Isabella e o Duque

9 Capítulo 9 XEQUE MATE II


Edward



Logo após ao evento do chá, pedi a Lorde Holmes, meu grande amigo, que tinha muitos contatos por toda a Inglaterra, que investigasse tudo sobre Isabela Marie Swan, seus pais, seus tios e primos. Por alguma razão que nem eu ao menos sabia explicar, queria saber tudo sobre ela... como tinha sido sua infância, sua adolescência, seus hábitos, seus amigos... se havia algum homem em Londres que havia despertado interesse de Isabella... como era sua conduta... enfim tudo.

Em poucos dias tinha em mãos um dossiê detalhado e para minha felicidade tudo sobre ela, era o que eu já imaginava. Vinha de uma família correta, tinha grande facilidade para os estudos, grande leitora, apaixonada por arte... e para minha infelicidade, já era alvo de alguns cidadãos de boa família londrina, que viam na bela Lady uma possível esposa. Seu maior pretendente, na verdade não era inglês, e sim americano, filho de um grande fazendeiro americano, senhor Michael Newton havia encantado-se por Isabella. Ao ponto de pedir permissão ao pai para poder visitá-la em sua casa.

Contudo, como diz o velho ditado, “quem procura, encontra”, foi exatamente o que aconteceu... descobri que nosso administrador de vários anos e, pessoa considerada confiável por minha família, nos últimos anos tinha envolvido-se com o vicio do jogo de azar e suas dívidas eram preocupantes.

Tinha certeza que Isabella nada sabia, porém não tinha tanta certeza em relação a suas primas. Alertei Lorde Holmes à respeito de Anie Swan, pois já tinha percebido o interesse de meu amigo e tal senhorita.


Quando Isabella finalmente chegou a Festa, pude perceber que meu real interesse em saber sobre a vida dela, não era apenas curiosidade, ela simplesmente abalava-me... é claro, eu era um homem experiente, que tinha uma vida social atribulada e uma vida sexual ativa. Não tinha planos para casar-me... meu pai gostaria muito que isso acontecesse e eu vinha pensando remotamente nessa possibilidade, já que a saúde dele encontrava-se debilitada desde o falecimento de minha mãe. Minha única preocupação era, que ao escolher uma dama para casar-me, por mais linda que fosse, mais preparada para ser uma grande dama perante a sociedade... eu no intimo, sentisse-me entediado e, logo estaria freqüentando os mesmo prostíbulos de sempre.

Mas ela... ela abalava-me... aquela menina mulher tão jovem, tão linda e tão destemida.


Estava com um belíssimo vestido, cabelos longos e brilhantes devidamente presos, poderia apostar que era a única em toda a Festa que não usava uma jóia sequer, ao contrário de outras, que provavelmente pediram todas as jóias de família para usarem ao mesmo tempo.

Após o nosso cumprimento, acompanhei com o olhar, Isabella por todo o salão e pude perceber claramente, o olhar dos homens em sua direção, até mesmo Lorde Andrew, o neto do Rei, quis saber quem era tão linda dama. É claro que desconversei e não os apresentei... Isabella ainda não sabia, mas já tinha dono.


Era certo que ela seria minha escolhida para a dança inicial. Pude ver claramente sua intenção de não chamar minha atenção... com se ela pudesse passar desapercebida por mim... com se isso fosse possível.

Minha mente estava sobrecarregada de pensamentos profanos... tudo o que eu queria era ela sobre meus lençóis... cabelos espalhados... olhos verdes brilhantes... toda nua ao meu dispor... eu era um lascivo tinha certeza... mas não conseguia impedir meus pensamentos.


Dançávamos perfeitamente por todo o salão, ao ponto de nem perceber que outros casais dançavam a nossa volta.

Como já era previsto, logo estávamos nos provocando com palavras e sem conter-me joguei a verdade sobre seu tio. Naquele instante, tive certeza que Isabella de nada sabia sobre a conduta do tio... ela simplesmente empalideceu e parou de dançar... era minha oportunidade.


Quando ficamos sozinhos e no decorrer de nossa conversa, vi várias emoções passarem por seus lindos olhos verdes... choque, surpresa, preocupação, tristeza, medo... no fundo de meu coração queria protegê-la, ampará-la...mas quando ela tentou sair da biblioteca acusando-me de estar divertindo-me com tal situação, perdi mais uma vez a razão e puxei-a para os meus braços... e apesar de minha Lady resistir inicialmente ao beijo, logo suas mãos estavam em meus cabelos e nossas línguas duelavam numa ânsia não contida.


Ao nos separarmos ofegantes, sem pensar, levantei a mão o mais delicadamente que pude, limpei as lágrimas que corriam por sua face.


– Porque está fazendo isso comigo Duque?


– Tenho uma proposta a lhe fazer minha Lady, que resolverá os problemas de sua família, assim como o meu próprio?


– Diga senhor.



Isabella



Minha cabeça latejava... muitas emoções conflitantes... dor pela situação de minha família, encantamento pelo beijo arrebatador de Edward.

Não conseguia entender onde o Duque queria chegar... era tão seguro, frio e calculista e ao mesmo tempo tão gentil, doce e apaixonante.

Ele olhava-me atentamente como se quisesse ler meus pensamentos.


– Posso perdoar a divida de seu tio, é claro que ele não terá mais acesso a administração dos fundos das terras, pois esse tipo de confiança ele perdeu para sempre. Ele também poderá permanecer morando nas terras de nossa propriedade.

– Posso quitar a dívida que ele tem com os outros jogadores, desde que ele se comprometa a não se aproximar de uma mesa de jogatina nunca mais.


Edward falava pausadamente, eu concentrava-me em absorver palavra por palavra. Não era ingênua de imaginar que ele estaria quitando todos os débitos gratuitamente, é claro que ele queria algo em troca.

Minha mente tentava imaginar o que seria?

Talvez quisesse o afastamento de minha prima Anie de seu amigo, Lorde Holmes, por não julgá-la boa o suficiente para o amigo.

Por um momento, senti um aperto imenso no peito, ao imaginar que Edward quisesse-me em sua cama, como uma concubina... meu Deus seria possível? Sabia que não era indiferente a ele. Talvez esse fosse seu lance final, colocando-me definitivamente em xeque-mate.

Será que ele poderia ser tão cruel?



– E em troca senhor Duque? O que quer?


– Quero-a como esposa Isabella.


Fiquei olhando para ele sem acreditar.

Como esposa? Só podia ser brincadeira... num sussurro quase que inaudível, perguntei:


– Porque? Não faz sentido algum.


– Pelo contrário, faz todo o sentido.

– Meu pai não tem estado bem desde o falecimento de minha mãe e sei que seu maior desejo e ver-me casado e em breve com herdeiros... sou um homem de 32 anos... preciso em algum momento casar-me.


– Eu entendo Duque que o casamento para senhor e meramente uma formalidade necessária, o que não consigo entender é o porquê de escolher-me? Existem muitas damas desejosas de contrair o matrimônio com o senhor, sem a necessidade de despender qualquer quantia.

– Além do mais, sei que não aprova muitas de minhas opiniões... talvez alguém mais dócil seria mais conveniente.


– É verdade Isabella. Porém minha Lady, já que o casamento é um mal necessário, prefiro casar-me com alguém que seja tão atrevida quanto eu mesmo. E a senhorita é um desafio para mim, pois será um prazer domá-la e moldá-la ao meu bel prazer.


Então era isso.

Eu era apenas um desafio para o arrogante Duque. Ele não acreditava no casamento, muito menos no amor, queria apenas cumprir uma formalidade, agradar ao pai, gerar descendentes e, para não tornar tudo tão enfadonho, unir-se a uma rebelde a fim adestrá-la.


Minha vontade era de voar e arrancar-lhe aqueles lindos olhos verdes... que audácia... que homem prepotente...


E o pior tudo... estava completamente apaixonada pelo meu algoz.


Notas finais
Mais uma vez obrigada pelas recomendações e comentários.
Vocês são muito generosas :) :) :)