Notas iniciais
Eu pensei que nunca mais teria que dizer aquilo. Eu pensei que nunca mais teria que enfrentar meu passado. Mas nem tudo na vida é como queremos.

Hiro me expulsa da pedra e fica ao lado de Julieta, com um binóculo e ficaram cochichando entre si. Sento no chão e fico testando as pistolas, Haru senta ao meu lado e me entrega dois cartuchos com mais balas. Hiro faz um sinal para ela e nós desligamos as lanternas. Anne prepara sua shotgun e faz um sinal para eu a seguir, Anne, eu, Hiro e Haru descemos até o nível do prédio e nos escondemos no meio do mato. Ficamos em silêncio até que ouço um barulho de vidro quebrando, olho para a guarita principal e percebo que Julieta atirou. Todos os guardas ficam em posição e acendem as luzes de emergência, sinto meu coração batendo rápido, tenho medo de nos pegarem. Então Hiro grita algo e corre na direção do muro mais próximo ele planta uma bomba e volta para a floresta, não demora muito para o muro estar no chão. Corremos para dentro do prédio, Hiro, Anne e Haru já estão atirando em todos e não se importam, mas não consigo matar ninguém. Sinto algo dentro de mim, sinto que... Que conheço esse lugar. O inferno na terra. Era o que Julieta havia dito, mas por que sentia nostalgia dentro de mim enquanto olhava em volta?

Eu já estive aqui.

Conheço esse lugar.

Como posso matar as pessoas que me... Que me criaram!?

Várias imagens de pessoas de branco chegam a minha mente. Homens e mulheres, rindo para mim, me ajudando a comer e a me trocar. Que lugar é esse?

Um garotinho de cabelo e olhos pretos, usando roupas brancas e sapatos brancos, se olha no espelho. Ele sorri para si mesmo e sai correndo do quarto. Ele está caminhando calmamente no corredor quando é parado por uma mulher mais velha. Ela olha para ele e sorri. "Bom dia, Louis". "Bom dia, Senhora Ivy". Ele a abraça e continua a andar, finalmente chega em uma porta e sai para o jardim do prédio, lá encontra várias outras crianças, mas ele vai direto para uma garota da sua idade, ela é loira e tem olhos cinza. Ele senta ao lado dela. "Olá, Julieta". Julieta vira para ele com um olhar nervoso e histérico "Oi. Louis". Ela começa a arrancar grama do chão e encara o enorme muro branco que os cerca. "O que foi? Viu algo lá fora?". A garota sorri de modo irônico "Como você é inocente Louis. Não vê o que eles fazem conosco? Estão nos usando como isca. Um dia, eu vou fugir daqui e nunca mais voltar. NUNCA mais. Assim como o meu grupo fez". Ela voltou a encarar o muro e arrancar grama. Louis pousou a mão sobre a dela, fazendo-a parar. "Então eu vou com você. E finalmente conhecer o seu grupo, a sua família". Julieta sorri e pega a mão dele. "Prometo que vou te avisar antes de fugir, assim poderemos fugir juntos". "Juntos".

Uma dor horrível invade meu corpo. Haru para de atirar e prende a respiração ao me ver. De repente todos estão focando suas energias em mim "Peguem ele!" Eles gritam. Hiro gritou para nós recuarmos, quando foi virar, percebi que havia deixado minhas pistolas caírem, tentei pegá-las, mas percebi que não tinha mais mãos, e sim patas. Patas!? Anne pegou as pistolas do chão e me incentivou a correr para fora do prédio. Estava quase atravessando o muro quando ouvi uma voz, uma garotinha gritava meu nome.

– LOUIS! — Ela parecia vir de dentro do prédio. — Louis! Volte para casa! Por favor! Volte para casa!

Sei que já ouvi essa voz antes, mas onde? Haru pega minha orelha e me puxa para fora do prédio, mas sinto algo que me faz querer sair, então escuto um lobo uivando no meio da floresta e volto a seguir Haru. Corremos de volta para casa, no meio do caminho conseguimos despistar os guardas. Entramos em casa e vou direto para a sala, onde encontro um lobo branco de olhos cinza deitado no sofá. Rosno para o lobo, mas ele apenas abre os olhos e me cheira, reconheço que é Julieta e sento no chão, um pouco mais aliviado. Começo a mastigar o tapete, o que faz ela rosnar para mim. COmo um robô paro de mastigar imediatamente. Hiro faz carinho nela e senta em uma das poltronas, exausto. Julieta volta para a forma humana e aperta minha orelha, eu reclamo, mas tudo o que ela faz é apertar mais forte.

– Você precisa voltar para a sua forma humana! Agora!

Após várias tentativas os dois gatos da casa aparecem e sentam no sofá, me assistindo.

– Ele nunca vai conseguir, olha para ele. — O gato laranja ri de mim.

– Ah, dê a ele uma chance, é sempre difícil na primeira vez. — O gato preto deita no sofá e apóia sua cabeça nas patas da frente.

– Sim, mas e se ele não conseguir? Faz anos que não se transforma, ao contrario de você, Klein, que está sempre mudando, ele nem se lembra do próprio passado!

– Ah! — O gato preto levanta a cabeça. — Verdade, tem razão.

– Calem a boca. — Digo. — Estou tentando me concentrar.

– Isso continue tentando cachorrinho. Continue tentando. — O gato laranja voltou a rir. — E quando voltar, diga para Julieta que eu gosto de ser chamado de Jared, okay?

– SE ele voltar. — O gato preto, aparentemente Klein, imita a voz de Agonia¹, o que faz o gato laranja explodir em gargalhada. Sua risada me deixa nervoso e quando vejo, estou de volta no forma humana. Vejo o desapontamento no rosto do gato laranja. Me levanto do chão e sento no sofá ao lado de Klein.

– O que aconteceu?

– Louis, acho que estão na hora de nós contarmos a você, nossa verdadeira história.

Notas finais
(Capítulo pequeno, eu sei, mas meu irmão está me expulsando do computador então...)Yey, para quem leu a primeira versão já sabia que isso ia acontecer, mas para quem é novo... Sim esse é o tipo que história que estão lendo... Nem me perguntem... Mentira, pode perguntar! Kkkk... Hum... ¹ - Agonia do filme Hércules (1997) da Disney faz parte da dupla Agonia e Pânico, os assistentes de Hades.