It Was Just A Dream. - Faberry
23 Can you reach me?
Notas iniciais
Dizer que a partir daquele dia tudo se tornou um conto de fadas melhor, seria mentir. Dizer que a queda de cabelo de Rachel tornou-a mais forte e mais amável, também seria mentir. Não é fácil quando a sua imagem se torna sua inimiga em sua cabeça, e era assim que Rachel sentia-se no momento. As palavras de Quinn a confortaram sim, mas não tiraram o peso da dor. As pessoas a sua volta tentaram ao máximo não parecerem assustada com sua primeira imagem e Rachel era agradecida por isso, mas ainda sim sentia enjoo só de imaginar o que pensavam dela.
Por isso, decidiu tornar as visitas em casa menos frequentes, permitia que seus pais e Judy a visitassem uma vez por semana e Santana e Brittany duas, por insistência da latina. Quinn era a pessoa que mais sofria e a pequena odiava-se por isso, várias noites flagrava a loira a observando com os olhos marejados, ou ajudava a limpar seu sangue sem dizer mais nada por falta das palavras. Sua aparência nem de longe era a mesma, emagreceu kg, substituiu as roupas por pijamas que usava o dia todo — praticamente não andava mais de desgosto e cansaço -, seus olhos agora eram fundos e com olheiras, cabelo sem vida e o humor variava frequentemente.
– Gosto dessa. — apontou para uma camisa que Quinn vestia, era dia de ir ao hospital.
– Eu não gosto, Kurt diz que eu fico com cara de metida, eu fico com cara de metida? — cismou de brincadeira, Rachel fingiu pensar e deu um sorriso fraco. — Acho melhor você não responder.
Benjamin entrou no quarto trotando e subiu na cama, ele havia crescido demais, era quase impossível carregá-lo agora. Rachel fez carinho em seu pelo macio e suspirou. Ela sabia que Quinn ainda tinha forças para fazer brincadeiras, mas que por dentro estava vazia e machucada como ela, queria de algum jeito poder aliviar aquela dor da namorada, só não sabia como.
– Lembra aquela história de realizar sonhos? — perguntou a pequena dirigindo um olhar sério para Quinn que se virou confusa.
– Sim, amor. O que tem?
– Papai disse que você já consegue tocar piano, eu gostaria de ouvir.
Quinn olhou para os lados com a boca entreaberta.
– Quando tivermos oportunidade, eu prometo que toco. — respondeu dando um selinho na pequena e a ajudando a levantar. — Acho que você deveria por o sobretudo, amor, está frio lá fora.
Rachel revirou os olhos com a mudança repentina de assunto e apoiou-se no ombro de Quinn para trocar de roupa.
– Você está me mimando. — disse ao deixar a loira vesti-la e receber uma lambida na mão de Benjamin. — E não precisa ficar com ciumes, sua dona ama mais você.
Quinn riu.
– Eu amo os dois.
Ajudou Rachel a caminhar até o elevador segurando em sua cintura e a ajudou a entrar no by Text-Enhance\">carro, todos no prédio já a conheciam e a respeitavam, ninguém nunca parou para perguntar nada e nem a encaravam por muito tempo. Quinn era agradecida por isso, não gostaria de ver a pequena surtando no meio do saguão.
– O que acha da doação de órgãos? — perguntou a pequena de repente no by Text-Enhance\">carro. Quinn a olhou desconfiada e percebeu que ela parecia muito pensativa.
– Um gesto nobre, eu acho. Digo, pode salvar muitas vidas, certo?
Rachel concordou e batucou com os dedos no vidro do carro, Quinn sabia que ela queria continuar o assunto, só não estava dando espaço para isso. Seja lá o que fosse, não discutiria sobre isso com a pequena, não era uma opção.
Já no hospital, Rachel se preparava para receber o cateter e não estava nem um pouco nervosa, era melhor do que aqueles remédios horríveis que a faziam ter vontade de vomitar ou socar alguém. Um enfermeiro a ajudava com a vestimenta quando Roberto apareceu com o prontuario no corredor, havia uma ruga em sua testa e isso preocupou Quinn.
– Como ela está? — perguntou a loira levantando.
Roberto a olhou por um momento e limpou a garganta antes de dizer:
– Quinn, eu vi você crescer ao lado de Santana e Brittany...Sempre frequentando nossa casa e os parques. — deu uma pausa. — Sabe que eu nunca mentiria para você. — Quinn engoliu em seco e esperou que ele continuasse. — O problema é o que está acontecendo, — disse passando os olhos pelo prontuario. — os tratamentos não estão fazendo efeito nenhum e Rachel fica cada dia mais fraca, quase não há mais antivirus em seu corpo.
A loira suspirou e fechou os olhos, tinha medo do que ele diria a seguir.
– O que sugere?
O doutor bateu a caneta algumas vezes no prontuario observando-a como se pensasse na melhor maneira de dizer aquilo.
– Uma internação, seria o mais plausível no momento. É perigoso demais ela ficar em casa nesse estado, e precisa ficar em observação. — um enfermeiro abriu a porta do quarto e avisou que estavam prontos, Roberto disse que iria logo e voltou a atenção para a loira aflita. — E transplante de medula.
Era isso o que estava com medo. Conhecia a leucemia o suficiente para saber que não era nada fácil encontrar um doador compatível e aquilo colocaria Rachel em risco de vida.
Quinn abaixou a cabeça tristemente quando Roberto segurou seu ombro.
– Eu vou fazer o exame para saber se sou compatível, — disse a loira. — e vou avisar aos Berry da internação.
Roberto concordou com a cabeça e voltou para o quarto. Quinn apenas respirou fundo e saiu do hospital em direção ao apartamento para buscar algumas coisas de Rachel, e depois para a casa dos Berry. Não seria agora que ela desistiria, não é? Não agora que havia uma porcentagem maior de chances para Rachel.
***
Rachel abriu os olhos ainda sonolenta pela anestesia. Tentou se mecher, mas sentiu uma dor incomoda no corpo e se lembrou que estava no hospital. Remexeu-se um pouco na cama e apalpou a cabeça para ter certeza de que usava seu lenço, ao descer a mão, sentiu algo sólido em seu ombro.
– O que...?
– Se eu fosse você, não ia mexer nisso. — uma voz desconhecida soou ao lado da sua cama, Rachel se virou calmamente para a figura e se deparou com uma garota de no máximo 13 anos sentada na cama ao lado.
A garota tinha cabelos pretos que contrastavam com os olhos e a pele clara, ela trocava de canal despreocupadamente e pelas vestimentas, a pequena concluiu que era uma paciente. Rachel abaixou os olhos para visualizar o cateter em sua pele muito vermelha, não sentia dores, apenas um desconforto.
– Onde está todo mundo? — perguntou Rachel se acomodando mais lúcida e olhando a sua volta, estava em um quarto diferente agora, com mais camas e uma TV.
– Algum enfermeiro provavelmente vem daqui a pouco ver como você está, e se está falando de pacientes, somos apenas você e eu. — respondeu sem tirar os olhos da TV. — Me chamo Clara Miller.
Rachel analisou por um momento a garota.
– Rachel Berry. — disse, passou a mão levemente sobre o cateter e sentiu arrepios ao constatar que aquilo fazia parte dela agora. — Então, Clara... Por que está aqui?
Clara desligou a TV e finalmente a olhou com uma expressão séria, ela fez um sinal com a mão em volta do peito e respondeu:
– Falência cardíaca, e você Leucemia, certo? Acho que precisamos de doadores ou algo assim...
A esperteza da garota assustou Rachel que recebera a noticia na noite passada, ela ainda estava abalada e alguém falar tão abertamente sobre aquilo era como receber a noticia pela primeira vez. Antes que pudesse perguntar mai alguma coisa, a porta foi aberta e seus pais entraram correndo com Quinn, — carregando uma pequena mala — Santana e Brittany atrás.
Clara ligou a TV mais uma vez e ignorou-os.
– Estrelinha, você não imagina como Hiram e eu ficamos preocupados... — dizia Leroy acariciando a cabeça da filha, com o marido do outro lado da cama.
– Podia ter nos ligado ao menos, foi preciso Quinn ir nos buscar em casa. — continuou Hiram.
Santana e Brittany apenas abanaram a mão e Quinn deixou a mala ao lado da cama.
– Seus pais, Britt, Sant e eu já fizemos os exames, — contou a loira sentando-se ao pé da cama. — E não vou parar até encontrar alguém compatível.
– Não se preocupe Rachel, ela já deu a ideia de por em um anuncio de jornal. — brincou Santana recebendo um cutucão de Brittany. — Como está?
Rachel lançou um olhar para Clara que parecia nem notar a presença dos outros no quarto, estava atenta ao desenho. O olhar de Quinn e Santana a seguraram e ela ficaram surpresas com a garota ali.
– Eu acordei agora mesmo, estou bem.
Leroy afastou a blusa para olhar melhor o cateter, Hiram soltou uma exclamação baixa e Brittany um assovio.
– Sabe que vamos vim para vê-la todos os dias, não sabe? — perguntou Hiram. A pequena concordou com a cabeça e sorriu, sabia que agora mais do que nunca teria mais pessoas em sua cola e isso a irritava um pouco
Não demorou muito para Roberto dispensar todo mundo com a desculpa de que Rachel precisava se alimentar, Quinn ficou como sua acompanhante. Mas ao contrário do que deveria acontecer, ela não conseguiu comer e quando foi forçada a levar uma colher de sopa a boca, acabou vomitando tudo. Clara assistia a tudo com total atenção e sem nunca mencionar nada, era como se Rachel dormisse sozinha naquele quarto. Quinn foi para casa a noite alimentar Benjamin e dormir um pouco, no outro dia, deixou o cão na casa de Santana e dirigiu direto para o hospital depois do almoço. Mais uma vez, a pequena estava se recusando a comer.
– Rachel, não estamos brincando, você precisar se ajudar. — tentava a loira oferecendo a colher, mas a pequena virava o rosto.
– Eu não quero comer, quero ir embora. — dizia empurrando a colher para longe, mais do que nunca parecia uma criança mimada.
Não foi nada fácil fazê-la tomar ao menos uma sopa sem que vomitasse nos enfermeiros ou que jogasse o prato longe dependendo do seu humor. Rachel perdia peso a cada dia que passava naquele hospital e seu estado não melhorava, Quinn já estava se preparando para pedir a Shelby que fizesse os exames quando finalmente chegou a noticia: Santana era compatível.
De primeiro, a latina quase caiu para trás e foi preciso que Brittany lhe desse um copo de água, já Quinn chorou de felicidade e chegou no quarto aos pulos sendo avisada por um enfermeiro de que se fizesse aquilo de novo seria expulsa. Bom, é claro que Santana doaria a medula, por mais que ela tenha chorado de medo e dito a loira que ela ficaria devendo pelo resto da vida, só faltava fazer os exames completos para ter certeza de que o sangue estava limpo. E Rachel...Ela não pareceu feliz aos olhos de Quinn, levou a noticia como se não fosse nada, isso irritou a loira, ela já estava se dando por vencida.
Rachel acordou sentindo mais cansaço que o normal, se espreguiçou sentindo todas as dores no corpo, o soro em seu braço e a mangueira do cateter em seu nariz. Notou que Quinn dormia desconfortavelmente em uma das poltronas ao lado da cama. Ela sorriu e cutucou a namorada:
– Quinn? — chamou baixo para não acordar Clara, a loira remexeu-se e abriu os olhos.
– An? — perguntou sonolenta.
– Você está com uma aparência horrível. — brincou a pequena, a verdade é que nem voz ela tinha mais, e seus ossos já começavam a aparecer.
Rachel recusava-se a olhar-se no espelho, para ela, seria como ver a morte chamando-a.
Quinn passou a mão no rosto e sentou no sofá deixando seus olhos se acostumarem com o lugar.
– Experimente dormir em uma poltrona. — reclamou a loira rindo em seguida, aproximou-se da pequena e deu-lhe um beijo nos lábios — Tudo bem?
– Sim, gosto dos seus lábios.
Quin franziu o cenho, mas não perguntou nada. Voltou a sentar e a massagear seus músculos dormentes, notou que mais uma mancha no braço de Rachel havia aparecido.
– Como está Benjamin? — a pequena decidiu mudar de assunto quando percebeu os olhos da loira em seus braços.
– Ele está bem, Brittany disse que Santana tentou assassiná-lo com a vassoura, mas duvido que seja verdade...
As duas riram.
– Saudades de todo mundo. — comentou tristemente abrindo seu diário, Quinn uniu as sobrancelhas quando viu o objeto. — Ainda preciso escrever sobre ele aqui, e sobre como nos cativou. Ah, e sobre a tentativa de assassinato também.
– Espero que tenha coisas novas sobre mim nessa coisa.
Rachel mostrou a língua e sentiu uma pontada na cabeça, fechou os olhos sem deixar que a loira percebesse que era de dor. O diário foi roubado de sua mãos e quando deu por si, Quinn já o folheava divertida.
– Devolve, Fabray, não quero que você leia coisas sobre meu amante. — zombou a pequena.
Quinn abriu a boca indignada e parou em uma página qualquer, a pequena esforçou-se para conseguir tocar a mão da namorada e quando o fez, virou a página e indicou com o dedo um pequeno texto. Fechou os olhos mais uma vez para descansar as vistas, e apenas ouvir a voz melodiosa de Quinn:
"O amor é paciente, é benigno; o amor não procura seus próprios interesses, não se ressente do mal. — a loira deu uma pausa e olhou para a figura a sua frente, sorriu bondosamente e continuou: — Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...
Fechou o diário e levantou para deitar-se ao lado de Rachel — sem movimentos bruscos para não machucá-la -, e sentir seu calor e o cheiro que apenas ela tinha.
– Como sabe que não tenho interesses? — murmurou acariciando o braço da pequena.
– Você é a pessoa mais pura que conheço, acha mesmo que vou acreditar que esteja interessada?
Quinn suspirou.
– Você vai ficar boa, nós vamos nos casar e nos mudar para Nova York. — contou baixinho. — Você vai voltar para NYADA e eu vou cursar fotografia, compraremos uma casa perto do Central Park...Mas precisa ter um quintal grande para Benjamin não destruir nada.
Rachel bagunçou os cabelos da loira, beijo o topo de sua cabeça e completou:
– Sem chave de emergência...
– Sem chave de emergência. — repetiu a loira bocejando. — Vou buscar um café, quer alguma coisa?
A pequena maneou a cabeça e negou. Quinn arrastou-se para fora do quarto resmungando que ainda a faria comer nem que fosse dormindo. Rachel afundou a cabeça no travesseiro e olhou para Clara.
Estava sendo observada.
– Há quanto tempo está ouvindo? — perguntou surpresa e envergonhada.
A garota estava em posição fetal virada pra ela com um brilho significativo nos olhos.
– Acordei na parte do "assassinar com a vassoura". — respondeu coçando os olhos. — Você tem sorte, ela é uma fofa.
Rachel enrubesceu e desviou o olhar.
– Ela é mesmo...
– Relaxa, Rach. Eu conheço o homossexualismo. — tratou de dizer rindo em seguida.
A pequena sorriu de volta e olhou para as malas de Clara ao lado da cama, então uma questão antiga veio em sua mente.
– Você...Onde estão seus pais? Ninguém nunca vem te visitar...
A expressão de Clara caiu e demorou alguns minutos até que ela respondesse seriamente:
– Meu pai está morto e minha mãe presa. — começou a brincar com uma pulseira. — Moro com minha avó, mas ela é muito doente e não tem como vir.
Rachel deixou o silêncio tomar conta do quarto e seu coração se apertar. Clara sempre pareceu uma garota solitária, nem mesmo com os enfermeiros mantinha um diálogo, e agora revelava algo tão triste para a pequena.
– Isso não te faz ter vontade de...Você sabe...
Clara sentou na cama e deixou as pernas para fora. Ela analisou Rachel e por um momento pareceu ofendida pelas palavras da pequena.
– Está vendo aquilo? — apontou para a TV desligada. — Eu tenho o sonho de ser jornalista um dia, você sabe, investigar sobre tudo e ter minha matéria...É esse sonho que me mantem confiante na lista de espera.
Dito isso, ligou a TV e voltou a deitar-se na cama, Rachel permaneceu em silencio pensativa. Acabara de ser humilhada por uma criança? A porta abriu a Quinn entrou com um copo de café nas mãos e um sorriso forçado no rosto Roberto entrou também para trocar o soro.
– Está chovendo lá fora? — indagou Rachel forçando-se a olhar olhar para Clara.
– Já parou, por que? — perguntou Quinn confusa.
– Eu quero ir a praia. — Quinn parou estática e arregalou os olhos, Roberto pareceu ouvir a conversa e também parou o que fazia. — Por favor.
Estava fraca demais para andar, mal conseguia manter-se sentada na cama. Mas isso não a impedia de ter um ultimo desejo, isso não a impedia de sonhar como Clara, não é? Afinal, Clara tinha grandes chances de conseguir realizar seus desejos, e Rachel torcia para que conseguisse, mas sabia que seus dias estavam contados, ela queria apenas poderia aproveitá-los ao lado de quem amava.
Roberto e Quinn se entreolharam e ele parecia não saber o que fazer.
– Rachel...Você está muito fraca. — disse o doutor.
Rachel revirou os olhos impaciente.
– Eu estou fraca, não morta! — exclamou, mas arrependeu-se em seguida quando começou a tossir. O doutor limpou a garganta e olhou para Quinn que esperava uma confirmação qualquer.
– Acho que se você levá-la em uma cadeira de rodas... — disse vencido, Rachel sorriu, — Mas estejam aqui em duas horas, eu não quero problemas.
Quinn não gostou muito da ideia, mas foi obrigada a aceitar. Com a ajuda de alguns enfermeiros, colocou Rachel na cadeira de rodas e a pedido da pequena, ligou para Brittany, Santana, Judy, Kurt e os Berry. Ela queria ver todos, queria ter sua família perto de si. Apesar da insanidade da namorada, Quinn dirigiu direto a praia sempre perguntando se Rachel estava bem e a cada ataque de tosse, queria dar meia volta e voltar para o hospital.
Quando elas chegaram, os Berry e Judy as esperavam na encosta. Correram ansiosas até elas e ajudaram a levar Rachel no colo até um canto mais afastado da praia onde não havia pessoas, a areia ainda estava molhada, então eles estenderam uma manta e Quinn sentou com Rachel ao seu lado abraçando-a. Kurt, Santana e Brittany chegaram logo depois com Benjamin, o cão correu para os braços da dona e lambeu seu rosto enquanto ela sorria, em seguida disparou na areia correndo atrás de Santana e Brittany até a beira mar, Hiram pareceu gostar da brincadeira e puxou o marido para provocarem Benjamin.
Rachel sentiu as mãos firmes de sua namorada em seu ombro e soube que estava segura, olhou para o rosto sorridente de cada pessoa que amava e sentiu-se em casa.
Grew up in a small town
(Cresci numa cidade pequena)
And when the rain would fall down
(E quando a chuva caia)
I'd just stare out my window
(Eu ficava na minha janela)
Santana pegou Brittany pela cintura e a jogou na areia, caindo por cima dela. As duas lutaram por um minuto e depois se beijaram.
Dreaming of what could be
(Sonhando com o que poderia ser)
And if I'd end up happy
(E se eu terminasse feliz)
I would pray
(Eu oraria)
Judy passou a mão no ombro de Rachel e se juntou aos Berry na falha tentativa de pegar Benjamin.
Trying hard to reach out
(Tentando ao máximo alcançar)
But when I tried to speak out
(Mas quando eu tentava falar,)
Felt like no one could hear me
(Sentia como se ninguém pudesse me ouvir)
Rachel sentiu Quinn beijar-lhe o rosto e aconchegou-se mais ao corpo da namorada, rindo bobamente dos outros que brincavam na areia.
I could breakaway
(Eu me libertaria)
Brittany apontou para Kurt que assustou e começou a correr desesperado pedindo para que não sujassem sua calça nova, mas já era tarde e as duas garotas faziam montinho em cima dele. Quinn gargalhou com Rachel e as duas se entreolharam ternamente.
I'll spread my wings and I'll learn how to fly
(Eu abrirei minhas asas e eu aprenderei como voar.)
I'll do what it takes, till I touch the sky
(Eu farei qualquer coisa para tocar o céu,)
Make a wish, take a chance
(Faça um desejo, aproveite a chance,)
Make a change and breakaway
(Faça uma mudança e se liberte.)
Quinn cobriu as costas de Rachel com uma manta, os garotos voltaram para descansar. Kurt praticamente se jogou ao lado da pequena, Brittany ao lado de Quinn e Santana de Kurt.
Out of the darkness and into the sun
(Fora da escuridão em direção ao sol.)
But I won't forget all the ones that I love
(Mas eu não esquecerei todos os que eu amo.)
I'll take a risk take a chance
(Vou correr o risco, ter uma chance,)
Make a change and breakaway
(Fazer uma mudança e jogar tudo pro alto.)
Eles abraçaram-se e Santana jogou areia na cabeça de Quinn fazendo Rachel rir mais ainda.
Breakaway
(Libertar)
***
Quinn voltou para casa naquele dia, precisava urgentemente de um banho e dormir um pouco. Eles não ficaram muito na praia, uma hora no máximo até a chuva recomeçar e todos precisarem correr, então ela e Santana levaram Rachel de volta para o hospital e a latina ficou no quarto enquanto com a pequena enquanto ela conversava com Roberto a respeito dos exames. Estava tudo quase pronto, as esperanças estavam de volta e Quinn sentia-se mais iluminada do que nunca.
Arrumava a cozinha quando o telefone tocou, a loira correu atender e viu no visor que era Brittany.
– Hey, Britt-Britt. — saudou alegremente sentando na cadeira do balcão.
– Oi, Quinn. — a voz do outro lado pareceu séria demais para a loira, e vindo de Brittany, não podia ser boa coisa.
– Aconteceu algo? — perguntou franzindo o cenho.
Ouviu um suspiro cansado do outro lado e então ela sussurrou:
– Na verdade sim, Q. — pausa. — Santana não sabe que estou ligando, e na verdade eu nem deveria...
– Continue, Britt. — interrompeu a loira.
– Quando...Quando vocês voltaram do hospital, ela me contou uma coisa... — gaguejou aflita. — Um coisa que Rachel pediu a ela.
Os olhos da loira se apertaram.
– Que coisa?
Silencio.
– Brittany, que coisa?
Outro suspiro foi dado e a ex cheerio continuou:
– Eu acho horrível esconderem algo assim de você Quinn, mas eu precisava te contar que um dos rins parou de funcionar e que uma cirurgia nas condições em que ela está é arriscada. — as mãos de Quinn começaram a tremer e seu corpo endureceu. — Além disso, ela pediu que Santana a ajudasse com uns papeis sobre doação de órgãos...
Take a look at my body
(Dê uma olhada no meu corpo)
Look at my hands
(Veja minhas mãos)
There's so much here that I don't understand
(Há tanto aqui que eu não compreendo)
Foi o que bastou para que a loira afastasse automaticamente o celular do ouvido e se visse paralisada. Brittany ainda chamava do outro lado do telefone, mas nenhuma resposta veio. Tudo ficou silencioso, apenas a chuva forte podia ser ouvida enquanto a boca de Quinn continuava aberta e os olhos quase saltando da órbita. Em um movimento rápido, ela pulou da cadeira e levou as mãos a cabeça, caminhando de um lado para outro na sala...
Cause I've been treated so wrong
(Pois tenho sido tratado de uma forma tão errada)
I've been treated so long
(Tenho sido tratado assim por muito tempo)
As if I'm becoming untouchable
(Como se eu estivesse me tornando intocável)
O celular foi arremessado contra a porta de vidro que se estilhaçou, a loira perdeu a cabeça e seu corpo queimava. Caminhou desnorteada até o balcão e bateu o braço em todos os copos que voaram direto para o chão, chutou a mesa de centro e trombou com o pilar da cozinha. Sua cabeça girava como uma maldita roda gigante em movimento. Seu desespero tomou conta de sua alma, ela queria morrer, queria desaparecer para sempre.
Então Quinn riu e deixou-se escorregar totalmente para o chão enquanto o riso transformava-se em choro novamente. O vento uivava na porta inexistente agora...Então no mesmo instante levantou e puxou seu sobretudo, colocou a touca e as luvas, calçou a bota e correu em disparada pelas escadas do prédio, sabia que elevador demoraria mais. Abriu a garagem e entrou com violência no carro, assim que girou as chaves o som ligou e ela ignorou-o, saiu cantando pneus pela estrada debaixo da forte chuva. As lágrimas desciam e ela nem sequer se dava ao trabalho de limpá-las, já estava acostumada a elas.
"Boa noite, Lima, meu nome é Mercedes Jones e vocês estão ouvindo a Rádio Romance."
Well, contempt loves the silence
(Bem, o desprezo é amante do silêncio)
It thrives in the dark
(Ele prospera na escuridão)
With fine winding tendrils
(Com delicados galhos espiralados)
That strangle the heart
(Que estrangulam o coração)
They say that promises sweeten the blow
(Dizem que promessas amenizam a desgraça)
But I don't need them
(Mas eu não preciso delas)
No, I don't need them
(Mas eu não preciso delas)
Quinn ouviu a voz profissional de Mercedes do outro lado acompanhada de uma música calma e aumentou o som.
"Hoje a noite está chuvosa, perfeita para casais apaixonados estarem agarradinhos, ouvindo a Radio Romance. Mas é claro que sempre há aqueles casais que estão separados, seja pela distância, seja pelo orgulho, sempre há um motivo. É de onde vem a questão: Duas pessoas podem ser destinadas a ficarem juntas? Feitas uma para a outra? Almas-gêmeas?
O coração de Quinn apertou e ela deu um soco no volante.
"Seria bom se fosse verdade que todos temos alguém esperando por nós. Nós esperando por eles. Não sei se acredito... Talvez eu acredite nessa coisa de destino."
Ela parou o carro na vaga das ambulância e correu para dentro, estava pouco movimentado aquela hora, então nem pediu permissão para entrar, apenas passou pela recepcionista que estava ocupada demais pintando as próprias unhas e seguiu pelo corredor deserto.
I've been treated so wrong
(Tenho sido tratado de uma forma tão errada)
I've been treated so long
(Tenho sido tratado assim por muito tempo)
As if I'm becoming untouchable
(Como se eu estivesse me tornando intocável)
"Porque não acreditar? Sério, quem não quer mais romance em suas vidas? Talvez só dependa de nós fazer acontecer."
A porta do quarto de Rachel estava entreaberta, então ela entrou tentando conter a raiva e a dor. Clara dormia, mas a pequena estava sentada escrevendo algo em seu diário e assustou quando viu o estado de Quinn.
"Aparecermos e sermos o destino do outro. Pelo menos, desse jeito, você terá certeza se foram feitos um para o outro, ou não."
– O que está fazendo aqui? — perguntou a pequena assustada.
– Por que não me contou, Rachel? — a voz de Quinn saiu magoada, mas clara e séria. — Por que não me contou sobre seu rim e sobre a doação? Está tentando me matar? Porque se for isso, está conseguindo.
Rachel pareceu entender o que ela dizia e então largou o diário de lado e abaixou a cabeça.
I'm a slow-dying flower
(Sou uma flor que morre lentamente)
In the frost-killing hour
(Durante uma impiedosa geada)
Sweet turning sour and untouchable
(O doce se torna acre e intocável)
– Quinn, me perdoa, você nunca concordaria com isso...
– É claro que não! — falou alto, Clara remexeu-se e acordou. — Enquanto eu estava lutando dia e noite atrás de um doador, me desgastando e sofrendo, você estava preparando sua própria morte?!
– Quinn...
A loira levantou os dois braços e fez sinal para que ela se calasse.
– Eu estou morrendo, Rachel! — pronunciou chorando. — A cada maldito dia que passa, ver você piorar está me tornando um pedaço do nada.
Rachel tapou a boca e engoliu o choro, gemeu de dor ao sentar-se na cama e por as pernas para fora, Quinn não percebeu o gesto, pois estava cega de fúria.
– Você sabia que seria assim, Quinn, olha pra mim, por favor. — a loira virou-se e encarou os olhos castanhos. — Desde o começo nós sabíamos que seria assim, apenas...Fantasiamos com futuros distantes....
I need the darkness, the sweetness
(Oh, eu preciso da escuridão, da doçura)
The sadness, the weakness
(Da tristeza, da fraqueza)
Oh, I need this
(Oh, eu preciso disso)
I need a lullaby, a kiss goodnight
(Preciso de uma canção de ninar, de um beijo de boa noite)
Angel, sweet love of my life
(Anjo, doce amor de minha vida)
Oh, I need this
(Oh, eu preciso disso)
Quinn bagunçou os próprios cabelos fora de controle e apontou o dedo para Rachel, vendo que não conseguia dizer nada, deu alguns passos para trás e saiu do quarto. O caminho até a saída era perto, então apenas parou na porta do hospital e encostou a cabeça no carro sentindo a chuva em si.
– Quinn... — ouviu uma voz fraca, olhou assustada e viu que Rachel a seguiu.
Estava apoiada em um dos pilares do prédio e quase caindo.
– Você está louca? — gritou se aproximando devagar. — Não pode andar, volte para dentro Rachel.
A pequena não ouviu e continuou caminhando lentamente com esforço em direção a loira.
I'm a slow-dying flower
(Sou uma flor que morre lentamente)
In the frost-killing hour
(Durante uma impiedosa geada)
Sweet turning sour and untouchable
(O doce se torna acre e intocável)
– Eu fiz tudo isso por nós Quinn, eu amo você demais para deixar que se prenda a alguém como eu...Obrigada por tudo o que fez, eu fui a pessoa mais feliz nesses últimos dias, você me fez feliz! Seu sorriso me fez feliz. — ela sorriu fracamente. — Você disse que Deus me fez, e ele está pegando de volta.
– Não! — gritou com todo o pulmão. — Volte para dentro, agora, por favor...
Quando deu mais um passo para se aproximar, o sorriso da pequena morreu e seus olhos paralisaram, ela inclinou-se para frente e o colar pendeu reluzente.
– Rachel! — exclamou quando a pequena desmontou em seus braços, ela se ajoelhou e sentiu a pequena entrando em convulsão, ou hipotermia, ela não sabia dizer, a respiração dela estava acelerada e tremia. — Rachel, meu Deus! Socorro! Socorro! — berrou em plenos pulmões.
Do you remember the way
(Lembra-se da maneira)
That you touched me before?
(Como você me tocou antes?)
All the trembling sweetness
(Toda a ansiosa doçura)
I loved and adored
(Eu amei e adorei)
Enquanto tremia, os olhos se Rachel focalizaram nos verdes, e uma chuva de flash back as invadiram.
"– Estava pensando quanto tempo mais você levaria para abrir a porta. — foi o primeiro comentário de Rachel."
"– Por que está fazendo isso, Quinn? — a pequena tornou a sussurrar agora de olhos fechados. A loira tirou uma mecha de cabelo do rosto dela.
– Porque eu não consigo mais imaginar uma vida sem você."
"Elas riam abertamente, por qualquer motivo. Rachel conseguiu alcançar Quinn e as duas deram as mãos para patinarem juntas. Deus, aquilo era tão divertido. Nunca pensou sentir-se tão liberta e rebelde, mas sim, ela estava feliz ao lado de Rachel. As duas pararam no meio do lago e se encararam por alguns segundos.
– Você é a melhor patinadora que eu já vi, Rach."
"Quinn desabotoou os botões da blusa de Rachel, e continuou beijando-a muito suavemente, com paixão, com desejo, mas com muito amor e carinho também. A blusa da pequena foi parar longe, Quinn sentiu a excitação consumindo-a a medida que tirava os shorts. Rachel cessou os beijos para encarar Quinn, a loira parecia temerosa em continuar o trabalho, então ela mesma desabotoou o feicho do sutiã e viu os olhos da loira hipnotizarem."
Your face-saving promises
(Suas promessas superficiais)
Whispered like prayers
(Sussurradas como preces)
I don't need them
(Eu não preciso delas)
De volta a realidade, pessoas a sua volta se aglomeravam, alguns enfermeiros correram buscar uma maca enquanto Rachel respirava descontroladamente com a boca entreaberta e os olhos em Quinn, uma Quinn desesperada, que chorava e passava a mão no rosto da pequena.
– Deus, por favor, não a leve, eu peço, eu rogo, eu oro, não a leve, por favor! — dizia atropelando as próprias palavras.
A respiração de Rachel foi diminuindo até suas pálpebras pesarem, ela sentiu as gotas gélidas em seu rosto e o corpo quente de Quinn ao seu...Reunindo as ultimas forças que lhe restavam, murmurou:
I need the darkness, the sweetness
(Oh, eu preciso da escuridão, da doçura)
The sadness, the weakness
(Da tristeza, da fraqueza)
Oh, I need this
(Oh, eu preciso disso)
I need a lullaby, a kiss goodnight
(Preciso de uma canção de ninar, de um beijo de boa noite)
Angel, sweet love of my life
(Anjo, doce amor de minha vida)
Oh, I need this
(Oh, eu preciso disso)
– Talvez...Talvez seja como dormir.
Braços fortes entraram no campo de visão de Quinn e arrancaram a pequena dela, colocando-a em uma maca. A loira manteve-se na mesma posição processando as ultimas palavras de Rachel e chorando, quando levantou os olhos, viu que os enfermeiros e Roberto já estavam longe com a maca, então ela correu tropeçando e sentindo seu corpo pesado. O grupo entrou com a maca em uma da salas e a deitou em uma das macas, Quinn entrou atrás deles sem ser notada e continuou em estado de choque observando tudo. Roberto rasgou a blusa da pequena e segundos depois dava choque em seu pequeno corpo para reanimá-la.
Quinn acompanhou tudo angustiada. Rachel começou a perder o foco dos olhos enquanto os médicos passaram do choque, para a massagem cardíaca. Seus olhos rolaram na órbita, quatro médicos praticamente ficaram em cima dela. Sua cabeça pendeu e ela olhou por um momento para a loira, um olhar perdido, mas Quinn sabia que era para ela. E subitamente o medidor indicou a perda. Rachel abaixou o olhar que se perdeu por completo, não sem antes deixar uma lágrima solitária escorrer. O som frenético do aparelho invadiu os tímpanos da loira e quase a deixou louca. Roberto retirou as mãos do peito de Rachel e segurou seu pulso. Logo depois olhou para Quinn e fez um sinal negativo com a cabeça.
Well, is it dark enough?
(Bom, está escuro o bastante?)
Can you see me?
(Você pode me ver?)
Do you want me?
(Você me quer?)
(Pode me alcançar?)
Oh, I'm leaving
(Oh, estou indo embora)
A loira sentiu seu mundo desabar completamente. Perdeu as forças que sustentavam seu corpo e os movimentos das pernas. Olhou novamente para o corpo sem vida em cima da maca. Ela estava tão...
Vazia. Completamente pálida e com os olhos vermelhos de tanto agonizar.
Quinn sentiu enjoo, e, segurando nas paredes e nos batentes da porta, conseguiu se arrastar para fora do quarto.
Os Berry, Judy, Santana e Brittany já estavam do lado de fora com as mãos entrelaçadas e lágrimas nos olhos, todos pareceram entender a expressão da loira, Leroy gritou "Não!" e se jogou no chão com Hiram em seus braços, Brittany abraçou Santana chorando e Quinn abraçou Judy apertando-a com força, querendo passar um pouco de sua dor para ela. Estava exausta, triste... Queria gritar, mas não conseguia, queria enfiar algo afiado em seu peito e arrancar seu próprio coração, ela só não sentia mais nada.
Better shut your mouth
(É melhor fechar sua boca)
And hold your breath
(E prender sua respiração)
You kiss me now
(Você me beija agora)
You catch your death
(Você detém sua morte)
Oh, I mean this
(Ah, eu quis dizer isso)
Ainda em estado de torpor, soltou-se dos braços da mãe e incapaz de chorar ou gritar, caminhou em direção a chuva outra vez. Caminhou calmamente, ouvindo os chamados insistentes de Santana as suas costas, lançou um olhar para o lugar onde havia estado com Rachel e poucos minutos e...Rachel. Abriu a porta do carro com violência e o ligou, o rádio ligou e ela o arrancou na força e o jogou pelo vidro, girou a chave e saiu se embrenhando na noite chuvosa com o carro e uma alma vazia.
Notas finais
Primeira música: Kelly Clarkson - Breakaway
Segunda: My Skin - Natalie Merchant
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