Isabella e o Duque
10 Capítulo 10 SURPRESA
Então era isso.
Eu era apenas um desafio para o arrogante Duque. Ele não acredita no casamento, muito menos no amor, queria apenas cumprir uma formalidade, agradar ao pai, gerar descendentes e, para não tornar tudo tão enfadonho, unir-se a uma rebelde a fim adestrá-la.
Minha vontade era de voar e arrancar-lhe aqueles lindos olhos verdes... que audácia... que homem prepotente...
E o pior tudo... estava completamente apaixonada pelo meu algoz.
- Posso transformar sua vida num caos senhor. Tem certeza que quer correr esse risco?
- Veja Isabella, você tem tudo para agradar-me... é linda, inteligente, articulada, saudável e tem essa obstinação em defender suas opiniões tão pouco comuns a jovens de sua idade.
Ele dizia cada palavra olhando-me intensamente, e eu que naquele momento encontrava-me completamente dormente diante de tantas informações e sentimentos conflitantes, tinha que fazer-lhe uma pergunta chave... eu simplesmente precisava saber...
Levantei-me e fui até ele, parando em sua frente...
Libertando-me de todos os pudores, convenções sociais, dogmas religiosos e tudo mais que aprendemos no decorrer da vida, como o certo e o errado, como o bem e o mal.
- Além de todas as conveniências que o senhor citou a meu respeito, quero que me responda, com honestidade, olhando em meus olhos:
- O senhor deseja-me Duque? Deseja-me como mulher?
Edward
Mais uma vez, dentre tantas, desde que conheci Isabella, ela conseguiu surpreender-me:
“- O senhor deseja-me Duque? Deseja-me como mulher?”
Olhando-a ali, parada a minha frente, tudo o que mais queria era abraçá-la, pegá-la no colo e lavá-la ao meu quarto e ficar com ela para sempre.
Sabia que a pergunta era audaciosa... ousada até, para os padrões dos bons costumes estabelecidos pela sociedade hipócrita em que vivíamos , porém adorava a franqueza de Isabella.
- Desejo-lhe mais do que tudo minha Lady.
- Muito bem Duque, irei casar-me com senhor.
- Amanhã mesmo terei uma conversa com seu tio.
- Vamos retornar ao baile, ficamos muito tempo na biblioteca.
Caminhamos mais uma vez lado a lado, e tinha que concordar que ficávamos muito bem como um casal. Minha vontade era de colocar a mão em sua cintura para que todos soubesse a quem Isabella pertencia.
Afinal a quem estava enganando? Certamente a mim mesmo. Honestamente não acreditava no casamento, acreditava ser uma convenção social como tantas outras. Vi meus pais serem felizes no seu casamento, mas havia sido uma exceção, meus amigos, aqueles que haviam casado por pressão da família... da sociedade... não eram felizes. Demonstravam serem felizes, mas assim que a oportunidade apresentava-se, via-se a verdadeira realidade... bebiam além conta... falavam mal da esposa e da família da esposa... divertiam-se em casas de tolerância.
Porém, no alto dos meus 32 anos, nunca havia ficado encantado por uma mulher... nunca. Já havia tido várias mulheres, de vários tipos e estilos... em todas buscava prazer... nada além de prazer. Mesmo as damas da sociedade eram enfadonhas... preocupadas em mostrar o quanto eram belas, o quanto eram educadas, o quanto eram preparadas para os renomados salões... não conseguia manter uma conversa interessante com nenhuma delas.
Isabella contudo, veio ao mundo com o propósito de tirar-me do sério... de afrontar-me... de desafiar-me... e eu... bem... eu adorava.
Fascinava-me sua inteligência, sua rapidez em contra atacar-me, seu olhar altivo e destemido... e confesso, meu libido, somente diante dessas provocações, elevava-se aos níveis mais altos. A verdade era que eu a queria, eu a desejava... minha doce menina mulher... talvez após tê-la, o encanto quebraria, como uma taça de cristal que cai ao chão... o meu lado egoísta queria que isso acontecesse, somente para dizer a mim mesmo, que tudo não passava de puro desejo, de pura luxúria e ao final pudesse voltar a minha vida superficial de antes... essa era a aposta.
É claro que todos os olhares estavam sobre nós, como se todos pressentisse que algo estava por vir.
Havia vários grupos de seis a oitos pessoas, entre damas e cavalheiros conversando, vários casais dançavam, deixei Isabella com suas primas que conversavam em um grupo animadamente, pedi licença e fui ter com o neto de vossa majestade... afinal eu era o anfitrião. Lorde Andrew conversava alegremente com várias senhoritas, entre elas Alice... fiquei um bom tempo conversando... mantendo minha vigília sobre Isabella, que ao meu ver, parecia mais relaxada.
O mestre de cerimônias comunicou que faríamos a tradicional dança da troca de pares... o início ocorreria quando, ao iniciar a música, a dama escolheria um cavalheiro para dançar, assim que a orquestra interrompesse a música os pares deveriam buscar outro companheiro para dançar e assim sucessivamente. Fui até o maestro, o mais sorrateiramente possível, e dei-lhe uma instrução... ele apenas consentiu acenando a cabeça.
Todos apostos no salão... nesse momento perdi Isabella de vista... tão logo maestro deu sinal, senhorita Denali parou ofegante na minha frente:
- Oh senhor Duque, aceita dançar comigo?
- Será uma honra senhorita.
Era óbvio que ela não perderia a oportunidade... conhecia o tipo a léguas de distância... senhorita Denali era a típica “a procura de um marido rico e renomado”... tudo nela gritava... o vestido, a maquiagem, o perfume... tinha verdadeira repulsa por pessoas do calibre da senhorita Denali... a interesseira... ela falava melosamente e eu apenas assentia, tentando localizar Isabella... para minha felicidade dois minutos depois, houve a parada da orquestra e logo já estava com outro par... e assim a dança continuou... por pouco não parei de dançar com a senhorita Olsen , ao ver o meu interesse dançando com Lorde Andrew... eles dançavam e conversavam... conversavam e sorriam... sorriam e eu já a ponto de perder a paciência... assim que houve a pausa, rapidamente estava parado em frente ao meu tormento particular... ,
- Então minha querida apreciando a companhia de Lorde Andrew de Hannover?
- Pareceu-me muito simpático e educado senhor Duque.
- De fato. Mas saiba que o rei jamais permitiria um enlace de um neto como uma plebéia. A única candidata viável seria minha irmã Alice.
- Eu acredito senhor, casamentos de conveniência são tão comuns na côrte e na nobreza, não é mesmo senhor Duque?
Ela queria tirar-me do sério, tinha certeza disso. Então, sem pensar duas vezes, peguei Isabella pela mão e caminhei decidido até o maestro, o mesmo que eu havia orientado a manter a pausa mais longa da música, quando estivesse dançando com minha Lady. Pedindo a ele que interrompesse a música, ainda segurando à mão de Isabella, pedi um momento de silêncio à todos.
- Fico imensamente feliz que todos os presente estejam desfrutando desse momento tão especial que é a Festa dos 18. E aproveitando a presença de tão ilustre convidados gostaria de fazer um anúncio que para mim é de suma importância, antes porém, gostaria de pagar minha promessa a senhorita Swan, promessa esta que fiz há alguns dias, aqui nessa mesma casa, diante de testemunhas.
- Recitarei um trecho de Romeu:
“- “Quem terá acendido essa luz? É o sol nascendo, é Julieta!Erga-se, sol luminoso, mate a lua de inveja. .É por isso que a lua está pálida, doente, porque não pode competir nem de longe com a sua beleza, minha amada! Não dê atenção a ela, Julieta, a lua está só com inveja. Só um bobo da corte usaria um traje esverdeado, esmaecido, como esse que o luar veste. Não se deixe cobrir com ele, meu amor. Você é a minha dona”
Olhando diretamente nos olhos verdes claros de Isabella, recitei cada palavra... ela estava pálida, ainda segurava suas mãos trêmulas entre as minhas... assim que terminei pude vislumbrar um leve sorriso.
O momento foi quebrado, por palmas e “bravos” vindo da platéia.
- Obrigada amigos.
- Agora vem o anúncio oportuno.
- Eu, Duque Edward Cullen III, futuro Duque de Sheffield anúncio que casarei com Lady Isabella Marie Swan tão logo combine com seu tio todos os detalhes e que breve espero receber, nessa mesma casa, para compartilharem conosco toda a alegria dessa união.
Silêncio total no salão.
Pude vislumbrar diversos sentimentos expressos nas faces de meus convidados.
Orgulho de meu pai.
Surpresa de meus amigos londrinos.
Choque e bocas abertas de espanto das senhoritas presentes.
Um sorriso encantador de Lady Anie Swan e Lady Alice Cullen.
Virei-me para Isabella e ela estava mais pálida do que nunca... por essa ela não esperava...
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