Notas iniciais
Pausa para a manhã de ontem Achele! O que foi aquilo? Dianna toda feliz postando no twitter, hahaha ♥ E que história é essa de beijo Quinntana? Que história é essa de Brittana não mais? Chord e HeMo namorando? As vezes me pergunto porque fui começar a ver Glee '-' Bom, continuando, essa é um capitulo que explora os acontecimentos mais alegrinhos entre as duas antes dos efeitos do tratamento, ninguém sobrevive de drama, não é? Beijão.

"O que quer que você faça na vida, será insignificante. Mas é muito importante que faça, porquê ninguém mais fará. Como quando alguém entra na sua vida e metade de você diz: "você não está preparado". Mas a outra metade diz: "torne-a sua para sempre!" — Remember Me.

Dois dias se passaram, o frio na pequena cidade de Lima não parecia dar trégua aos moradores que eram obrigados a sair encapuzados de casa, a não ser aqueles que quisessem morrer de hipotermia. Já fazia dois dias desde que Rachel havia sido liberada do hospital, ela parecia um pouco melhor apesar de seu hábito alimentar diminuir aos poucos. No primeiro dia, os Berry imploraram para que ela passasse o dia com eles — Leroy alugou quase todos os musicais da Broadway para persuadi-la -, Quinn é claro, concordou e deixou que os pais levassem a garota para casa.

Ela, no entanto, decidiu visitar a mãe outra vez para ter certeza de que estava tudo bem, e certificar-se de que Russell realmente não estava mais lá. "fui obrigada a chamar a policia", contou Judy com uma voz mais determinada. A loira também sentiu-se uma idiota ao fazer uma careta na tentativa de fingir surpresa quando Judy anunciou orgulhosa de que havia comprado um apartamento mobiliado para Rachel e Quinn, pois agora ela era a administradora dos bens Fabray. Entregou a chave do apartamento e o endereço para a filha e disse que logo as visitaria.

Ao parar em um café para decidir qual seria o próximo passo de sua vida, deparou-se com um vendedor de pelúcias e imediatamente sua mente viajou para um quarto de hospital. Seus olhos brilharam quando se lembrou de Benjamin, e de seu cachorrinho de pelúcia desgasto. Então Quinn pagou o café e pediu um, não, melhor oito cachorrinhos de pelúcia ela não podia se esquecer das outras crianças. No caminho para a casa de Santana, parou no hospital e presenteou as crianças que começaram a chamá-la em especial de "tia Quinn", mas o único a realmente abraçar a loira foi Benjamin que mantinha um sorriso sonhar ao ver seu mais novo amigo. Era para a visita durar minutos, mas o garoto conseguiu convence-la a ficar e cantar para ele até que dormisse. De alguma maneira ela conseguia ver Beth nele, e sua afeição pelo garoto se tornava maternal.

Já era quase noite quando apareceu na casa dos Lopez, Santana, que estava jantando com os pais, seguiu a loira até o quarto quando a viu entrar em casa.

– Por onde andou? — perguntou incisiva. — Odeio quando você some.

Quinn sorriu para ela e deu-lhe uma piscadela que a latina não entendeu muito bem.

– Estou levando minhas coisas para o apartamento, quer me ajudar?

A latina não gostou muito da ideia de ficar sem ver sua Britt naquele dia, mas aceitou a tarefa de transportar as coisas de Quinn para o novo lugar, mesmo jogando isso na cara da amiga a cada cinco minutos.

– Sua mãe acertou. — comentou quando pararam em frente a um dos prédios mais chiques de Lima.

Quinn até analisou o endereço mais duas vezes para ter certeza de que estava certo. Seu andar era o sétimo, o que deu para as duas garotas mais tempo para analisar o lado de dentro do prédio, que certamente parecia sofisticado demais. Rachel iria pirar, pensou a loira. Mesmo assim, o apartamento não poderia ser diferente, Quinn apertou os olhos com a luminosidade do lugar e também notou o ar condicionado na sala. As paredes eram pintadas de uma cor bege bem fraquinha, o sofá de canto preto, assim como a parede onde ficava a TV de plasma. Havia um puff branco e um preto ao lado do sofá. O chão era forrado de madeira, a cozinha preta e vermelha. Quinn maravilhou-se com aquelas cores, eram suas preferidas e sua mãe parecia ter notado isso. Tinham dois quartos, uma suite de casal e um de solteiro, Santana logo avisou que traria algumas mudas de roupa para deixar no quarto de solteiro para quando fosse dormir lá.

Convencida.

A cama de casal era tão grande, que Quinn teve certeza de que caberia quatro pessoas ou mais. Havia uma grande estante onde a loira teve certeza de que Rachel guardaria seus discos da Broadway, e mais uma TV na parede oposta.

Ah, e é claro, havia uma sacada na sala. Santana deu de cara com a enorme porta de vidro que dava para a área pois estava escuro e o vidro era quase transparente. As duas deixaram as malas no quarto e se debruçaram na sacada para tomar um ar.

– As coisas estão mudando tão rápido — começou a latina sem olhar para a amiga, incrivelmente ela não tinha sarcasmo na voz.

– É... — respondeu Quinn mordendo o lábio inferior. — As vezes me sinto como uma máquina trabalhando dia e noite sem parar.

Santana a olhou intrigada, depois voltou seu olhar para algum ponto perdido na cidade e suspirou.

– Você se afeiçoou ao garoto, e eu não sei se isso é bom para você.

Quinn fechou os olhos sabendo que suas atitudes são seriam aprovadas por ninguém. Se apegar logo a alguém entre a vida e a morte? Que irônica sua vida, seu amor também estava no mesmo barco, a única diferença é que ela tinha certeza de que Rachel viveria.

Querendo mudar o assunto, Quinn tomou fôlego e se virou para a amiga:

– Santana? — tentou soar calma. A latina a olhou. — Eu vou me casar.

Por reflexo, a loira se afastou da sacada e apenas esperou aflita uma reação de Santana. Na verdade ela não sabia o que pensar da amiga, a latina estava petrificada ainda em seu lugar, encarando onde a segundos atrás estava Quinn.

– San? — chamou cautelosa.

No momento seguinte Quinn deveria estar preparada, usar alguns golpes de luta e provavelmente jogar Santana prédio abaixo, antes que a latina fizesse isso com ela. Mas ao contrário disso, e superando todas as expectativas, Santana deu um sorriso meigo e agarrou Quinn num abraço caloroso. A loira piscou algumas vezes ainda confusa, mas envolveu o corpo da amiga sorrindo também.

– Nuca pensei que você fosse se casar antes de mim, ainda mais tão rápido e com a chaveirinho. — disse ao se soltar de Quinn, e, wow!

Aquilo era uma lágrima?

– Eu quero estar perto dela o máximo possível é o certo, San. — falou aliviada por não ter ganho mais um soco no rosto. Santana parecia uma boba que havia acabado de descobrir sobre a gravidez. — E eu quero você e Britt como minhas madrinhas.

– Espera! — exclamou a latina fechando a expressão e encarando Quinn agora com fogo nos olhos. A loira estremeceu. — Você cogitou a ideia de não me chamar para madrinha?

Quinn revirou os olhos. As duas jantaram no restaurante do prédio, Santana parecia Rachel agora, falando sobre preparativos, roupas — ela sugeriu que Quinn fosse de terno, recebeu um tapa por isso -, festa, e em como Brittany ficaria linda em um vestido de madrinha. A loira apenas escutava com atenção enquanto comia, sabia que nada daquilo seria feito, Rachel já havia deixado claro que queria coisa simples, como um casamento na praia talvez, com apenas com familiares e alguns amigos. Quinn concordava, elas estavam em Lima, e não precisavam de pessoas comentando sobre sua vida pessoal.

Após o jantar, Quinn levou Santana para casa e voltou para seu novo apartamento, queria passar sua primeira noite sozinha, sentir o cheiro de novo, imaginar Rachel ali, Beth correndo pelos corredores, quem sabe? Ela riu com o ultimo pensamento. Arrumou suas malas e explorou melhor o lugar, não tinha noção que poderia ficar mais maravilhada com a cachoeira artificial, ou a claraboia com um lindo jardim. Quando estava quase dormindo no sofá, tomada pelo cansaço, seu celular tocou, era Rachel:

– Estava esperando você ligar. — disse sonolenta.

– Você tem meu numero! — retrucou uma voz animada.

Do outro lado da linha soava uma musica alta e duas vozes masculinas cantavam, Quinn riu e decidiu checa o relógio: Era quase meia noite.

– Quinn? — a musica pareceu abafada e a voz de Rachel mais clara.

– O que?

– Estou com saudades.

Quinn se jogou na cama sorrindo, derretida com a voz doce da pequena.

– Nós nos vimos essa manhã...

– Não importa! — cortou a pequena. — Gosto do seu cheiro, e dos seus braços, ah, e de arrepiar seus cabelos.

As duas riram, a loira ouviu Leroy chamar Rachel do outro lado.

– Já vou! — respondeu a eles. Depois voltou sua atenção outra vez para Quinn. — Como é nosso novo apartamento?

– Se eu disser, você não vai acreditar! — respondeu a loira excitada. — Eu te busco amanhã cedo, e nós podemos curtir só nós...

– Hum...Quinn?

– O que?

– Eu convidei mais pais para jantar. E sua mãe. Santana e Brittany...E Kurt.

O queixo de Quinn caiu, ela precisou pensar no que acabara de ouvir.

– No nosso primeiro dia? — perguntou incrédula.

– Amor, é para estrear. Nada melhor do que um jantar para pessoas que amamos, eu prometo recompensar... — sua voz se tornou sensual e Quinn estremeceu soltando um risinho safado.

Houve mais chamados impacientes de Leroy e Rachel foi obrigada a desligar. E assim Quinn dormiu em sua cama de casal, — onde não conseguia encontrar o fim da cama devido ao tamanho -, e conseguiu sorrir ao pensar em como sua pequena parecia bem, e que ela ficaria muito melhor agora com os tratamentos.

Era só questão de tempo.

No segundo dia o tempo nublado deu uma trégua, dando espaço para o sol expelir seus raios pela cidade. Quinn acordou animada, afinal, era dia de ver Rachel! No primeiro momento em que abriu os olhos, pensou ter sido sequestrada e levada para uma mansão de algum cafetão; mas então se lembrou de que estava em sua nova casa, sua e de Rachel Berry. Consegue acreditar? Nem ela.

Saiu as pressas de casa se esquecendo de usar o elevador. Passou no Stabucks para comprar o café e o tomou a caminho da casa dos Berry. Quando chegou, Leroy e Hiram ajudavam Rachel a levar algumas malas para a sala. Cumprimentaram Quinn com um grande abraço e disseram que Rachel estava no quarto terminando sua última mala. Quinn subiu a escada pulando de 2 em 2 degraus, tamanha saudade de sua pequena.

Rachel estava de costas, pendurava alguns cabides vazios no guarda roupa distraidamente e cantarolava algo animadamente, foi surpreendida quando um par de braços enlaçou sua cintura e recebeu beijinhos carinhosos no pescoço.

– Que ousadia, Fabray... — fingiu estar brava, mas falhou quando a boca de Quinn alcançou o lóbulo de sua orelha, ela fechou os olhos e soltou um gemido abafado.

Quinn riu.

– Você dizia? — perguntou se afastando, tirando Rachel de seu momento de ecstasy.

A pequena se virou indignada e encontrou os olhos castanhos. Seu coração acelerou e seu organismo pareceu trabalhar mais rápido. Era esse o efeito de Quinn nela, e gostava disso.

– Você é idiota. — disse se aproximando da loira.

– Você também é idiota. — respondeu Quinn irônica se afastando.

– Você é chata.

– Você é insuportável.

O corpo de Quinn bateu na parede oposta, então ela não teve pra onde ir, Rachel agarrou os cabelos na nuca da loira e aproximou suas bocas sedutoramente, a pequena lançou um ultimo olhar para os lábios de Quinn antes de dizer:

– Eu te amo.

Quinn agarrou a cintura de Rachel.

– Eu amo mais. — e assim fecharam os milímetros de distancia que impediam seus lábios de se tocarem.

Rachel beijava a loira possessivamente, com saudade e com desejo enquanto despenteava todo o seu cabelo. Quinn não se conteve e empurrou a pequena para a cama, onde ficou por cima de Rachel e tirou sua blusa. As duas sentiram a excitação crescer e o ventre pulsar pedindo por mais, voltaram a se beijar e dessa vez a loira desceu seus lábios pela pele morena, passando a língua em seu pescoço. Rachel apenas gemia cada vez mais alto e erguia seu corpo em busca de mais contato...

Houve uma batida na porta que fez Quinn se sobressaltar envergonhada, estava quase sem fôlego e por um minuto se esquecera de que estava na casa dos Berry.

– Vocês estão discutindo? Hiram e eu escutamos alguns barulhos aqui em cima e eu achei melhor verificar.

Rachel, que segurava sua blusa contra o peito, jogou a cabeça no travesseiro irritada e respondeu:

– Estamos bem, papai.

Quinn ainda procurava por ar quando ouviu Hiram resmungar para o marido "eu disse que elas estavam fazendo sexo, as deixasse em paz, homem!"

– Me desculpe. — pediu a pequena com o rosto escondido no travesseiro.

A loira esperou sua respiração voltar ao normal e seus hormônios se acalmaram para dar a mão a pequena e dar-lhe um beijo rápido.

– Está tudo bem, nós fomos imprudentes em fazer isso aqui.

Rachel vestiu a blusa e abraçou a loira, agora com mais calma, então disse com uma voz infantil.

– Acho que é a saudade...Já disse que gosto do seu cheiro? É bom.

Quinn achou graça e fofo, então deu um beijo no topo da cabeça da pequena e disse que era melhor elas iram, pois havia muito a ser feito pelo resto do dia. As duas se despediram dos Berry e Hiram não parava de chorar feito criança dizendo que sua filhinha tinha crescido e que ele amava sua cunhada, Leroy tentava contê-lo, mas também acabou em lágrimas e a situação pareceu muito engraçada para as duas que riram disso durante o caminho.

– Imagino como tenha sido quando se mudou para Nova York. — disse Quinn ainda rindo.

– Oh, Meu Deus, não queira imaginar! — exclamou Rachel abaixando o vidro do carro. — Eles me ligavam de duas em duas horas todos os dias, durante um ano todo.

Quinn disse que fazia ideia então elas pararam com a risada para respirar um pouco, tempo em que a loira aproveitou para morder o lábio e perguntar:

– Podemos passar no hospital primeiro?

Rachel fez uma careta para ela e sua animação se esvaiu.

– Minha próxima consulta é semana que vem, Quinn. Não me faça fazer exames...

– Eu quero ver Benjamin. — cortou ansiosa. Rachel pareceu mais confusa do que antes, então ela se lembrou de que não tinha contado sobre o garoto. — É um garotinho com câncer, nós nos tornamos muito amigos...

A expressão da pequena se suavizou, e então Quinn viu um brilho nele.

– É claro que podemos. — respondeu passando a mão pelo cabelo da namorada.

Quinn fez todo o caminho até o hospital contando sobre Benjamin e em como ele era adorável, Rachel permaneceu em silêncio, não sabia o que sentir a respeito disso, sua namorada sabia que era questão de tempo para o garoto morrer, então por que se pender tanto a ele? Mas ela não disse nada, é claro, concordou em todas as palavras e agarrou o braço de Quinn quando entraram no hospital.

– Esse lugar me da calafrios. — comentou angustiada sendo recepcionada pelos enfermeiros que agora a conheciam muito bem.

As duas chegaram a ala do câncer e Rachel precisou segurar as lágrimas para não chorar na frente de todas aquelas crianças. Pareciam tão...Feliz? Sentiu-se uma idiota por sentir-se um lixo com sua doença quando aquelas crianças cantavam uma para as outras e brincavam. Retraiu-se um pouco quando entraram, Quinn soltou seu braço para cumprimentar as crianças, e então um garotinho correu em direção a loira.

– Quinn! — ele chamou feliz pulando em seu colo.

Rachel sorriu ao ver a cena, gostaria de fazer um quadro e observá-los assim pelo resto da vida.

– Hey, Garoto. — disse Quinn colocando-o em seu ombro, ele gargalhou e segurou no rosto dela. — Essa é Rachel, minha amiga.

O garotinho remexeu-se até Quinn colocá-lo no chão, então ele caminhou tímido ate Rachel e ergueu os bracinhos. A pequena sorriu e o pegou no colo tomando cuidado com o cateter, oh, como era adorável.

– Oi, Rachel. — disse timidamente, ele viu o mesmo colar de Quinn no pescoço de Rachel e então começou a mexer nele.

– Oi, Benjamin. Tudo bem com você?

Benjamin respondeu que sim com a cabeça e então segurou o rosto de Rachel com as mãozinhas:

– Eu gosto de cachorros, você gosta?

A pequena ouviu Quinn abafar o riso, ela já sabia que ele tinha feito a mesma pergunta a loira, e se perguntou como ele poderia ser mais doce, quase como sua namorada.

– Eu gosto muito de cachorros. — respondeu se aproximando de Quinn, a loira apertou de leve o nariz do garoto. — De qual você mais gosta?

– Lablado..Labo-lable — ele olhou confuso para Quinn, ela segurou uma das mãozinhas dele e o ajudou:

– La-Bra-dor. — ditou, ele a acompanhou e gargalhou feliz.

Rachel sentiu vontade de apertá-lo em seus braços, até então notar algumas manchas no bracinho pequeno do garoto. Ela lançou um olhar preocupada para a loira que parecia já ter reparado, elas se olharam tristemente por um instante.

– Sono... — resmungou Benjamin deitando a cabeça no ombro de Rachel. Ela abriu a boca chocada, sem saber o que fazer, nunca tinha pego uma criança na vida, a não ser Beth, mas ela já era bem grandinha.

Quinn fez sinal para que ela se sentasse em um puff, e correu para buscar algo.

– Você canta? — perguntou o garoto um murmurio, e com a voz abafada no ombro de Rachel.

– Você gosta de música? Eu posso cantar algo para você... — respondeu baixinho, então Quinn entrou em seu campo de visão com um cachorrinho de pelúcia e entregou a Benjamin que o deixou entre ele e Rachel.

– Sim...

As outras crianças pareciam nem notar a presença do casal com o garotinho num canto do quarto, os três estavam em sua bolha e Benjamin parecia muito confortável com suas duas novas amigas. Quinn arrastou outro puff para perto de Rachel e encostou seu queixo no outro ombro da pequena, assim poderia observar Benjamin dormir.

Nessa rua, nessa rua tem um bosque...

Que se chama, que se chama solidão.

Dentro dele, dentro dele mora um anjo...

Que roubou, que roubou meu coração.

Quinn viu os olhos cor de mel do garotinho fitando-a, e se fechar aos poucos. Ela afagou-lhe a cabeça lisa e desceu a mão até as costas dele, então continuou ela:

Se eu roubei, se eu roubei seu coração...

É porque, é porque te quero bem.

Se eu roubei, se eu roubei seu coração...

É porque, tu roubaste o meu também.

Eles ficaram em silêncio, Benjamin dormia pesadamente do colo da pequena até a enfermeira buscá-lo para dormir na maca. Quinn então notou Rachel muito silenciosa na ida para o novo apartamento, ela observava a vista la fora distraída parecia ter a mente longe dali. Resolveu não perguntar, ela sabia que a pequena estava se sentindo como ela agora, afeiçoada ao garoto, e com medo desse sentimento.

O ar pesado entre as duas quebrou-se quando chegaram ao prédio. Rachel olhou admirada para todos os lados e até mesmo esperou Quinn dizer que estava brincando e que não era ali sua nova moradia. Mas ao contrario disso, a loira se dirigiu ao porta malas e o abriu.

– Vai ficar dentro do carro ou vai me ajudar?

A pequena precisou de alguns segundos parada no hall de entrada para acreditar no que estava acontecendo. Alguns ajudantes passaram por ela levando suas malas, e a recepcionista a cumprimentou educadamente, Quinn tocou seu braço para que elas entrassem no elevador e teve que ser praticamente empurrada, já que perdera todos os movimentos de seu corpo. Quando Rachel finalmente entrou no apartamento, foi como levar um soco, nunca tinha visto um lugar tão lindo e chique, e mal podia crer que era seu. Sua boca estava aberta desde a hora que saiu do carro, e era como se tivesse congelado, ela só conseguia ver sua noiva rindo atoa de sua expressão e os ajudantes a olharem como se fossem uma demente.

– Eu disse. — falou Quinn abrindo os braços em meio a sala. — Não é incrivel?

Rachel balançou a cabeça, sem conseguir dizer alguma coisa.

– Amor, você vai ficar muda? — perguntou a loira fingindo estar preocupada.

Por fim, após conhecer todo o apartamento e abrir ainda mais a boca em cada cômodo, se é que isso era possível, Rachel conseguiu dizer o quão Judy era louca e maravilhosa

E assim se passou a tarde, Quinn encomendou o almoço, já que estavam sem tempo para fazer a comida devido a arrumação de seu novo lar. Elas almoçaram no chão da sala — Rachel insistiu em pintar a parede da cozinha de branco, o que as levou a afastar os móveis e se encher de tinta. -, e depois continuaram o serviço do apartamento. A loira se preocupava com a saúde de Rachel e sempre pedia que ela fizesse algo menos pesado, como pintar a parede com o pincel, ou buscar alguma coisa. No fim das contas, como era de se esperar, Quinn acabou pintando o nariz de Rachel, e estamos falando de Rachel Berry, ela correu com o rolo pelo apartamento atrás de Quinn até conseguir derrubá-la e pintar toda a sua roupa.

Devo dizer que ficou uma bagunça? Devo dizer que elas quase se mataram para pintar uma simples parede?

Limpar toda a bagunça foi o que demorou mais, elas tiveram que limpar cada gota de tinta espalhada pelo apartamento e Quinn resmungava de ter tinta em seu cabelo.

– Quantos anos você tem, 5? — perguntou emburrada, o relógio marcava sete e meia.

– 6, eu tenho 6! — respondeu Rachel empurrando a loira para dentro do banheiro da suite. — E você deveria tomar um banho, eles já devem estar chegando.

Rachel tomou banho no banheiro principal e se arrependeu pela guerra de tinta, aquilo não saia do seu cabelo! Quinn, por outro lado, tinha os cabelos curtos e repicados, o que facilitou lavar, mas ainda conseguia sentir o cheiro de tinta em seu corpo, não sabia como. Era quase nove e quinze quando o interfone tocou, a loira correu atender enquanto enxugava seu cabelo em uma toalha. A recepcionista perguntou se Santana Lopez e Brittany Pierce podiam subir e Quinn concordou.

– Quem é? — ouviu a voz de Rachel vindo do banheiro.

– Satã e Britt-Britt. — gritou pendurando a toalha no banheiro e correndo atender a porta.

Esperou pelas batidas e abriu a porta com um enorme sorriso, que morreu ao ver a expressão tensa de Santana e uma Brittany, que segurava um fardo de vodka, emburrada ao seu lado.

– Oi, gente... — cumprimentou dando um forte abraço em Brittany. — San? Eu sei que você não suporta mais me ver todos os dias, mas poderia fazer uma cara melhor?

– Eu preciso beber. — a latina tomou o fardo das mãos de Brittany e passou por Quinn sem olhar nos olhos e de cabeça baixa no caminho até a cozinha e abriu uma lata.

Quinn olhou para a ex cherrio pedindo respostas enquanto fechava a porta. Brittany revirou os olhos impaciente:

– Santana teve um sonho...

– Pesadelo! — corrigiu a latina da cozinha. — E eu agradeceria se não me lembrasse dele.

Brittany fuzilou a namorada e caminhou com Quinn para se sentar ao lado de Santana, que continuou sem olhar a amiga nos olhos.

– Ela sonhou que vocês eram personagens de um seriado, e o diretor louco tinha feito vocês duas ficarem juntas...

– Ah! — exclamou Santana largando a cerveja e deitando a cabeça no braço.

Quinn olhou de uma para outra estupefata.

– É isso?

Brittany ergueu a mão como se dissesse "também acho". Então Santana levantou a cabeça como se Quinn tivesse a ofendido:

– Quinntana! — quase gritou, Quinn assustou. — A porra do nosso ship se chamava Quinntana! E então a Berry tinha escolhido o Moby Dick e minha Britt estava grávida daquele cara que tem o espaço sideral na boca... — choramingava, Brittany parecia não acreditar no que ouvia da namorada e Rachel agora chegava em silencio ouvindo o resto da historia. — E então nós nos beijamos. — fingiu vomitar. — Foi a coisa mais horrível do mundo, eu nunca mais vou olhar para você sem vontade de regurgitar, Q.

As outras três explodiram em gargalhadas enquanto Santana as olhava com raiva, Rachel tinha lágrimas nos olhos de tanto rir quando se sentou no colo de Quinn.

– Sempre soube que você tinha uma tara por mim. — disse Quinn arrancando mais risadas as outras garotas, Santana bebeu mais um gole da cerveja. — Prefiro Faberry e vocês...

– Brittana! — disse Rachel animada, Brittany pareceu amar o nome e agarrou o pescoço da namorada.

– Eu amei esse nome, viu amor? Nós somos Brittana... -

A campainha tocou e dessa vez Rachel correu atender, era Kurt, Judy e seus pais.

– Oh my God! — exclamou Kurt quase correndo para conhecer os cômodos.

Rachel abraçou Judy e demorou alguns minutos agradecendo a ela pelo apartamento, depois a levou junto de Leroy, Hiram e Brittany para conhecer o resto do lugar.

Apenas Santana e Quinn ficaram na cozinha, e a latina parecia ter medo de olhar nos olhos da amiga.

– San, eu não sou a medusa. — tranquilizou a loira.

Santana tomou mais um gole e arriscou um olhar para a amiga, nunca tinha visto a latina envergonhada na vida, e agora parecia um bom momento para fazer piadinhas.

– Até que eu gostei de Brittana... — disse finalmente.

O grupo voltou a cozinha, e Kurt dava detalhes para Rachel do que deveria ser mudado. Leroy e Hiram pareciam maravilhados como a filha mais cedo, o que não surpreendeu Quinn. Para o jantar, eles foram obrigados a pedir já que nenhuma das duas cozinharam nada, então Santana, Brittany, Kurt e Quinn pediram pizza e Judy, Leroy, Hiram e Rachel uma torta vegan, e lasanha.

– Pai, papai... — Rachel chamou quando largou o prato na pia e voltou a mesa, todos ja tinham acabado de comer e prestaram atenção nela. — Kurt, Brittany...Quero fazer um anuncio.

– A cegonha trouxe seu bebê. — comentou Brittany inocente, Kurt a olhou incrédulo e prestes a fazer um comentário, mas recebeu um olhar mortal de Santana.

Quinn balançou a cabeça e riu.

– Não Britt, eu não estou grávida. — confirmou a pequena excitada. Olhou para os pais e disse: — Dentro de alguns dias nós vamos nos casar.

Kurt soltou um gritinho de felicidade e Brittany pulou da cadeira para abraçar as duas. Hiram recomeçou o choro e Leroy ficou em duvida se abraçava a filha, ou se consolava o marido. Santana estava entediada em seu canto e Judy passou a mão orgulhosa pelo cabelo da filha já sabendo do casamento.

– Rach, Quinn, eu não acredito, como assim vocês só me contam agora? — ralhou Kurt voltando para seu lugar enxugando algumas lágrimas.

– Por que você não me pediu em casamento? — perguntou Brittany cismada para Santana, a latina arregalou os olhos.

Quinn gargalhou.

– Acho que ela está indecisa quanto a quem ama, Britt...

Santana mostrou o dedo do meio para a amiga.

Hiram e Leroy se penduraram na filha aos prantos dizendo o quanto estavam orgulhosos, e que a levariam ao altar, e que elas a amavam e quando abraçaram Quinn, disseram que estavam feliz por ser ela a entrar para a família e que nunca esqueceria o que ela estava fazendo, depois abraçaram Judy os três choraram feito crianças.

– Estrelinha, da ultima vez em que você anunciou um casamento alguém quase morreu. — disse Leroy depois de se recuperar.

Santana riu e Quinn enrubesceu.

– Não era o momento certo, papai, e o destino me mostrou isso. — defendeu Rachel segurando a mão de Quinn sobre a mesa. — Eu amo Quinn, e me casar com ela só vai provar esse amor. Eu sei que não há outra pessoa lá fora me esperando, porque ela está aqui, sentada nessa mesa. — Judy enxugou algumas lágrimas com o guardanapo. — E vocês são a nossa família.

Houve uma comoção onde todos se abraçaram, inclusive Santana que agora estava emocionada com as palavras da pequena. Já era quase meia noite quando todos foram embora, as duas estavam exaustas e Quinn decidiu tomar outro banho enquanto Rachel deixava os pratos na maquina de lavar louça. Quinn apenas jogou uma água no corpo, e quando saiu do banheiro vestindo seu moletom, notou que tudo estava silencioso.

Rachel estava sentada na sala lendo um livro. A cena era tão linda que Quinn se aglomerou no batente da porta só para observá-la. A pequena estava coberta pelo cobertor e usava o óculos de leitura. O cabelo preso num rabo de cavalo mal feito dava ao seu rosto feições infantis e inocentes. De longe a loira podia sentir seu perfume doce que apenas ela exalava. Seus olhos pareciam presos aquele mundo da literatura, sua cabeça parecia distante, como se sua alma já não estivesse mais presente no corpo. A sala, iluminada apenas pelo abajur de canto, estava fria devido a porta da área aberta. Talvez aquela fosse sua última visão de Rachel antes da doença vencer. Ela nunca saberia. Mas mesmo se fosse seu último dia na terra, Quinn teria certeza de que ela fora real, e nem isso a morte poderia lhe tirar.

Contrariada por acordar daquele sonho perfeito, Quinn pigarreou e caminhou até ela. Como de costume, Rachel abriu um sorriso que a desmontou por inteira e abriu espaço no edredom para que a loira se aconchegasse a ela.

– O que está lendo? — perguntou passando o braço ao longo do sofá, de forma que sua mão tocasse o ombro da pequena, que abaixou-se um pouco para encaixar-se no peito de Quinn.

– Querido John, eu já terminei de ler. — respondeu folheando.

Quinn passou seu outro braço no corpo da pequena trazendo-a para mais perto de si.

– Parece bom, Santana ficou uma semana reclamando que sua vida se parecia com a do livro, e que ao invés do exercito, ela tinha ido pra New York.

Rachel riu.

– Ela não tem muito o que reclamar.

– Não mesmo.

Rachel continuou folheando, então ela voltou na primeira página e virou o livro de modo que Quinn também pudesse ler.

– Aqui, quando comecei a ler este livro, estava em NYADA. Foi uma semana antes do meu acidente, acho... Desde então não o li por falta de tempo. — explicou calmamente. — Ontem a noite eu o encontrei entre minhas coisas e então decidi terminá-lo. E então eu notei algo logo na página em que eu havia parado, algo que me lembrou você.

A loira sentiu um arrepio bom, e disse:

– Então leia para mim.

Rachel segurou a mão de Quinn e com a outra segurou o livro, então começou a ler com a voz, pensou Quinn, mais linda e romântica que ela já ouvira na vida:

"Querido John, há tanta coisa que quero dizer para você, mas não tenho certeza aonde devo começar. Devo começar dizendo que te amo? Ou que os dias que passei com você foram os mais felizes da minha vida? Ou que, no curto espaço de tempo que nos conhecemos, passei a acreditar que fomos feitos um para o outro? Poderia dizer todas essas coisas e tudo ser verdade, mas, enquanto releio estas palavras, a unica coisa que passa pela minha cabeça é que queria estar com você agora, segurando sua mão e olhando seu sorriso elusivo."

A pequena terminou a leitra olhando diretamente nos olhos da namorada, então ela viu o brilho que eles emanavam e um sorriso torto nascer nos lábios dela quando disse:

– A unica diferença entre eles e nós, é que eu abandonaria tudo para ficar com você. — falou.

Rachel largou o livro de lado e segurou o rosto de Quinn para beijá-la encaixando suas pernas entre as da loira. Pela segunda vez naquele dia, elas sentiram a excitação crescer, e quando Quinn mordeu seu lábio, a pequena soltou um gemido de prazer.

– Acho que eu estava te devendo uma coisa. — sussurrou Rachel no ouvido da loira, que sentiu arrepio na espinha. A pequena arrancou o moletom da loira com ferocidade e tirou a sua blusa, ambas suspirando e ansiando por mais. Quinn tentou tirar a calça de Rachel, mas foi impedida. — Mas vai ter que conseguir.

E com um sorriso safado, levantou e desabotoou o fecho do sutiã, mas sem soltá-los, Quinn molhou os lábios. A pequena então afastou alguns passos e Quinn estreitou os olhos.

– Rachel! — exclamou quando a garota saiu correndo pela casa, Quinn não viu outra opção a não ser correr atrás de sua garota.

As duas acabaram no quarto e Rachel gritou quando foi pega por trás, elas caíram na cama e Quinn ficou por cima com um sorriso travesso.

– Você está toda despenteada. — a pequena apontou para a cabeça de Quinn. — Como um leão.

Quinn riu e segurou os braços de Rachel na cama.

– Então eu sou o seu rei! — elas aproximaram os lábios e se beijaram, explorando naquela noite, o amor entre elas.