Isabella e o Duque
2 Capítulo 2 MATAR UM DUQUE
Edward
Havia chegado a Sheffield há 2 dias. Tinha vindo do oriente médio, onde tinha permanecido um mês viajando por vários países da região. Alinhavando contatos para futuros negócios.
Sim, minha família era muita rica e ano após ano acumulávamos uma fortuna maior. Meu pai, o Duque Edward Cullen II – Duque de Sheffield estava afastado dos negócios há mais de 3 anos, quando minha querida mãe veio a morrer. Papai nunca mais foi o mesmo homem. Ele adorava a cidade de Sheffield e fiz questão, apesar de sempre achar ridícula a Festa dos 18, de comparecer ao evento. Papai ficará imensamente feliz com a minha presença. Sempre esquivei-me de participar, mas queria vê-lo alegre. Convidei vários amigos ingleses e alguns franceses, para comparecerem ao baile.
Minha irmã, senhorita Alice acompanhava papai sempre, como tinha 17 anos não poderia participar do baile pela tradição, mas estava empolgada com a organização do evento.
Sei que o sonho de papai é ver-me casado, dar-lhe herdeiros. Mas estava adiando ao máximo essa decisão. Era um homem livre. Adorava sexo. Mas sexo era um item a ser adquirido. Não causava transtornos, inconvenientes, não seguia regras estabelecidas pela sociedade. Bastava ir a um luxuoso prostíbulo, e haviam vários espalhados pelo mundo. Saciar-me e seguir em frente. Fácil.
A Festa dos 18, apesar de ser tradicional, criada por meu avô, o primeiro Duque de Shelfield, era em tempos modernos, ridícula ao meu ver. Mulheres de uma cidade do interior, com estilo provinciano, não poderiam atrair homens de Londres.
Londres ao lado de Paris eram as duas principais cidades da Europa e certamente do mundo. Claro que não só as moças recatadas de Sheffeild, mas de todo mundo, buscavam um bom casamento. Eram criadas para isso. Para casarem com um bom homem, leia-se um bom partido. Mas imaginar uma mulher de uma cidade do interior, desposando um lorde, um militar de alta patente, um acadêmico renomado ou um rico e viajado herdeiro, soava, no mínimo falso. Não estavam preparadas para lidar com as exigências de uma cidade como Londres. Eram simplórias demais, simples demais, culturalmente inocentes demais.
Pela manhã, os irmãos Martin haviam chegado. Eram ótima companhia. Alegres, viajados e ávidos leitores. Falavam muito bem o inglês, mas quando estávamos juntos conversamos em francês. Eram herdeiros das duas maiores vinícolas francesas e éramos amigos desde crianças.
Após um excelente desjejum, sugeri que fossemos cavalgar pelas vastas terras de nossa propriedade. Possuíamos dois estábulos, um que ficava junto a casa do administrador, eram onde os cavalos usados na colheita do trigo e os cavalos novos, recentemente adquiridos, ficavam. O outro estábulo ficava próximo ao grande palácio. Eram cavalos de pura raça, já devidamente adestrados.
Após uma hora de cavalgada e muito conversa sobre as características das damas que compareceriam ao baile, vi ao longe um belo cavalo negro, próximo ao rio. Nele estava uma mulher. O que não era comum, pois as mulheres não apreciavam a arte da montaria. Poucas se habilitavam, como Alice, que amava cavalos e sabia montar muito bem.
Conforme ia aproximando-me, pude vê-la melhor, estava de costas e tinha um belíssimo porte, a capa verde oliva que vestia era extremamente bem cortada e sua postura sobre o animal, demonstrava total domínio sobre o mesmo. Seus cabelos eram castanhos arruivados e brilhavam ao sol. Batiam na cintura fina e bem marcada.
Vínhamos conversando em francês, e certamente ela deve ter nos ouvido. Resolvi chamar-lhe a atenção em inglês... ela então, fez girar o animal em nossa direção... assim pude vê-la.
Uma menina-mulher de pele muito clara e perfeita. Sem sinais ou manchas. Olhos verdes num tom mais claro que os meus, cílios longos e espessos, maças do rosto levemente rosadas, nariz pequeno e arrebitado e uma boca cheia, carnuda como uma cereja pronta para ser degustada. A capa marcava muito bem sua cintura, suas pernas eram longas, porém não era alta. Ombros delicados, postura perfeita e seios fartos... Linda.
Ela, olhando diretamente para meus olhos, respondeu-me, com sua voz de veludo, como nunca nenhuma outra mulher que já conheci, teve a audácia e a petulância de responder. Nunca, no decorrer dos meus 32 anos, vi uma mulher tão calma, tão concentrada em cada palavra, estudada e certeira para atingir-me. E mesmo ao ser provocada sobre sua presença no baile, teve a ousadia de afrontar-me. E ainda, ao fazer a reverência, manteve a cabeça erguida, seus olhos jamais desviando dos meus... Louca.
Enrijeci por completo, pois fui atacado, sem imaginar que isso pudesse acontecer, por uma menina-mulher de 17 anos. Nem ao menos sabia seu nome. Com certeza irei descobrir.
Alan e Arthur ficaram, evidentemente, impressionados com a bela menina-mulher. Eu é claro, queria encontrá-la novamente, e colocá-la no seu devido lugar. Voltamos, almoços com meu pai e minha irmã e a tarde resolvemos ir ao centro da cidade. Havia uma boa livraria. Alice estava eufórica, adorava o movimento, a agitação, simplesmente não parava de sorrir.
- Porque me olha assim irmão?
- Estou encantando com sua alegria. Não se esqueça que aqui não é Londres. É apenas uma cidade do interior.
- Está bem irmão. Quero apenas me divertir e espero que você faça o mesmo.
Apenas sorri.
Logo que nossa carruagem chegou em frente a livraria, o cocheiro abriu a porta, desci primeiro a fim de auxiliar Alice a descer. Pude perceber vários olhares em nossa direção. Obviamente, as pessoas conheciam o brasão esculpido nas portas da carruagem, o Brasão do Duque de Sheffeild.
Tinha estado nessa mesma livraria a muitos anos, que sem dúvida era uma boa livraria, muito espaçosa e com vários títulos. Alice e os irmãos Martin, foram para a seção de romances clássicos...
Eu comecei a caminhar pelas seções, quando há vi...
Lá estava ela, minha doce, arrogante, prepotente, ousada e bela menina-mulher. Vestia um belo vestido verde mar com mangas 3 quartos. Marcava sua linda cintura e descia por seus quadris, como estava de perfil, pude muito bem apreciar o contorno do seio. O cabelo estava preso num elaborado coque e suas mãos delicadas folheavam um livro. Ao seu lado encontrava-se um rapaz alto, loiro, mais ou menos da mesma idade. Ambos olhavam o livro, conversam e sorriam. Quem seria o garoto? Um irmão talvez, não, talvez um namorado, mas se fosse um namorado não estariam sozinhos na livraria sem a presença de um familiar. Talvez ela fosse ousada demais e estivesse num encontro as escondidas. Meu sangue já corria pelas veias acelerado. O rapaz disse alguma coisa e afastou-se. Agora seria o meu ataque.
Cheguei ao seu lado silenciosamente. Ela devia ter 1.65 de altura, e o perfume que senti ao aproximar-me, invadiu o meu ser. Ela era um enigma que eu precisa desvendar.
Como se sentia minha presença, virou-se. Seus lindos olhos encaram os meus, sua boca se entreabriu e seu rosto corou, não pude deixar de olhá-la encantado. Após alguns segunda, ela fez uma leve reverência:
- Senhor Duque.
Repeti o cumprimento.
- Ora, ora, se não é senhorita invasora.
Para minha total surpresa, seus olhos estreitaram-se, ela levantou o queixo e disse:
- Senhor Duque, espero que essa livraria também não seja de sua, pois estaria quebrando com a minha promessa, de não pisar mais em suas propriedades.
Não pude deixar de sorrir com o seu comentário.
- Não, a livraria não é de minha senhorita.
- Então senhor, dei-me licença, pois tenho certeza que minha presença não é bem vinda.
Quando ia responder, um senhor aproximou-se:
- Senhor Duque, que honra encontrá-lo, fazem tantos anos que não o vejo. Sou John Swan, zelador das suas terras aqui Sheffield.
Já conheceu Isabella, minha sobrinha?
Cumprimentei o homem educadamente. Lembrava-me dele, era um empregado honesto e trabalhava para meu pai há mais de 30 anos. Sua família vivia em nossas terras. Sabia que era casado e tinha muitos filhos.
- Oh meu irmão, consegui encontrá-lo. – Alice se aproxima e cumprimentou o senhor Swan.
- Como vai senhorita lady Cullen? Já conhece minha sobrinha vinda recentemente de Londres? Isabella Swan?
Nisso voltei-me para Isabella, que estava muito pálida.
- Olá, sou Alice Cullen. Que lindo seu vestido senhorita Swan.
- Olá. Obrigada. Por favor, chame-me de Isabella.
- Conheci em Londres uma magnífica estilista, Sra. Renne Swan, é sua parente? Fez alguns vestidos divinos para mim. Preciso retornar a seu atelier.
Isabella ficou mais pálida do que estava, e seus olhos entristeceram-se.
- Sra. Swan faleceu há cerca de 2 meses. – Falou num sussurro. Era evidente o esforço que fazia para controlar-se. Sua mão direita, trêmula, estava sobre o coração.
- Oh lamento saber. Era uma dama tão talentosa, cheia de vida, criativa.
- É uma pena mesmo. E não peça desculpas por favor. Se me derem licença, preciso encontrar minhas primas que estão na casa de chá.
- Senhorita Cullen, senhor Duque. Até mais tio.
Isabella não deu tempo para nenhum de nós falar nada. Saiu rapidamente da livraria.
- Lady Cullen, senhor Duque, perdoem minha sobrinha. Isabella perdeu á mãe e meu irmão, seu pai, há pouco tempo. Foi acidente.
- Oh eu sinto muito. – Disse Alice.
- Ela veio morar com o senhor e sua família?
- Nós gostaríamos muito que ela morasse aqui. Mas ela prefere ficar até completar 18 anos e depois retornar à Londres. Ela é muito independente, uma moça inteligente, lê muitos livros, toca magnificamente piano, estudou nas melhores escolas... creio que a vida aqui, seria muito simples para ela.
- Imagino como é difícil para ela esse momento. Há poucos anos minha irmã e eu perdemos nossa mãe, e foi uma perda irreparável.
Gostaria de convidar sua sobrinha e suas filhas para tomarem um chá na próxima quarta em nossa casa. Estaremos realizando uma tarde de chás e música clássica. Alguns convidados já estarão hospedados em nossa casa, para a Festa dos 18.
- Claro senhor Duque. Será uma honra.
Após as despedidas, seguimos para a Loja de Tabaco Granfield. Arthur queria comprar tabaco para seu inseparável cachimbo.
Meus pensamentos estavam na menina de olhos verde, de boca carnuda e de pele de seda. Pude ver em seus olhos, a surpresa ao nos encontramos na livraria, o impacto de ter seu nome finalmente descoberto por mim e da tristeza pela perda do seus pais.
Adoraria saber como Lady Isabella escaparia de ir ao palácio para a tarde de chás... faria questão da presença da minha linda rebelde. A tarde chás não seria a mesma sem a presença de Lady Swan.
...
Isabella
Dizer que meu coração pulava em meu peito, era pouco.
Maldito Duque. Tinha que ser tão... tão... tão lindo?
Depois do encontro na livraria, procurei acalmar-me. Era certo que agora ele sabia quem eu era. E é claro, não queria causar nenhum tipo de problema aos meus tios. Nem tampouco demonstrar a Anie e Emmie o meu desprezo pelo Duque e seus amigos fanfarrões. Que homens desprezíveis. Rindo das boas moças da cidade. É claro que todas queriam conhecer um bom partido para se casarem, mas boa parte dessas mesmas moças, eram sonhadoras, pensavam em encontrar seu príncipe, o amor de suas vidas. Um homem gentil, carinhoso, cavalheiro... qual mal há nisso?
Meu tio é claro ficou encantado com o convite e quis saber como eu havia conhecido o Duque. Expliquei, que ao voltar do passeio à cavalo, encontrei com o Duque e seus amigos e apenas nos cumprimentamos educadamente. Parece que a mentira havia convencido á todos, menos Anie. Quando nos encontramos sozinhas, finalmente contei à ela, o que havia de fato acontecido.
- Oh Bella, estou chocada, estarrecida na verdade. Como o Duque pôde ser tão grosseiro? Tinha uma outra imagem dele.
- Na verdade Anie, o Duque certamente é um homem de educação e deve ser um perfeito cavalheiro. O que ouvi foi uma conversa entre homens, amigos íntimos, que julgam possuir um status superior as pessoas de Sheffield.
- Mesmo assim, referindo-se à nós como “caçadoras de maridos”... é uma decepção.
- Minha querida prima, você não deve imaginar que todos os homens que estarão no baile, pensam como o Duque. Tenho certeza que haverá homens românticos e amáveis. Esteja apenas atenta. Não permita que a humilhem ou que a tratem com desrespeito. Uma mulher precisa valorizar-se, não esqueça disso. Aliás Lady Alice estará presente e pareceu-me ser uma doce companhia.
Recebi um caloroso abraço.
- Como gostaria que você estivesse presente. Sentiria-me muito mais à vontade. Tem certeza que não irá?
- Nem sob tortura.
No outro dia, ainda pela manhã, recebemos a visita de um mensageiro do Duque, que entregou ao Tio John um convite escrito à mão pelo próprio, reforçando o convite e enfatizando a importância da presença das lindas Lady Isabella, Lady Anie e Lady Emmie Swan.
Tia Mary estava a ponto de ter uma síncope, tamanha a emoção. O dia foi preparar os vestidos, qual penteado a usar, que tipo de comportamento ter diante de família tão nobre...
Finalmente o dia havia chegado. Estávamos na varanda...
- Mas Isabella, como você torceu o pé ao descer a escada, querida?
Minha tia falava inconformada. Mãos na cintura, nervosa, andava de um lado para o outro.
- Eu também não sei tia Mary. Mas não fique preocupada, amanhã já estarei melhor.
- Oh, mas não poderá ir ao chá no palácio...
Resolvi mudar o assunto, se não ficaríamos nessa lamentação até a hora do tio John levá-las para o tão aguardado chá.
- Gostaria de dar alguns conselhos as minhas queridas primas.
Obtive imediatamente à atenção de todas.
- Nesses eventos, é muito importante não chamar à atenção sobre si. Mesmo que a mesa esteja repleta de bolos e doces maravilhosos, comam o mínimo necessário. Se alguém abordar algum assunto do qual não dominam, abstenham de fazer qualquer comentário. Ouçam com atenção e aprendam. Não façam elogios aos anfitriões em excesso, apenas agradeçam o convite para uma tarde tão acolhedora.
Olhavam-me atentamente. Tinha certeza que com Anie, apesar da timidez, tudo sairia perfeitamente, temia por Emmie. Era um amor de moça, mas muito simplória, muito simples, tinha todo o perfil da tia Mary.
Estavam prontas. Escolhemos vestidos bem cortados, Anie vestia um lindo vestido azul claro e Emmie um vestido rosa claro. O cabelo de ambas, foi preso em coques elegantes. Uma leve maquiagem e estavam perfeitas. Pontualmente às 14:30 meu tio estava partindo com sua charrete em direção ao palácio, a casa principal do Duque Sheffield.
Estranhei o horário do chá, 15 hs? Normalmente o chá era servido às 17 hs. Enfim...
Subi ao meu quarto. Abri o armário, onde haviam vários vestidos que minha mãe havia feito especialmente para mim. Peguei um que nunca havia usado. Era confeccionado em seda fosca, vindo diretamente da Índia, onde encontravam-se as melhores sedas. Resolvi vesti-lo, ficou perfeito. Mamãe sempre dizia que os tons escuros favoreciam em contraste com a minha pele muito branca. Calcei sapatilhas no mesmo tom e fiquei a olhar meu reflexo no espelho. De fato, eu era muito parecida com Renne... foi inevitável não lembrar dela em diversas situações... não sei quanto tempo fiquei diante do espelho com a mente vagando por lembranças do passado... quando dei por mim, estava às lágrimas. Tinha que me recompor, lavei meu rosto, refiz a maquiagem leve, ajeitei os cabelos que estavam presos. Ouvi ao longe o som do galope, certamente tio John estava voltando, ouvi alguém conversando na sala e minha tia chamando com a voz aflita:
- Isabella, desça por favor. Isabella?
Oh Deus, será havia acontecido alguma coisa...
Sai do quarto, desci rapidamente as escadas... quando dou de frente com ninguém menos que o Duque, parado ao lado de tia Mary, ambos olharam para minhas pernas, o Duque subiu o olhar pelo meu corpo, detendo-se alguns segundos no decote, depois olhou diretamente em meus olhos... surgiu um sorriso de divertimento em seus lábios.
- Senhorita Swan. Fiz muito bem em vir vê-la. Fiquei preocupado quando soube que havia torcido o pé, e por essa razão não poderia comparecer ao chá. Mas, vejo que além, de ter recuperado-se, tão rapidamente, ainda está, atrevo-me a dizer, lindamente vestida. Se sua tia permitir, seria uma honra para mim, levá-la para o evento. Como sabe, sem sua presença, o encontro de hoje não seria o mesmo.
Eu estava perdida. Qual seria o castigo para alguém que mata um duque mesmo?
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