Notas iniciais
Eu decidi dar uma de cineasta e fazer uma cena, como um clipe, quando a Quinn se da conta de seus sentimentos. Então não me matem, por favor x_x Sugiro que ouçam a música indicada durante o "clipe", e quando acabar vou estar avisando o fim da música. Espero que entendam o que eu quis dizer porque não sei como explicar... ):

Quinn andava de um lado para outro no corredor do hospital, estava impaciente, suas mãos suavam frio e tremiam. A verdade é que não aguentava mais esperar pelo médico, não aguentava mais andar, já nem sentia as pernas, mas o pavor era tão grande que simplesmente não conseguia parar de andar.

– Quinn, você está me deixando tonta. — resmungou Santana um pouco menos grosseira, e mais cautelosa.

A loira ignorou o comentário e continuou seu ritual, sabendo que vários olhos acompanhavam seus movimentos. Santana, Kurt, Blaine, Brittany, Sam, Finn, Artie, Tina, Mike haviam se prontificado para levar Rachel ao hospital, inconsciente. Quinn ainda tentava raciocinar o que acontecera, Rachel não parecia bem antes mesmo da música, e ela se culpou por não perguntar. Burra. Idiota. Se acontecesse algo, a culpa seria inteiramente sua. A recepcionista não parecia muito feliz com o número de pessoas na sala de espera, ela até mesmo tentou explicar que os outros familiares e amigos precisavam de espaço, mas Santana logo a cortou e a mandou para um lugar não muito amigável. É claro que Quinn não se importava, para ela era como se os outros nem estivessem ali, ela estava em sua bolha, preocupada e focada apenas em Rachel.

Ela estava viva, não estava? Meu Deus, ela precisava estar bem. O que seria dela sem Rachel? Ela...Ela já não se via mais sem a pequena.

Um homem alto, negro e de cabelos grisalhos se aproximou do grupo, Quinn logo reconheceu ser o médico e quase saltou em cima dele.

– O que houve, doutor? Ela está bem?

Kurt se prontificou ao lado da loira e Santana segurou seu ombro em sinal de conforto. O médico examinou sua prancheta alguns segundos e olhou desconfiado para Quinn.

– E vocês são...?

– Amigos. — respondeu Kurt um pouco mais paciente que Quinn. — Eu moro com Rachel, e estes são como uma familia.

O médico concordou com a cabeça e se direcionou a Kurt:

– Ela teve apenas uma queda de pressão que resultou na falta de oxigênio no cérebro, eu coloquei o remédio embaixo da língua dela e agora está no soro para que possa se recuperar da fraqueza. — ele analisou mais uma vez a prancheta e franziu o cenho, olhando depois preocupado para os três: — O caso da senhorita Berry é delicado, vocês sabem sobre...

– Sim, nós sabemos. — responderam os três em unissono.

– É aconselhável que ela faça os tratamentos, isso poderia prolongar seu tempo de vida.

Quinn abaixou a cabeça furiosa e ao mesmo tempo frustrada. Por que Rachel tinha que ser tão teimosa? Ela precisava fazer aqueles tratamentos, ela precisava viver mais, pois Quinn precisava dela!

– Posso vê-la? — perguntou a loira mudando completamente o assunto. O médico pareceu confuso, e olhou de Kurt para Santana, e depois para Quinn. Vencido, ele abriu caminho para ela e a conduziu ao quarto. A cena foi quase um flashback, exceto pela aparência de Rachel. Ela não estava tão debilitada como da outra vez, era visível que apenas dormia, com o soro ainda em sua veia.

O médico fechou a porta atrás de si e deixou as duas sozinhas. Quinn caminhou lentamente até a cama e sentou, procurando a mão de Rachel com a sua. Estava gelada. Sentiu raiva dos enfermeiros por não a cobrirem, sua pequena Rachel sentia frio, como eles podiam ser tão incompetentes? A loira tirou seu sobretudo e o estendeu sob o peito de Rachel, e depois a observou. Como adorava olhar para a pequena, era seu mais novo passatempo favorito, gostava mais de olhar para ela, que tirar fotos e isso realmente queria dizer alguma coisa. Quinn acariciou a mão de Rachel e sentiu todo um arrepio percorrer seu corpo, seu coração estava acelerado, ela já até havia se acostumado com todas essas sensações quando estava com Rachel, era algo novo e ao mesmo tempo tão bom. Agora sua pequena parecia tão serena enquanto dormia, com o que será que sonhava? Broadway? Barbra? Estrelas?

Lago congelado?

– Você não podia ter me assustado dessa forma, Rachel. — disse Quinn, baixo. — Eu pensei que fosse te perder, e ainda não estou preparada para isso. — silencio. A loira continuou encarando as pálpebras fechadas da pequena, como se ela pudesse entende-la. — Eu...Eu mudei...Ainda estou tentando entender essa mudança, mas sei que aconteceu em algum momento perto de você. Então não me deixe, porque... — as lágrimas começavam a molhar o rosto de Quinn e ela começava a gaguejar. — Ninguém nunca ficou comigo por tanto tempo antes, e quando eu estou com você, eu consigo me entender, entender o mundo, entender todas as razões... Sabe... Ultimamente, eu só ficava no quarto, deitada e pensando em você. Eu choro muito, parece que a cada lágrima dói mais e aumenta mais essa saudade, esse sentimento por você. E apenas sei que se tivesse você ao meu lado, tudo estaria bem. Tudo estaria no lugar, eu estaria feliz... — o coração de Quinn parecia que iria fundir a qualquer momento, ela nunca dissera palavras como aquelas antes, e agora as pronunciava tão baixo, como se as temesse, ou que acima de tudo, acordasse Rachel. — Não vá, ok? Nem hoje, nem daqui dois meses, nunca Rach, por favor, eu não quero ter que esquecer, eu não quero que tudo tenha sido apenas um sonho.

A voz de Quinn morreu. Se antes algo dentro de si doía, agora queimava como brasa; dor, de diferentes formas preenchiam todo o seu ser. Sua ficha estava caindo, e aos poucos, muito lentamente, Quinn começava a aceitar o que estava sentindo. Seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas, sua mão ainda tremia enquanto segurava a de Rachel.

Quinn passou a mão carinhosamente pelo rosto de Rachel e cantou quase num sussurrou:

– How can i love when i'm afraid to fall? But watching you stand alone, all of my doubts, suddenly goes away somehow...


***


Quando Quinn voltou para a sala de espera, encontrou apenas Kurt, Santana e os Berry ansiosos. Leroy correu dar um abraço na loira e depois seguiu para o quarto ver a filha, Hiram lançou um sorriso falho a ela, o que cortou o coração de Quinn, e depois seguiu o marido.

– Onde estão os outros? — perguntou a Kurt e Santana que estavam sentados.

– Eu os expulsei, disse que estava tudo bem, você estava chorando? — Santana foi tão rápida na sua resposta e pergunta que Quinn foi obrigada a pensar um pouco.

– Ao contrário de você, eu tenho lágrimas.

Santana abriu a boca contrariada, mas Kurt a cortou:

– Ela ainda está dormindo?

– Sim.

– E você ai pensando no funeral dela já. — caçoou Santana agora mais venenosa, levantando-se. — Eu vou para casa buscar as malas e te encontro no aeroporto.

Quinn a olhou incrédula.

– Você vai deixá-la assim?

– Deixe de ser dramática, Fabray. Quando Barbra acordar vai querer passar um tempo com os pais, depois ela viaja.

– Eu não vou abandoná-la.

Kurt acompanhava a discussão como se assistisse a uma partida de ping pong. Quinn também se levantou, e com sua última frase, Santana riu ironicamente e se aproximou dela.

– Pelo amor de Deus, deixe a garota respirar! Você parece um cachorro atrás da cadela no cio. — retrucou a latina nervosa, arrancando olhares de alguns internos que passavam por ali. — O que estão olhando?

Quinn avançou contra Santana, mas foi barrada por Kurt que resolveu intervir antes que algo pior acontecesse naquele hospital.

– Já chega! — anunciou ele separando as duas. — Santana tem razão, Quinn, — a loira abriu a boca para protestar, mas o rapaz fez sinal para que ela se calasse. — Eu acho super fofo o que você está fazendo, mas Rachel precisa de um momento com os pais e você precisa relaxar.

Santana jogou os braços para cima vitoriosa, Quinn fechou a cara para ela.

– Ela não pode viajar sozinha, Kurt...

– E quem disse em viajar sozinha? Eu vou ficar na casa do meu pai até ela decidir que está em condições de viajar, tudo bem? — perguntou o rapaz um pouco animado com a ideia de poder ficar com o pai.

Quinn pensou em uma desculpa para ficar também, mas por um lado os dois tinham razão, ela não podia sufocar Rachel o tempo todo. Então ela apenas concordou e sentou-se com Kurt para esperar os Berry, caso acontecesse algo. Santana voltou para a casa dos pais, para arrumar as malas.

– Vocês duas definitivamente se amam. — comentou Kurt divertido.

– Você não tem idéia do quanto. — replicou Quinn um pouco mais relaxada. — Nós somos assim mesmo, as pessoas até se assustam com nosso relacionamento.

Kurt riu.

– Ela é uma boa pessoa, só não deixa que as pessoas saibam disso.

Foi a vez de Quinn sorrir, ele estava certo. Santana tinha um coração que ninguém acreditaria ser o dela, a loira mal conseguia enumerar as vezes em que precisou da latina e ela sempre esteva lá, com xingamentos e ironias, mas sempre esteve.

– Como está com Rachel? — perguntou interessado. Quinn pigarreou desconcertada. — Tudo bem, Santana me contou seu plano.

Santana, agora ela pensava em uma maneira de tortura para a latina fofoqueira.

– Ela pareceu adorar o lago. — respondeu timida.

– Rachel vivia me dizendo que tinha esse desejo, e eu apenas podia pensar em como ela era iludida em achar que Finn faria aquilo. — disse o rapaz cruzando as pernas. Quinn se mexeu incomodada, porém, Kurt a fazia bem, ele era um ótimo amigo e conhecia Rachel. — Rachel está muito frágil, Quinn, todos sempre a enganaram e se aproveitaram dela, então não desista nas primeiras barreiras que ela impor.

A loira olhou para Kurt como se ele tivesse dito a coisa mais óbvia do mundo. Rachel estava com medo de que ela a estivesse usando? É claro, Fabray, ainda mais você que fez da vida dela um inferno no colégio.

– Eu nunca a machucaria. — se defendeu séria.

Kurt a analisou, exatamente como Santana dias atrás. Isso não era bom, nunca era.

– Você gosta dela, não gosta?

A pergunta pegou a loira de surpresa, ela não esperava por aquilo e todos os movimentos desajeitados que fez a seguir, entregou sua resposta, tanto que Kurt sorriu compreensivo. Leroy Berry apareceu no mesmo instante em que Quinn formulava uma resposta coerente, ela agradeceu mentalmente por aquilo, e desviou rapidamente o assunto.

– Ela está bem?

Leroy sorriu satisfeito.

– Você a viu a alguns minutos, ela está da mesma forma. — Quinn enrubesceu. — Exceto, talvez, pela sua peça de roupa que ela mantem agarrado contra o peito.

Um sentimento indescritível a preencheu por dentro, Quinn sorriu bobamente, ato que não foi despercebido pelo homem que fez sinal para que ela se aproximasse dele.

– Sua mala ainda está em casa, sugiro que você vá buscá-la para não se atrasar. E não se esqueça de fechar a porta do meu escritório. — terminou o homem com uma piscadela. Quinn não entendeu a mensagem, mas seguiu o conselho do homem. Ela não poderia se atrasar ou então perderia o voo. E isso significaria Santana caçá-la até o fim do mundo.

Despediu-se de Kurt e pediu para que ele cuidasse de Rachel. Despediu-se de Leroy, pediu que ele mandasse lembranças a Hiram e disse que deixaria o carro na garagem de casa, o homem concordou bondoso e com um brilho desconhecido no olhar. Ela saiu do hospital e recebeu uma rajada de vento, a neve cobria boa parte da calçada e por isso, foi impossível não tropeçar em uma senhora que carregava uma sacola de bugigangas.

– Me desculpe. — pediu Quinn envergonhada, ajudando a senhora a recolher boa parte das coisas que haviam caido para fora da sacola.

– Está tudo bem, encontros e desencontros tem seus motivos. — disse a senhora com generosidade.

A loira viu que a mulher vestia-se mal, como se fosse mendiga, e seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo mal feito. Ela parecia uma camelô, pela sacola de bijuterias e coisas usadas.

– Aqui está, estes são os últimos. — Quinn fez menção de entregar um par de colares para a senhora, mas de repente sentiu-se atraída por eles. Eram de madeira envernizada e tinham o formato de plaquinha, com uma mesma inscrição desconhecida em cada um. Quinn os segurou pelo cordão enquanto os admirava, eles eram lindos e ela logo pensou em Rachel. A velha observou o interesse de Quinn pelos cordões com os olhos cerrados e uma certa certeza na expressão.

– O passado é como uma cicatriz, senhorita, ela não sairá da pele se o ferimento tiver sido intenso. — disse a velha de repente, Quinn olhou-a surpresa e chocada. — É isso que esses cordões representam.

– O que está escrito...? — perguntou a loira interessada ainda segurando-os hipnotizada.

– Ah, esse é o maior segredo, é como o amanhã...Você só vai descobrir na hora certa.

Quinn fez menção de devolvê-los a senhora, mas ela os recusou com o braço:

– Fique com eles, tenho certeza que há outro pescoço esperando para usá-los. — lançou um olhar mortal para a loira que recuou alguns passos totalmente assustada. — Maktube.

[mode videoclipe on — Musica: Wish you were here, Pink Floyd]

Dito isso, passou por Quinn e cruzou o mar de pessoas na calçada. A loira virou-se para questionar a senhora, mas já não conseguiu encontrá-la. Seu coração estava descompassado, como ela sabia tanto? Aquela velha havia dito como se soubesse sobre seus sentimentos, e sobre Rachel. Quinn estava em panico enquanto dirigia para a casa dos Berry, todos pareciam notar sua fragilidade quanto a Rachel Berry. Até mesmo uma velha esquisita e estranha.

Já na casa dos Berry, Quinn trancou a mala e lançou um ultimo olhar a cama de Rachel onde elas dormiram duas noites atrás, juntas; então fechou a porta atrás de si, tentando deixar parte daquela noite para trás. Ela caminhou com a mala em mãos pelo corredor e encontrou uma porta meio aberta, que deveria ser a do escrito de Leroy, como a pedido, ela se encaminhou até a porta para fechá-la, mas o que encontrou a prendeu na soleira. Era um estúdio onde Leroy revelava as fotos, aquela luz vermelha que iluminava o comodo deu a Quinn uma sensação conhecida, de quando ela revelava as fotos em Yale. Com uma súbita lembrança, ela abriu a mala e tirou sua nova câmera de lá de dentro, Leroy não se importaria se ela revelasse as fotos, não é? Ela até mesmo se perguntou se esse não era o propósito. Deixou a mala no corredor e entrou no cômodo deixando seus olhos se acostumarem com a coloração da luz artificial. Ela reparou nas várias fotos penduradas, eram de uma garotinha com um microfone em mãos, Rachel obviamente, a loira sorriu.

Tirou o filme de sua câmera e começou o processo de revelamento. Minutos depois, ela se encontrava sentada ao chão do estúdio, observando as fotos recém penduradas. Rachel patinando com um sorriso lindo, Rachel desequilibrando no gelo, Quinn riu entre lágrimas com essa, Rachel deitada na neve sorrindo para a câmera, e Rachel e ela, nessa foto, Rachel beijava a bochecha de Quinn enquanto ela sorria para a foto. Então Quinn chorou mais e mais. Enfiou a cabeça entre os joelhos e apertou o par de colares na mão.

Estava apaixonada por Rachel Barbra Berry, e isso lhe soava tão perfeitamente, que mais parecia ser uma frase já feita, mas esquecida durante muito tempo.

Santana e Quinn voltaram para New York, e já era de madrugada quando chegaram em casa. As duas fizeram a viagem completamente emudecidas, cada uma presa em seus pensamentos, lembranças...Amores. Quinn decidiu que precisava dormir um pouco antes de começar o dia, ela e Santana dormiram na sala mesmo. No outro dia de manhã, a latina saiu para fazer compras e deixou Quinn assistindo a um filme qualquer na TV. Assistindo no sentindo de deixar a TV ligada e seus pensamentos direcionados a Lima, pois agora que havia admito seus sentimentos a si mesma, sentia como se um trator tivesse saído de cima dela.

A campainha tocou e Quinn se levantou desanimada para atende-la, nem se preocupou em pentear o cabelo ou trocar o roupão. Ao abrir a porta, a surpresa lhe invadiu. Rachel Berry a olhou intensamente antes de entrar para dentro de casa e parou no meio da sala de costas para a loira; Quinn fechou a porta um pouco confusa caminhou até a sala preparando um questionamento para a pequena. O silencio era interrompido pelo som da TV, e apenas isso. Rachel parecia se encorajar de algo, e apertava as mãos freneticamente.

– O que... — Quinn tentou perguntar, mas assim que sua voz soou, Rachel se virou abruptamente e caminhou rapidamente até a loira fazendo-a encostar-se no pilar e levando os braços ao pescoço dela; encostou seus lábios com um pouco de violência.

Não foi um beijo, eu diria, pois Quinn estava desnorteada demais para poder fazer qualquer movimento, e Rachel parecia apenas querer sentir o gosto dos lábios da loira, forçar algo a mais seria muito cedo, talvez. Mas, a sensação de ter o corpo de Rachel colado ao seu, a fez segurar a cintura da pequena com necessidade. Quinn poderia dizer que os lábios macios de Rachel tinham gosto de mel, um mel caro e gostoso. Então as mãos de Rachel foram para o rosto da loira, e ela começou a sentir a pele de Quinn, querendo gravar cada parte com o tato. Assim que a pequena parou o beijo, as duas encostaram as testas e Rachel murmurou com os olhos fechados:

[mode videoclipe off]

– Você é em toda essa historia, a parte que me salva e que me conforta. — Quinn abriu os olhos e viu que Rachel agora chorava silenciosamente, a pequena então deu um abraço apertado na loira, agarrando-se a ela como se fosse sua unica salvação e cantarolou: — I have loved you for a thousand years...

Quinn entreabriu a boca chocada, e quando tentou falar mais uma vez foi interrompida pela pequena, que separou-se dela e da mesma forma que iniciara o beijo, saiu pela porta. Santana, que entrava com uma sacola de compras em uma mão e um saquinho de pipoca em outra, quase foi prensada na porta.

– Filha da mãe! Além de ficar horas em um hospital esperando respostas por ela, ainda sofro tentativa de homicídio... — resmungou a latina sistemática fechando a porta com violência e largando a sacola de compras em cima da pia.

Quinn, que ainda estava parada no mesmo lugar, com o mesmo olhar e a boca aberta, caminhou até a mesa e sentou-se com as mãos cobrindo a boca, e um olhar perdido. Santana percebeu o comportamento estranho da amiga e resolveu sentar também, ainda comendo sua pipoca.

– O que a estrela cadente queria aqui?

Quinn massageou a têmpora.

– Não quero falar sobre isso.

Santana lançou um olhar cético para a amiga, e depois segurou sua mão.

– Pode começar.

A loira revirou os olhos, e tentou se concentrar nas palavras.

– Rachel me beijou.

Santana petrificou, piscou diversas vezes rapidamente e soltou a mão da amiga. Quinn revirou os olhos outra vez quando a latina abriu a boca dramaticamente.

– Isso é nojento, e eu estou comendo. — acusou a latina largando o saco de pipoca como se tivesse encontrado algum bicho lá dentro. — E você não iria me contar esse fato se eu não tivesse perguntado?

– Não sou o tipo de pessoa que sai contando coisas assim... — disse Quinn com a voz totalmente entretida, e cansada.

Santana fez uma careta.

– O que você quer dizer com isso? Enfim, não importa, por que ela saiu daquele jeito?

Essa era a pergunta que a mesma se fazia, Quinn deu de ombros e começou a brincar com os dedos em cima da mesa pensando que tudo estava acontecendo rápido demais.

– San? — chamou a loira procurado a latina com os olhos.

– Hum?

– Eu te amo.

– Vai morrer, é? — riu Santana erguendo uma sobrancelha. Quinn sorriu junto com a amiga, mesmo sem sentir vontade. — Eu também te amo.

Quinn levantou e bagunçou o cabelo da latina, ela precisava subir para o quarto e pensar no que acontecera, porque algo dentro de si agora gritava loucamente para sair, e ela precisava dar ouvidos a essa emoção.

– Quinn? — foi a vez de Santana chamar quando a loira já estava na escada.

– Sim?

– Gay! — exclamou a latina com uma longa gargalhada. Quinn balançou a cabeça perguntando-se como alguém poderia amar a latina como Brittany amava, e se enfiou no quarto, para mais uma sessão de pensamentos e lembranças.