It Will Rain
22 Twenty Two.
Notas iniciais
P.O.V Annabeth
Observei Atena andar de um lado para o outro da sala. Ela roía suas unhas e às vezes enrolava os cabelos sedosos em um rabo de cavalo e depois o soltava. Minha mãe estava naquele estado já fazia duas horas, no começo ela brigou, gritou, xingou, e fez a maior cena, depois, se acalmou e ficou andando de um lado para o outro, murmurando coisas estranhas.
Estava começando a me cansar daquilo, ela estava ficando louca ou sei lá o quê, e aquilo me dava medo. Então, suspirei, alevantei-me do sofá e fui até ela, pegando levemente seu braço.
– Atena...
– Por que ele? – ela perguntou, olhando para o nada – Vocês são primos, vocês... vocês não podem... vocês dois... por que, Annie?
– Atena, eu...
– Tantos garotos por aí e você foi escolher ele. – Ela disse com indiferença, como se o nome dele a causasse repulsa.
– Sim, eu o escolhi, e daí? – Exclamei, cansada daquilo – Ele está no meu quarto agora, me esperando e você não irá me impedir em nada.
– A casa é minha – Atena disse, sem contragosto – Ele vai sair daqui, vai embora e vocês não irão se ver tão cedo.
Revirei os olhos. Quem ela pensa que é? Tá, ela é minha mãe, mais seu comportamento medíocre era mais do que infantil.
– Mas ele é meu namorado, porra! Como eu não vou poder vê-lo? Você é louca ou o quê? – Gritei, exasperada – Você fica anos longe de mim, depois aparece do nada e quer vir dar uma de mãe coruja? Corta essa! Eu não sou mais uma criança! Completei 17 anos em julho e ninguém percebeu, nem mesmo você, e aí eu descubro que o cara que eu estava afim é apaixonado por mim, começamos a namorar e bam! Trinta minutos depois você aparece, faz uma cena e agora estamos aqui, discutindo um assunto idiota como esse!
Atena suspirou e passou a língua levemente pelos lábios com a testa franzida, como se estivesse pensando em algo, depois me encarou e disse:
– Você está de castigo. Por um tempo indeterminável. Não sairá com a Thalia. Não vai assistir séries. Não vai ver seu namoradinho. Não vai sair de casa. Não vai poder ver tv, nem mexer no celular, nem ler algum livro. Ficará dentro do quarto, o tempo inteiro só. – Ela amarrou seu cabelo pela quadragésima vez naquele dia. – Isso é para você aprender a nunca mais gritar comigo, nunca mais xingar dentro de casa ou vir me julgar. Se quer respeito, respeite, eu sou sua mãe Annabeth, eu quero o seu bem.
– Meu bem. – Exclamei, amarga – Esse castigo fútil não vai me manter longe dele, não mesmo.
– Tem certeza? – Atena disse desafiadora, subindo as escadas e indo até meu quarto, a acompanhei.
Percy estava deitado na minha cama de barriga para cima e ouvia música pelo fone de ouvido com os olhos fechados, por isso não percebeu a nossa presença. Ele estava lá, meio a vontade, talvez achando que iria ser fácil convencer minha mãe.
Atena andou até ele e puxou um dos seus fones de ouvido com força.
– HEY! – ele pulou da cama, totalmente confuso – Mas o que...
– Saia da minha casa. – Atena disse autoritária.
– Ahn? – Por que ele tinha de ser tão lerdo as vezes? Oh, Percy.
– Eu disse para você sair da minha casa, moleque. – Atena respirou fundo, ela parecia uma onça preparando o ataque – Não ligue para minha filha, não volte aqui, não a perturbe. Saia por aquela porta e não volte mais.
– Mãe, a senhora não... – Parei de falar, eu a estava chamando de mãe, o que significava que eu estava desesperada e ela não poderia saber disso.
– Anda, moleque, saia da minha casa – Atena disse autoritária, porém Percy continuou sentado na cama. Por que ele não alevantava logo e ia embora?
– Olha, Tia Atena, sei que você me odeia, sei que desde que eu me entendo por gente você me trata com indiferença, sei que você quer o melhor para a Annabeth – Percy suspirou, e encarou-me – Mas, nós dois estamos namorando, e não vai ser essa sua crise de loucura que vai nos separar.
Naquele momento tive vontade de abraça-lo, de ficar com ele, mas Atena me olhava com reprovação. Estalou a língua e estufou os seios, com sua pose orgulhosa de sempre:
– Talvez eu esteja enganada sobre você, talvez você seja um rapaz... apresentável. – Ela disse, fazendo pouco acaso – Então terei de me acostumar com vocês dois juntos, mas a Annabeth está de castigo, por um tempo indeterminável.
– Mãe! – Exclamei. Tá, ela havia aceitado na marra o meu namoro com o Percy mas continuava com aquela palhaçada de castigo.
– Filha! – Ela disse, com um falso humor na voz – Você está de castigo e eu não vou voltar atrás, agora se despede dessa... dessa... dessa forma humana aí. Espero você lá embaixo, Jackson.
Vi Percy se mexer desconfortável. Atena virou as costas e saiu do quarto.
Suspirei fundo e joguei-me ao lado de Percy na cama. Ele apenas relaxou os músculos e passou um braço pela minha cintura, com um sorriso mínimo no rosto. Mesmo depois de tudo, ele estava lá, sorrindo, sorrindo para mim.
– Pelo menos ela não cortou meu “brinquedinho” como esperávamos. – Ele disse, galanteador.
Apenas sorri, encostando meu nariz em sua blusa ainda molhada por culpa da chuva e assim infelizmente adormeci, sem poder despedir-me dele.
[....]
Duas semanas.
Atena me deixou de castigo durante DUAS MALDITAS SEMANAS. Eu poderia ter levado tudo isso na boa, eu havia errado, havia gritado e xingado e tudo mais, só que eu não conseguia engolir aquilo. Para falar a verdade, eu tenho absoluta certeza de que ela iria me deixar de castigo por muito mais tempo se eu não estivesse entrado em greve de fome. Isso mesmo, eu entrei em uma greve de fome.
Começou que eu fiquei muito depressiva, era muito ruim ficar dentro daquele quarto que passou de fantástico para chato, eu ficava o dia inteiro deitada na cama, a janela com um cadeado (Yeah, ela percebeu que eu tinha a intenção de pular e voalá! Isolou a janela), pegou todos os meus livros, tomou meu celular, meu notebook e restringiu o canal de séries. Eu estava morrendo e não sabia disso.
Comecei a pensar em um jeito de chamar sua atenção para ver se ela me tirava dali, pensei em expor meus pulsos para ela achar que aquilo tinha sido algo recente ou algo do gênero, mas eu não era louca a esse ponto. Pensei em ficar na maior deprê e não sair mais do quarto, só que ela iria agradecer se isso acontecesse. E aí, o que sobrou, foi ficar sem comer.
Fiquei três dias negando comida, e comecei a perder forças. No começo tive medo de ter anemia ou algo do tipo, mas precisava me esforçar. Acontece que eu sempre comia de madrugada, mas era pouco, para poder continuar com aquela cara de pálida e fraca. No quinto dia, Atena quase me engoliu com broncas por eu não estar comendo, então eu disse auto e claro:
– Me liberte e eu volto a comer.
Quatro horas depois, ela me devolveu minha vida. Recebi meu celular, meus livros, janela aberta, séries liberadas, amigos e meu querido namorado.
Percy veio aqui quatro vezes em um só dia, tentando me ver, mas Atena fechava a porta em sua cara antes mesmo de eu conseguir descer as escadas para vê-lo. Eu só sabia que ele havia ido me visitar porque minha mãe me provocava, dizendo que ele era insistente. Aquilo me dava esperança, me dava esperança em vê-lo novamente.
Uma das coisas que valeu a pena durante essas duas semanas foi que Atena parou de puxar o meu saco e liberou o meu namoro. Ela era no fundo, uma pessoa legal, mas sabia ser bem chata as vezes.
Estava um dia calmo e ensolarado quando acordei certa manhã, um dia após ter sido liberada. Espreguice-me na cama, me arrumei rapidamente e fui dar uma volta pelo bairro. Dei uma corridinha básica ao redor dos quarteirões. Parecia uma dessas avenidas, e tinha pessoas fazendo caminhada aqui e ali, o que era um tanto quanto estranho considerando o fato de que todos eram meus vizinhos e preferiam fazer caminhada pelo bairro em vez e em um lugar mais apropriado, porém eu estava fazendo o mesmo, por isso não os julguei tanto assim.
Caminhei somente por uns vinte minutos, eu ainda estava debilitada por culpa da greve de fome então tinha que me recuperar antes de ver meus amigos, pois eles iriam perceber. Só que, assim que voltei para casa, Percy e Atena conversavam animadamente na cozinha.
Foi uma cena mio cômica e estranha. Ele estava sentado comendo torradas enquanto minha mãe lavava louça. E conversavam como se estivesse tudo bem, pisquei os olhos algumas vezes, desconfiada. É aquilo era real.
– Mas o que é isso? – Perguntei assim que entrei na cozinha, interrompendo a conversa.
– Percy é um garoto adorável querida. – Atena falou sorridente – Fui ao mercado e topei com ele, comecei a ignora-lo mas ele ficou me perseguindo perguntando como você estava, e parecia tão preocupado. Depois pegou todas as minhas sacolas e trouxe para mim, começamos a conversar e então percebi que ele é um bom garoto.
Pisquei os olhos novamente, pelamor de Deus.
– Hum, er... – murmurei – Vou subindo...
Olhei para Percy, que entendeu o recado.
– Então, Sra. Chase, vou subindo também.
– Tenham juízo – Foi tudo o que ela disse.
Olhei para Percy por cima do ombro e subi as escadas, chegando ao meu quarto.
– Percy, o que foi aqui...
Ele me interrompeu com um beijo ao qual eu correspondi. Eu sentia falta daqui, sentia falta do seu toque, da sua boca, do seu cheiro, de tudo. Quando o ar foi nscessario, afastei-me com um sorriso.
– Senti sua falta. – Sussurrei.
– Eu também. – Suas mãos subiram e deceram pelos meus ombros e do nada ele parou encarando-me com preocupação.
–O que foi?
– Você está mais magra – Percy alevantou meu queixo para cima analisando meu rosto –E mais pálida, nem mesmo a cor dos seus cabelos é a mesma.
Revirei os olhos.
–Não viaja.
– Estou falando sério.
Abaixei o olhar, um pouco constrangida, como ele poderia perceber as coisas tão rapidamente? Sinceramente? De burro, Percy não tinha nada, ele poderia ser lerdo as vezes, só que de alguma forma sempre me surpreendia com algo brilhante.
– É que eu fiz greve de fome para sair do castigo. –Confessei.
– Ui, que drama. – Percy disse beijando minha bochecha e eu o afastei delicadamente.
– Hey! – Exclamei – Não é drama, foi só uma das formas que eu achei para chamar a atenção dela para eu poder ser liberada!
–Se você diz. – Ele deu de ombros, como se isso não importasse.
Fui até o banheiro e o deixei esperando no quarto. Tomei uma ducha, vesti uma camisa regata branca um short simples. Assim que sai, suspirei jogando-me na cama encarando aquele teto infantil. De inicio eu amava aquela visão: as estrelinhas fluorescente meio esverdeadas coladas no forro branco, mas eu fiquei tanto tempo encarando elas nos dias de tédio que não aguentava mais encarar aquilo, por isso desviei os olhos para Percy, que estava com uma expressão relaxada de olhos fechados.
Encostei-me nele inspirando seu cheiro de maresia que eu tento amava e fechei os olhos com um sorriso mínimo. Quem diria, não é mesmo? Eu o odiava tanto, tinha repulsa, o evitava, o cortava e sempre o tratava mal. Então, do nada, depois de uma festa louca a gente acaba ficando e depois fingindo que nada aconteceu. Passa um tempo, viramos amigos, damos mais uns pegas em uma típica amizade colorida e então BUM! Cá estamos nós, namorando.
É, a vida é muito estranha.
Percy se remexeu inquieto e se escorou em mim, abro os olhos surpresa. Sua boca estava entreaberta, ele respirava rapidamente, a cabeça inclinada para trás como se estivesse em duvida em fazer algo e o peso do seu corpo me imprensava na cama.
– O que houve? – Perguntei bagunçando seu cabelo mais do que o normal.
–Amanhã é meu aniversário –Ele disse um pouco animado – Minha mãe sugeriu para que saíssemos em família mas...
–Mas... – O incentivei a continuar.
– Quando ela diz “família” é toda a linhagem Olympus e o pessoal da mansão, mas eu não quero sair com todos eles, só os, hum, “especiais”, em Montauk.
–E quem seriam esses especiais?
– Meus amigos, obvio – Eu sorri e ele me acompanhou – Nico porque é meu brother, Thalia porque é minha Punk Satânica, Bianca porque é minha pequena e s sem ela meu niver não tem graça – Bati em seu ombro, ele babava de mais aquela garota – Silena porque ela ajuda a animar a festa, Beckendorf porque é meu amigo de longa data e se ele não for a Silena não vai, o chatinho do Lee para fazermos desafios e.. É, só esses mesmo.
Arqueei as sobrancelhas.
– Não está se esquecendo de alguém?
– Estou? –Percy perguntou – Jason eu não vou chamar, nunca me dei muito bem com ele, os meus outros primos devem estar procurando algo melhor para fazer, Calipso tem me ignorado nos últimos tempos, Os Stolls e a Katie sempre vão, eu chamando-os ou não, eles sempre vão... então tudo ok.
– Tem certeza?
Ele pareceu pensar um pouco e depois sorriu.
– Ah é, não posso me esquecer do meu pesadelo ruivo, a Rachel. A gente sempre se deu bem, e ela...
Bufei o empurrando, sentir ciúmes do seu namorado falando sobre primos e amigos era uma coisa normal e nem poderia ser considerar algo como “ciúmes” agora ele falando sobre a EX que é minha colega e tudo mais? Ninguém merece.
– Ouch, o que houve?
– Já que eu não estou na lista de “especiais do idiota do Cabeça de Algas” você poderia, por favor, sair de cima de mim?
Percy teve a ousadia de rir. Ele teve a OUSADIA de RIR da minha CARA, tipo, quer morrer ou o quê?
–Você é tão idiota Annie – ele disse tentando me beijar, sem sucesso pois eu o empurrei –Não te inclui nessa lista idiota porque você é minha namorada, minha garota, minha, é mais do que especial e se você não for, eu não vou.
Apenas bufei novamente e torci o nariz.
– Blah, blah, blah – Tentei não rir da forma como minha voz soou –Aham, sei.
Dei um sorriso travesso em sua direção e ele devolveu acariciando minha bochecha com o polegar. Riu baixinho e encostou nossos lábios, apenas isso fez meu corpo entrar em um tipo de choque. Eu estava com saudades dele, estava com saudades do seu toque, das suas caricias, eu o queria ali, perto de mim, sempre que possível.
Aprofundei o beijo enquanto dava um sorriso de lado. Suas mãos apalparam a região da minha cintura e depois desceram para as minhas coxas. Soltei um suspiro e ele riu com isso, como se estivesse bem consciente do seu poder sobre mim.
– Se a Atena pegar a gente assim... – ele começou e eu terminei por ele – ela nos mata.
Sorrimos juntos, então ele saiu de cima de mim e deitou-se ao meu lado entrelaçando nossas mãos. Encostei minha cabeça em seu peitoral e fiquei curtindo sua presença, até ele quebrar o silêncio:
– Eae, quer saber o que aconteceu de bom no tempo em que você estava fora?
Assenti e ele fechou os olhos, parecendo pensar, como se ele realmente pensasse em alguma coisa.
– Hum... Travis finalmente pediu Katie em namoro, minha mãe lançou seu livro de romance, a mãe da Thalia resolveu não viajar mais tanto assim – ele fez uma pausa enquanto eu absorvia todas as novidades – Rachel vendeu uns quadros estranhos, depressivos, e faturou uma boa grana com eles. Acho que daqui para o próximo ano ela vai dar um jeito de morar sozinha, ela quer um apartamento só para ela, com o seu próprio dinheiro, fui demitido do meu “emprego” como modelo dos comerciais, sendo substituído por Will e...
Ele parou um pouco, respirou fundo e continuou:
– Thalia e Nico voltaram a se pegar, só que eu acho que dessa vez é algo sério.
Sorri, totalmente feliz por todas as novidades, feliz por todos.
– Finalmente noticias boas, hein?
Ele sorriu assentindo e beijando o topo da minha cabeça.
– Vamos sair? – Percy perguntou levantando-se e estendendo a mão para mim – Tem uma lanchonete aqui perto...
Peguei sua mão e sai da cama, dirigindo-me para a sala. Atena não perguntou para onde íamos, apenas disse que eu não deveria demorar. Perguntei se eu poderia ir para Montauk e ela disse que sim, contanto que Sally cuidasse de mim. E assim, fomos para a lanchonete de mãos dadas enquanto eu contava como foram meus dias de puro tédio.
[....]
– Percy, esse muffin tá uma maravilha – eu mordi o muffim graciosamente – Ain que delicia.
– Me dá um pedaço, mô? – ele perguntou fazendo beicinho e eu revirei os olhos negando com a cabeça – Por favor?
Neguei novamente. Quem mandou ele escolher biscoito de povilho minúsculos? Ninguém, então ele deveria se contentar com o pedido dele.
– Eu estou pedindo por favor, mô.
– Não, idiota, não! – mordi novamente o muffin e ele tentou pegar, mas eu me afastei dele enquanto comia – Pede um para você.
Ele bufou e cruzou os braços.
– Não quero mais.
– Azar o seu.
Quando terminei meu muffin, parti para o suco de laranja enquanto Percy bebericava sua coca-cola e foi aí que um grupo de crianças entrou na lanchonete. Os garotos estavam com blusas laranjas e as meninas com blusas roxas. Eram quatro meninos e duas meninas, sendo uma delas uma de aparentemente sete anos.
Percy e eu observava-os com atenção enquanto eles faziam seus pedidos. A menina de sete anos virou-se em nossa direção e deu um sorriso caminhando em nossa direção. Olhei para Percy confusa enquanto ele olhava para a menina com um olhar curioso.
Ela era baixinha, com duas tranças descendo pelos ombros, cabelo loiro e olhos azuis, parou em nossa mesa e direcionou para mim um sorriso banguelo e eu apenas devolvi o sorriso.
– Boa Tarde, meu nome é Lucy e estou aqui para fazer um convite para vocês... Vocês são um casal, não é mesmo?
Assentimos e entrelaçamos nossas mãos.
– É que eu participo de um acampamento de verão e minha Tia pediu para que eu convidasse mais pessoas para participar. É para todas as idades, até dezoito anos. Vocês podem ir, ou os seus filhos, serão bem vindos, tudo bem?
– Tudo sim – Percy disse – Iremos levar nossos filhos lá algum dia, okay?
A garotinha assentiu enquanto eu olhava incrédula para Percy, que parecia ignorar minha presença.
– Lucy! – Um garoto do grupo gritou seu nome e ela olhou para ele – Vamos logo, Términos irá puxar nosso saco se chegarmos tarde.
Ela assentiu e despediu-se com um aceno, enquanto corria para a porta.
Encarei Percy enquanto ele me encarava de volta. Um silêncio tenso se instalou enquanto eu observava suas irís verdes ficarem curiosas.
– Filhos? – balbuciei, tentando quebrar o silêncio – Que filhos?
– Você não quer ter filhos comigo? – Sua voz estava tensa, o que fez eu arregalar os olhos.
– Percy! Eu tenho só dezessete anos! – Berrei .
– Sabe, eu quero isso, ter filhos, com você, mas não é agora.
Me remexi inquieta na cadeira, um pouco mais confortável.
– Ah... Entendi... – balbuciei enquanto ele ria – Não ria, eu não penso nessas coisas.
–Eu também não – Percy acariciou meu rosto delicadamente – E olha, eu quero um casal, seus nomes serão Aquamarine e Tritão.
– Credo! Claro que não! E eu quero gêmeos.
– Gêmeos? E se eles foram iguais os Stolls? Tá maluca?
– Okay, okay, um casal. Mas esses nomes serão estranhos...
Percy bufou e eu ri enquanto ele revirava os olhos e bebia um pouco do meu suco de laranja.
– Tá, fala nome de algum personagem desses livros que você já leu.
– Ah Percy! São tantos! – Exclamei – São muitos!
– Lá vem...
– Tem Catrina, Katherine, Clarie, Emily, Elizabeth, Hazel, Lily, Samantha...
– Gostei do Hazel e Elizabeth, agora masculinos.
– James, Harry, John, Jamie, Ethan, Ron, Mattew...
– James e Elizabeth, que tal?
Eu sorri e ele sorriu também.
– Ótimo.
E então ficamos lá, decidindo quem ia gostar de esporte, quem iria se formar em arquitetura, quem iria ser isso e aquilo. Era bobo e clichê, eu sei, mas acontece que dois adolescentes conversando sobre os filhos do futuro parecia tão normal que nós continuamos ali, conversando.
Depois, ele me levou para casa e foi embora, enquanto eu subia para meu quarto toda sorridente, pronta para fazer minhas malas e ir para Montauk.
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