Isabella

Estava absolutamente trêmula... tocar piano era meu hobby favorito... porém tocar para uma platéia, e sabendo de antemão, que alguns presentes conheciam muito bem música clássica foi um enorme desafio.

Fiquei emocionada com o elogio do Duque de Sheffeild, ele realmente mostrou sinceridade ao dizer que tinha gostado.

É claro, que meu algoz particular, sim... estamos falando de Edward III, o Duque... o futuro Duque de Sheffeild... o arrogante, o prepotente, o lindo Duque Edward... não poderia ficar apenas num cumprimento formal. Teve que pegar minha mão e beijá-la. Ao sentir o calor de seus lábios imaginei como seria senti-lo sobre os meus...

Pare já Isabella Swan. O que são esses pensamentos? Ele representa tudo o que não aprecio em um homem.

Não passa de um herdeiro acostumado a ter todos os seus desejos satisfeitos, de ter todos aos seus pés e eu deveria ter em mente, que eu não passava de um divertimento.

Recebi um caloroso abraço de Anie e Emie. Lady Alice também foi muito gentil em cumprimentar-me pela apresentação ao piano.

O Duque conduziu-me, juntamente com os demais convidados, para outra sala onde uma imensa mesa, decorada com o mais fino linho, as mais lindas porcelanas e prataria nos aguardavam. Janelas imensas davam para um lado da propriedade, onde haviam diversas árvores centenárias, magnífico cenário.

Senhorita Alice, foi indicado, um à um, o lugar a ocupar na mesa. Para minha total surpresa, sentei-me à esquerda do Duque de Sheffeild, uma honra sem dúvida, já Edward sentou exatamente a minha frente. Ao meu lado, Lorde Holmes e ao lado dele, Anie, que parecia muito feliz. Anie de fato era muito doce, meiga e gentil. Não tinha o traquejo de uma dama da cidade grande, mas tinha uma bondade, uma humildade e uma vontade de apreender, que superava toda a sua simplicidade. Lorde Holmes e Anie, estavam tendo uma conversa bem animada sobre a colheita do trigo.

Aos poucos os criados entraram trazendo bandejas de prata, repletas de bules, bolos de diversos sabores, biscoitos perfumados com baunilha. Podia ver as jovens ali presentes, arregalando os olhos diante da cena, certamente nunca estiveram numa situação tão refinada.

A maioria das moças, não conseguiam disfarçar, não sabiam se olhavam para a mesa e sua abundância, ou se tomam chá, ou se fartam com as guloseimas, ou se olhavam para os cavalheiros presentes. Era evidente o esforço que faziam para manter a postura, não falar alto demais, não fazer barulho enquanto bebiam o chá.

Parece que estava prevendo que algo iria acontecer. E aconteceu... a senhorita Olsen, uma moça ruiva muito simpática, ao virar-se para responder a uma pergunta do senhor Alan Martin, desajeitadamente, derrubou chá no mesmo. Rapidamente Lady Alice chamou dois criados para arrumarei a bagunça, senhor Martin pediu licença para ir trocar de roupa e senhorita Olsen pediu mil desculpas. Percebi que havia uma harpia sentada a mesa, Tânia Denali, o sorriso de desdém que deu diante do ocorrido não passou-me desapercebido. Coloquei seu nome na minha lista mental de pessoas a se ter cuidado.

- Dentro de 10 dias ocorrerá o Baile dos 18, espero vê-la nos salões Lady Swan. — Disse o Duque de Sheffield.

- Oh lamento desapontá-lo senhor, mas não tenho idade para participar. Completarei 18 anos dentro de alguns meses.

- Veja papai, eu e a senhorita Swan estaremos excluídas da festa. Não é uma pena?

- Minhas jovens, lamento pelas duas. A beleza e a inteligência de ambas farão falta ao baile. Mas haverá o próximo ano, então poderão participar. É um evento tradicional nessa casa. O anfitrião, e neste ano será o meu filho Edward, escolherá uma dama para dançar e assim dá-se o início da festa. Haverá apresentações de poesias e a bela Orquestra de Universidade de Oxford estará alegrando à todos.

Então o Duque de Sheffield iniciou uma conversa à respeito de grandes nomes da literatura inglesa. Muito animado, comparava o grande poeta e dramaturgo Wiliam Shakespeare com poetas atuais, como Wiliam Blake e Lordy Byron.

- Meu caro filho, lembro-me de suas apresentações como Hamlet ou como Romeu, quando estudava teatro.

- Hahahaha Papai... Fazem muitos anos. Eu era um adolescente nessa época.

Havia chegado a minha oportunidade. Hora de contra atacar.

- Senhor Duque, então estamos diante de um ator, interprete de Shakespeare. Que fantástica informação. Terá que mostrar seu talento recitando, pelo menos uma pequena parte, dessa obra tão fantástica. Que tal Romeu? Tenho certeza que será adorável. E as damas aqui presentes, bem como os demais convidados do baile, ficaram encantados em apreciar seu talento.

Virei-me para os demais, chamando a atenção de todos:

- Não seria maravilhoso ver o senhor Duque, recitando Romeu? Tenho certeza que senhoritas aqui presentes, adorariam ouvi-lo.

Tânia Denali, a harpia, colocou à mão sobre o peito e disse emocionada:

- Oh senhor Duque, por favor, amo Romeu e Julieta. Nos dê o prazer de ouvi-lo.

Perfeito.

Não conseguia esconder o sorriso, pois o Duque fuzilava-me com o olhar. A mão direita que estava sobre a mesa, apertou-se em fúria. Sentia um imenso prazer em tirá-lo do sério.

- Então está decidido meu irmão, fará uma apresentação de Romeu . – Lady Alice disse com um sorriso, piscando o olho pra mim.

Pelo visto estava arrumando uma aliada e, em plena casa do inimigo.

Xeque!

Tinha enquadrado o Duque novamente. Fiquei triste pela minha vez em não poder comparecer a Festa, seria um deleite ver a atuação no meu opositor.

O chá dado por encerrado, o Duque de Sheffeild, pediu licença, agradeceu a companhia de todos e retirou-se. Caminhamos vagarosamente em direção a sala do piano.

Pude sentir o calor da respiração do Duque, próximo a minha nuca. Sabia que era ele, pois o perfume de almíscar e o leve odor de tabaco despertaram meus sentidos.

- É uma jogadora rápida Lady Swan.

- Fico feliz que tenha apreciado senhor.

- Mas esteja atenta, pois a revanche não tardará.

- Essa disputa nos levará até onde senhor?

- Até a entrega total de uma das partes. Será um prazer vê-la entregue... em meus braços é claro.

Não acreditava no que tinha ouvido. Como ele ousava dizer-me isso. Quem ele imaginava que eu fosse? Uma rameira? Uma meretriz?

“Entregue em seus braços?”

Insano.

Mal conseguia falar tamanha era a fúria:

- Sabe senhor, será fácil derrotá-lo. Sua prepotência o levará a ruína. Fico feliz em não ter que comparecer a tal Festa. Como não comparecerei, não nos veremos novamente, portanto não haverá mais disputa.

- É o que veremos minha Lady... é o que veremos.

...

Edward

Pela primeira vez na vida, estava falando antes de medir minhas palavras.

“Será um prazer vê-la entregue... em meus braços é claro.”

Fui muito ousado, e dei a entender, sem querer, que julgava a senhorita Swan uma dama fácil. O que eu tinha certeza que ela não era.

Mais será possível.

Como eu, um homem maduro, viajado e grande conhecedor do sexo oposto, poderia perder o rumo diante de uma menina. Uma menina que tinha a idade da minha irmã. Mas ela conseguia tirar-me do sério.

Atrevida, era isso que ela era.

Uma linda atrevida.

Tinha que reverter o jogo e definitivamente colocar a senhorita Swan no seu devido lugar.

Um plano começa a se formar...

Logo as charretes começaram a chegar para buscar as boas filhas da cidade de Sheffeld. Pais ou irmãos mais velhos vinha buscá-las, aqueles que tinham um pouco mais de recursos enviavam um cocheiro uniformizado. Nenhuma das famílias tinham carruagem.

Meus amigos franceses conversam agora, animadamente com as irmãs Swan. Lorde Michael Sheldon, um abastado de Londres, conversava com a senhorita Swan, justamente sobre a Orquestra de Oxford. Meu amigo explicava que pela primeira vez na história da universidade, mulheres estavam sendo convidadas a participar da orquestra. Lady Swan não escondia a alegria com a notícia.

- Finalmente os tempos estão mudando Lorde Sheldon. Num futuro próximo as mulheres estarão no mesmo nível que os homens.

- Acredita que homens e mulheres estão em níveis diferentes lady Swan? – Perguntei entrando na conversa.

- Obviamente que sim senhor Duque. Ainda somos criadas para sermos boas esposas, boas mães, não que isso não seja importante, porém poucas mulheres, nos tempos de hoje, se destacam em outras áreas. Nas artes, na medicina, nas leis... somos tão competentes como os homens. Ou pensa diferente senhor Duque?

- Penso Lady Swan. É claro que as mulheres são tão inteligentes quanto os homens, mas pela sua natureza delicada, creio que seja mais prático optar por um bom casamento e ter uma vida confortável.

- Caro Edward meu amigo, Lady Swan é uma dama a frente do seu tempo, uma vanguardista eu diria.

- É possível Lorde Sheldon, mas como todas damas que aqui estiveram, também busca um pretendente de bom nível para garantir o seu futuro.

Pude ver o rosto da senhorita Swan tingir-se de vermelho, seu queixo trincar e seus punhos fecharem sobre o colo.

- Suas opiniões senhor, são dignas de uma tese em Oxford, na área de psiquiatria talvez. Como um homem com os seus conhecimentos, com as oportunidades que teve de estudar, de viajar, de acompanhar o comportamento humano dos seus pares, pode fazer um comentário tão medieval?

- Não nego que boa parte das damas que estiveram aqui, buscam um bom marido, afinal fomos educadas para isso, porém, tenho certeza, e falam isso pelas minhas primas aqui presentes, que não casariam com um homem, por mais títulos que tivesse ou mais propriedade que herdasse apenas com esse objetivo. Somente posso concluir que não acredita no amor senhor Duque.

- O amor é efêmero Lady Swan, um detalhe, não significativo nos enlaces atuais.

Após um discurso acalorado de minha rival, dei minha resposta cortante e antes que a senhorita Swan pudesse responder, minha irmã visivelmente preocupada com o ritmo da conversa, anunciou que a carruagem estava pronta para levar nossas convidadas.

- Muito bem. Como está anoitecendo, seria de bom tom os senhores Martin acompanharem as senhoritas Anie e Emie Swan na carruagem e eu acompanharei a senhorita Isabella em outra carruagem.

Após os partirmos em direção a casa do administrador, não contive-me:

- Então senhorita Swan, teve algum interesse em algum dos meus amigos presentes ao chá?

- Como ousa, o senhor não passa de um mimado...

Ela estava com tanta raiva, tão linda com o rosto corado, que sem pensar, a puxei para os meus braços e a beijei, esmagando seus lábios junto aos meus, sentidos seu maravilhoso sabor, seu coração disparado... assim como o meu...

- Edward...

- Isabella... Bella...

Notas finais
Obrigada de coração pelos comentários e pelas recomendações.
Muito feliz.