessie foi o primeiro a entrar na cozinha.

— Oi, Tracy — me deu um beijo na testa — Hey, Dan ! Como vai ? — Danny respondeu que ia bem, mais alguns segundos de formalidades — Olá, querida. — deu um selinho em mamãe.

— Onde está Barbra ? Você não a perdeu no parque, não é ? — perguntei, com um sorriso divertido.

— Ha, ha, ha. Muito engraçado. — Ele respondeu, com um sorrizinho cínico no rosto. Mamãe e Daniel caíram na risada. — Não a perdi. Ela foi para o quarto guardar seus brinquedos.

— Oi mamãe, oi Tracy. — Barbra entrou na cozinha de cabeça baixa, arrumando um fio solto em seu shorts. Ao levantá-la, notou a presença da visita, que já devorava os cookies. — DAAAAANNYYYYY !!!!!

Ela pulou em seu colo, enquanto eu a encarava abismada. Não pelo escândalo, ser dramático é uma característica comum de alguém que tenha o sangue Berry nas veias. Foi por sua audácia.

Daniel a colocou no chão observando minha reação. Ele tinha um meio sorriso sacana nos lábios. Barbra virou para mim e ao ver minha expressão, se deu conta do que tinha feito, levando as mãos à boca.

— Ah, meu Deus. Desculpe. Eu juro juradinho que não faço de novo ! — Ela disse de olhos arregalados. Eu apenas balancei a cabeça em negativo.

— Você conhece as regras, Barbra. Daniel é meu melhor amigo e só eu posso chamá-lo de Danny. — dei um sorriso maléfico para ela.- Você deve ser punida por sua audácia!

— NÃO !!!! — Ela deu um grito estridente e começou a correr, e eu fui atrás dela. Ela não chegou muito longe, pois eu a derrubei no sofá e iniciei um ataque de cócegas.

Mamãe, Jessie e Daniel vieram atrás e ficaram à porta, rindo da cena.

— Pare, p-por favor !! — Ela dizia entre risadas — Eu prometo que n-não faço d-de novo! P-para !! — finalmente interrompi as cócegas.

— Prometa que nunca mais vai usar o meu apelido exclusivo para o Daniel.

— Eu prometo.

Demos risadas e eu a abracei. Essa era a época em que éramos irmãs amorosas, que nos dávamos bem e ela me aceitava e, em tempos futuros, eu sentiria muita falta dessa época.

Após voltarmos para a cozinha e tomarmos o lanche, Daniel se pronunciou.

— Quando o tio Blaine vem buscar você, Tracy ?

— Apenas a noite, após o jantar. Por quê ?

— Você poderia vir comigo ao Central Park ?

Olhei para mamãe. O parque ficava a algumas quadras dali, mas eu não era de fazer as coisas sem pedir permissão antes.

— Podem ir, crianças. Mas voltem antes que escureça !

Nós concordamos, eu peguei meu celular e nós fomos. Durante todo o trajeto até o parque, e até entrarmos e sentarmos em um banco, ele permaneceu em silêncio. Mas tinha um sorrizinho vitorioso no seu rosto, o que me deixava mais tranquila.

— Te conheço o suficiente para saber que você tem algo importante para dizer. Fala logo, Danny.

— Eu tenho uma notícia. — Ele me olhou sorrindo, e seus olhos tinham um brilho intenso de felicidade.

— Meu Deus, quer me matar de curiosidade? Fala de uma vez!

Ele deu uma risada alta. Ele parecia tão contente, e eu só queria muito saber o porquê.

— Mamãe Sant vai começar uma nova turnê e mamãe Britt vai trabalhar com ela. Vai contratar os dançarinos, fazer todas as coreografias e até subir ao palco com ela. E após algumas conversas, chegaram ao consenso de que seria uma boa hora para nos mudarmos. Vamos embora de Los Angeles.

— WOW. Isso é demais ! Eu adoro quando meu pai faz turnês. Significa que minhas chances de viajar triplicam. — demos risada — Para onde vocês vão ? Espero que seja mais perto daqui. — falei esperançosa. Ele deu um sorriso sobre-humanamente gigante.

— Ah, você sabe como é. Tem essa cidade onde mamãe Sant passou ótimos momentos com dois amigos que ela valoriza muito, uma cidade da qual ela sente falta. Ela acha que será bom voltar a estar perto desses amigos, até porque nessa cidade tem uma pessoa bem legal que pode me fazer companhia quando ela e mamãe Britt estiverem fora. Como é mesmo o nome da cidade ? Hum.... ah ! Lembrei. Chama-se New York. Conhece ? — Ele me encarava com a maior expressão de "surpresa !!".

Eu o encarei por longos segundos, abrindo e fechando a boca sem conseguir dizer nada. Após quase um minuto, finalmente reagi.

— AH MEU DEUS, DANNY !!! VOCÊ VAI MORRA AQUI ! NÓS VAMOS PODER NOS VER MUITO MAIS VEZES ! É PERTO DAQUI ? VOCÊ SABE, ESSA CIDADE É ENORME ! QUANDO VÃO SE MUDAR ? ONDE VAI ESTUDAR ?

— Calma, uma coisa de cada vez ! — Ele me afastou rindo, eu havia grudado em seu pescoço. — Sim, eu sei, isso é demais. E sim, é próximo à casa da tia Rach e a do tio Blaine — mamãe e pai B moravam mais próximos, papai já morava mais afastado. — Na verdade, já nos mudamos, chegamos hoje. Eu queria que fosse uma surpresa. Com algumas ameaças da mamãe Sant, consegui fazer todas as provas finais lá em LA e já passei de ano, estou de férias. Provavelmente, vou estudar na mesma escola que você.

Eu o abracei mais uma vez, e resolvemos tomar um sorvete enquanto conversávamos sobre como as coisas seriam, o que faríamos nas férias e coisas desse tipo.

O que nós nos esquecemos, na animação para sair de casa e pela notícia mais do que maravilhosa, é que nós estávamos vulneráveis. Sem um boné, um óculos de sol, nada. Eu não estava nem usando lentes de contato — o que causou uma série de perguntas vinda do cara do carrinho de sorvete. E se você tem pais famosos... esse é um pecado imperdoável.

Já tínhamos terminado de tomar nossas casquinhas, e estávamos andando pelo parque calmamente, quando notei uma movimentação estranha do outro lado do parque. Um grupo de pessoas com câmeras nos olhava e cochichavam entre si.

— Ah, merda. Merda, merda, merda.

— O que foi, Tray ?

— A gente não devia ter saído de casa assim, vestidos normalmente. Tem um grupo bem ali olhando para gente. Acho que trabalham para alguma revista local.

— Puta que pariu.

Nesse momento, uma das garotas do grupo, que não devia ter mais que 22 anos, disse um pouco mais alto:

— Cara, são eles mesmo. Tracy Hummel-Anderson e Daniel Lopez-Pierce !

— Corre !!

Esse grito foi meu. Agarrei a mão de Danny, e nós corremos sem parar até sair do parque, e corremos por mais quatro quadras até chegarmos em casa novamente.

Bati a porta de entrada e nós nos sentamos no chão, tentando recupera o fôlego. Olhamos um para o outro e caímos na risada.

— Esse negócio de ter pais famosos às vezes é um saco. — Ele disse, em meio à risadas e tentando recuperar o fôlego.

— É um teste de sobrevivência — respondi.

— Mas por que você correu ? Você nunca fugiu da imprensa antes...

Fiquei em silêncio por uns segundos. Eu ainda não tinha pensado nisso naquele dia, e o clima estava tão bom com a notícia de Daniel. Eu não queria ficar mal, mas fiquei mesmo assim.

— Eles iam perguntar sobre meus pais. Eu não quero falar sobre isso. Não consigo. Acho que só eu ainda estou mal com isso. — disse e abaixei a cabeça, lágrimas já escorriam de meus olhos.

— Ei, Tracy... não fica assim — ele passou seu braço por meus ombros — Me diga o que eu posso fazer por você.

— Não há nada que você possa fazer.

— Ah, qual é. Fala, o que eu posso fazer ? Você sabe que eu faria qualquer coisa pra te ver bem. — olhei bem para ele e dei um sorriso sacana.

— Descubra qual é o segredo por trás do meu nome do meio — Ele deu uma risada alta.

— Qualquer coisa possível, Valerie. O que poucas pessoas sabiam, porque não tinha ido parar na mídia, e porque somente Daniel me chama assim (e muito raramente) é que meu nome do meio é Valerie. Tudo que sabemos é que tem algo a ver com tia Santana e que provavelmente tem uma aposta no meio da história, mas nenhum adulto nos explica qual é a história por trás dele, como se fosse algo vergonhoso. Tentamos um milhão de táticas, mas nunca chegamos à lugar nenhum.

Discutimos um pouco as nossas "teorias da conspiração" sobre o tema, e depois apenas ficamos ali, sentados lado a lado, até Jessie nos ver ali e mandar que fossemos nos aprontar para jantar.

~ H.A ~

Pov's Daniel

Ok, eu não contei para Tracy tudo que eu tinha para contar. Mas eu tinha os meus motivos.

Primeiramente, eu não tinha lhe contado que foi uma luta para ir para New York junto com minhas mães. Elas queriam muito me mandar para Escola de Artes William McKinley. Elas haviam estudado lá quando era um High School e o sonho delas era que eu estudasse lá. Eu passaria um ano com minha abuela em Ohio e voltaria a morar com elas quando estivesse no ensino médio. E isso era algo que eu queria, alguns meses antes. Mas os meus motivos para não querer mais ir eram justamente o que eu não podia contar à ela.

Eu não queria mais ir desde quando fui visitar Tracy após a separação dos seus pais. No começo, achei que fosse meu instinto protetor, afinal ela estava mal e eu não teria tempo para vê-la ou conversar com ela se fosse para lá. Mas com o passar dos meses, eu fui obrigado a admitir a mim mesmo que não era por isso.

A razão verdadeira era que eu estava me apaixonando por ela. E isso era uma droga.

A pior parte disso tudo? Esse era o pior momento para me apaixonar por ela. Ela precisava do seu melhor amigo mais do que nunca, e se eu dissesse o que realmente sentia, havia a enorme chance disso estragar a nossa amizad. E ela com certeza sairia mais prejudicada do que eu. Então apenas respirei fundo e decidi esperar até que ela estivesse melhor para conversar sobre isso. Desde sempre, eu tenho essa mania de colocar as necessidades dela acima das minhas. Chego a me sentir um idiota as vezes, mas é mais forte do que eu

Quando finalmente convenci minhas mães de que era melhor para mim ir junto com elas para NYC, entrei em um estado de euforia que assustou a mim mesmo. Eu sempre adorei a cidade, mas tudo que eu conseguia pensar eram coisas como: "Vou poder passar mais tempo com Tracy. Vou poder sair com Tracy. Eu e Tracy podemos ir acampar nas férias. Tracy Tracy Tracy". Era um completo saco.

Durante aqueles meses antes da decisão de Tracy, eu me senti nas nuvens. Comecei a perceber todas as coisas nela que sempre me agradaram com olhos completamente diferentes. Principalmente a forma como ela se determinava a ajudar qualquer pessoa com a qual se importasse, não importando o quão triste ou perdida ela mesma estivesse. Os meses se passaram, e o que eu esperava que fosse apenas uma fase decorrente do início de minha puberdade, mostrou-se mais profundo e verdadeiro do que eu gostaria sinceramente que fosse. Cada esforço para não me apaixonar fazia com que eu me apaixonasse mais. Por essas razões, eu fiquei levemente desesperado quando, no início de agosto, minhas mães voltaram a sugerir que eu fosse para Ohio. Pois metade de mim dizia que ficar distante dela poderia tirar esses sentimentos inescrupulósos de mim, e a outra dizia que ela precisava de mim, que ela ainda estava muito machucada, e, principalmente, que eu não queria realmente estar longe dela. Eu não conseguiria realmente fazê-lo.

Foi com muito alívio que eu ouvi de sua boca sua decisão final. Quando ela finalmente decidiu reagir à sua dor e seguir em frente, o método escolhido não poderia ter me agradado mais. Foi com muito prazer que entrei com ela em uma das aventuras mais loucas da minha vida.

~ H.A ~

NARRAÇÃO DA AUTORA

No espaço de tempo entre a separação de Kurt e Blaine e virada decisiva na vida de Tracy, as coisas voltaram consideravelmente ao seu lugar. Durante esses meses, Blaine assinou um novo contrato, escreveu 20 novas músicas e lançou seu quinto CD e agendou a gravação de seu terceiro DVD. Em agosto, às músicas do disco já estouravam nas rádios e ele estava no topo da lista da Bilboard. Uma ou outra letra das músicas lançadas poderiam ser consideradas como escritas para o Hummel, mas era um pensamento equivocado. As músicas escritas pensando em seu ex marido estavam trancadas a sete chaves no estúdio em sua casa. Ele, e apenas ele, sabia de sua existência. Mas a música de maior sucesso do disco era, na verdade, para outra pessoa. A letra já deixava explícito, mas Blaine fazia questão de deixar claro e assumido que foi escrita para sua filha.

Kurt também estava tendo um ano cheio de compromissos. Num surto de criatividade, provavelmente criado por sua mente para distraí-lo do sofrimento, ele desenhou mais de cento e cinquenta peças de roupa em dois meses, de todos estilos, para todas as idades e para ambos os sexos. Apenas dois meses após o término de seus desenhos ele já lançava sua nova coleção e organizava desfiles em diferentes partes do mundo. O nome da coleção? Tracy's Collection (obviamente, havia um desejo de ambos em destacar a garota como seu bem mais precioso, na tentativa de pensar menos um no outro). Sem contar que fez mais uma participação na Broadway ao lado de Rachel em meio a tudo isso. Mas ele também tinha alguns de seus desenhos guardados a sete chaves, modelitos completos feitos especialmente pensando em um homem que, por mais que ele não quisesse, sempre seria muito importante em sua vida.

Ambos se viram inúmeras vezes durante esses meses. No início o clima era um pouco tenso, um tanto triste, eu arriscaria dizer. Mas com o tempo, a velha amizade simplesmente veio a tona, como sempre vinha nos momentos em que não estavam juntos como deveriam estar. Era muito claro que eles não eram capazes de fingir não se amarem mais, de forma completa e conclusiva, então permanecia a bela amizade que deu início a tudo aquilo, já que eles estavam envolvidos demais para simplesmente superarem-se por completo. Levaram longos meses, de fevereiro a agosto, mas finalmente o clima era totalmente amigável. Toda e qualquer mágoa era devidamente enterrada no fundo da alma e ignorada, pelo menos quando estavam próximos.

E Tracy ? Ela usou todas as forças que tinha para cumprir o estritamente necessário. Foi bem no colégio e não permitiu que seu rendimento caísse nem mesmo um por cento. Apoiou os pais em tudo que fizeram e demonstrou felicidade por eles. Fez o mesmo por sua mãe, que teve um ano magnífico em termos profissionais. Manteve-se o mais próxima possível de seu melhor amigo, principalmente após a sua mudança. Quando entrou em férias, tentou esquecer de tudo e aproveitar o tempo com Daniel. Mas ela não estava nada bem. Ela não estava seguindo em frente e não havia superado absolutamente nada. Ainda havia um buraco muito grande em seu peito, e por isso ela decidiu fazer o que fez.

Em meados de agosto de 2034, Tracy resolveu revolucionar não só a sua vida e sua situação emocional e psicológica, mas a si mesma. Resolveu ir para um lugar onde ela poderia encontrar o seu próprio eu, aquele que independia das escolhas de seus pais, feito única e exclusivamente dela e de suas escolhas. Assim, ela possibilitou que Daniel unisse o útil ao agradável, e como um fiel — e apaixonado — escudeiro, ele estaria ao seu lado nessa empreitada. Disposta a encarar a relutância de todos a sua volta, Tracy estava decidida a dar a volta por cima de uma vez por todas.

E eu ouso dizer que ela conseguiu muito mais do que isso. Digamos apenas que, na tentativa de superar uma catástrofe, ela acabou por resolvê-la.

~ H.A ~

Pov's Tracy

Foram inúmeros os fatores que me levaram a minha decisão final.

Primeiramente, é claro, eu estava em cacos. Haviam se passados longos 7 meses e eu ainda me sentia como na noite em papai fora embora. Era difícil estar na casa onde cresci sem ambos os meus pais ali, era muito angustiante. E por mais que eu gostasse do apartamento do papai e de meu novo quarto, estar ali frequentemente me forçava a relembrar inúmeras vezes a situação em que eu me encontrava. Agradeci aos céus quando seus trabalhos passaram a exigir que eles ficassem cada vez menos em casa. Além de eles viajar periodicamente para ver um ou outro, eu passava grande parte do tempo com minha mãe, o que tornava a situação meramente mais suportável.

Outro fator envolve uma pessoa que só agora poderei te apresentar devidamente. Christian DeBrassio, ou apenas Chris, para os mais próximos. Chris era praticamente vizinho de meus avós Burt e Carole, e o conheci mais ou menos na época em que eu e Danny passamos de inimigos à melhores amigos. Digamos que sua sexualidade era comparável à de papai — estampada em sua cara desde muito cedo. Mas ele só se deu conta de sua situação aos treze anos, e tendo nós dois a mesma idade, fica claro que foi exatamente na época em que minha vida virou de cabeça para baixo. Mas eu tinha a Chris como meu segundo melhor amigo, e e eu reneguei a minha dor para me preocupar com a dele.

A questão com Chris era que, em plena década de 30 dos anos 2000, ele pertencia a uma família fanaticamente religiosa — e preconceituosa. Lembro claramente quando, em meados de abriu, ele me ligou e me deu a "incrível" notícia de que ele era gay. Apenas respondi, com uma dose cavalar de humor, que eu e o resto do universo já sabíamos, apenas sua ficha ainda não tinha caído. Ele permitiu-se rir e dizer algo como "Está tão na cara assim ?", mas logo começou a desabafar sobre como as coisas ficaram difíceis em sua casa desde que ele contara para seus pais. Ele estava muito triste, e juntos, pelo telefone, choravamos as nossas desgraças. Com o passar dos meses, porém, eu ficava cada vez mais certa de que ambos precisávamos estar o mais próximos possível nessa fase difícil em nossas vidas.

Mas o fator decisivo foi quando, em meio a essas conversas, Chris me lembrou de que ele estudava na Escola de Artes William McKinley, colégio onde meus pais haviam estudado anos atrás, quando ainda era um colégio de ensino médio. Eu já havia escutado muito sobre o colégio, já que praticamente toda a família havia estudado lá, tio Sam dava aulas e tio Will era diretor no colégio. E com mais alguns relatos de Chris, eu tive certeza de que era o lugar perfeito para recomeçar. Gente diferente, um local totalmente novo e longe da mídia, e uma estrutura muito parecida com a que minha família havia tido no New Directions, uma estrutura onde eles descobriram a si mesmos e ao mundo através da música. E eu realmente precisava de novas direções. De um novo começo, onde eu pudesse focar mais em mim. Juntando então, útil e agradável, eu tomei a melhor decisão da minha vida.

[...]

Estavam todos, de certa forma, juntos na sala da casa de mamãe. Ela, Jessie, pai e papai, Daniel, Santana e Brittany (mais por insistência do que por convite meu, mas acabou sendo útil tê-las ali), e dois notebooks abertos no Skype, um em uma ligação com Chris e outro em uma ligação com vovô Burt e vovó Carole. Eu estava mais que pronta para rebater todas as reclamações e argumentos de todos os presentes, e bater o pé até conseguir o que eu queria. Sem querer ser dramática, mas era a minha sanidade em jogo e eu não estava considerando desistir.

— Bem, família, eu serei totalmente sincera e direta. Minha vida está um completo caos à meses e todos sabem muito bem o motivo. Eu simplesmente não consigo lidar com nada disso. E também quero poder ajudar Chris, mas na condição que estou e na distância em que me encontro, não consigo fazê-lo. Há também um outro fato: eu quero focar mais em meus estudos artísticos e decidir o que eu quero fazer da minha vida. Sei que será no ramo artístico, mas não sei bem onde. E sei muito bem que o motivo é um só, eu não me conheço bem o suficiente para saber. Eu me reneguei por muito tempo e acho que é hora de começar a me encontrar. E juntando todas essas situações, eu cheguei a uma conclusão. Tenho plena noção de que é totalmente em cima da hora, pois as aulas começam mês que vem, e que isso provavelmente machucará muitos de vocês, mas eu realmente preciso fazer isso. Por mim. E seus argumentos não me farão voltar atrás.

— Tracy... O que exatamente você quer dizer ? — Pai Blaine perguntou, a voz falhando pelo choque.

— Eu quero ir para a Escola de Artes William McKinley. Quero passar o próximo ano letivo com vovô e vovó. Quero estar com Chris. Realmente, eu só preciso de um ano. Sei que muitos terão objeções, mas estou totalmente decidida. Eu quero ir morar em Ohio.

Notas finais
Que a treta comece muahuahuahua Reza a lenda q se vc ficar de frente pro espelho a meia noite e falar "Danny" três vezes, a Tracy aparece, te dá um tapa na cara e fala "Só eu chamo ele assim" A partir do próximo capítulo, a ação vai começar nessa bagaça Teremos Klaine ♥ Teremos Tracy e Daniel ♥ Teremos mais personagens originais ♥ Mais Klaine ♥ E então, o que acharam ? Deixem sugestões, opiniões e digam o vcs acham q vai acontecer daqui em diante ! Bjos de luz e arco-iris e até o próximo capítulo ♥♡♥♡