Trombetas soaram ao longe, hora do jantar.

Leo não estava com a mínima vontade de sair do chão e ir até o pavilhão. Mas seus irmãos perceberiam sua falta e iriam atrás dele. E fariam ele se explicar. E isso não seria nada legal. Pelo contrário, seria muito, muito embaraçoso.

Ele se levantou e abriu as portas. Foi em direção ao chalé de Hefesto. Seus irmãos estavam arrumados para o jantar, apenas esperando-o.

– Hm... vamos? — murmurou ele.

Os campistas de Hefesto foram em direção ao Pavilhão de Refeitório seguidos por Leo. A primeira coisa que ele viu foi Piper sentada na mesa de Afrodite, olhando para ele. Logo que seus olhares se encontraram, ela desviou, corada. Uma mão tocou o ombro de Leo.

– Você tá... hm... bem? — perguntou Nyssa.

– Hã... porque não estaria? — disse ele.

– Muito pálido. — Leo olhou para trás, os campistas de Hefesto ouviam a conversa.

– Hm... podem ir. — disse. Os campistas contornaram os dois e foram em direção á mesa. — Sério? — ele se dirigiu a Nyssa, assustado. Ela riu.

– Um pouco. — admitiu a garota.

– Droga. — murmurou ele. Ela seguiu o olhar para onde Leo estava observando antes.

– Piper McLean? — disse ela, baixinho. O nome dela fazia pequenas borboletas esvoaçarem dentro da barriga dele.

– Tãããão na cara assim? — sussurrou ele.

– Sinceramente? Sim. — ela pegou o braço de Leo e o conduziu até a mesa do deus dos ferreiros.

Depois de jantarem, era hora da fogueira. Piper viu Leo sussurrando algo para Nyssa, que sorriu e assentiu. O garoto lhe deu um beijo na bochecha e saiu, o que fez os lábios da filha de Afrodite tremerem de ciumes, mesmo eles sendo irmãos. Ela pediu para Fleecy tomar conta do chalé 10 e saiu na mesma direção do filho de Hefesto. E ela sabia muito bem para onde ele tinha ido. Só havia um local em que ele fazia o que bem entendia. E esse lugar era o bunker 9.

Ela entrou na floresta, os dedos em volta do cabo de Katropis caso algum monstro a atacasse. Ela viu luzes e seguiu na direção delas. Em cinco minutos, ela estava na porta do bunker.

Tocar a porta com a ponta dos dedos foi inevitável. Foi ali que ela quase beijou o garoto.

A porta de metal estava entreaberta. O bastante para que ela passasse por ali.

Leo estava sentado em uma bancada de costas para ela. Ele desenhava algo e ela decidiu não atrapalhar. Entrou silenciosamente e seguiu em direção ao garoto. Valdez colocou o lápis na bancada e colocou as mãos no rosto.

– Porque? — ele murmurou. A garota se aproximou mais, ele ainda não a tinha visto.

– Oi. — Foi inevitável as palavras saírem por sua boca. Leo se virou em sobressalto e se deparou com a garota.

– Piper! — exclamou. Ele seguiu os olhos da garota, que recaiam sob a folha. Imediatamente ele pegou o papel e escondeu atrás de si. A garota abriu um sorriso tímido.

– Então... eu precisava falar com você... — começou ele, amassando e jogando o papel no cesto de lixo. Leo apontou para a cadeira ao lado da dele. Piper se sentou e estudou os desenhos na mesa. Um mostrava um colar com duas asas prateadas. Era somente um esboço. Mas era extremamente lindo.

– Para alguém especial? — perguntou a filha da deusa do amor, distraída. O garoto se sentou na cadeira ao seu lado e chegou perto dela, observando o esboço. Piper sentiu um arrepio com a respiração dele em sua pele. Aquilo era tão bom...

– Sim, para uma garota. Bem... hã... legal. — ele disse. A semideusa sentiu uma pontada no estômago, mas era muito orgulhosa para deixar seu ciúmes transparecer.
– Então porque você não dá a ela? — indagou, a raiva em sua voz era perceptível. — Eu ainda vou fazê-lo. E nem sei se ela... gosta de mim. Sei lá. — ele deu de ombros.

– Hm. — ela imediatamente percebeu que fora grossa com seu amigo. — Hã... então... queria me dizer algo? — Piper disse, tentando mudar de assunto desesperadamente.

– Então... — ele começou. — eu queria te pedir desculpas por... hoje cedo. Foi um impulso, me desculpa de verdade. — O garoto corou e desviou o olhar para a mesa.

– Ei, não precisa se desculpar. — Foi tão bom... acrescentou mentalmente. Mas ela não iria dizer isso. Nah, filha de Afrodite se declarando assim? Até parece!

– Obrigado. — sussurrou ele. O silêncio que se instalou no bunker foi desagradável. E nenhum dos dois tinha motivos para quebrá-lo. A garota que antes brincava com seus dedos, pegou uma folha em branco e um lápis. Ela recostou a cabeça em uma das mãos. As palavras saíram sem nenhum consentimento de sua pessoa, simplesmente deslizaram pela ponta do lápis.

Leo batia os dedos nervosamente no balcão. A garota desenhava distraidamente ao seu lado. Ele a observou. Era tão linda quando ficava concentrada. Seus olhos brilhavam em tons de verde, azul e caramelo. Seus lábios franziam de um jeito fofo e seus cílios pareciam longos demais para aquelas órbitas coloridas tão delicadas. O lápis deslizava pela folha como se suas mãos estivessem apropriadas a escrever a mesma coisa. Ela era tão linda.

De repente, Piper arregalou os olhos ao ver o que tinha escrito. Eram apenas duas palavras, que causariam impacto em qualquer um. Causaria uma explosão de açúcar. Derreteria o coração de leitores apaixonados.
Leo, percebendo sua reação, olhou por cima do ombro dela as palavras escritas no papel. E seu coração quase se esqueceu de bater de tão perfeitas que as palavras eram.

“Piper Valdez”.